
Moscovo, a sua cúpula dirigente e principalmente o próprio Putin não são exactamente grandes adeptos da transparência. As informações que chegam raramente são claras e têm quase sempre várias leituras. O que até é perfeitamente compreensível. A filosofia que escolheram em profunda disrupçâo com a evolução da humanidade, não lhes autoriza grandes sinceridades. Primeiro, isso permite-lhes não ter de efectivamente assumir o que quase ninguém compreenderia. Segundo, a obscuridade é sempre a melhor defesa da ditadura e um garante da sua sobrevivência.
Mas, principalmente nos últimos 10 a 15 dias, há algo de perfeitamente perceptível e óbvio a Leste. O discurso, subtilmente ou nem tanto, amaciou. Há ofertas de diálogo, normalmente feitas sob a forma “se me pedirem muito, muito, eu aceito”. Imagino que nos bastidores as coisas sejam ainda mais explícitas.
Não tenho qualquer dúvida que neste momento, Putin luta pela sua sobrevivência. Já não luta pela conquista da Ucrânia. Luta pela sua permanência no poder. Luta até pela sua própria vida. E se a avassaladora psicopatia que o define permitir, lutará pela sobrevivência da própria Rússia. E, no limite, pela do Mundo inteiro.
Todos os quadros que Putin pode configurar são-lhe implacavelmente adversos. Sabe agora que lhe não será possível vencer no terreno a Ucrânia. Pelo contrário, se não conseguir atrasar o mais possível o decurso da guerra, a derrota é inevitável. Isto significa que as suas únicas hipoteses são transformar esta guerra num conflito interminável (para que com o decurso do tempo se diluam as fronteiras entre vitória e derrota ou mesmo sobre as razões que lhe deram início) ou então um colossal “golpe de teatro”. Que pode ou não ser a utilização do arsenal nuclear.
Porque mesmo o prolongamento da guerra não lhe é, de modo algum, favorável. Putin já percebeu que o seu povo gosta muito de imperialismos, mas não está disposto a dar a vida por isso. Pior, não se calará perante a miséria e a fome que os espera e que se tornarão arrasadoras se a China resolver “fechar a torneira”.
Apesar da superficialidade da análise, parece-me claro e manifesto que algo, rapidamente, vai modificar esta guerra. As hipóteses são imensas e algumas nem sequer são passíveis de previsão. Obviamente que “rezamos” para que o que vai ocorrer não pressuponha qualquer arma atómica.
Mas e não tenho qualquer dúvida disso, o prazo de validade de Putin está a acabar. Cabe ao Ocidente prolongá-lo ou não. Negociar com ele é dar-lhe vida. Negociar com ele é dar-lhe o poder que de outra forma, inevitavelmente, perderá. Negociar com ele é optar por o manter na liderança da Rússia. Obviamente com a única, mas determinante vantagem de conseguir amenizar ou atrasar a “ameaça nuclear”.
Uma “ameaça nuclear” que nunca deveria ser mais que exactamente isso: uma ameaça. Porque numa guerra nuclear não há qualquer dividendo para nenhuma das partes. Ou seja, começar algo que sabemos “a priori” só nos irá prejudicar, é um contrassenso. Mesmo na perspectiva desesperada e alienada de se saber que o outro lado também vai ficar mal. Mas tendo em conta que estamos perante um psicopata desesperado e acossado, infelizmente, é essa a possibilidade que temos mesmo de considerar. Teria Hitler usado a bomba atómica se a tivesse? Provavelmente, sim. Os americanos usaram-na. Sendo certo que as condições eram muito diferentes porque não se colocava em cima da mesa algo determinante: a capacidade de retaliar (o que no fundo só aumenta a crueldade e a cobardia americana naquela decisão).
E chegados aqui, temos a pergunta de uma vida: se Putin carregar no botão, o sistema obedece-lhe? Pois. Não sabemos. Pelo menos, eu não sei.
O que claramente sei é que sem esta variável, os Ucranianos estão a sacrificar as suas vidas não só pela sua própria Patria e por todas as democracias ocidentais, mas, bizarramente, também o estariam a fazer pela liberdade dos Russos.
