Ambições

Acho que já relembrei isto, mas até porque a inevitável demência que me espera quer pela idade quer pelo facto de ser Português, me absolve, vou voltar a contar: há uns anos quando trabalhava quase permanentemente em Lisboa, fui convidado para ir a um jantar de Portuenses que passaram a viver na capital; acho que aquilo era periódico e frequente; bem, a experiência foi tão próxima do surrealismo que saí de lá atordoado com o absurdo em que tinha participado; estava à espera de “tripeiros” radicalizados pela distância, definidos pelas “caralhadas” libertadoras, sinceras e tão, tão eloquentes e colados pelo carácter sincero, cru, nobre e desafectado que nos define, distingue e, porra, que nos faz sentir “em casa”; foi exactamente o contrário; parecia que tinha entrado na sede dos “gajos” que tinham escrito os “protocolos dos sábios (enorme paradoxo)”, não do Sião, mas do “olissipismo”, vulgo imperio do pedantismo e da futilidade. Ou ainda de forma mais compreensível, dos que podem com propriedade dizer “eu sou tão oco como um pneu, mas vou aqui armar-me, empinar o nariz e dizer umas “merdas” para dar a ideia que ultrapassei há muito a condição de simples mortal”.

Demorei tempo a perceber o que se passava. Até que compreendi que a explicação mais simples, podia e devia ser a mais correcta. O desejo, a necessidade de se integrarem, de agradarem, de se mostrarem confiáveis (a confiança tem uma acepção diferente por aqueles lados), levava-os a ultrapassarem as taxas normais de pretensiosismo do vulgar lisboeta e tornarem-se numa espécie de “super-jactantes”.

Vem esta infindável “treta” a propósito de Rui Moreira. Rapaz precavido que já percebeu há muito que esta coisa de ter princípios duradouros, coerência ou até meros resquícios de autenticidade, é “meio-caminho andado” para estraçalhar qualquer veleidade de carreira pública. O “nosso” presidente da Câmara que inegavelmente o é, pelo menos no “papel”, optou definitivamente por dar o salto para o palco nacional. Ancorado numa imagem de eficiência que além de postiça, seria quanto muito usurpada àqueles que no recato da vida camarária fazem realmente “as vezes” de verdadeiro Presidente da Câmara, decidiu que a melhor maneira para o fazer, seria dizer à maioria dos Portugueses que é Portista, mas daqueles “dos bons”, daqueles que eles até toleram porque no fundo concordam com o “nacional-benfiq…”, perdão, com o “nacional-coisismo”. Daqueles que acham a franqueza e o desassombro “tripeiros”, uma espécie de “prova provada” do nosso evidente “neandertalismo”. Daqueles que entendem o “fair-play” como eles entendem. Aquele “fair-play” que permite fazer “trinta por uma linha” (e o 30 pode ser referência a um qualquer artigo do Código Penal) quando o que está em causa é um clube da capital, mas que nos obriga, a nós Portistas, a aceitar que às ostensivas tentativas de sodomização, só podemos responder com o coloquial “é a vida”. Género o vulgar Português perante os governos do PS. 

Isso não é nem nunca será “fair-play”. É, como sempre, o que nos querem impingir, mas, também como sempre, é tão artificial como as “taças de cartão” que ostentam porque aquilo de “fair”, tem nada.

Mas e voltando a Rui Moreira, espero bem (hipocrisia da minha parte) que o objectivo seja mesmo nacional (ou, sei lá, europeu). Porque se pretender algo mais grandioso como ser Presidente do Futebol Clube do Porto, bem pode tirar o “cavalinho da chuva”. O Portuense, o Portista (perdoem-me a equivalência entre as duas tão excelsas condições), não “paga a traidores”. Que o diga Fernando Gomes (o da SAD, claro) que pode e com tarimba explicar como perdeu “sem apelo nem agravo” para Rui Rio.

E numa “penada”, temos 3 bons exemplos: Rui Rio que governou o Porto sempre em oposição ao nosso “imaginário” única e exclusivamente para angariar simpatias no resto do País, Fernando Gomes (o da FPF) que renegou tantas e tantas vezes o seu passado Portista para ser presidente da Liga e seguidamente da Federação (como o galo ainda não cantou, irá seguramente aproveitar para renegar mais umas tantas) e o outro Fernando Gomes (o da SAD) que, mesmo depois de nos trocar pela “corte”, foi derrotado, mas arranjou forma de continuar a ser por nós pago aproveitando também para continuar a fazer-nos outras maldades, o que não deixa de comprovar enorme competência. Não era a que queríamos nem a que precisávamos, mas é, indubitavelmente, um género de competência. 

