Aparentemente, o mundo está organizado por países, com governos (às vezes democraticamente eleitos), onde os cidadãos (aparentemente) têm alguma voz no destino desses países.
Actualmente, isso é um proforma, apenas.
A nova soberania é ditada pelas grandes empresas globais. Quem não gosta, pode (aparentemente) consumir de outra empresa ou trabalhar em outra empresa. Os termos de utilização dos serviços valem mais do que as leis dos países. E estas empresas, funcionando dentro da lei, têm uma imensa capacidade de a moldar às suas necessidades (benditos sistemas eleitorais com campanhas financiadas por privados) e de a contornar quando lhes convém (p.ex. paraísos fiscais).
São estados ao lado do Estado. Ironicamente, o liberalismo que os tornou possível é o mesmo que cerra a malha às liberdades individuais, um tema querido aos liberais.
Infografia: Visual Capitalist







«o liberalismo que os tornou possível é o mesmo que cerra a malha às liberdades individuais»
Vá-se lá saber porquê…mas escrever é de borla!
Nalguns casos, não será “aparentemente”. Existem empresas, em especial as tecnológicas e farmacêuticas, das quais não conseguimos fugir, mas já outras como Amazon ou McDonald’s são mesmo opção de vida.
Isso assume que alternativas viáveis, que não é inteiramente real. Até porque a Amazon é bocado mais uma tecnológica empresarial que retalhista, e vai integrando nas duas áreas.
Não sei se o McDonald’s não terá alternativas viáveis… pelo menos acho que sim. Não entro num há uns longos anos e ainda não morri à fome.
A Amazon (ou AliBaba), tecnológicas ou não, é uma opção de vida. Oracle, Cisco, Microsoft, todos usamos, voluntariamente ou não. A não ser, claro, que vivamos “off the grid”.
Depende da localização, nem toda a gente tem as nossas tascas e churrasqueiras baratas. Nem nós, por este andar.
A Amazon, muito por ser a primeira a aparecer, mas não só, é tanto uma escolha para muitos negócios como a Microsoft; já comeram o resto e ergueram barreiras de compatibilidade que continuam a aumentar.
E, Jorge, os governos continuam a entregar o poder às mãos das ditas com os acordos de “livre” comércio. Está aí o UE-Mercosul a bater à porta.
E depois nem nos agradecem embargando os rivais da hegemonia. Tristeza!
A mais desgraçada das tendências é a dos maiores crentes nas potencialidades dos governos serem os mais indiferentes a valores individuais, chafurdando no pântano igualitário da tolerância a todo o vício e toda a idiotia disruptiva da sociedade… exceção feita aos sempre execrados possidentes! de fortuna!