Não olhem para a Lituânia, olhem para Espanha

A Iniciativa Liberal (IL) está a seguir os passos do Ciudadanos, o que é mau prenúncio para o partido. Têm sido semanas difíceis para a agremiação. Não sei se por estar muito calor, o que dificulta o pensamento lógico, ou por estarmos em plena silly season, a verdade é que estas semanas não têm sido abonatórias… e basta olhar para Espanha (ao invés da obsessão com os antigos países do bloco soviético) para aprender a lição.

Em Espanha, o partido “liberal” Ciudadanos, uma cópia mais pequena e mais radical do Partido Popular (tal como aqui a IL é uma cópia mais radical do PSD), acabou reduzido a cinzas depois de anos a fazer figura de “anti” Estado, abrindo as portas ao VOX, partido da extrema-direita e aliado do partido português proto-fascista Chega.

Depois de tanto tiro no pé, o Ciudadanos foi colocado no caixote do lixo da História. Se a IL não começar a ser mais responsável nas suas posições e deixar de tentar igualar-se à extrema-direita para caçar votos, terá os dias contados, mesmo com a panóplia de seitas no Twitter ou de ‘memes’ espalhados pelas redes sociais.

A defesa acérrima aos lucros de empresas que expropriam o consumidor português, o intransigente preconceito ideológico que os faz defender o mercado a qualquer custo, dirigentes que, dizendo-se liberais, por mais do que uma vez têm mostrado tiques homofóbicos e xenófobos ou deputados a comparar António Costa a Viktor Órbán… nada disto beneficia a IL. Porquê? Porque já há um partido a quem os eleitores portugueses confiaram este papel: ao Chega. E porque a maioria dos que, nos últimos tempos, se reviram no partido, estão longe de se reverem nestas últimas atitudes em nada “liberais”.

Ou a IL se assume responsável e começa a ter posições políticas mais sérias, ou acabarão trucidados. É que isto de tentar desviar votos da esquerda sacando da bandeira LGBT, ao mesmo tempo que se tenta desviar votos da extrema-direita sacando da xenofobia e do populismo, vai dar merda – desculpem o meu francês, mas não sei dizer isto em lituano como vocês gostariam.

Monte Negro – a nova face de El-Rei Dom Sebastião

Fotografia: Tomás Silva

Luís Montenegro é, por estes dias, a personificação do mito sebastianista lá para os lados do velhinho PPD.

Depois de anos amolecido, foi preciso esperar que o ruinoso Rui Rio terminasse os seus mandatos e não se re-candidatasse, para que o agora líder do PPD (sem SD) se mostrasse pujante e firme. Luís Montenegro é como aquele puto que, na escola, nas aulas de educação física, diz que é o melhor da turma porque corre muito e resiste a todas as provas de apetência física – mas só se mostra disposto a fazer a aula quando há greve dos professores. Luís também é como aquele nosso colega que diz que já galou duas, três, quatro ou seis, mas que nunca teve uma namorada que conhecêssemos.

Centrista justiceiro, anti-social-democracia, anti-socialismo e anti-ultra-liberalismo, Montenegro é aquele/a namorado/a antigo/a, com quem acabamos a mal, mas que uns anos depois nos aparece à porta, com um novo penteado, uma nova cor nos lábios, roupas caras no corpo e um botox aqui e ali… parece outro/a e até nos perguntamos se a Cátia Montenegro de 2012, que nos traiu com aqueles estrangeiros, é a mesma que nos aparece em casa, hoje, pedindo mil desculpas, berrando amor eterno, jurando compromisso e seriedade. Podemos, por uns instantes, duvidar. De facto, a Montenegro de hoje está mais madura, as mudanças, nota-se, fizeram-lhe bem: está solta e airosa. É, portanto, natural que qualquer Ser Humano se deixe apanhar no emaranhado de charme que esta espalha. No entanto, vista bem de perto, chegamos à conclusão: esta é a mesma Cátia. Tem os mesmos maneirismos, fala das mesmas coisas e continua a dar-se com as mesmas amigas tóxicas com quem se dava em 2012.

Este Luís Montenegro é a nossa Cátia. Hoje, diz-nos que quer ser sério, que se compromete com o país e que não se aliará a forças “racistas e xenófobas”. “Segue-me/Prende-me/P´ra lá/Do meu horizonte”… e fala-nos de amor! Não nos engana: estamos fartos de saber que no PPD não há Santos, só Pecadores. Hoje diz-nos tudo isso, mas é tarde demais.

