Em defesa da luta dos professores

A foto da Lusa, com o André Pestana à cabeça da manifestação dos professores, é reveladora da dimensão do protesto. Com uma greve de risco e em condições difíceis, os professores estão a dar mostras de não querer continuar a ser engodados em processos de negociação torpes, com resultados frágeis. Se a democracia não fosse já uma miragem qualquer governo seria obrigado a negociar e a recuar perante mobilizações com esta dimensão, mas o mais certo é o caminho ser outro, nada democrático pelo que já se viu ser a estratégia judicial do ministro e do governo.

A direita e a extrema-direita sempre tentaram cavalgar os protestos, sindicais ou sociais. Não é preciso ir muito longe para lembrar o apelo de Cavaco a um sobressalto cívico às cavalitas da Geração à Rasca, ou a tentativa de grupos de neonazis entrarem nesta e noutras manifestações do género. Se é detestável que a direita e a extrema-direita façam isto, não se pode dizer que seja surpreendente, como também não é surpreendente que o sectarismo mais doentio faça uso desse fenómeno para caluniar quem quer que se atreva a alargar as fronteiras dos protestos e a colocar em causa o monopólio das lideranças do costume.

A campanha de calúnia contra o André Pestana e a manifestação convocada pelo Stop continua, mesmo vindo de muitos que sabem perfeitamente quem é o André Pestana e o Stop. A campanha de calúnia não surge porque tenham factos, ou sequer dúvidas, a campanha de calúnia surge porque deixaram de ter argumentos no terreno sindical.

 

 

Comments

  1. estevesayres says:

    Pelos visto já chegaram à conclusão que sem luta dura e prolongada – não vamos a lado nenhum, e as organizações dos trabalhadores tem descorado este tema “Vamos lutar”! A burguesia esta espalhado por todo lado, ela quer produzir analfabetos….

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