Porque a vitória da Ucrânia ou mesmo apenas a sua “não derrota” levará à queda da ditadura russa. Isto se o Ocidente não preferir submeter-se à “ameaça” (bem ou mal, não consigo dizer neste momento) e manter Putin no poder.






A única “negociação” que a Rússia vai aceitar a partir de agora, é a “negociação” para determinar os termos de rendição da NATO e a capitulação total e incondicional do governo neonazi ucraniano. Se os ucranianos e a NATO recusarem capitular, Moscovo vai simplesmente forçar a sua vontade através de uma derrota militar total da Ucrânia, tal como fez com a Alemanha de Hitler em 1945:
https://toranja-mecanica.blogspot.com/2022/10/a-russia-preocupa-se-mesmo-com-as.html
Esse Vodka ainda está bom? Não me parece.
Estão a recrutar na Rússia, não percas a oportunidade.
Na tradicional linha que trava o recuo das tropas – que tão bom resultado deu na II GG- seguramente serias aceite.
Este tipo de artigo (está tudo bem deixem a guerra continuar, slava ukraini!) já foi escrito dezenas de vezes desde fevereiro. Julgaria que os autores do blog se fartassem de repetir os mesmos pontos mas parece ser uma mantra que acham que se torna mais verdade quanto mais é repetida, eu tenho as minhas duvidas.
Putin implementou uma ditadura.
Como ditador, Putin adquiriu poder para controlar todo um povo a seu bel-prazer.
Mas como em todas as ditaduras (parece magia como com todos os exemplos históricos nunca conseguem perceber), forma-se à volta do Ditador toda uma casta de esbirros que na ânsia de agradar ao ditador transformam-se digamos , em Yes(s)-Man(s) , julgando que desta forma se colam ao poder e adquirem eles mesmo o máximo poder possível na hierarquia do terror.
Na Rússia por herança do Comunismo de Estaline/Lenine existe todo um ambiente de corrupção alastrado por todos os sectores da sociedade. É um sistema profundamente enraizado na sociedade russa, talvez mais que o alcoolismo.
Estes 3 factores criaram a tempestade perfeita que Putin está neste momento a navegar.
Vejamos:
Os adoradores do ditador, no sector militar garantiam-lhe, que tinham o melhor exercito do mundo.
No sector do armamento diziam-lhe que a superioridade do armamento russo era colossal.
Putin não conseguiu perceber que os biliões de rublos “investidos” no desenvolvimento militar e no exercito seguiam directos para o sistema de corrupção constituído pelos militares e empresas em conluio.
A FSB garantia-lhe que tinha infiltrado toda a sociedade Ucraniana ao mais alto nível de tal forma que mal se iniciasse a invasão rapidamente seria possível instituir um governo fantoche pró-russo que obedeceria aos ditames da mãe Russia.
Ao nível interno era-lhe garantido que tirando uns quantos desestabilizadores Putin era adorado pelo povo.
Enfim mais uma vez : “Um ditador é um solitário”.
Joana Quelhas
Pois cá está!
Mais uma insigne manifestação do puro génio da comentadeira Quwelhass!
Que nos faz profundas revelações sobre os meandros do poder no Kremlin, particularmente sobre as putins do palácio, só possíveis porque a Quwellhhass esteve lá profundamente infiltrada.
Foi um sacrifício tremendo, mas deu resultados, e estão à vista: a Qwelllhass revela-nos segredos tão secretos, tão secretos, que a própria FSB (*) nem sonhava que existiam. O que é um perigo porque, agora, todos os filhos da putin ficaram a saber e não sabemos como vão reagir. Receia-se que os agentes secretos passem à clandestinidade.
O presente comentário começa por tratar da corrupção do regime filha da putin lá da Rússia, seguindo a velha máxima da sua homóloga “penseuse” gaulesa Jeanne Ruelles: “le capitalisme est bel, s’il y a de la corruption c’est parce que les socialistes/communistes donne cap d’el”.
Sobre o resto destaco três geniais afirmações:
“Putin implementou uma ditadura” (uma revelação deveras surpreendente que irá, com toda a certeza, provocar um verdadeiro tumulto nos meandros políticos de todo o Mundo e, inclusivamente de Marte- o Musk já se pronunciou!” .
