Uma doença que é de todos

Sara Abrantes Guerreiro era Secretária de Estado da Igualdade e Migrações do actual governo. Pediu para sair por motivos pessoais. Para evitar boatos, o Presidente da República, publicamente e perante os diferentes Órgãos de Comunicação Social explicou que tal se deveu a questões de saúde da própria. A forma como o disse e a expressão facial do PR foi clara e notória para que todos, TODOS, percebessem que era uma coisa séria, grave e profundamente pessoal.

Num país decente, numa comunicação social decente, numa sociedade decente o assunto terminava imediatamente. Ali, naquele momento. Mas não. Nalguma comunicação social, nas redes sociais, na sociedade em geral o assunto não terminou. “Pois, foi mas é por causa de Setúbal” ou “as desculpas que arranjam para disfarçar”. Isto não é apenas intolerável. É, sobretudo, maldoso. Uma filha da putice. De uma sociedade que está doente.

Uma indignidade.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Atão, mas agora os nossos valores já são maus?


  2. Mas por que raio é que eu devo supor que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa e o Dr. António Costa, dois comprovados aldrabões (para não criar discussão política, é só ver as comprovadas aldrabices que, de cara séria e a olhar para nós, disseram no “justo combate” contra a pandemia), estão, desta vez, a falar a verdade? O certo é que, na semana em que estoira um escândalo (do foro criminal) na Secretaria de Estado que essa senhora tutela, ela demite-se. Há 17 ministros e 38 secretários de estado, e a que adoece é precisamente esta – a que não ligou nada ao que a embaixadora da Ucrânia vem avisando desde há um mês sobre o acolhimento de refugiados por uma associação ao serviço do Kremlin. O senhor faça-se de parvo à vontade (ou, se preferir, dê o benefício da dúvida à vontade), agora não se chame “indigno” a quem desconfia que comprovados aldrabões nos estão a aldrabar. PS: se é verdade que está doente, desejo as melhoras à senhora – o que não invalida nada nada que disse antes, como decorre do “Pedro e o Lobo”.

    • Paulo Marques says:

      Mas qual crime?


      • Lei de Protecção dos Dados Pessoais art. 46 e seguintes. Entre outros.

        • Paulo Marques says:

          A recolha é perfeitamente normal, e as partes indignidades não surgem só para os loiros de olhos azuis.
          Saúda-se o desejo de mudança, que, obviamente, desapareça mal o assunto saia da agenda mediática.

  3. JgMenos says:

    Numa sociedade digna será uma indignidade.
    Numa sociedade em que ministros são simples passageiros…

    • POIS! says:

      Pois temos de reconhecer…

      Que JgMenos acaba de estabelecer mais um importante princípio filosofesco:

      “O grau de indignidade é diretamente proporcional ao nível de efemeridade dos ministros que integrem uma dada sociedade”.

      É por estas e por outras que JgMenos deixou de pertencer à presente coletividade.

      Ainda não conseguiu foi arranjar outra pelo que, neste momento, se encontra na “cloud” (*). Já apreciou várias, mas nenhuma serve.

      A mais próxima que encontrou foi a Coreia do Norte. Lá os ministros nunca estão de passagem: só perdem o cargo quando, eventualmente, caem de uma cadeira, ou coisa assim.

      (*) o que tem causado muitos problemas lá em casa. Perde-se muito tempo a levar-lhe a lancheira com as marmitas ao almoço e ao jantar..

      • POIS! says:

        Na realidade há um erro. Onde se lê “diretamente proporcional” de ler-se “inversamente proporcional”.

        Esta correção tinha de ser feita. O erro poderia custar mais um Nobel à Nação!

  4. Pedro Luiz de Castro says:

    Fernando, boa tarde
    Estará cheio de razão, mas os exemplos do passado mostram-nos um caminho de sentido oposto. Ou seja, quando algo corre mal, há sempre as questões de saúde, as fortes razões pessoais, os impedimentos inultrapassáveis para justificar uma saída pela porta pequena.
    Digo isto sem nada saber do assunto, que naturalmente li na Comunicação Social. Mas destaco a diferença de categorização na saída da senhora: muitas das primeiras notícias dizem que foi demitida, e só depois começou a ser revelado que afinal apresentou a demissão.
    A diferença pode não ter significado em termos de saída propriamente dita, mas será enorme em termos de reais razões ou motivações.
    Resta-me dizer que se a razão for mesmo a de doença, o conteúdo do seu texto tem toda a propriedade.
    Cumprimentos

  5. Mário Fernando Lopes Graça says:

    E filhos da filha-da-putice também abundam, como se pode verificar aqui perto.

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