Democracia representativa sim, mas só quando interessa ao PSD

Quando o PS ficou em segundo lugar nas Legislativas de 2015 e, ainda assim, conseguiu maioria parlamentar para governar, parte muito significativa da direita portuguesa traduziu “democracia representativa” para “golpe de Estado”. O PSD esteve na linha da frente da narrativa.

Anos mais tarde, quando o PSD ficou em segundo lugar nos Açores e construiu a sua própria geringonça, a narrativa do golpe de Estado desapareceu e foi substituída pelo som de grilos a cantar numa noite de Verão.

Mais recentemente, quando o PSOE ultrapassou o PP na aritmética parlamentar, apesar do segundo lugar nas Legislativas espanholas, regressou a lenga-lenga do golpe de Estado e da usurpação.

E aqui estamos, dois dias após as eleições na Polónia, a ver destacados militantes e opinion makers próximos do PSD celebrar a vitória dos seus homólogos do KO, liderado por Donald Tusk, pese embora tenham ficado em segundo lugar e precisem de uma geringonça de 11 partidos para governar. Nada de golpes de Estado, nada de usurpações, nada de “quem fica em primeiro lugar tem o direito de governar”.

Só grilos e hipócritas.

P.S: Celebrei com alegria o resultado de Domingo na Polónia. Qualquer alternativa à extrema-direita é uma boa alternativa. E, ironia das ironias, o PSD lá do sítio terá que se entender com uma coligação de esquerda com uma amplitude tal que, traduzido para português, vai mais ou menos do PS até ao BE.

Comments

  1. Isso não é uma coligação, é um saco de gatos sem nada para correr bem.

  2. Na Polónia, a coligação pós-eleitoral foi anunciada antes das eleições – e , nos Açores, creio, após 23 anos de domínio PS, uma solução governativa “anti-PS” se presumia (e era desejável, digo eu). Mas dou-lhe os parabéns se adivinhou, durante a campanha de 2011, que António Costa (o do poucochinho), perdendo para a PAF, se ia aliar ao BE e ao PCP para formar governo (eu, por acaso, senti um frio na barriga, mas foi no próprio dia das eleições). Quanto a Espanha, só mesmo o oportunismo explica que o PSOE, cujo braço catalão sempre foi espanholista e opositor da CiU/Juntse cujo braço basco teve 12 militantes mortos pela ETA (o último em 2008), se vá aliar ao Bildu e aos independentistas catalães.

  3. Figueiredo says:

    Vê-se coisas sem sentido e muitas contradições, leia-se esta notícia:

    “Costa e PS são luso-comunistas. Evitem a mexicanização do regime”

    https://zap.aeiou.pt/costa-ps-comunistas-562293

    Declarações infelizes por parte do dr. Luís Amaral; o Partido Socialista é um partido político liberal/maçónico – assim como as restantes forças políticas dentro e fora da Assembleia da República – e os seus Governos assim como os Programas Políticos que apresenta assim o provam.

    O dr. Francisco Miranda, a quem não se reconhece qualquer relevo, afirma que «… Portugal precisa de um PSD forte…» e a notícia assegura que o primeiro declarou que não «…verá este partido como inimigo…», mas vejamos, um Partido Social Democrata forte e comprometido com o Interesse Nacional foi aquilo que o Presidente Rui Rio fez durante a sua liderança constantemente sabotada e alvo das maiores pulhices dentro e fora do Partido, porquê que só agora aparece o dr. Francisco Miranda?

    Como diz o Sr.º Dr.º Alberto João Jardim: «…Desde um extremo ao outro do espectro partidário português, estes partidos são todos iguais no seu conservadorismo de regime. Fingem se combater uns aos outros, só para enganar os Portugueses mais distraídos.
    Porém, estão alinhados, todos e ainda que em estilos diversificados, sob as mesmas batutas que controlam a imposição do sistema político-constitucional ainda vigente…».

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