Eles comem tudo e não deixam nada

Segundo o Expresso, “Fisco e Segurança Social levam 41,5% do salário médio dos portugueses“. A menos que, claro, tenha os recursos necessários para praticar a santíssima evasão fiscal, grito do Ipiranga da minoria multimilionária oprimida. Caso pertença a esta sofredora minoria, enclausurada neste país esquerdalho de confiscos mil, poderá ainda acumular a fuga aos impostos com financiamentos variados, custeados pelos palermas sem acesso ao liberalismo das Ilhas Caimão, bem como beneficiar de uma das muitas amnistias fiscais que os governantes do arco têm para lhe oferecer. Tudo isto à distância de um par de luvas, de uma simpática contribuição para a próxima campanha eleitoral ou de um lugar num conselho de administração perto de si. Não perca esta oportunidade e empreenda já!

Por mim, não escravizas mais ó palerma

O mundo moderno está cheio destes palermas liberais. O estádio actual do capitalismo selvagem, estádio em que as classes e os interesses mais fortes conseguem por via das marionetes que instalam e vão puxando no poder, permitiu a uma classe diminuta, constituída por meia dúzia de seres parasitas não-produtivos controlar por A+ B as rédeas daqueles que diariamente os enriquecem. Ora pela celebração de tratados e acordos bilaterais ou multilaterais que censuramos, como é o caso do CETA ou do TTIP (remeto-vos para os posts da nossa especialista, a Ana Moreno) ora por via da legislação europeia que na maior parte dos casos, na sua parte laboral, não é mais do que o produto requerido à la carte pelos milhares de lobbistas pagos a peso de ouro pelas grandes multinacionais para pressionar os legisladores europeus em Bruxelas, ora pela criação e modificação de legislação nacional laboral ou pela revogação de direitos adquiridos pelos trabalhadores no passado, ora pela forma que considero ser a mais pródiga de controlo social que é o ordenado mínimo nacional.

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O toque de Midas da jihad financeira

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O capitalismo que temos, talvez o pudéssemos ter mais regrado e amigo da (esmagadora) maioria, é selvagem, opressor e não olha a meios. A regra é lucrar o mais possível e, sempre que necessário, levar tudo pela frente. Os ayatollas da coisa chamam-lhe liberdade, e o mercado livre ao qual rezam o terço não difere muito do conceito de imprensa livre preconizado por Hitler ou Estaline. As armas e os métodos podem ser diferentes. O fim, esse, é essencialmente o mesmo.

E como tudo vale, seja exterminar espécies em vias de extinção ou florestas tropicais, seja recorrer a trabalho escravo para reduzir custos e aumentar a produtividade, que o ambiente e os direitos humanos não têm espaço nas folhas de Excel dos déspotas do capital, as alterações climáticas e a poluição, como tudo na vida, são excelentes oportunidades de negócio que o empreendedorismo da ganância não pode desperdiçar.  [Read more…]

Liberalismo? Yeah right…

PPCT

God bless you! And God bless taxpayers money!

Fotomontagem: Luís Vargas

O poderoso Observador

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O Observador é uma espécie de jornal, um híbrido entre um blogue de ideologia neoliberal e um folhetim partidário de direita. Financiado por um grupo de empresários próximos/militantes do PSD ligados à sombria Comissão Trilateral, apoiantes convictos do cavaquismo e posteriormente de Pedro Passos Coelho, de onde se destacam os nomes de Alexandre Relvas (PSD/Logoplaste), António Carrapatoso (PSD/ex-CEO Vodafone), João Talone ou António Pinto Leite (PSD/MLGTS), este projecto editorial destaca-se por uma abordagem vincadamente anti-esquerda e acerrimamente ultraliberal e conta com um painel de colunistas essencialmente de direita, com a presença do ocasional comentador de esquerda com vista a criar uma falsa sensação de imparcialidade que pura e simplesmente não tem ali lugar. [Read more…]

Concurso de professores: ai que horror, o centralismo!

patetaDurante alguns anos, o Ministério da Educação prejudicou um pouco as escolas. A partir de 2005, tornou-se o principal problema. A população, pouco esclarecida e com pouca vontade de se esclarecer, tem gostado de assistir à acção dos marialvas políticos, que isto é um país em que o pequeno salazarismo é a sujidade das unhas e, por isso, há muita gente que treme de gozo quando alguém “mostra quem manda”. Sendo a classe docente um dos grupos mais invejados, tem sido grande o regozijo das gentes, face aos ataques perpetrados pelos gémeos Sócrates e Coelho.

Entretanto, há quarenta anos, Portugal ocupava o lugar na linha de partida da Educação em Democracia, com um atraso de séculos carregados de miséria, de analfabetismo e de elitismo. Nem sempre escolhendo o melhor caminho, os avanços foram gigantescos, como se tem confirmado, por exemplo, nos resultados de vários testes internacionais. Gigantescos, entenda-se, face ao ponto de partida.

