Os nossos hipócritas e cobardes governos

Para quem ainda tinha dúvidas, este esclarecedor artigo no Público providencia uma amostra da subserviência dos governos europeus perante as multinacionais e do desprezo com que os mesmos governos presenteiam os cidadãos.

Em causa está “O estranho e secreto veto à lei contra a evasão fiscal pelas multinacionais”, lei essa que deverá “tornar mais transparente a evasão fiscal por parte das empresas transnacionais. Essas empresas (como a Google, o Facebook, a Amazon ou a Apple, entre outras) registam os seus lucros em países, como a Irlanda, onde as taxas de imposto são particularmente baixas, apesar de gerarem a maior parte do volume de negócios noutros países. (…) “A Comissão Europeia estima que isto custe aos cofres públicos dos países da UE até 70 mil milhões de euros por ano, ou seja, quase metade do orçamento anual da UE.

É ou não é óbvio para qualquer um, que haveria de se aviar a lei para ontem? Pois há quatro anos que está em cima da mesa um projecto de lei da Comissão Europeia e que os governos andam a bloquear a directiva, com a Alemanha à frente (ou não fora o medinho do ministro da Economia alemão, Peter Altmaier, de aborrecer Trump e criar problemas à indústria automobilística germânica).

Portugal foi um dos países que andou a engonhar o assunto, argumentando que a directiva tinha que ser aprovada no Conselho da União Europeia por unanimidade, sabendo-se de antemão que ela nunca será atingida.

Revela-se assim a hipocrisia do governo português: “Entre os governos que bloqueavam a directiva estavam Portugal e a Suécia, governados por dois partidos, socialista e social-democrata, que tinham nos seus programas linhas políticas inflamadas sobre a necessidade de transparência fiscal e juras de combate à evasão das grandes empresas em offshores.”

E no topo do bolo encontra-se a vergonhosa cobardia dos mesmos governos, que expressamente, quererem ocultar o lindo serviço que andam a fazer aos cidadãos, promovendo e impondo um secretismo profundamente anti-democrático sobre os seus posicionamentos no Conselho. Portugal, Alemanha, França, Malta, Hungria e Luxemburgo votaram contra a divulgação dos documentos do Conselho sobre esta lei.

E agora resta saber se Portugal, durante a presidência que vai assumir a partir de Janeiro de 2021, vai pôr a votação desta directiva na agenda das reuniões do Conselho, ou se vai, mais uma vez, preterir os cidadãos para proteger os evasores fiscais, como está presentemente a fazer a Alemanha.

A equipa de jornalistas Investigate Europe andou a insistir com o ministério da Economia de Portugal para obter uma resposta a essa pergunta, mas: “Depois de muita insistência, a nossa pergunta continua sem qualquer resposta.”

Aceitam-se apostas.

Comments


  1. No caso dos “nossos hipócritas”, o medo mora em casa. É fazer o frete aos merceeiros holandeses e continentais, aos reis corticeiros e respectivas proles. A Alemanha é só fumaça…
    O “nosso” capitalismo dinástico nem imposto sucessório paga!

  2. Filipe Bastos says:

    “Portugal, Alemanha, França, Malta, Hungria e Luxemburgo votaram contra a divulgação dos documentos do Conselho sobre esta lei.”

    Quando são os próprios a decidir a divulgação do que lá fazem ou não, percebemos quão ‘democrática’ realmente é esta UE de lacaios euromamadores.

    E quando é a poderosa Alemanha a primeira a objectar ao mínimo controlo sobre os grandes mamões deste mundo, confirmamos que anda tudo ao mesmo.

    Anda tudo ao mesmo. Qualquer grande riqueza é chulada ou roubada. Qualquer fortuna é indevida. Precisamos de um grande reset, mas não o reset que agora querem impingir com o covidas e o ambiente.

    É um reset ao poder e à riqueza. A bem ou a mal. Tudo indica que será a mal; esta canalha não larga a teta.

    • Paulo Marques says:

      Não ser quer um reset com o Covid e o Ambiente, quer-se um reset porque estes trouxeream uma oportunidade ao mostrar claramente que o sistema é uma ilusão.

