
Aos referendos encenados em Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhia, com vitórias esmagadoras e nada surpreendentes para o Kremlin, ao melhor estilo de qualquer eleição organizada pelo regime de Putin, seguir-se-á o anúncio da anexação destes territórios ucranianos à Federação Russa. Não adianta espernear. Vai mesmo acontecer. E podia ter sido evitado, se não nos tivéssemos alegremente vendido durante 20 anos de lucros fabulosos para os big shots.
A Ucrânia tentará, com total legitimidade, recuperar os territórios sequestrados pelo Adolfo de São Petersburgo. A diferença, que não é um mero detalhe, é que tal tentativa será encarada por Moscovo como um ataque directo à sua soberania e integridade territorial. A partir do momento em que a anexação for anunciada, aqueles territórios passarão a integrar a Federação. E isto muda totalmente as regras do jogo.
Se, até agora, os russos não puxaram das big guns, apesar da lunática narrativa em que um Estado fascista invade um país para o libertar do nazismo – quando todos sabemos que fascistas é nazis sempre tiverem excelentes relações – tal deveu-se à evidência de que foram os russos a atravessar as fronteiras da Ucrânia e não o contrário. Agora, a partir do momento em que um ucraniano atravessar a fronteira dos territórios anexados, estará, na perspectiva do Kremlin, a violar a sua integridade territorial. E se as armas que carregar consigo foram americanas ou europeias, também os fornecedores das mesmas estarão a atacar a sua soberania.
Esta é a perspectiva do Kremlin, a que norteará a sua acção. E este era, a meu ver, o primeiro grande objectivo de Putin: ligar a Federação à Crimeia por terra e ocupar a faixa costeira a leste, cortando o acesso da Ucrânia ao Mar de Azov. Agora resta-lhe esperar, enquanto o Ocidente definha entre uma das maiores recessões da história, a inflação galopante e a ascensão da extrema-direita que Putin, precisamente Putin, financiou com dinheiro do gás que nos vendeu.
A democracia enfrenta, assim, o seu maior desafio: sobreviver, unida, ao cataclismo social e financeiro que a espera em 2023, ou sucumbir às mãos dos minions de Putin, que derrubarão a UE e a NATO e abrirão a auto-estrada para que Putin ocupe o que resta de Ucrânia e, quiçá, mais uns quantos antigos compagnons de route dos tempos do Pacto de Varsóvia. Ele pode aguentar a escassez e a miséria que aí vem, mais não seja a lei da bala. E nós, será que aguentamos?







oh não derrubar a UE e a NATO que terrível
O passatempo favorito de comentadores e postadores é questionar se haverá que ceder ao czar Putin, insigne criatura produzida pela PIDE lá do sítio.
A questão funda a sua lógica numa constatação irrecusável: tendo toda a cambada e acessórios andado a vender às massas o direito a ‘cada vez mais, ainda que seja a assaltar’, como convencê-las a ter menos para impedir o assalto à Ucrânia, que ainda por cima já foi por tanto tempo do muito louvado e implodido império que o Putin claramente diz representar?
Rebentar com os gasodutos frusta um programa de passeatas que já se adivinhava virem a ocorrer em protesto ao peso dos cobertores de papa, que abrigaram incontáveis gerações.
Que haja direito a cada vez mais defende o Menos todos os dias, mas é para meia dúzia. Para o resto, sabe tão bem como outro qualquer olhar para décadas do oposto.
Ao menos admite o que quer para os outros desta vez.
A comunada, orfâ dos czares soviéticos, está já de prontidão. Virão pelo frio …
Ora pois!
E a pastorinhada, orfã do ditadeirotes salazarescos, está já de serviço. Virão, pelo Menos, pela fresca…
Diziam que se não fosse o tampão-Ucrânia a Russia vinha até Berlim e Paris.
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Afinal parece que a Russia não mete medo… apenas procura sobreviver.
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Empresas europeias que consomem muita energia estão a mudar-se (beneficiando o partido democrata nas próximas eleições) para os EUA (lá a energia é mais barata).
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Pois: antes que os europeus mudem de ideias… os EUA já mandaram gaseodutos pelos ares.
E já descobriram quem é que sabotou os gasodutos, propriedade da Rússia, da Alemanha e de mais alguns países europeus? Os gasodutos que ainda podiam vir a fornecer gás à Europa, caso se quisesse negociar? A Rússia destruiu o seus próprios gasodutos, em que investiu biliões de rublos/dólares/euros, e com os quais ainda poderia vir a lucrar? Ainda acham, agora que a Rússia se prepara para integrar aquela região, que são os Russos que continuam a bombardear a central nuclear de Zaporizhia? Que são eles que estão a tentar contaminar com radiações, durante um século, os territórios que dentro de dias serão legalmente seus (de acordo com a ordem jurídica russa)? Quão longe pretendemos levar o fanatismo, a cegueira e a histeria colectiva em que nos encontramos? Teremos de ser lançados no precipício, para percebermos durante a queda, quando for tarde de mais, quem é o nosso verdadeiro inimigo?
O lapso do idiota polaco foi engraçado, mas não passa disso. São os dois lados bem capazes disso, mas a minha preferência não vai para aí.
E não me dizes «quem é o nosso verdadeiro inimigo»?
Não vou tão longe, mas quem nos mata ao frio e à fome amigo não é. Mesmo não sendo comunista.
É óbvio que os norte americanos já entraram nesta guerra há largos meses e com uma multiplicidade de meios, que não só o fornecimento de armas à Ucrânia.
A razão da sua não admissão de ambos os lados, é psicológica. Evitar que a escala do conflito suba até ao nuclear.