Daquelas que Rui Moreira está ansioso para também mostrar que possui. Daquelas que até lhe permitem, com “o coração nas mãos”, entender outras artificialidades como o “politicamente correcto” e perorar bovina, mas de forma “moderninha” contra o “rabo” da Ana Plácido. 

Comments

  1. Figueiredo says:

    Não sei se está a referir-se ao dr. Rui Moreira nos primeiros dois parágrafos por si redigidos, no entanto, convém realçar que o primeiro se não estou em erro o natural do Bonfim e não da Foz como erradamente se costuma dizer – nasceu na Cidade do Porto como podia ter nascido noutro lado qualquer – não é Tripeiro de Gema, a sua origem familiar é de Santa Maria da Feira.

    O que aponta nesses parágrafos não são características dos Portuenses, mas sim dos parolos, muito típicas dos liberais/maçonaria.

  2. Anonimo says:

    ” taxas normais de pretensiosismo do vulgar lisboeta ”

    Esse vulgar lisboeta anda por onde? Entre a Lapa e as Avenidas Novas?

  3. Anonimo says:

    Esses seu colegas portuenses são o equivalente ao emigrante que, regressado a Portugal em Agosto, parle comme ça a la plage avec sus filhes.

  4. POIS! says:

    Pois claro!

    Mais um candente assunto de natureza nacional, digo, continental, digo, mundial, digo, galaxial, digo, universal aqui trazido pelo prolífico postpescador.

    Resumo: Rui Moreira, para ser Prasidente da Cambra, fartou-se de fazer amigos, para neutralizar os inimigos.

    Agora que se vai embora, e quer ser cabeçorra de uma lista, já está a tratar de arranjar inimigos, que é para os inimigos desses inimigos serem amigos.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Ora pois, pois… Como dizem os brasileiros que nós (portugueses) dizemos 😉

  5. POIS! says:

    Pois só mais uma coisinha…

    Aquela rapariga abraçada ao bigodudo representa mesmo a Ana Plácido?

    É que, examinando bem as coisas, parece-me que a figura da estátua está para a Ana Plácido assim como a Sara Sampaio está para a Montserrat Caballé, ou coisa assim…

  6. Arnaldo Jesus Fernandes Rodrigues says:

    Mas há um déspota que o deseja alterar o nosso Porto

    37 – 1= 36 ( A Ilda Figueiredo já reverteu a opinião depois de ouvir o autor da obra )

  7. Lima Xangai says:

    Há coisas que só mesmo nos parolos do “Cosovo”

  8. Figueiredo says:

    Por falar em ambições, o crime que foi cometido no Mercado do Bolhão e que o destruiu, aguardando-se que os responsáveis pelo mesmo venham a ser julgados e condenados no mínimo a repor e corrigir o que lá foi feito, continua a dar frutos:

    “Pior do que um shopping”: maioria dos comerciantes do Bolhão insatisfeitos com gestão do mercado

    https://www.publico.pt/2023/09/15/local/noticia/pior-shopping-maioria-comerciantes-bolhao-insatisfeitos-gestao-mercado-2063461

    Só é pena que os comerciantes do Mercado Bolhão não tenham coragem para dizer que o que ali foi efectuado e o conceito em si não funcionam, o mercado não tem clientes, ninguém vai aquele espaço vazio que só tem movimento através de um esquema criminoso que desloca para lá parolos e Estrangeiros.

    É também lamentável a presença de um alegado depoimento nesta notícia do jornal «Público», que afirma que o Presidente Rui Rio queria transformar o Mercado Bolhão num «shopping», o que é mentira, pois foi o próprio Presidente Rui Rio que lutou até ao fim para recuperar preservar o mercado e os seus comerciantes, e impediu que o mesmo se tornasse numa espécie de «shopping» como é hoje.

    A pessoa que proferiu tal declaração deve ser identificada e responsabilizada pela mesma.