  3. Isabel Vieira Eduardo says:

    Em Portugal deviamos baixar os impostos como a Irlanda para que essas empresas viessem para cá

    • Filipe Bastos says:

      Bem visto, Isabel! Como é que ninguém se lembrou dessa?

      Claro que depois a Irlanda baixava mais. E a Holanda. E o Luxemburgo. E Gibraltar. E Malta. Mas nós baixávamos mais ainda. Depois eles. Depois nós. E os mamões a mamar cada vez mais… pagando cada vez menos.

      Quem será que ganha a corrida para o fundo, Isabel, de calças pelos tornozelos e rabiosque bem vaselinado?

      • Jeronimo S. says:

        Ó Felipe a sua resposta querido quase parece “intiligente”. Aposto que é licenciado.
        Mas denota que nunca pensou em quem se lembrou de subir os impostos !
        Mas felizmente existe a concorrência fiscal como “arma dissuasora” contra o roubo institucional , que nunca atingiria qualquer limite, segundo os parasitas Xupadores de impostos.
        Ah, já me esquecia , lá na “faculdade” não lhe “insinaram” que as empresas não pagam impostos. As pessoas pagam impostos… Não se preocupe em responder , a pergunta é retórica, não espero que atinja o significado.

        • Paulo Marques says:

          Quem se lembrou de subir os impostos é quem cedeu à narrativa de que as contas certas servem para alguma coisa, é verdade, para depois cortá-los ao capital porque só a elite cria riqueza. Mas não tem de ser assim.
          E nem a direita queria de outra maneira, como é que criava rendas aos colégios, igrejas, clínicas, assessores, construções e afins? Sem esquecer o mais importante, as instituições financeiras.

        • Filipe Bastos says:

          Caro Jerónimo, na faculdade ensinaram-me +- o mesmo que a si e a toda a gente:
          — que este capitalismo é bom e inevitável;
          — que um pequeno grupo de pessoas é que ‘cria riqueza’ e por isso merece tudo, de salários obscenos a prémios escabrosos, de penachos sociais a borlas fiscais;
          — que a maioria já tem sorte se os ‘criadores de riqueza’ lhe derem emprego;
          — que o dinheiro tem de ser criado do ar pela Banca e pelos sacrossantos ‘mercados’;
          — que temos de pagar esses triliões irreais com a nossa economia e o nosso trabalho bem reais.

          Só que a gente cresce e lê e pensa por nós, né Jerónimo, e fui percebendo que é… treta. Um sistema insustentável baseado em dívida perpétua e crescimento infinito, pensado para beneficiar uma ínfima minoria e manter o mundo cada vez mais refém dela.

          E o Jerónimo, qual a sua desculpa para lamber o cu aos mamões que mandam nos governos e nas leis?

          E porque chama ‘roubo institucionalizado’ a contribuir para a sociedade? Quer que o sustentemos, é isso?

    • POIS! says:

      Pois cá está!

      A típica esperteza saloia! Vinde criminosos ricalhaços que sereis bem recebidos!

      Em contrapartida, o Zé Étnico ou o Manel Desgraçado são um perigo para a sociedade! Fuzilados já!

      • Jerónimo S. says:

        Esperteza saloia é :

        Ricalhaços = Criminosos,

        mas não é tua espeteza não, é dos grandes líderes do teu partido, q tu como atrasado q és , nem notas q são ricalhaços. Tens esse cérebro bem lavado.

        Jerónimo S.

        • Paulo Marques says:

          Se o sistema promove sociopatas, só os sociopatas chegam ao topo, inevitavelmente deturpando ou ditando as regras.
          O resto são sonhos de te calhar a ti um dia, se trabalhares muito.

          • Jerónimo S. says:

            Quando o sistema for bom, os Paulos Marques chegam ao poder.
            Nesse dia seremos todos felizes, pois ele sabe que contas certas é uma narrativa…
            Devemos gastar sem limites, quando o dinheiro não chega rouba-se (*), para isso os Paulos Marques decretam o fim da propriedade privada …e tal e coisa… fome… miséria … morte e claro recomeçar do zero.
            Não é preciso experimentar olhem para a Venezuela, Coreia do Norte, Argentina , continente africano de um modo geral etc etc , onde tem a produção superavitária dum produto que tu adoras. Não sabes qual ? Queres que te relembre ?
            Igualdade … na miséria claro está.
            Dá lá as voltas que quiseres , o teu socialismo produz pobres e miseráveis, exceptuando o Grande Líder e amigos.

