Bons e maus exemplos

Estão a ver quando os liberais usam a República Checa, a Estónia, a Letónia, a Lituânia ou a Polónia como exemplos?

Pois é. Espreitem a inflação nesses exemplos de liberalismo andante no quadro acima.

Comments

  1. O Minorca explica says:

    Aí vem o burgesso do Menos, explicar como a coisa e tal se processa.

    • “Burgesso” é quem não sabe onde é que ficam a a Estónia, a Letónia, a Lituânia, a Polónia e a República Checa, com que países fazem fronteira, e a quem compravam (e deixaram de comprar) a energia, o combustível e vários bens essenciais. Quem, sabendo tais evidências, sugere o afirma que a causa da inflação que aí se verifica é o “liberalismo andante” desses países, nem tem nível para “burgesso”.

      • João L Maio says:

        O liberalismo e, por conseguinte, o capitalismo são como as crianças: têm sempre desculpa.

      • Paulo Marques says:

        É verdade; mas qual foi a ideologia que defendeu que estavam bem assim ao mesmo tempo que deviam ser hostis, colocando-se a jeito para o inevitável? Sem falar que saltarem de pés juntos a ser os primeiros a defender o suicídio colectivo do ocidente.
        Está na hora de serem homenzinhos e defenderem que continua a ser a melhor solução apesar das consequências. Pode ser que alguém acredite, apesar da história nos mostrar o que vale quando não há comida.

  2. JgMenos says:

    Quase me faz lembrar a inflação aqui no rectângulo, quando ainda não eramos tão liberais, e tínhamos orgulho na moeda própria!
    1974 – 27.8 %
    1975 – 20.7 %
    1976 – 18.3 %
    1977 – 27.3 %
    1978 – 22.1 %
    1979 – 24.2 %
    1980 – 16.6 %
    1981 – 20.0%
    1982 – 22.4 %
    1983 – 25.5 %
    1984 – 29.3 %

    • João L Maio says:

      A ti vale-te o fascismo; mas não sabes que o fascismo é, hoje em dia, capitalista? Não vês o teu amigo Putin ou o compincha Bolsonaro?

    • Paulo Marques says:

      Havia poupança e propriedade paga, e até a sagrada dívida pública era baixa (coincidências). Muito pior que a inflação da dívida privada, de certo.

    • Rui Naldinho says:

      Com uma moeda em permanente desvalorização, o escudo, face ao dólar, libra esterlina, marco alemão e franco suíço, peseta, você queria que a inflação fosse residual, como era até há bem pouco tempo, já com o euro?

      • JgMenos says:

        Essa da desvalorização da moeda foi algo diferente de consequência do estado da economia?

        • Rui Naldinho says:

          A Inflação na Europa, só nas últimas duas décadas atingiu o patamar histórico de um dígito, nomeadamente abaixo dos 5%, a partir o aparecimento da moeda única, a chamada Zona Euro. Até aí andava sempre uns valores acima, mesmo em economias mais pujantes, como a Alemanha, ainda que esta tenha resolvido o problema, como sempre, aliás, primeiro de que os outros.
          Antes, os países utilizavam a desvalorização cambial, os menos desenvolvidos, claro, como forma de ajustar a sua moeda à competitividade dos preços nas suas exportações.
          A China, a maior potência comercial deste novo século, faz desvalorizações cambiais ao Yuan quase diárias, com um único fim, manter o nível de competitividade nos preços das suas exportações. Já o preço das importações tendem a subir.
          Que relação há no estado da economia chinesa, com crescimentos acima dos 6,7e 8% e o valor cambial da sua moeda?
          Aliás, tal como acontecia com a economia nipónica nos anos 60, 70, 80 e 90 do século passado, com um Yen a valer uns “tostões” face ao dólar, por exemplo?
          Vender, vender, vender, …

        • Paulo Marques says:

          Claro que não. Tal como hoje destruir salários e poder de compra também não. Ser exportador de baixo valor acrescentado assim obriga, como qualquer contabilista sabe; só deixamos é de ter alternativa. Ou escolha.

    • POIS! says:

      Pois é, Herr Minus…

      E já comparou com outros países da Europa e da OCDE na mesma época? Vá lá! Vai ver que a diferença não é assim tão grande…

      E Vosselência não deu conta que parte dessa inflação era propositadamente induzida, via desvalorização competitiva da moeda? Não?

      O problema da inflação não é tanto o quanto é mas o impacto sobre os rendimentos e o poder de compra.