Cátia, não nos esquecemos do teu papel troikiano, não nos esquecemos da maçonaria, não nos esquecemos que assinaste uma carta onde comparas a homossexualidade à pedofilia, não nos esquecemos dos quatrocentos mil euros em ajustes directos e não nos esquecemos que “a vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor”. Cátia, até podes ansiar, hoje, que eu, desesperado, veja em ti Dom Sebastião nas minhas manhãs de nevoeiro, mas quanto mais te aproximas, mais eu reparo: ah!, afinal é só o Luís Montenegro, o neo-liberal de sempre.

É natural que Montenegro não se queira associar a forças reaccionárias. O Luís já é reaccionário que chegue.

É ou não é: gozar connosco?

Ligo a televisão na RTP e, sentados a uma mesa, num painel sobre o mundo laboral em Portugal, estão Carlos Oliveira, director executivo da Fundação José Neves, ligada à Farfetch (que tem estado nas parangonas por denúncias de abusos e assédios laborais e sexuais dentro da empresa), Estela Barbot, cujo apelido explica de onde vem e é presença assídua, desde 2019, no Bilderberg e, por último, Vieira da Silva, profícuo (só que não) antigo ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, antigo ministro da Economia, Inovação e Desenvolvimento e antigo ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Durante os cerca de dez minutos em que me mantive ligado, ouvi “menos Estado”, “baixar os impostos” e “privatizar”. Bastou-me para perceber qual a intenção do programa, como se o painel presente não tivesse sido, já, escolhido a dedo. Um pau-mandado do CEO da Farfetch, uma Barbot Bilderberg confidente de alguns chernes e um fracassado ex-ministro dos governos que mais liberalizaram a economia em Portugal. Para falar do mundo laboral, dois neo-liberais de berço e um neo-liberal adoptado por vias terceiras. Um espectáculo!

Depois de quase 3 décadas de privatizações em que o Estado rompeu com as suas responsabilidades e de borlas fiscais às empresas do PSI-20 que operam no país (as mesmas que distribuem milhões por accionistas, mas que colocam o dinheiro na Holanda), estas almas iluminadas de presunção acham que a melhor estratégia é fazer com que todos os portugueses comam ainda mais gelados com a testa. E, como se não bastasse, ainda conseguem dizer tudo isto sem se rirem, com uma lata descomunal de quem viveu, sempre, com o cu virado para o sistema solar inteiro.

O programa chama-se “É ou Não É?” e eu digo já que é. É, de facto, de uma falta de noção risível pôr os lobbies privados a render no canal público. Eu rio… e desligo a televisão.

Lisboa antiga, Lisboa moderna

Na Lisboa antiga, quem lá trabalha sabe que não pode lá viver, pois para quem trabalha não é suportável pagar rendas excessivas ou andar de airbnb em airbnb.

Na Lisboa moderna, tudo é diferente. Há rooftops, sunsets, beers em pubs e chefs com Michelin, onde só os que usam anel no mindinho são livres de circular.

Duas Lisboas, na mesma Lisboa. Obrigado, neo-liberalismo.

Ele aqui está, Manuéis Acácios

Enquanto as maiores cidades europeias dão passos rumo ao progresso, alterando as formas de locomoção das suas populações, a pouco e pouco, num processo que vem de trás, Portugal continua a correr atrás do prejuízo, como sempre.

E, mais grave do que Portugal num todo, é Lisboa, particularmente. Uma cidade que, em comparação com as maiores cidades europeias, é pequena, decide, pela mão do seu presidente da Câmara, Carlos Moedas, e pelo executivo que a compõe (PSD/CDS e mais uma catrefada de movimentos políticos), atrasar ainda mais Lisboa em relação às outras capitais europeias. Portugal sempre foi atrasado… mas deve ser dos únicos países da UE neste momento, onde andar a pé ou de bicicleta é “desporto”.