É claro que alguns políticos, evitando qualquer laivo de honestidade, tentaram aproveitar os resultados desses testes para se vangloriarem. José Sócrates, o verdadeiro político, nunca perdeu uma oportunidade de reclamar como obra sua aquilo que não lhe pertencia. [Read more…]

A realidade é o que lhes dá jeito que seja

Leopold-von-Sacher-Masoch

Era fatal, falamos de imprensa e da direita, mais extrema ou mais sossegada, solta-se o mantra: em Portugal a comunicação social, é tudo de esquerda.

Como lógica tem o seu quê de graça, ora vejamos: embora se desconheça (por imposição da maioria parlamentar) quem são os donos dos grupos de comunicação social em Portugal, há umas luzes. Para começar Belmiro, esse perigoso esquerdista que segundo algumas lendas começou a fortuna quando estava numa comissão de trabalhadores, o uso do vermelho na imagem corporativa do Continente não engana. Depois temos a Cofina, vejam esta listagem, meio Comité Central do PCP anda por ali. A TVI? quem não se lembra de Pais do Amaral desfilando em manifs aos gritos sincopados de 25 de Abril Sempre, SIC nunca mais. E a Imprensa, propriedade de Balsemão, fundador da ala liberal, perdão, libertina do marcelismo, um homem que nunca renegou o seu passado anti-fascista? Como não bastasse esse monopólio da esquerda, temos a presente invasão angolana, gente do MPLA, comunistas de sete ou oito costados.

– Ó meu, estás a tripar, isso não é verdade – avisa-me um bichinho verde com antenas e forma vagamente humana. [Read more…]

A crise do socialismo hegemónico

bruno macaes

A anedota já tem uns dias, mas não perdeu a piada: Bruno Maçães, o humorista que de Harvard saltou para a Coreia e aprecia ditaduras educativas, contou 35 anos de hegemonia socialista em Portugal, causando estupefacção em quem o leu, no DN ou na Jugular.

Há dúvidas? abram uma qualquer publicação no Insurgente, no Blasfémias ou na 4ª República e leiam os comentários (no Corta-Fitas não é preciso ler os comentários).

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O nome certo é nazismo

Equivalências segundo Vítor Cunha:

noite de cristalsocas

Entra a Alemanha na dança e a densidade do azeite comprova uma velha lei da física. É a sua música.

Dizem que é um governo liberal

Digam-me por favor que é 1º de Abril ou brincadeira de Carnaval. Esta medida imbecil, a ser verdade os seus autores deveriam estar sob efeito de substâncias ilícitas no momento em que ponderaram avançar com a mesma, levanta desde já algumas questões. Caso alguém tenha em casa um casal de cães, terá forçosamente de castrar os animais? Se nascerem crias, os donos poderão optar por abater as mesmas ou serem despejados do apartamento? O governo há muito que perdeu o estado de graça, mas prepara-se para ganhar o estado de riso, enriquecendo o anedotário nacional. Quando se chega a este ponto…

A estética do desemprego

17,7%, número oficial. É um bonito número, dirá Gaspar convencido de que descobriu o teorema de Newton, a pólvora e  a roda, tendo apenas encontrado o caminho marítimo para a estupidez.

Entretanto a máquina ideológica de propaganda vai repetindo que os funcionários públicos têm o privilégio de não serem despedidos. É mentira, e mesmo o número de 1,9% que por aí circula levanta muitas duvidas, como o Miguel Madeira suspeita.

Mas o problema nem é de números. É óbvio que o desemprego aumenta porque as empresas vão à falência  ou despendem compulsivamente, fazendo contas ao que pouparão com o próximo contratado ao preço da uva mijona.  É claro que o fazem porque as leis foram flexibilizadas ao ponto de lhes ficar barato fazê-lo (e nem falemos aqui do trabalho precário). É elementar que a ideia é essa, a caminho de uma indústria têxtil num prédio à Bangladesh, que se lixem os humanos, o que é preciso é domesticá-los, proclamam os liberais da selva, no conforto do seu emprego garantido, normalmente por filiação de classe.

Numa situação destas havia que repor a  igualdade público/privado, então não era? Com uma imensa lata proclamam o despedimento de funcionários públicos tipo vingança (e que realmente combaterá o desemprego no privado: nas suas tarefas serão substituídos por empresas que pagarão tostões e lucrarão milhões, aumentando as despesas do estado). [Read more…]

Eugenismo, ciência de merda e nacional-liberalismo

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Há tempos vi o programa de Anderson Cooper que tratava, entre outros, o tema do eugenismo e sua história. O próprio apresentador repetia manifestações de perplexidade pelo facto de os EUA serem pioneiros do chamado “eugenismo negativo”, que consiste na selecção da espécie humana no sentido de a melhorar, através de esterilização forçada, confinamento ou pura e simples eliminação por eutanásia dos humanos considerados defeituosos e indesejáveis como procriadores. Foi neste país que se fundou o movimento e não na Alemanha nazi que, mais tarde, veio a estudar as práticas e leis americanas no sentido de as aplicarem à sua realidade, ou melhor, aquilo que eles imaginaram ser a sua realidade. O resto é história conhecida.