      Nos anos 60 a inflação era um fenómeno corrente por essa Europa e Américas fora e pergunte a quem vivia e trabalhava em França ou na Alemanha à época se não foi uma época de prosperidade e de alargamento de direitos pelas classes trabalhadoras?

      Pois, por cá não havia porque era combatida com controlo apertado dos preços, congelamento das rendas, proibição dos sindicatos não domesticados e PIDE à fartazana nas empresas. Veio o choque petrolífero em cima do esforço de guerra e foi logo tudo ao ar!

      Em matéria de combate à inflação, aliás, vê-se que os liberalescos de serviço estão a patinar a toda a força. Estão completamente desorientados, aliás.

      Veja-se só isto, para exemplo: ao mesmo tempo que defendem a “moderação” ou mesmo o congelamento dos salários (porque se quer evitar a “espiral inflacionária” quando a inflação vem do lado da oferta e não da procura…), defendem igualmente uma baixa radical de impostos para…que aumente o rendimento disponível das famílias!

      Presume-se que, de modo muito disciplinado, as famílias não gastem essa folga para que não haja a tal “espiral”…E ai de quem gaste! Apanha logo uma arrochada do Doutor Cotrintintin e um pancadão do Venturoso Quarto Pastorinho (*)

      (*) agravado se a malta resolver ir à feira de Carcavelos ou de Espinho comprar roupa mais barata aos…nómadas…

      • Paulo Marques says:

        Então não se percebe? Reduz-se o dinheiro na economia, apesar de aumentar a dívida e acreditarem que é a banca que cria o dinheiro.
        Não tem toda a lógica?

  3. Anonimo says:

    A Suíça é anti-liberal?

    • João L Maio says:

      Não, é neo-liberal. É um paraíso fiscal. Mas é raro os nossos ultra-liberais darem o exemplo da Suíça, falam é sempre dos países do antigo (e podre) Bloco Soviético – sem nunca explicarem as razões que os levaram até aí (o populismo é lixado).

  4. balio says:

    O João Maio tem parcialmente razão. Os liberais (dos quais faço parte) deveriam apresentar como modelo a Suíça – um país muito liberal e com muito sucesso. E com uma inflação muito baixa.

    • João L Maio says:

      Uma correcção: neo-liberal. A maioria dos verdadeiros liberais (social-liberais, ver PS, PSOE ou LP) europeus situam-se no centro-esquerda; os neo-liberais no centro-direita e direita (como a IL, Ciudadanos ou LD).

      • JgMenos says:

        Falta a esquerda verdadeira, que essa não tem inflação, só tem fome.

        • POIS! says:

          Pois talvez…

          Porque há alguma que ainda não aprendeu como a direitrolhada, a cozinhar a inflação para se alimentar.

          É um ingrediente muito versátil: vai com batatas, de fricassé, em molho de escabeche, à Bulhão Pato…

          Pelo Menos.

      • Anonimo says:

        Tudo catalogado e arrumadinho

        • Paulo Marques says:

          Sim, a ciência política existe, mas, como não é STEM, as palavras que queiram dizer o que nos apetece. Porque não?

          • Anonimo says:

            Existe, e é objectiva. Ser de “esquerda” ou socialista na Suécia, em Portugal, nos EUA ou em Cuba é exactamente o mesmo. Tal como a lei da gravidade.

            Ps: prezo ver o PS no centro-esquerda, volta e meia são apelidados de fazer politicas de direita e serem neo-liberais. Etiqueta certa, cientificamente aprovado.

          • Paulo Marques says:

            Isso é o menos importante, mas sim, ora são usados para o posicionamento relativo, ora teórico. Mas também têm os dois sentidos larga história que não vai a lado nenhum.
            Outra coisa é liberal, social-liberal, ou neo-liberal (ou socialista, ou social-democrata, ou…): as directivas essenciais foram claramente definidas por quem as criou. Então as do sagrado Mont Pellerin são cristalinas, os bispos são claros na agenda a falar com os missionários.

  5. Anonimo says:

    Ao contrário do Joao L Maio, não conheço ao detalhe os programas económicos e sociais dos países descritos, bem como de muitos outros presentes na lista. Não sei se são de direita, esquerda, neo-liberais ou liberais não neo. Ou se têm parcelas da economia reguladas, e outras completamente liberalizadas. Ou quais são as suas políticas fiscais e salariais.
    Nem sei ao certo qual o impacto da guerra da Ucrânia, em termos de importações e custo de produtos e matérias-primas.

    • Paulo Marques says:

      É alto. Mas a dependência não caiu do céu. Nem a opção de ficar sem fornecedor.

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