O que se está a passar, quer com a polémica da Av. da Liberdade, quer com a polémica ciclovia da Almirante Reis, atesta a incompetência do executivo e a prepotência e arrogância, com laivos autoritários, do senhor presidente da Câmara (tão lesto, antes, a mostrar a face do conciliador). A título de exemplo, ontem, depois de já se ter comprometido com forças da oposição de que iria ser aberta uma consulta pública para a ciclovia da Almirante Reis, Carlos Moedas desfez o acordo e desdisse a promessa: mandou iniciar as obras que desfizeram a ciclovia… que passa a não existir. Mais carros. Portanto, inevitavelmente, mais poluição; estamos sempre na vanguarda. Lisboa, que tem o potencial para ser uma cidade feita para as pessoas, até pelas características do país, continuará (o que só se acentuará com este executivo) a ser, apenas e só, uma cidade para os negócios e para os carros. Pessoas? Nos escritórios. Unicórnios, de preferência. Com dinheiro. Pessoas? Só fora da cidade. O neo-liberalismo que tinha sido (mais por obrigação eleitoral do que por vontade própria) posto na gaveta nos últimos anos em Lisboa, voltou em força com Moedas.

Um bando de tartufos governa a CML como bem entende, fazendo acordos e prometendo consensos para, depois, agir sozinho, a bel-prazer. Mas não vamos, agora, fingir que isto não era expectável. Votar no mal-menor para afastar um patego, pode ser perigoso, por muito que o patego o merecesse (mas, afinal, o patego foi promovido). Votar a medo dá sempre mau resultado, quando o voto deve ser convicto e não medroso. E é nisto que dá.

Menos de um ano de governação autárquica… e Moedas, perdoem-me o francês, vai fodendo isto tudo. Não que seja surpresa, sabíamos ao que vinha, apesar das máscaras que usou entre campanhas… e sabemos sempre ao que vem a direita: ao retrocesso.

Expectável, amigos. Aguentem.

Já agora, a EMEL anda a passar muitas menos multas, não é?

Fotografia: Tiago Sousa Dias

Tortilha de direita

O CHEGA quer governar o país, mas depois não sabe a diferença entre o 25 de Novembro de ‘75 e o de ‘76 e ainda equipara a data dos reaccionários ao 25 de Abril.

A Iniciativa Liberal quer governar o país, mas depois diz que em 1949 Portugal pertencia ao “mundo livre” e ainda troca a bandeira da Polónia pela da Indonésia.

Direita muito torta, esta.

Fotografia: jornal Expresso

São liberais e não sabem

O mundo “livre” segundo a IL.

Vai caindo a máscara ao auto-denominado “primeiro partido liberal em Portugal”.

Depois da “frescura” que foi o aparecimento da IL no panorama político português, os neo-liberais do partido de Cotrim de Figueiredo vão mostrando que são, apenas, mais um partido liberal em Portugal. Neo-liberal, portanto.

Ser a favor da NATO e da presença de Portugal na organização bélica, ainda se aceita. É legítimo que argumentem que “é forma de defesa”, da mesma forma que é agora legítimo que Finlândia e Suécia decidam aderir à NATO por considerarem que a sua liberdade e autonomia estão em perigo. É questionável, mas legítimo. O que não é normal é inferir que a NATO em si representa o “mundo livre”.

Primeiro, porque Portugal aderiu à organização em 1949, estava o país sob o jugo fascista de Salazar e compinchas. Segundo, considerar a Turquia um sinónimo de “mundo livre” é abusar da confiança no populismo. Terceiro, ignorar que Hungria e Polónia têm projectos de poder anti-democráticos em curso só para louvar a máquina bélica que é a NATO, parece-me desonesto. Quarto, trocar a bandeira da Polónia pela da Indonésia atesta a maneira tosca como a IL vai dando tiros nos pés desde que elegeu um grupo parlamentar.

Escusado será falar dos EUA e de todos os crimes de guerra que já cometeu e do terceiro-mundismo que exibe dentro de portas.

Só posso concluir que Turquia, Hungria e Polónia são liberais e não sabem. Estudassem.

IL – Indigência Liberal

As Alices no país dos neo-liberais.

Quando ainda não era politicamente relevante, o partido neo-liberal Iniciativa Liberal escrevia no seu programa político (ver “Racional”, ponto 14) que “os activos virtuais têm vindo a assumir uma importância crescente (…), com destaque para as criptomoedas”.

Face a esta importância crescente, qual a abordagem que a IL recomendava, então, no seu programa eleitoral?

A seguinte, pasmem-se: “Dada a elevada volatilidade [das criptomoedas] (…), importa ter um quadro regulatório claro, assim como de tributação adequada (…). Para além dos activos em si, importa também regular o funcionamento de bolsas (…)”. Acrescentava o partido que as criptomoedas poderiam ser uma forma de branquear capitais e financiar práticas terroristas.