    Mas não ficámos por aqui, a direcção do Mercado do Bolhão pelos vistos recorre à intimidação física para abafar e manipular qualquer análise sobre a actual situação do mercado, à boa maneira liberal/maçónica:

    Maioria dos comerciantes com bancas no Mercado do Bolhão descontente com atual gestão:

    https://eco.sapo.pt/2023/09/15/maioria-dos-comerciantes-com-bancas-no-mercado-do-bolhao-descontente-com-atual-gestao/

  9. Luís says:

    Confundir Portuense com Portista é mais uma usurpação que os portistas pretendem fazer da cidade do Porto.
    Portuense, como Beirão, Transmontano, etc, são designações dignas que são aceites e respeitadas em todo o lado. Já a designação portista, depende de quem a ostenta, sendo muitos os que a envergonham, a começar pelo presidente campeão dos arguidos.
    Quanto a referida alteração de comportamento dos portuenses em Lisboa, só prova a fábula da raposa e das uvas, estão verdes. Dizem mal de Lisboa,mas dão o c…, e cinco tostões para ir para Lisboa, e depois acaba-se o dizer mal.
    E quanto ao Benfica, bem … tem de o comer com batatas, ou então com tripas, jamais chegarão à sua dimensão. E quanto a títulos, … dentro e fora de Portugal sabemos como alguns foram … e alguns ainda continuam a ser.

    • Paulo Marques says:

      Sabemos, um tal de António Boronha contou-nos como foi.

    • Salgueiros says:

      Não diga isso. Enquanto os jogos durarem 90 minutos e os prolongamentos 20
      , há que contar sempre com o FCP.
      Podem não jogar nada durante os 90 minutos regulamentares, mas o prolongamento da-lhes força.

    • Salgueiros says:

      continuam a ser os campeões dos jogos com 110 minutos

  10. Paulo Marques says:

    Com tanto problema na AMP, quero lá saber do que tem a comentar sobre futebol.

    • Anonimo says:

      Uma cena tão corrupta e sem credibilidade, e mesmo assim dão tanta atenção, não conseguem largar.

      O futebol, não o Rui Moreira.

      • Paulo Marques says:

        Ah, tava tão perto de lá chegar… bem, que seja para tudo continuar na mesma!

        • Anonimo says:

          Sempre perto de chegar, nunca a chegar totalmente. É o dilema dos pouco literados. Acham que estão, mas não estão.

  11. Zabka says:

    A parolada morcona anda pegada com o vislumbrar do fim do reinado do velho mafioso.
    Este advogadozeco de meia tigela consegue ser pior do que o Phil Dunphy herdeiro do Molaflex bombista, mas o choradinho serve, pois ontem foi mais um gamançozito para os metralhas de pijama azul.

  12. JgMenos says:

    «O Portuense, o Portista (perdoem-me a equivalência entre as duas tão excelsas condições)»
    Perdoo porra nenhuma.
    A chunguice portista não é Porto.

    • POIS! says:

      Ora pois claro!

      Assim como a chungice Menista não é Por…tugal!

    • Salgueiros says:

      “A chunguice portista não é Porto.”

      O contabilista de Santo Tirso está a surpreender-me

      E não é, que tem razão !

      É pena ser um Salazarento retrógado

      • JgMenos says:

        Es tu o idiota do costume que julga saber quem sou?

        • Salgueiros says:

          “Es tu o idiota do costume que julga saber quem sou?”

          “um Salazarento retrógado”

          Isto é do domínio publico, não precisas de insultar que te chama.isso.

          Mas enfim, os teus argumentos são o insulto

    • Paulo Marques says:

      Claro que não, mal por mal, ao menos não se contenta com a mediocridade auto-colonizada em que se transformou a cidade.

  13. Francisco says:

    Oh, Osório tu és um Cândido! E, portanto, particularmente susceptível a simplificações maniqueístas e equivocadas: há muitos portuenses boavisteiros, salgueiristas e até, vê lá tu, sportinguistas e benfiquistas (apre!). E há gente portista que nunca pôs os pés no Porto, nem para ir ao estádio (conheço alguns).
    Mais grave é imaginares que o Porto das peixeiras do Bolhão é a mesma cidade dos Niepoort, Symington, até dos Moreira e outros burgueses, grandes e pequenos.
    A luta de classes é universal.
    E o vernáculo usa-se igualmente, em todas as latitudes (e longitudes) deste país…

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