Funcionários Judiciais, um desespero com décadas

Sem a dimensão da classe docente, sem a mediatização dos profissionais de saúde e sem a influência dos juízes, os funcionários judiciais encontram-se há décadas numa situação de congelamento salarial, redução de compensações devidas aos requisitos da profissão, como incompatibilidades e prontidão, e com cada vez menos pessoal para trabalho crescente.

Fala-se comummente no motor da justiça sem se falar no combustível que o faz mover. Sem funcionários judiciais não há justiça, independentemente de haver juízes e advogados ou não.

Isto não é novidade para o Ministério da Justiça. Mas como quem manda é o Ministério dos Buracos Financeiros, fica para trás quem não aparece na ribalta.

Resta parar. É o que estão a fazer os funcionários judiciais.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Pois repare-se que, tanto quanto se percebe da notícia de jornal, estes profissionais estão em greve há sete dias, embora somente na parte da tarde. Todos os dias se deslocam ao seu local de trabalho para trabalhar durante a manhã. Ao contrário dos professores, que fazem greves pontuais de uma hora por dia, por forma a causarem o máximo de prejuízo à população (que não ao seu empregador) com um mínimo de perda de salário.

    • j. manuel cordeiro says:

      Greves simpáticas é coisa que não existe. Qualquer greve é um braço de ferro, logo maximizar o poder de ambos os lados é normal. Note-se que os ministérios também fazem as suas jogadas, nem sempre limpas. Por exemplo, no caso dos professores houve uma extensa campanha agressiva tomando alguns maus exemplos como regra da classe.

      • Luís Lavoura says:

        Greves simpáticas é coisa que não existe.

        Depende. As greves em princípio (e creio que ainda há muitas assim) são feitas para prejudicar o patrão, não os consumidores nem, muito menos, os simples utentes. Quando um trabalhador de uma fábrica de malhas faz greve, o consumidor simplesmente abastece-se de malhas de outra marca. O patrão da fábrica tem prejuízo, o consumidor não.

        Agora, nestas greves de serviços públicos, ainda por cima monopolistas, quem se lixa são os consumidores. O patrão, que é o Estado, não perde nada. De facto ganha, porque poupa os salários.

        maximizar o poder de ambos os lados é normal

        Pois é. Mas, tal como no boxe, tem que haver regras. Limites às formas de maximização do poder. E essa coisa de fazer greve somente durante uma hora, parece-me que salta claramente fora das regras que são admissíveis. Regras éticas, quero eu dizer – das regras legais, não sei.

        • Paulo Marques says:

          Fazemos assim: amanhã faço eu greve, depois o Lavoura, e acaba com o Cordeiro, que é para não serem todos ao mesmo tempo. Está bem assim?

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