A IL quando queria “regular” e “taxar” de maneira “adequada” as criptomoedas.

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Surpresa! Vitória!

Surpresa… fomos enganados!

Vitória… liberal!

“O liberalismo funciona e faz falta a Portugal”.

Nunca se esqueçam.

Pão e bolos

Diz o Primeiro-ministro:

Observador

Digo eu:

Expresso

Diário de Notícias

Jornal de Negócios

Nascer do Sol

Fui…

Farfetch: como se constrói uma multi-nacional (parte 2)

Portanto, é de facto um tema de uma enorme prioridade, num momento em que se estima que cerca de 20% da população mundial vive com problemas de saúde mental, sendo a ansiedade e a depressão as perturbações com maior incidência. E, ainda para mais, sendo este um tema tabu em Portugal.

É assim que Carlos Oliveira, presidente executivo da Fundação José Neves (FJN), criada pelo CEO da Farfetch, introduz o “Guia para o desenvolvimento pessoal: como investires no teu bem-estar?”, em entrevista ao Diário de Notícias em Fevereiro de 2022.

Carlos Oliveira, presidente executivo da Fundação José Neves. Fotografia: Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

No texto introdutório do “Guia”, facultado pela FJN na ligação acima, podemos ler que “(…) vivemos num mundo em que ter “mais” parece ser o melhor para o nosso futuro. Trabalhar mais, esforçarmo-nos mais, competirmos mais, comprar mais, ter mais dinheiro. Até certo ponto pode ser verdade. E quando chegamos àquele nível em que para alcançarmos “mais” temos que perder? Começamos a perder horas de sono, tempo com a família, abdicamos do desporto e deixamos de cuidar de nós. Será que querer sempre “mais” continua a ser o melhor caminho?”. O que parece ser uma inciativa relevante, primordial e de valor, pode ser, afinal, um sinal de que há pessoas com responsabilidade dentro da Farfetch que não leram, ou não quiseram ler, o “Guia” fornecido pela fundação do CEO da empresa. Ou os deuses estão loucos.

Fundação José Neves

Instado a responder à pergunta Têm dados de quanto a pandemia veio agravar o problema e qual o impacto real dos problemas relacionados com a saúde mental?”, Carlos Oliveira responde que não, mas que “(…) obviamente, todos temos a noção de que a pandemia veio por a nu estas dificuldades, por diversas razões, desde alterações dos padrões de vida a que estávamos habituados a alterações nas dinâmicas de socialização, aumento de situações de stress emocional a que as pessoas estiveram expostas, etc”. De facto, é notável o peso que a pandemia teve ao nível da saúde mental da generalidade da população. Senão, vejamos o testemunho anónimo de um antigo trabalhador da Farfetch: [Read more…]

Farfetch: como se constrói uma multi-nacional (parte 1)

A Farfecth

Se acedermos ao endereço http://www.farfetch.com/ podemos ler o seguinte sobre a empresa:

“A Farfetch existe pelo amor à moda. Acreditamos no empoderamento da individualidade. A nossa missão é ser uma plataforma global para a moda de luxo, conectando criadores, curadores e clientes.”

Então, o que é a Farfetch? A Farfetch é uma marca de venda de moda de luxo. Concentrando as suas vendas no mercado on-line, a empresa foi criada em 2007, pela mão do empresário português José Neves. Trata-se, portanto, de uma multi-nacional de invenção lusitana. Conta, neste momento, com cerca de 4500 trabalhadores e tem sedes no Porto e em Londres. Os seus mercados predilectos são o norte-americano, o japonês, o chinês e o brasileiro.

Fotografia: Fernando Veludo

Quem é José Neves?

José Neves criou a Farfetch em 2007. O empresário já investia no mundo da moda desde a década de ’90. Em 2007 cria a B Store, uma empresa de moda com loja física e que apostava em marcas e designers jovens e inovadores.