O termo eugenismo aparece no século XVIII, com Galton que pensava ser possível melhorar a espécie humana através de factores sociais e escolha adequada de pares reprodutores. Estava-se no inicio do fascínio pelo estudo da hereditariedade, e nunca passou pela cabeça do pobre Galton o que aconteceria a seguir, nomeadamente quando esta hipótese mergulhasse no pântano de preconceitos de algumas sociedades que aí vinham. Em muitos países esta teoria teve até aspectos positivos e, por isso, se distingue um eugenismo positivo, frequentemente focado em domínios como o da higiene social e condições de vida das populações. [Read more…]

Liberal-esclavagismo

Na modalidade trabalhas mas não pago.

Os cabrões continuam no ataque – o neofeudalismo

feudalismo

Camponeses a trazerem o tributo ao nobre (wikipedia.ro)

Confirma-se, como se tal já não se soubesse, que não foi por deslize que há tempos se  falou no saque às contas bancárias no Chipre como modelo para tirar da falência bancos mal geridos – quiçá até, criminosamente geridos.

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Esses liberais, neo-liberais e ultra-liberais portugueses

A esquerda e o intermitente PS de direita ou esquerda conforme é governo ou oposição têm bramado com considerável insistência que o país padece dos males trazidos pelo neo-liberalismo. E que até há políticas ultra-liberais.

Confesso que não sei muito bem do que estarão a falar, já que liberalismo implica que o Estado tenha um papel não intervencionista na economia e na sociedade em geral. Como todos sabemos, não há negócio neste país que não precise do encosto estatal e não há porcaria de aspecto da nossa vida que não mereça um decreto parlamentar. Portanto, liberalismo em Portugal? Será melhor ler algo pronto a clicar, como a Wikipédia, por exemplo.

Vem isto a propósito destes partidos praticamente reclamarem que o PSD e Pedro Passos Coelho personificam o liberalismo. Mas então, o que terão a dizer das declarações que PPC ontem fez sobre a necessidade de criar condições de financiamento das empresas públicas junto da banca? Será isto liberalismo?

Se o intervencionismo que tem ditado o rumo da nossa economia, quase sem excepção, tem ponta de liberalismo, então o melhor será eu dedicar-me à pesca (depois de pedido o adequado subsídio, perdão, incentivo).

Portugal ocupa o 69.º lugar no índice de liberdade económica

Portugal tem falta de liberdade económica. Não sou eu que o digo, são os dados deste estudo, realizado por instituições estrangeiras, que o atestam. Portugal não consegue, sequer, ser o país de língua portuguesa com maior liberdade económica. Estes dados atestam claramente o que tenho defendido acerrimamente nos últimos tempos. De acordo com o índice de liberdade económica, Portugal, nos últimos anos, tem vindo a perder liberdade económica.

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a escola pública pode fazer toda a diferença

antiga ministra da educação socialista, escreve um livro liberal sobre educação

Educar é uma tarefa de titãs, nem simples nem fácil. Não é em vão que vários de nós procuremos saber o que é educar e a melhor maneira do fazer. Somos vários em Portugal que dedicamos o nosso tempo a, como digo eu, introduzir crianças dentro do pensamento social do grupo em que vive. Tinha já escrito em 1994 na nossa Revista Educação, Sociedade e Culturas, editada pelo nosso grupo de Antropólogos e Sociólogos da Educação da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto, publicado por Afrontamento, esta frase, que desenvolvi em trinta páginas, esta questão: o processo educativo: ensino ou aprendizagem? A dúvida existia na mina cabeça e nas ideias do grupo que trabalhava comigo, de Portugal, Espanha, França, Inglaterra, os Neerlandês ou Holandeses, dentro e fora da Ciência da Educação, como essas Antropologia e Sociologia da Educação, fundadas por vários de nós em Portugal. A diferença é simples: a Ciência da Educação, aprendida por mim em Edimburgo e Cambridge, Grã-Bretanha, acrescenta a metodologia da transferência de saberes, o contexto sócio histórico e psicanalítico às ideias e noções do saber.

Porque essa dúvida? Porque há várias formas de entender a realidade dentro da que vivemos. Sem entender essa realidade, nada sabemos. Não me refiro ao saber científico, esse saber provado com hipóteses, investigação e prova do que se afirma, ou conjunto de normas pedagógicas tendentes ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito, mas sim ao saber comum usado dentro da nossa cultura. Acabei por entender

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