MOAMBA

  • Tens-te transformado numa coisa muito ruim! – disparou o homem enquanto comia uma garfada de bacalhau.
  • É o que tu dizes. Outras pessoas dizem o contrário. – respondeu a mulher mordiscando um palito de batata frita.

  • Quem? – quis ele saber.

O diálogo prosseguiu neste tom que a excessiva proximidade das mesas me impedia de não ouvir, apesar do ruído de fundo do restaurante cheio.

Refugiei-me na moamba e nas memórias de sabores que, no meu caso, recuam até à infância e a outras geografias.

Enquanto o homem se lamentava em voz alta e a mulher, em silêncio, se arrependia pela milionésima vez de se ter casado com aquela besta, eu sentia alguma nostalgia porque, se quase tudo é reproduzível, isso não acontece com o travo do óleo de dendém caseiro dessa infância longínqua, aquele que marca pela eternidade fora o verdadeiro gosto de uma boa moamba de galinha.

Comments

  1. Tuga says:

    Sei muito bem o que é muamba, mas não sei o significado da palavra ruim. Isso é português ?

    • Tuga says:

      Adoro Muamba, de galinha ou de peixe, mas agora é difícil de encontrar. A ultima vez que comi foi na Régua há muitos anos, mas em Queluz também havia. Agora se calhar essa gente que fazia essa comida em Portugal, já morreu toda

    • POIS! says:

      Ruim?

      Então? É o marido da Ruína.

      É uma história muito triste.O gajo é muito mau e ela está em cacos, toda destruída. A cair, mesmo!

  2. POIS! says:

    Pois…

    Deixem-me adivinhar!

    Não seriam militantes do CDS? Ou antes da Venturosa Agremiação?


  3. Comer bacalhau transforma as pessoas em piores humanos…

    • POIS! says:

      Pois, mas…

      Desde que os humanos não transformem os peixes em piores bacalhaus…acho que a coisa não é preocupante…

  4. Luís Lavoura says:

    Enquanto a mulher se arrependia pela milionésima vez de se ter casado com aquela besta

    Porque diz que o homem é uma besta? Se calhar a mulher é o que o é. Ou se calhar são-no ambos.

    • POIS! says:

      Ora está claro!

      É por isso que eu digo que isto deve ter a ver com o que se passa no CDS.

      Ou então são mesmo candidatos a delegados ao Congresso da Venturosa Agremiação. O tal partido onde reina uma venturosa fartura, um partido muito farto, onde os fartos estão todos fartos uns dos outros.

      Como parece transparecer da conversa.

      PS. Lavoura, a sua análise do caso parece-me um tanto superficial. Por exemplo, não dá importância ao facto de ela estar a mastigar…um palito!

  5. Abstencionista says:

    Que grande cavalgadura, 5 comentários e não diz nada!

    Devem ser “piadas”.

  6. Elvimonte says:

    In memoriam ou ad manes, nada a ver com moamba.

    Pensando bem, de facto um horror!
    Vou já buscar o kilt, colocar o turbante na cabeça e vestir a mini-burka, que me ficará pela cintura. Uma peça muito sexy e de uso obrigatório lá no harém para bem da minha líbido. Harém que durante as minhas viagens só não tenho entregado aos eunucos pelo receio de que alguma coisa não tenha sido bem cortada pela ceifeira castradora da igualdade de género, cujo trabalho nem sempre se revela satisfatório.
    Entretanto vou apanhar sol dos joelhos para baixo até que a pele me doa. Espero ficar bronzeado o suficiente para
    passar pelo menos por mulato.

    No regresso da COP em Glasgow no meu Lear Jet, que isso de alterações climáticas é para a ralé, vou voar directamente para a Líbia. Pretendo adquirir mais umas escravas para o harém num daqueles mercados de escravos que por lá proliferam, bens que desde a abolição da escravatura por esses cristãos islamofóbicos, brancos e heteropatriarcais se tornaram escassos.
    Nos tempos de Ibn Battuta é que era, escravos por toda a parte fornecidos maioritariamente pela milenar máquina de produção africana Bantu, que o diga o ADN mitocondrial – apenas transmitido pelas mães – magrebino, em boa parte de origem sub-sariana.

    Imperdoável que esses cristãos islamofóbicos, brancos e heteropatriarcais tenham acabado com a escravatura e venham
    agora oferecer apenas eunucos, para cúmulo sem a devida cirurgia.
    Diz muito bem, há que os cancelar e à maldita da taxonomia.

    Nota taxonómica dos humanos, nada a ver com moamba:
    Classe: Mamíferos
    Ordem: Primatas
    Família: Hominidae
    Género: Homo
    Espécie: Homo Sapiens (Sapiens)

    • POIS! says:

      Pois estou perplexo.

      Vosselência tem-nos brindado com um sentido de humor de tal modo contagiante que muitos estranharão o caráter pesaroso sorumbático, e mesmo soturno, desta prosa de V. Exa, eivada de uma macambuzidade que a todos causa pasmo, e a alguns, mesmo, espasmo.

      Aliás, trouxe-me à memória aquele incidente relatado pelo ilustre filósofo alemão Thomas Dekender Kleinekopf aquando de um encontro com o jurista americano Robert Mortgage. Segundo ele, Mortgage, a certa altura, terá dito: “Vamos ali para o jardim, que está mais fresco”. Ao que Kelinekopf retorquiu imediatamente: “lá na minha terra os trolhas pegam às oito”.

      Peço que considere estes importantes ensinamentos na sua próxima prosa. Que aguardamos com aquilo que podemos classificar como uma ansiedade parva.

    • British says:

      What ?

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