José Neves, CEO da Farfetch. Fotografia: Público

É em 2007, numa viagem à Semana da Moda de Paris, onde se desloca para promover a sua loja B Store, que Neves tem a ideia de criar uma marca de bens de luxo que operasse on-line e investisse em valores emergentes ao redor do mundo. Em 2013, o The Economist dizia sobre a empresa portuguesa que esta “valoriza as suas origens, dando oportunidade a boutiques independentes, mas permitindo que estas mantenham a sua identidade, ao mesmo tempo que cimenta a sua posição no mercado mundial”. [Read more…]

O Parlamento feito call-center

A IL elegeu oito deputados. Oito pessoas que são, agora, a contra-gosto, funcionários públicos.

É claro que não se chamam “deputados” ou “trabalhadores do Parlamento”, mas sim “colaboradores da democracia”. A bancada da IL terá uma #pub nova todos os debates. Os colaboradores da democracia da bancada da IL usarão todos um chapéu, como daqueles que o José Mota levava às conferências de imprensa em Paços de Ferreira, só que em vez de dizer “Capital do Móvel” dirá “Capitalista Ignóbil”.

A partir de agora, haverá sempre um manager no meio da bancada da IL, que a cada dez minutos vai gritar: “ESTAMOS QUASE, ESTAMOS QUASE A ATINGIR AS VENDAS DO DIA, EQUIPA MAGNÍFICA, VAMOS A UM ÚLTIMO ESFORÇO, VOCÊS SÃO INCANSÁVEIS POR ESTA MARCA. VAMOS, DEZ MINUTOS PARA FECHAR, ESTAMOS POR TUDO: IMPINJAM O SNS AO GRUPO MELLO A PREÇO DE SALDO!”. Tudo isto para manter o mindset na ordem, pois claro.

Uma vez por mês, a IL fará uma promoção especial. Portugal: pague por dois, não leve nenhum. Não acredita? Experimente você mesmo! O liberalismo funciona e, mesmo depois destes trinta anos de liberalização económica que nos trouxe ao lodo, continua a fazer falta a Portugal! [Read more…]

Escrito a ouro

A Iniciativa Liberal está a vender canetas a €3,00.

Sempre ouvi dizer: se merda valesse ouro, pobre não tinha cu. E a IL comprova-nos isto todos os dias.

O neo-liberalismo explicado por uma idosa

Fotografia de Rui Borges. 2014.

Saramago é que tinha razão

Partiu de um tweet de Pedro Schuller, deputado municipal da Iniciativa Liberal na Câmara Municipal do Porto, que ficou mais conhecido por ter sugerido fazer a comunistas e a bloquistas o mesmo que Pinochet fazia aos seus adversários políticos.

A origem? Ninguém sabe. Terá surgido na cabeça do génio dos finos da Foz? Terá surgido num dos Think Tanks neo-liberais cá da praça? Terá surgido nalguma reunião nacional, distrital ou concelhia do partido dos neo-liberais portugueses? Ninguém sabe. Sabemos, no entanto, que Pedro Schuller achou boa ideia expor, em plena internet, as suas ideias, até ver, pessoais, para o país.

O tweet do Pinochet dos Aliados

Uma coisa sabemos: sobre offshores ou fugas ao fisco por parte dos poderosos, nada dizem. Aliás, dizem, em privado, mas têm medo de o mostrar em público – diz que ficaria mal, ou não sei quê. Mas, se na imagem acima fica imperceptível que os neo-liberais querem, de facto, pôr o país à venda, deixo-vos a proposta do Pedro Pino Schuller em pormenor, abaixo. [Read more…]

As 1001 mentiras de André Coisinho e os Liberais a aproveitar o restolho

André Ventura foi ao Twitter dizer que, qual mártir da honestidade, abdicou do salário de deputado municipal “com enorme desapego”, cargo para o qual foi eleito nas últimas autárquicas.

Acontece que tal é impossível, pois o salário de deputado municipal…não existe. Pessoalmente, também não costumo ter apego por aquilo que não existe. Mas isso sou eu, um patego!

Não ter um pingo de vergonha na cara: lição 2348

Noutra notícia, nada relacionada: então parece que a Iniciativa Liberal quer pescar no Chega? Sabemos que a extrema-direita é o Plano B do Neo-liberalismo. Só não sabíamos que iria ser tão rápido.

João Cotrim Figueiredo, em declarações à LUSA, aqui citadas pelo pasquim da Manhã

Quando o Pai – que é como quem diz, o PSD – espirra, os filhos – que é como quem diz, o CH e a IL – constipam-se. E tudo isto com o primogénito – que é como quem diz, o CDS – em fase terminal num Hospital Privado. 

A culpa é… do Socialismo?