Alguém de bom senso acredita que a Rússia fez explodir os gasodutos, pagos por russos e alemães, e logo próximo das águas da Dinamarca, no Báltico, quando lhes bastava fechar a torneira?
… e lá se foi a chantagem russa!
Pois, ótimo!
É uma boa forma de resolver os problemas.
Uma bomba lá em casa de Vosselência e resolvia-se uma série deles. A vizinha deixava de se queixar de infiltrações no teto da casa de banho, as avarias do elevador deixavam de ter importância e resolviam-se todos os problemas de falta de espaço: na zona deve haver um descampado à disposição ou, pelo Menos, uma rotunda sem monumento.
Ah! E acabavam-se as sempre lixadas reuniões de condomínio onde há sempre alguém a fazer exigências de obras que obrigam, sem aviso prévio, a pesadas quotas extraordinárias.
Tu pelos vistos ainda acreditas no Pai Natal? Mas só quando te dá jeito!
Nada a que não estejamos já habituados desses teus ziguezagues.
Chantagem do quê? Não é para não pagar, também não recebem. Win-win, como dizem os vencedores.
Eu não acredito em nada, só desacredito, porque todos mentem descaradamente. E esse é o primeiro facto; o segundo são os protestos na Alemanha no dia anterior; o terceiro é a abertura da nova conduta entre Dinamarca e Polónia; o quarto é a dificuldade de uma operação numa região altamente monitorada e pouco profunda; em quinto, é exactamente a região dos BALTOPS 22, onde foram demonstradas as possibilidades dos países.
Se tivesse que arriscar, Duda vingou-se do vizinho.
E que fez o grande satã de, segundo a própria Nato, ser comedido até agora apesar da sua loucura? Supostamente, nada, do continuamente ao mesmo tempo forte e fraco, falido e gastador, louco e calculista. É mais um mistério, a juntar à alternativa viável de curto prazo à qual se pode juntar uns quantos parceiros comerciais bem recomendáveis; sem esquecer o que ganha sempre.
Não, o referendo não pode, nem nunca podia, ser legítimo. Mas também ninguém alguma vez quis que houvesse condições, como ninguém alguma vez quis que as populações, ainda hoje constantemente bombardeadas, não estivessem entre a espada e a parede. Esperemos que as duas partes, de onde se exclui a Europa e a Ucrânia por falta de vontade própria, decidam acordar uma “vitória” conjunta onde ambas garantem a segurança e fazem de conta que vão integrar a sua parte no seu bloco num amanhã que cantem; a alternativa é o fim do mundo. Até lá, quem mais ganha, como até a Bloomberg espalhou, não é a Rússia.
E, mais uma vez, vamos ser claros, o fornecimento de armas, treino, inteligência, e, muito provavelmente, soldados não passa a ser um acto de guerra, sempre foi; no interesse da sobrevivência é que se olhou para o lado dentro da MAD.
Ops, Bloomberg não, WSJ
https://twitter.com/WSJ/status/1572945057455525888
O primeiro grande objectivo de Putin era o de mudar o governo de Kiev, metendo lá alguém amistoso para a Rússia, expulsando os neonazis infiltrados nas esferas de Poder.
Seria coisa para uma semana. Sem neonazis a mandar em Kiev, acabaria a ofensiva ucraniana contra o Donbas. Tornaria a Ucrânia num Bielorússia que, convenhamos, seria bem bom para o ucraniano comum, que veria o seu rendimento duplicar (pelo menos).
Correu mal.
Tudo o que aconteceu depois foram remendos.
Entretanto ignoram-se as acções do Adolfo de Kiev…
recebem-se neonazis no Congresso dos EUA…
… a bem do quê?
Zelensky é o Ceausescu ou Saddam do séc. XXI, um pulha igual ao correspondente ditador de Moscovo, mas adorado pelo “Ocidente civilizado” apenas e unicamente porque (e enquanto)… se opõe àquele.
Vai correr muito bem.
Como no Afeganistão, claro!
Não foi o tio Biden que disse que o Nord Stream era para acabar? Admiram-se de quê?
E o direito à autodeterminação dos povos, isso não conta para nada? Os russos do Donbass, que são a maioria naquela região, não têm o direito à sua autodeterminação?! Ou só Washington e Londres é que podem decidir quem é que tem o direito à sua autodeterminação, como fizeram com o caso do Kosovo?… O João Mendes claramente tem a cabeça feita pela propaganda da NATO, que é imensa e intoxica facilmente os mais ingénuos. No entanto, a realidade é o que é e nada, mas nada mesmo, pode apagar ou fazer reverter a vontade destas moças russas, que querem muito genuinamente voltar a fazer parte da sua verdadeira e amada Pátria:
https://toranja-mecanica.blogspot.com/2022/09/e-enquanto-decorrem-os-referendos-no.html
Basta de mentiras e desinformação da NATO e do Imperialismo Anglo-Sionista. Era assim que os ucranianos andavam a tratar os russos no Donbass e não só desde 2014, com a total conivência e aprovação dos media e da classe política ocidental:
https://toranja-mecanica.blogspot.com/2022/07/era-assim-que-os-militares-ucranianos.html
Sobre os milhares de russos que têm “sumido” às mãos da SBU e das milícias neonazis na Ucrânia desde 2014, o João Mendes não tem nada a dizer?…
Se fosse homogéneo, não estivesse no meio de uma guerra, a sofrer bombardeamentos, com exílios para os dois lados, feito com soldados à porta, continuava a ser complicado. As moças são as moças.
Claro que para isso era preciso vontade de várias partes que nunca existiu.
E ameaças do Zé de prender quem votasse, claro.