            (*) Já me esquecia, as sumidades tipo Paulos Marques nesta altura dizem q não é preciso roubar , é preciso é imprimir dinheiro(com a sua típica clarividência de asnos não conseguem enxergar q é a mesmíssima coisa), assim tipo 1921 na Alemanha ou mais recentemente Zimbabwe 2008, isto só para não me alongar mais…

            JS

          • Paulo Marques says:

            Da mesma forma que há várias cores, também há mais do que socialismo e capitalismo, limites de dinheiro e limite nenhum, propriedade pública e privada, etc, etc, etc.
            E ninguém fala em gastar sem limites, nem um dos recentes bestsellers americanos, The Deficit Myth – apenas, e só, que os limites nada têm a ver com o défice 0, ou 60, ou 90, ou nenhum outro valor. E também não é preciso acabar com propriedade privada, coisa, que, aliás, tem sido realizado com sucesso no capitalismo desregulado – depois das rendas para a vida, da dívida por décadas para móveis e imóveis, da dívida para bens essenciais, veio a renda mensal ao entretenimento. Quem acabou com a propriedade privada foi mesmo o capitalismo.

          • Paulo Marques says:

            Ou isso ou diga lá quando é que o RU, EUA, Alemanha, França, Japão, China, etc e tal planeiam ter défice zero, que a conta só aumenta, e só vai aumentar.
            E tem outro problema, o planeta a arder custa muito mais.

        • POIS! says:

          Pois tá bem!

          Antes de chamar o que quer que seja a alguém, primeiro aprenda a ler. É conveniente. Mesmo nos colégios privados acho que ensinam. É só escolher.

        • Nascimento says:

          É pá, o teclado tem falta de letras, ou é calanzice ? Ensinaram -no a escrever assim na escola? Português? E passou? Realmente o ensino…eheheheh.
          Olha, por isso é que tem raiva aos ” licenciados”! Será?Mas é só comprar um novo teclado! Ou não, ups…eheheheheh .


  4. É mais um tema tabu nos media. Porque será????

  5. JgMenos says:

    Não percebi!
    Os nossos exportadores têxteis iam pagar impostos nos países de destino das exportações?

  6. Afonso Guedes says:

    Esta Aninhas ou é intelectualmente desonesta ou “pensa pouco”, como fica demostrado no naco:
    (ou não fora o medinho do ministro da Economia alemão, Peter Altmaier, de aborrecer Trump e criar problemas à indústria automobilística germânica)
    Esta criatura não faz ideia do que é o direito de retaliação que qualquer nação soberana tem. Direito para ela é aumentar impostos.
    Se ela se desse ao trabalho de usar a parte superior do corpo deduziria que aumentar impostos prejudica as pessoas que usam os produtos / serviços, capice ?

    Afonso Guedes

    • Nascimento says:

      Naõ é nada comigo mas…deves de ser modernaço! Daqueles neomerdas engraçadinhos ,com uma fuça de fuinha! Assim pró branquinho ,suadinho ,tipo betinho merdoso que adora dar uma de paternalista algo arrogante, etc.Olha, já agora um conselho á taxista ( o que eu adoro!): utiliza tu a tua parte debaixo que nisso vais ser um must. Aposto. Capice?

    • Filipe Bastos says:

      Se ela se desse ao trabalho de usar a parte superior do corpo deduziria que aumentar impostos prejudica as pessoas que usam os produtos / serviços, capice?

      Bem, hoje temos aqui uma reunião de génios.

      Depois da Isabel baixa-calças e do Jerónimo lambe-cus, vem o Afonso explicar-nos que se tentarmos taxar os mamões, estes passarão esse custo aos consumidores. Dessa é que também ninguém se lembrava!

      Felizmente que temos a mão invísivel(TM) do infalível mercado para nos proteger… né, Afonso?

