Variantes Covid e a histeria ómicron

Cópia da Wikipedia em 28/11/2021 (clique na imagem para aumentar)

Um novo surto ameaça voltar a limitar as nossas vidas. Refiro-me à histeria à volta da nova variante ómicron, numa altura em que a euforia de Setembro foi substituída por um estado de calamidade.

Do dia da libertação ao dia do confinamento em cerca de três meses. Houve algo novo que justifique a inversão de marcha?

Em Setembro já se sabia que as vacinas não impediam a retransmissão do vírus e que a sua eficácia decai significativamente com o tempo. Já era conhecida a existência de diversas variantes que desafiam a protecção resultante da vacinação. Israel já ia na terceira dose e já falava da quarta dose. A impossibilidade de se atingir a imunidade de grupo era sobejamente conhecida.

Tudo isto era sabido em Setembro, o que não impediu a campanha propagandista organizada pelo governo.

Agora, retoma-se o estado de calamidade porque… não se sabe bem porquê. A variante ómicron é pouco conhecida e temos 89% da população vacinada (significando, conforme o discurso oficial, protecção da população, se não para a transmissão, pelo menos para o internamento grave). Porém, vêm aí a terceira dose, o confinamento e demais limitações. Como se Setembro não tivesse acontecido.

A comunicação do governo não foi séria. Se não foi num momento, porque é que se há-de acreditar que o será noutro? Como acreditar na discussão da vacinação das crianças quando a argumentação segue uma geometria variável? Como não questionar a informação oficial quando o lobby farmacêutico faz parte dos órgãos consultivos do governo (*)?

A maior ameaça à democracia vem de irresponsabilidades como esta, nas quais a autoridade do Estado sai seriamente danificada.

(*) Sobre a mão do lobby farmacêutico no governo:

Nota: repare-se nas últimas 2 colunas da tabela supra, onde a comparação entre protecção por infecção natural e por vacinação coloca a primeira em vantagem. Obviamente que isto não significa que se deva apanhar a covid para se ficar imune. Mas tendo-se recuperado da infecção, não há razão para insistir na vacinação desse grupo (10% dos portugueses!) nem em tratá-los como não imunizados.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    764 camas gastas, que vão aumentar, fora todos os outros recursos, são histerias, porque não é só o Covid, a doença não existe.
    O omicron, por outro lado, é uma incógnita por mais uma ou duas semanas, não vale a histeria.
    O resto, nesta altura do campeonato já nem merece comentário. Vacinar-se-á, como o resto dos campeões da liberdade, quando o seguro o obrigar ; e não falta muito.

    • j. manuel cordeiro says:

      Dito por perigosos negacionistas:

      OMS diz que não é claro se Ómicron é mais transmissível ou mais perigosa

      Desde sexta-feira, foram reportados novos casos na Austrália, Alemanha, República Checa e Reino Unido. Israel decidiu fechar as fronteiras a todos os estrangeiros. A médica sul-africana que primeiro alertou as autoridades sobre pacientes com a variante Ómicron diz que os sintomas são moderados, embora um pouco invulgares. OMS pede cautela, explicando que ainda se sabe pouco sobre o real impacto desta nova variável.

      https://www.publico.pt/2021/11/28/sociedade/noticia/australia-detecta-casos-variante-omicron-israel-fecha-fronteiras-estrangeiros-1986691

      • Paulo Marques says:

        “O omicron, por outro lado, é uma incógnita por mais uma ou duas semanas, não vale a histeria.”
        Não era sarcasmo, é verdade. Usando a metodologia de “senso comum”, com os dados que há, implica uma taxa de infecção 28x superior, que faz muito pouco sentido. Uma das causas da discrepância pode ser o ansiado mais infeccioso, mas menos letal. De qualquer forma, é tudo puramente especulativo até por volta do Natal. Outra vez.

  2. j. manuel cordeiro says:

    Quanto ao restante comentário, o que é que mudou desde o eufórico Setembro até agora? O que há de novo que já não se soubesse?

    • Paulo Marques says:

      A confusão de, por exemplo, sobre o que é “solução”, regra geral, por toda a gente, porque é preciso ser claro sobre qual é o problema. Se o problema for evitar ter que fazer o que se faz pelo resto da Europa, funcionou com excepções mínimas. E por alguma razão é.
      E quanto ao lobby farmacêutico, a alternativa é o quê, nacionalizá-las? Ou só ter médicos e responsáveis da área que nunca têm contacto com a indústria, quanto mais financiamento para estudos a tratamentos, deixando de haver investigação?

  3. Alexandre Barreira says:

    …….não haja quaisquer dúvidas que……”iste tá tude fodicrom”…..!!!!

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