“Como ditador, Putin adquiriu poder para controlar todo um povo a seu bel-prazer” (o que nos traz uma luz inesperada sobre o caráter das ditaduras!).
“Enfim mais uma vez : “Um ditador é um solitário””.
Destaca-se esta última pelo seu elevado e nunca visto nível intelectual, produto que é do inspirado sentido poético com que a autora nos surpreende amiúde.
Traduzindo, o regime de Putin produziu imensos filhos da putin mas, como em muitas famílias disfuncionais, quando a Putin deles precisa anda tudo na ramboiada.
Termino com sugestões de algumas frases para embelezamento de futuros comentários:
“Na escuridão da noite, o Sol nunca brilha”.
“Se não chover, a seca irá piorar”.
“Nunca ninguém poderá antever onde irá finalizar o voo de uma abetarda”.
“Enfim, mais uma vez: “Um ditador é um autoritário”.
(*) Aliás a própria FSB é tão secreta, tão secreta, que aos próprios agentes ultrasecretos Secreta nem sequer sabiam que existia e o que fazia.
O que vale é que os tempos do fim da história ™ nunca existiram, e, não fossem o filho da putin, teríamos o paraíso na terra da Terceira a Vladivostok.
8 meses depois, a propaganda continua a prometer a vitória ao final da esquina, e de forma exactamente igual: seja a revolução democrática por outro fasço qualquer, seja a falta de munições, seja o suicídio da China (para nem falar do resto dos não alinhados a ser conquistados), seja o voluntarismo humanista da carne para canhão da hegemonia, seja a bancarrota, continua tudo ao virar da esquina, basta é fé nos nossos líderes iluminados. Para gente que tanto cita Orwell, ou nunca leram o 1984, ou acharam que era um guia.
A chatice é que o inverno está a chegar, e o efeito da austeridade também. Veremos o que muda nas rezas.
Há uma derrota da qual já temos a certeza, a da Europa, que na minha opinião, era a que mais nos devia procupar. A Europa perde o acesso a energia barata e em abundância, e a matérias primas e fica totalmente dependente dos EUA, que nos trataram como a colónia que somos.
Essa é que é uma verdade insofismável. Infelizmente, a há uma massa acéfala que continua a acreditar nos “amanhãs que cantam”.
Nem a História lhes ensinou nada.
Essa questão é incontornável. Nunca tive dúvidas que entre um troglodita e um hipócrita, quem se trama são os que estão no meio.
A Europa ainda hoje anda a pagar a factura da ajuda Norte Americana de meados do século passado.
Quando chegaram ao poder os “filhos” da “Wiedervereinigung” a Alemanha virou-se para Leste.
Era-lhes natural essa afinidade.
O seu ambiente intelectual, político e até cultural tinha sido plasticamente moldado por quase 50 anos .
Os resultados estão ai !
A Alemanha o colosso industrial, conduziu a Europa para este problema que era mais que evidente.
Não era nem preciso ser muito inteligente , bastava ter a sensibilidade de um Donald Trump que avisou, mas que apenas conseguiu provocar os “risos” da nossa “inteligentsia”
Os EUA sempre resgataram a Europa dos seus erros e para além dos interesses económicos a América ama a Europa.
A América não esquece (ainda) as suas origens.
A América já sacrificou milhares dos seus jovens para resolver os problemas dos seus parentes Europeus.
Mas como nas famílias ricas decadentes continuamos a não reconhecer a nossa queda quando não reconhecemos sequer que já noutras situações fomos ajudados por aqueles com quem teimosamente continuamos a ser altivos.
Felizmente tenho para mim que a América – a terra dos livres – pacientemente não abandonará mais uma vez a Europa .
Joana Quelhas
Citando…
“Não era nem preciso ser muito inteligente , bastava ter a sensibilidade de um Donald Trump que avisou, mas que apenas conseguiu provocar os “risos” da nossa “inteligentsia” (…)
Sim, a profunda sensibilidade de um Donald Trump, só comparável à dos elefantes indianos, que se desviam graciosamente dos formigueiros para evitarem pisar os frágeis insetos, nem que para isso tenham de levar na frente uma ou outra vaca!