    • Paulo Marques says:

      O direito de retaliação não é um direito, direito é a soberania… para quem a quer.
      Aumentar impostos prejudica os consumidores se não houver alternativa, ou se o comportamento não deixar os outros com a conta. Ou se alguém se lembrar daquela coisa chamada controlo de preços, ou do controlo de capitais, ou da tal soberania para banir o que é mau.
      Se te desses ao trabalho de aprender invés de papaguear o teu dono, podia ser que se aproveitasse alguma coisa algum dia.

    • POIS! says:

      Pois não há palavras!

      O Guedes está demais! A parte superior do corpo, pelos vistos, começa-lhe muito mais abaixo. Só pode!.

  7. Alice Pena says:

    Não consigo compreender estes indivíduos que defendem estas multinacionais como a Google Twiter Facebook etc.
    Eles deviam ser obrigados a pagar 90% dos lucros em impostos.
    Além do mais são empresas predatórias e fascistas, como se está a ver agora não só na campanha que fazem diariamente contra Donal Trump mas sobretudo no caso da censura que estão a fazer ás noticias sobre o corrupto Joe Biden e filho https://nypost.com/2020/10/27/hunter-biden-emails-tony-bobulinski-says-he-was-warned-about-going-public/.

    Alice Pena

    • POIS! says:

      Pois tá bem!

      Censuraram as notícias do corrupto. É chato.

      Já o Donald está limpinho, limpinho a brilhar. Nunca vi PVC tão brilhante como o da testa do dito cujo. Sabe que detergente usaram, dona Alice? Tenho cá em casa uns mosaicos para lavar e fazia-me jeito saber. Muito obrigado.

      • Alice Pena says:

        A puta da tua mulher que te lamba os mosaicos, meu paneleiro.

        Alice Pena

        • POIS! says:

          Pois talvez não!

          A coisa pode resultar lá em sua casa mas na minha não.

          Agradeço a resposta mas preferia o nome do detergente. V. Exa. usou a mesma tática no Trump? Com o consentimento do seu marido presumo. O respeito é muito bonito.

        • Ana Moreno says:

          Dona Alice Pena, caso volte a usar tal vocabulário, esteja certa de que censurarei o seu comentário, ou seja, eliminá-lo-ei.

          • POIS! says:

            Por mim deixe, Ana.

            Até para que se veja a “massa” de que são feitos os direitrolhas pró-Trumpas.

          • Filipe Bastos says:

            Concordo com o POIS, Ana Moreno: fora casos de ‘spam’ ou abuso constante, censurar costuma ser contraproducente. A resposta foi mais elegante e eficaz.

            E digo-lhe com verdade: sempre provoquei em blogs de esquerda e de direita; são os de esquerda os que mais censuram. Os de direita, regra geral, tendem a ser mais tolerantes. E não devia ser assim.

            (Uma excepção é o Blasfémias, lá censuram. Parece um clube de betinhos assim ordinarotes: gostam de dar, mas não gostam de levar.)

    • Paulo Marques says:

      Xiça, é caso para ninguém votar no Hunter nestas eleições.
      Mas, err, qual censura? Obrigar os privados a dar megafones a toda a gente não seria socialismo?


  8. “Aumentar os impostos prejudica os consumidores”. Durante os anos dourados do pós-guerra, as grandes empresas americanas pagavam impostos de 70 a 80% sobre os lucros e ninguém se queixava. Porque seria??????

    • Paulo Marques says:

      Havia concorrência e não consolidação – uma daquelas coisas para as quais a UE era suposto servir na propaganda.

  9. Ana Moreno says:

    Olá POIS! e Filipe Bastos, se bem me lembro, em cinco anos nunca censurei nenhum comentário. E também não censurei este da Dona Alice, exactamente para que fique claro de quem vem. Mas avisei, para evitar mais do mesmo e desta vez fá-lo-ei, se for caso disso.

    • POIS! says:

      Estou de acordo com o Filipe Bastos. E digo-lhe que até acho comovente que a “Dona Alice” partilhe com esta comunidade os segredos do seu sucesso como dona de casa.

      E temos também de compreender a sua devoção ao Trumpas. Deve ter sido agarrada por algum lado. Talvez pelos…perdão, pelas orelhas.


    • Força Ana. É assim mesmo. Tolerância zero para quem solta os cães sobre a verdadeira democracia. Vamos nessa!!!!

  10. Ana Moreno says:

    Pode ser que nem seja necessário, até agora não foi 🙂

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