Notícia da TVI

Enquanto dois mil bilionários tiverem mais riqueza do que 60% da população mundial, continuará a haver desigualdade.

Ninguém é ou se torna milionário ou bilionário a trabalhar honestamente. As maneiras de o conseguir passam por heranças e/ou exploração selvagem de trabalhadores (horários de trabalho não balizados, salários perto de 0, mão-de-obra infantil, etc), o que constitui um dos mais pesados e prolíficos motores do capitalismo.

O próximo passo? Taxar realmente as grandes fortunas. Ilegalizar offshores. Mudar as leis do trabalho.

Enquanto não se tiver mão nisto, continuando com a lenga-lenga da “liberalização da economia”, continuaremos a ver as desigualdades acentuarem-se. Ninguém trabalha o suficiente para ser milionário; e atrevo-me a dizer que quem é milionário… não trabalha; arranja quem trabalhe para ele. E “ele” – o milionário – explora as necessidades de quem para ele trabalha ao máximo. Só assim se justifica esta acumulação pornográfica de dinheiro, que insulta a inteligência de quem trabalha.

Não existe bom e mau capitalismo.
Existe capitalismo.
E é assim que este funciona. 

E como os reaccionários neo-liberais e neo-fascistas tanto gostam de nos neo-enganar: a culpa, essa, deverá ser, apenas e só… do socialismo. Está na cara!

PS-L: Partido Social-Liberal? ou o mito que cai por terra

Desde 2019, aquando da entrada, na Assembleia da República, de duas forças políticas (IL e CH) que, até aí, nunca tinham feito parte do jogo democrático enquanto partidos (preferindo, por contrário, estar submetidas a PPD-PSD e CDS-PP), que a narrativa do “SOCIALISMO”, da “EXTREMA-ESQUERDA” e da “VENEZUELA DA EUROPA” ganhou força e se viu reproduzida por esses Twitters afora.

A narrativa populista dos neo-liberais e dos neo-fascistas da Iniciativa Liberal e do Chega, respectivamente, mostra-se, no entanto, infrutífera, quando atentamos em factos consumados, comprovados e indesmentíveis. Dizem-nos os noviços reaccionários (que não são novos) que o PS, à boleia de BE e PCP, se esforça para transformar Portugal numa espécie de Cuba (neste caso, uma Cuba social-liberal, deduzo…) europeia, comparando o regime português a uma ditadura qualquer da América do Sul e fazendo analogias com o tempo da Outra Senhora, vestindo António Costa com insígnias da PIDE-DGS; vamos, então, aos tais factos.

Quando o PS decidiu formar Governo, em 2015, precisou de se juntar à Esquerda parlamentar para conseguir almejar o objectivo de derrubar a Troika, representada por PSD e CDS (partidos onde, na altura, se escondiam a IL e o CH). Tal objectivo só foi alcançado através de acordos escritos entre os centristas do PS e a Esquerda. Durante quatro anos vivemos sob a governação do PS, apoiado em BE e PCP, naquilo que ficou e ficará na História como a “Geringonça”. No entanto, nas Legislativas de 2019, o PS venceu as eleições e, mesmo não atingindo a maioria, decidiu governar sozinho, sem acordos escritos, achando que poderia ir cedendo à Esquerda e à Direita conforme lhe desse mais jeito. Não contava o PS com a entrada no Parlamento de dois partidos populistas que não se cansam de distorcer e manipular a realidade política e social em Portugal. E, com isso, não contava com a narrativa do “SOCIALISMO”, da “VENEZUELA” e do “MARXISMO CULTURAL”, chavões desadequados, ora porque, como sabe quem percebe minimamente disto, nem as políticas do PS são socialistas, ora porque há teorias da conspiração a mais; mas o PS deixou-se estar. Parece, também, que à falta de argumentos válidos, os populistas da Direita reaccionária atiram esse barro à parede; só que não é barro, é arroz em papa. Desmintamos, então, a realidade da Direita tremoço.

