Mantém-se um mistério o motivo pelo qual gente alfabetizada votou favoravelmente documentos redigidos nos termos de 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021 e 2022 [1] e [2]. Uma hipótese que me parece plausível é a de estes documentos não terem sido lidos por quem os votou. E isso, a ser verdade, é grave. Mas não sabemos se é verdade. Só sabemos que é uma hipótese.
Debrucemo-nos então sobre o documento hoje depositado por Fernando Medina nas mãos de Augusto Santos Silva.

Foto: Nuno Ferreira Santos (https://bit.ly/3CpJfXc)
Vejamos, pois, uma amostra do conteúdo do Relatório (pdf):
«Maquinaria eléctrica» (p. 3) e «produção de energia elétrica» (p. 36);
«Redução do IVA da electricidade» (p. 108) e «por consequência, da eletricidade» (p. 46);
«TIC e electrónica» (p.3) e «uma plataforma eletrónica» (p. 85);
«pelas características do seu mercado» (p. 46) e «expressão de género e caraterísticas sexuais» (p. 219);
«caracterizado pela pela [sic] flexibilidade» (p. 266) e «do que tem sido caraterizado como pleno emprego» (p. 23);
«a execução de três subprojectos integrados» (p. 99) e «dinamizar um projeto de virtualização do trabalho» (p . 99) — efectivamente, ambos na página 99;
«Fornecedores – Facturas em recepção e conferência» (p. 402), «identificação das faturas liquidadas» (p. 90) e «à receção e tramitação dos pedidos de registo» (p. 251);
«expectativa de retorno» (p. 110) e «associada à expetativa de uma recessão da economia mundial» (p. 9);
«Aquisição líquida de activos financeiros (excepto privatizações)» (p. 181), «valorizações de ativos financeiros» (p. 44) e «exceto óleos brutos» (p. 2);
«Pretende-se territórios inteligentes e conectados» (p. 201) e «um Portugal + conetado» (p. 208);
«de todos os agentes do sector» (p. 274) e «o setor dos serviços» (p. 15);
«033 – HABITAÇÃO E SERV. COLECTIVOS – PROTECÇÃO DO MEIO AMBIENTE E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA» (p. 226), «induzir comportamentos coletivos» (p. 69) e «sistema de proteção social» (p. 63);
«027 – SEGURANÇA E ACÇÃO SOCIAL – ACÇÃO SOCIAL» (p. 226) e «não serem bolseiros de ação social»;
A minha recomendação é o chumbo, mas já sabemos do que a casa gasta.
Continuação de uma óptima semana.
Actualização (11/10/2022): Ao contrário do que escrevera, Medina e Santos Silva não são estreantes nestas andanças. São repetentes.






Dei uma vista de olhos no documento aqui apresentado como Orçamento de Estado 2023 e está elaborado de uma forma como nunca vi, nem mesmo certos valores são coincidentes com os do ano anterior e a linguagem está uma bocado abrasileirada, em vez de Tabelas falam em Quadros e não encontrei o resumo geral das Despesas e das Receitas pelas rubricas a que estamos habituados e por outro lado assiste-se a um esmiuçar de coisas perfeitamente inúteis só para encher e confundir. Talvez esteja errado e por isso gostava de saber outras opiniões. Encontrei Já o mesmo tipo de problemas no Orçamento para 2015 que nunca consegui entender.
Na práCtica votam sem ler. É o contraCto que os parlamentares fazem com os partidos. É um fato.
O Ursamento continua a ser adeto das ultigrafias.
Não ser eletrônico já é uma victória.
Há mais de mil razões para revogar o dito. Três bastariam: «os fatos» que não são de vestir e que aparecem por todos o lado, a proliferação de «contatos» e a necessidade imperiosa do acento no «pára».