Antes de serem católicos, são humanos

Fui lendo e ouvindo, aqui e ali, que estes milhares de jovens que vieram ao nosso país para as Jornadas Mundiais da Juventude não são como os outros. Não são como os índios dos festivais de Verão, não são como as hordas de ingleses no Algarve, não são como os hooligans do futebol.

É claro que (também) são.

São muitos, são feitos da mesma matéria que os demais, e, entre tantos milhares, haverá uma larga maioria que por cá passará de forma civilizada. E uma minoria de arruaceiros, como as há nos festivais de Verão, no turismo de massas e nos estádios de futebol. Profissionais ou ocasionais. Antes de serem católicos, são humanos.

Desde o início das JMJ, já vi peregrinos a armar a bandalheira em transportes públicos, vi um tipo com uma bandeira trans ser apertado e forçado a recolher a bandeira no Parque Eduardo VII, vi um a arriar o calhau na via pública e outro que, questionado por um jornalista sobre os abusos sexuais, afirmou que algumas crianças se põem a jeito.

Nada que se compare com o ataque a uma missa organizada pela comunidade LGBT, que um grupo de “ultraortodoxos” (RTP – peça nos comentários) decidiu invadir para intimidar os seus participantes. Prova que o fundamentalismo religioso não se esgota nos fanáticos do Islão ou nos mais recentes parceiros de Netanyahu em Israel.

Sorte a nossa, Francisco é um bom antídoto para o ódio. E do pouco que vi, não desiludiu. Raramente o faz. E a maioria desta malta que cá veio, quero acreditar, não se revê no extremismo dos ultras católicos. Não nos queiram é vender uma massa de 1 milhão e meio como um exército de japoneses, que não parte um prato e limpa tudo no final. São humanos. E ainda bem.

P.S. A quantidade de gente que ali está é avassaladora. Não sei se será o maior ajuntamento de sempre em Portugal. Se não é, anda lá perto.

Comments

  1. JgMenos says:

    Esta cena de que ser humano autoriza a incivilidade, é fruto de uma cultura de tolerância que nega a civilização.
    PS: excluo o caso do ‘arriar o calhau’; o que tem de ser, é.

    • brasuca says:

      oi ?

    • Paulo Marques says:

      Ainda por cima nenhum deles esteve a pedi-las frente aos padrecos, não são como os 4800.
      Eu pensei que perfeito só Deus, mas, de facto, os católicos continuam a ser muito pouco cristãos a lidar com isso.

    • POIS! says:

      Pois claro!

      Citando, Menos, mas citando…

      “excluo o caso do ‘arriar o calhau’; o que tem de ser, é.”

      Bem se vê que o tema tem sido objeto de aprofundados estudos por parte de Menos, que em breve os dará à luz na obra “General Theory of the Fallen Pebble – Vol. I – Theological Aspects”.

      Com efeito, Menos defende a arrojada teoria segundo a qual até Cristo e os apóstolos arriavam o calhau em qualquer sítio mais conveniente, sendo que Judas preferia, estranhamente, o deserto.

      E foi por terem encontrado o deserto misteriosamente limpo que os apóstolos desconfiaram que Judas era o traidor, já que indiciava que não tinha comido nada na Última Ceia,

      PS. Solicita-se ao João Mendes que faça um favor ao Doutor. Menos e indique o sítio certo onde o fiel referido arriava o calhau. Assim, o Doutor já poderia procurar se ainda existem vestígios que lhe permitiriam, certamente, mais um significativo aprofundamento da sua excremental sabedoria.

  2. Anonimo says:

    Quando é que termina o intervalo e regressa Portugal?

  3. Ana Moreno says:

    Comentando o pouco que ouvi do Papa itself, foi bem menos incisivo a pôr o dedo na ferida do que tinha sido noutras ocasiões. E ademais nada disse sobre as reformas urgentes na sua igreja. Portanto, as mulheres continuam a só ser dignas de ser beatas. Ou de cantar, que o fizeram muito bem. Mas estar mesmo perto de deus, só os homens, Senhor!

  4. whale project says:

    Sim, o Deus do Menos é o Biden ou outro presidente em exercício dos Estados Unidos. E claro que fanatismo há em todas as religiões e até em quem não tem religião nenhuma. A do Menos é o americanismo e ele já o provou nesta e noutras paragens. Mas devia saber que do outro lado do mar boa parte da população é fanática religiosa e anda metida numas evangélicas bem venenosas. Daquelas onde mulher também não pia e ainda por cima paga dízimo. Enfim, é o mundo que temos.

    • JgMenos says:

      Sabes porra nenhuma e deitas-te àdvinhar!
      Segues a cartilha comuna do ódio aos EUA, porque sim, como numa religião qualquer.

    • Paulo Marques says:

      O Deus do Menos é quem tem mais capital, não se incomoda com as coisas terrenas como política; aí, qualquer um que lhes lamba as botas e abra caminho está bom.

  5. Luís Lavoura says:

    já vi peregrinos a […] arriar o calhau na via pública

    Questiono: habitando o João Mendes (tanto quanto julgo saber) no Entre-Douro-e-Minho, região por onde somente alguns poucos peregrinos terão passado, e sem propriamente grande stresse que os obrigasse a defecar em público, como raio teve ele ocasião de ver um peregrino a fazer tal coisa? Ou veio o João Mendes a Lisboa precisamente na altura da Jornada, altura essa que muitos lisboetas, pelo contrário, escolheram para abandonar a capital?

    • Paulo Marques says:

      Há uma coisa chamada televisão que passou todo o evento a não falar de outra coisa.
      Difícil era não ter visto.

      • Anonimo says:

        Nao me recordo de reportagens sobre peregrinos a arriar calhau. Houve uma sobre sem-abrigo voluntários temporários, mas sem menções a operações dejectativas.

  6. Anonimo says:

    Recomeçaram os incêndios. E a trégua na Ucrânia terminou. E diz que as casas em Lisboa estão caras.

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