Até que enfim, alguém reconhece essa ímpar qualidade de Trump e lhe presta a devida homenagem!
Não tivessem substituído, em locais selecionados, as máquinas de voto por máquinas registadoras e seria, de certeza, ainda o atual presidente!
Assim, além de ter “perdido” as eleições, ainda têm a lata de lhe enviar as faturas! bandidos!
Estou quase a chorar tal é a reles qualidade da cebola, que conseguiste pôr nessa miscelânea de barbaridades.
Um país que já entrou em dezenas de guerras, em vários continentes, e que depois do desastre deixou um rasto de mortos e miséria, igual ou pior do que antes de lá se terem metido, não pode ser considerado de outra forma que não um ocupante imperialista.
Talvez se começasses por explicar que esta América(EUA) é o que é, por ser na prática o subconsciente daqueles que pela miséria e pobreza, ou mesmo por necessidades económicas, tiveram de emigrar no século XVII, XVIII e XIX para fora da Europa, levando consigo o seu instinto de sobrevivência ao extremo, qual felino selvagem. Não foi por acaso que o esclavagismo, que percorreu séculos da nossa era, em todos os quadrantes, atingiu o seu apogeu catastrófico, na América, já no século XIX, depois de terem limpo a vida a 25.000.000 de nativos. E se percorrermos o continente para Sul e para Norte, o filme repete-se.
O velho ditado popular: “nunca peças a quem pediu, nem nunca sirvas a quem serviu”, funciona perfeitamente no enquadramento político que normaliza as relações da Europa com os EUA.
Mas como podia a hegemonia livrar-se da colónia mais lucrativa, ainda para mais disposta a ser carne para canhão, e ainda para mais disposta a ceder voluntariamente toda e qualquer soberania?
O único problema é achar que eles têm aliados, e não interesses onde ganham sempre. Eles, a elite, claro, onde até um incompetente gestor imobiliário chega a presidente para se governar e à família.
Excelente comentário, DS. É como você bem diz: aquilo que nos deveria preocupar, a nós europeus, é a derrota da Europa, que fica sem energia barata e fica totalmente dependente dos EUA.
Mas ficamos com os valores da democracia liberal, enquanto metade elege aspiradores a Mussolinis da loja dos trezentos.
As anedotas aqui, reforçadas pelo humor negro, seriam motivo de galhofa se não vivessemos tempos tão trágicos. A Joanita finge esquecer que a falsa “terra dos livres”(livres de quê ou de quem?) é a nação que mais guerras engendrou desde a sua fundação, detendo o infame recorde de mais de 100 países atacados e/ou invadidos, de mais 50 golpes de estado com mais ou menos sucesso, de ter causado o maior nº de baixas civis e militares da história (semelhante aos da II Guerra), de impor sanções arbitrárias um pouco por todo o lado aos países que recusam conformar-se ao diktat, ao arrepio de todas as leis e acordos internacionais que só são válidos para os outros, etc.
Nós, altivos? Deve tratar-se da habitual “altivez submissa” que faz com que o velho continente se tenha transformado num execrável protectorado Yankee, caninamente executando tudo o que manda o patrão e contra os interesses legítimos de todos os povos.
Mas quem não vai querer tudo isto? Sim, quem? Digam lá, oh cabcinhas pensadoras………
Então não, ainda ontem um bife na UN proclamava que os países de África, América do Sul ou Ásia deveriam ter medo de ser invadidos pela Rússia sem se rir.
Não faltam bandeiras russas na Rep. do Congo e no Mali, não faltam republicas subordinadas e etnias exploradas na federação russa.
Mas a palavra colonialismo ou racismo nunca ocorre à canalha esquerdalha.
Para a cretinagem tudo que tem odor soviético ou anti-americano é bálsamo.
CAMBADA DE LAMBECÚS!!!
Em países a lutar pela liberdade do colonialismo francês, em pleno século XXI.
Isso é nem tentar.
O esquerdalho é como o relógio de cuco: apontando para o sítio pré-definido, o som é garantido.
O direitolo é previsível, sempre à espera que lhe mijem para cima dizendo o que querem ouvir.