A realidade desmente os trauliteiros do Twitter. Contrariando a narrativa da Direita (e até a do próprio PS em relação à Esquerda) saberão os leitores ao lado de quem votou mais vezes o PS na AR? Não?! Atentem, então, nos números abaixo:

Os “best friends forever” do PS na AR: PSD, CDS e IL

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Neo-liberal-capital: as Marteladas bilionárias

Desde 1980 (antes também, mas marquemos o barómetro aqui, porque Thatcher+Reagan=amor infinito) que se tem assistido a um cavalgar do capitalismo selvagem, imposto pelas políticas neo-liberais, o que levou à abertura do fosso, já de si grande, entre os muito ricos e os pobres e muito pobres. Para além disso, a narrativa dominante demonstra uma aporofobia asquerosa, de rejeição e hostilização do Ser que é pobre, negando-lhe acesso aos mais elementares direitos básicos de sobrevivência, assim como o hábito de inculpar o pobre por ser pobre, ao invés de se inculpar o sistema capitalista vigente há mais de quatro décadas.

Thatcher e Reagan, os dois maiores expoentes de um neo-liberalismo colonial entre as potências ocidentais; Fotografia retirada do site Aventuras na História

  • Uma pessoa, associação ou partido político defende que toda a gente deveria ter direito e acesso a uma habitação condigna, água e luz a preços acessíveis: radical!

 

Fotografia: DW.

  • Um senhor calvo, com semelhanças arrepiantes com o Dr. Evil, explora milhares de trabalhadores e gasta bilhões de euros numa viagem ao espaço, apenas para proveito próprio e vê a sua acção apoiada por certas pessoas, associações e partidos políticos: empreendedor!

Imagem de Humans of Late Capitalism.

Assim vai o mundo…

Boa pergunta

“E pergunto-me: que receita para este momento teriam os neo-liberais? Deixariam o “mercado” regular-se a si próprio (…)?

Passos Coelho a Nobel da Economia?

41798_65198417291_7710_nMuito se tem dito, e escrito, acerca das opções de política financeira e económica do 1º ministro Passos Coelho, alguns elogiando outros denegrindo. A meu ver, todos estão errados.

É comum, entre as mentes menos esclarecidas, aceitar de forma acrítica ou rejeitar sem fundamento, as teorias verdadeiramente revolucionárias e que representam um vigoroso salto em frente no pensamento e conhecimento humanos. E Passos está a ser vítima desse tipo de inércia característico das pessoas vulgares. Vejamos mais detalhadamente as razões que me assistem na formulação de tão categórica asserção.

Começo por esclarecer os mais cépticos sobre as razões que me têm tolhido o verbo na análise dos aspectos macro-económicos da crise que afecta a zona Euro, em particular, e a União Europeia, em geral. Tal facto deriva apenas do “encolhimento”dos meus rendimentos – assoberbado pelas necessidades do dia a dia, as minhas atenções têm recaído sobre questões cada vez mais pequenas, isto é, micro económicas, como a renda da casa, a alimentação, a conta da farmácia, etc.. [Read more…]

O 11 de setembro que mudou o mundo

Friedman e Pinochet

No dia 11 de setembro de 1973 um golpe militar chefiado por A. Pinochet derrubou o governo do Chile presidido por Salvador Allende, eleito socialista que governava recuperando a unidade dos primeiros governos de Frente Popular. Foi para a esquerda um acontecimento que fecundou na altura discussões eternas sobre via eleitoral e via revolucionária, já para não falar da denúncia da mãozinha do Kissinger, sua CIA e governo dos States. A nostalgia ainda hoje é essa.

Para o Portugal que poucos meses depois iniciou um Processo em Curso que a bem dizer nunca foi Revolucionário, o massacre da esquerda chilena (30 000 mortos, segundo a Amnistia Internacional, fora campos de concentração e tortura) pairava nas constantes ameaças de pinochetazo, abortadas num 11 de março precoce e desaparecidas com um 25 de novembro versão português suave.

Isto mudou o mundo?

aparentemente não, o mundo não é o Chile. O aparentemente serve para a versão politiqueira que os media e algumas ciências de ocasião vão fazendo.  Mas mudou, e muito.

Em 1958 a Pontificia Universidad Católica de Chile tinha estabelecido um acordo com a Universidade de Chicago através do qual vários dos seus alunos foram aprender com Milton Friedman aquilo que hoje chamamos de neo-liberalismo. Augusto Pinochet abriu-lhes a porta para governarem, assumindo o que ficou conhecido pela experiência dos Garotos de Chicago, feliz tradução na Wikipédia para Chicago Boys.

Sob uma repressão brutal e 20% de desempregados a mais torcionária das ditaduras sul-americana do fim do século passado, construiu isto: [Read more…]