Crise, inflação, capitalismo

A Estónia, supremo unicórnio liberal, lidera agora o ranking da inflação dos 27, que naquele país ronda os 22%. A situação não difere muito do restante Báltico ou dos países que fazem fronteira com a Federação Russa, e a causa é demasiadamente evidente, pelo que não perderei tempo a elaborar.

Contudo, importa recordar muitos dos que agora acenam, e bem, com a guerra da Ucrânia, e respectivas ondas de choque, como causas primárias para este aumento da inflação no El Dorado do crescimento económico a leste, são mais ou menos os mesmos que se recusaram a aceitar o impacto da crise de 2008 na hecatombe portuguesa que se seguiu. A culpa era do Sócrates, apenas e só do Sócrates, e de mais ninguém para lá do Sócrates.

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Mónica Quintela e a pressinha

Em primeiro lugar, peço desculpa por usar palavrões no título de um texto. Efectivamente, “Mónica Quintela” é revelador da minha falta de educação. Espero que não volte a acontecer-me. Se repetir, lavarei a língua com sabão, que é para aprender numa pressinha.

O João Mendes resumiu, e muito bem, o significado deste discurso, chamando, ainda, a atenção para os aplausos dos restantes deputados do mesmo partido da senhora cujo nome não irei repetir, porque quero poupar sabão. São os aplausos de gentinha que acredita no mito passista (já conta como meio palavrão) de que vivemos (nós? mas nós quem?) acima das nossas (nossas?) possibilidades e que era preciso ir além da troika. 

Esta gentinha que aplaude o que escarrou a senhora deputada está muito bem integrada numa minoria parlamentar que cultiva, de modo populista, o ódio aos funcionários públicos, fazendo de conta que estes é que são o problema, quando, com todos os seus defeitos, são um pilar da sociedade, são aqueles que aguentam o sucessivo e frequente servilismo do poder executivo que trabalha para vender o Estado às postas, tornando difícil e frequentemente milagroso o trabalho da administração pública.

A deputada que quer dar lições aos funcionários públicos tem ela própria muitas dificuldades de aprendizagem: para além de ainda não ter percebido que o partido que integra contribuiu para a maioria absoluta do principal adversário, não aprendeu que é feio ganhar eleições à custa de promessas que depois não se cumprem. Era uma pressinha, senhora deputada, era uma pressinha.

 

 

 

Sim, temos de estar dispostos a pagar este preço

Sahra Wagenknecht, a figura mais proeminente do partido alemão “die Linke“ (digamos, o BE alemão), convidada frequente em talk shows, afirma e repete que “a guerra económica contra a Rússia prejudica-nos sobretudo a nós próprios”.

E continua: “O Instituto Federal de Estatística calcula uma taxa de inflação de 7,6% para Março – a mais alta dos últimos 40 anos. Isto significa que os alimentos, o combustível e a energia estão a tornar-se cada vez mais caros para muitas pessoas. Especialmente as famílias com rendimentos baixos e médios estão assim a enfrentar graves problemas existenciais. Muitas famílias são empurradas para a pobreza devido ao aumento dos preços. A lei socialmente desequilibrada e completamente inadequada de alívio energético da “coligação semáforo” pouco fará para alterar esta situação.

Actualmente, 43% dos alemães assumem que a sua situação económica pessoal será pior em cinco anos do que é hoje. (…) [Read more…]

Da série ai aguenta, aguenta (17)

Aumento nas portagens, energia e telecomunicações ultrapassa inflação em 2013

Mário Soares sabe do que fala

Quem cá trouxe o FMI por duas vezes sabe do que fala. E, de facto, desvalorizado a moeda, que é a consequência de se imprimir mais moeda, todos ficaríamos mais pobres e, assim, o odiado ajustamento cairia a todos por igual. E é aqui que reside a grande diferença entre as duas anteriores intervenções e esta. Agora, são, sobretudo, os que trabalham por conta de outrem (com os funcionários públicos à cabeça mas não sozinhos) quem está a pagar a factura. Nas anteriores intervenções, simplesmente todos passaram a ter a comida e os bens importados mais caros, as poupanças de todos passaram a valer menos, o poder de compra de cada um diminuiu.

Soares, com esta afirmação, demonstra que corrigir os erros que aqui nos trouxeram não é a solução dele. Pelo contrário, advoga o empobrecimento colectivo pela desvalorização da moeda. Saiba-se por isso que,  depois deste empobrecimento, o terceiro em 30 anos, mais um virá daqui a 10 anos.

Rostos da Pobreza em Portugal

Em Portugal – um site cada vez mais fixe para passar férias – há muita gente mal paga! Por exemplo, António Mexia, CEO da EDP. Não obstante ter levado um prémio de 3 milhões de euros (coisa menos coisa, 6,315 Salários Mínimos Nacionais) em 2009.

A pensar nessa injustiça, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos deliberou que aquela empresa (que já foi de todos os portugueses) pode aumentar, em 2011, as tarifas 3,8%, sensivelmente três vezes acima da inflação do ano anterior. Se não for suficiente, nós, papalvos, cá estaremos para, em 2012, sofrer outro e outro e outro aumento!…

Quanto Mais Me Batem…

O Jornal de Notícias diz que Portugal terminou 2010 com uma inflação de 1,4%, perante uma média da zona euro de 1,6%.

A EDP vai aumentar a electricidade 3,8% em 2011 e António Mexia “alerta para fim do crescimento baseado na energia barata“.

Isso, energia barata! – com um aumento de preço “legal” quase três vezes acima da inflação e num ano em que os salários vão baixar abruptamente. Energia cada vez mais barata…! Sinto-me um pouco baralhado. Ou isso ou estão a fazer de mim burro… que os carregue.