Um mau sinal

Um escroque ficar em terceiro ou segundo lugar, à frente de gente decente e com uma ideia para o país, é um péssimo sinal sobre a saúde política dos portugueses.

O tempo da porrada, aquela vinda dos regimes que estes populistas procuram ressuscitar, já tem umas décadas e a memória de muitos é fraca. Outros não a têm, por não serem desse tempo, e não a construíram pela aprendizagem na escola.

Fonte: PÚBLICO

Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, vox populi dixit. A realidade actual é feita de extremos económicos, com alguns (poucos) extremamente ricos e muitos no limite da pobreza (“10% das famílias mais ricas tem mais de metade da riqueza total em Portugal“). De crise em crise, “Portugal foi um dos poucos países europeus que se tornaram mais desiguais desde o início do milénio“.

É este o estrume onde crescem as raízes do populismo. Que tem o apoio dos imensamente ricos e os votos daqueles que pouco têm, o que não deixa de ter a sua dose de ironia.

Comments

  1. Jorge says:

    É, desgraçadamente, a História a repetir-se. Provavelmente acabará da mesma forma.

  2. Filipe Bastos says:

    “um péssimo sinal sobre a saúde política dos portugueses.”

    Acha? Sinal? Após 40 anos de partidocracia podre, de bandalheira corrupta e impune, chegou agora a essa conclusão?

    E chegou lá porque um chuleco demagogo teve 500.000 votos, ou seja, 5% dos eleitores? Quando 60% nem votaram, é esse o sinal mais ominoso que encontra?

    Bem, não está sozinho: todos os discursos que ouvi, do burlesco Chicão ao mete-nojo César, gabaram-se do fantástico triunfo da “democracia”, a tal que teve 40% dos votos, e alertaram para a temível extrema-direita, a tal que teve 5%.

    Mas nem assim admitem a razão desses 5%, a irreversível podridão do regime. O pulha do Ventura, entre todas as tretas, diz uma verdade: é preciso rebentar com isto. Por isso recebe votos. Que asco ver, como em todas as eleições, a festa pífia do regime.

    Saúde política, diz o j. cordeiro. Mas qual política?

    • POIS! says:

      Pois é tão lindo!

      Afinal os “botinhos” valem! Ou V. Exa. não se teria dado ao trabalho de, implicitamente, os contar. Estou deveras surpreendido, embora não esopantado.

  3. Tal & Qual says:

    bandalheira corrupta e impune.
    E pensa que é com Ventura que vai remediar?
    Basta ver o padrinho dele o laparoto que também aldrabava como o Ventura facholas…

    • Filipe Bastos says:

      E pensa que é com Ventura que vai remediar?

      Pelo contrário, tenho a certeza que o Ventura é um aldrabão de feira, um pulha fingido e vendido que é tão ‘anti-sistema’ como eu sou bailarina do Bolshoi.

      Mas ele apenas releva uma evidência: o regime está podre. A podridão alastra de cima para baixo. E jamais irá mudar com eleições da treta onde mais de metade já nem vota, e onde se escolhe entre merda e merda pior.

      Entendam isto. O que for mau para este status quo é bom para o país. O que for mau para a classe pulhítica é bom para o país. Voto nulo, voto de protesto, não voto, chuvas de picaretas, tudo é melhor que validar e perpetuar esta fantochada.

      Rebentar com isto. Venham dez Venturas, se tiver de ser. Da esquerda só tem vindo conivência sucateira e histeria woke.


      • Os comentadores políticos que atacam ferozmente os agentes da viragem à direita, no Ocidente Democrático, não sabem (ou não querem) explicar as verdadeiras razões dessa viragem. Isto é, não atribuem a atual situação, a decisões tomadas pelos governos democráticos do pós-guerra, durante 50 anos. A saber:
        1. A autorização de concentrações capital que criaram empresas grandes de mais para poderem falir e grandes de mais para não pagarem impostos.
        2. A autorização de criação de offshores e dos mecanismos que autorizam as empresas a usá-los para fugir aos impostos.
        3. A criação de leis da comunicação social que protegem os jornalistas quando publicam notícias comprovadamente falsas (em qualquer outra atividade quem vende gato por lebre fica sem alvará para continuar a vender).
        4. O não combate à criação de lóbis dentro do sistema judicial, que conduzem à perda do direito à justiça para grande parte da população e pequenas empresas.

        Estes problemas não tinham expressão em 1950, mas é necessário corrigi-los agora, se quisermos inverter a viragem à direita das intenções de voto.
        Percebe-se agora que as democracias de inspiração anglo saxónica promovidas (e muitas vezes impostas) pelos anglo-saxões, no pós-guerra, traziam dentro de si regras que impediram os governos de atuar contra:
        1. A concentração do capital
        2. A fuga os impostos
        3. A manipulação da opinião pública
        4. A politização dos sistemas judiciais dos países
        Chegados a este ponto, não há mesmo nada a fazer, senão A Revolução. Deitar tudo abaixo. Quem está melhor posicionado para liderar essa revolução é o populismo. Como sempre.

        • Filipe Bastos says:

          Carradas de razão.

          É difícil à maioria das pessoas aceitar isso; sentem que têm algo a perder. Foram também muitas décadas de histeria anti-comunista, alguma dela justificada, e temem acabar numa ditadura. Daí o Centrão Podre.

          Mas isto vai ter de mudar, a bem ou mal.

      • Paulo Marques says:

        E o que mudava de essencial no regime no dia seguinte? Só o nível de violência, da podridão nada, nem os bodes expiatórios.

  4. LUIS COELHO says:

    É bom que os artistas do sistema que tem desgovernado este país tentem perceber o porquê destes resultados. Porque nem todos os que neles votaram são ricos e ou burro.Mmuito provavelmente, alguns estão descontentes com o sistema e cansados de ouvir falar em minorias, etnias, racismo e outras tretas que são sempre pagas com o dinheiro dos que trabalham e produzem a riqueza que alimenta o sistema e o politicamente correcto para a selfi!

    • Paulo Marques says:

      A menos que a minoria sejam os financiadores do coisinho e camaradas noutros partidos, onde estão as contas?


  5. A desigualdade em Portugal cresceu desde o inicio do milénio, porque existe um pequeno grupo de portugueses que continuou a melhorar as suas condições económicas enquanto o resto do país estagnou ou perdeu poder de compra efectivo. O gap, vem daí.

    bem mais interessante…
    https://barradeferro.blogs.sapo.pt/o-pais-ganhou-costa-e-constanca-cunha-84469


    • E para resolver as desigualdades sugere que se dê o poder a vigaristas corruptos que implementem todo o tipo de medidas para enriquecer quem lhe anda a pagar as campanhas, à custa dos portugueses?

    • Paulo Marques says:

      Sim, o Euro obriga a melhorar as condições económicas de quem fica cada vez mais dono disto tudo.

  6. Vaz Silva says:

    Primeiro foram os ciganos…
    Intertexto revisitado

  7. JgMenos says:

    Como sempre a esquerdalhada atribui o seu insucesso a tudo menos à sua própria cretinice!
    Antes demais, têm nenhuma autoridade para invocar a defesa da Democracia, quando se dedicam a impor o vosso pensamento único com regulamentos e insultos.
    Quanto à vossa luta contra a pobreza, só se vê a vossa luta contra quem acrescenta riqueza, promovendo a distribuição sem cuidar de crescimento, vendendo o desastre de que só o consumo cria riqueza e, já agora, salva o planeta!

    • Paulo Marques says:

      Como se sabe, democracia com obrigações é só para quem trabalha, pagar salários são as indulgências do século XXI. Criar emprego e acrescentar riqueza é outra coisa, não é aumentar a conta no Panamá.

    • abaixoapadralhada says:

      Menos

      “Antes demais, têm nenhuma autoridade para invocar a defesa da Democracia, quando se dedicam a impor o vosso pensamento único com regulamentos e insultos.”

      O que eu ainda verei ?
      Um Salazarista a falar de democracia

    • Paulo Marques says:

      Não me digas, quem tem direito é o teu camarada que afirma que está na altura de uma alternativa à democracia?

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