Narrativa: a ruína

Fotografia: Tiago Miranda

Fotografia: JOSÉ COELHO

Fotografia: retirada do Jornal de Negócios

Hoje, duas notícias de relevo:

1 – os imigrantes contribuíram com mais de 1600 milhões de euros para a Segurança Social (“os estrangeiros em Portugal trabalham mais horas por semana do que os portugueses”, diz-nos a RTP);

• Era bom mostrar estes números (e o facto de, mesmo atingindo tais números, os imigrantes estarem mais desprotegidos no trabalho) a quem acha que são os imigrantes quem “rouba” alguma coisa a “alguém”. Aqueles que se revêem e dão mais atenção a discursos populistas do que aos factos que os números trazem, saibam: das duas, uma – ou vocês são, de facto, uns racistas e xenófobos de trazer por casa, ou então estão a cair que nem patinhos no sussurrar da cobra.

2 – Portugal está abaixo da média europeia no que diz respeito à carga fiscal (“o argumento utilizado por “vários partidos” de que os impostos em Portugal são os mais altos na Europa é uma “ideia aliciante, mas falsa”), mas esta penaliza mais os trabalhadores e outros grupos de menores rendimentos;

• Portugal não tem a “mais elevada” carga fiscal da União Europeia, mas os impostos penalizam quem trabalha. Era bom ver (e ouvir) a direita (está visto e ouvido) defender uma redistribuição justa (“de cada qual de acordo com as suas possibilidades, para cada um de acordo com as suas necessidades”); mas não, o discurso da velha direita (alguma mascarada de moderna “práfrentex”) é o mesmo de sempre: o que é preciso é descer os impostos a quem mais ganha e não a quem menos ganha, impedindo, assim, uma redistribuição justa em Serviços Públicos e por quem menos tem (e privatizando, ainda mais, o país).

Em duas notícias, boa parte daqueles que são os argumentos da direita em Portugal caem por terra. Isto, na iminência de eleições legislativas. Cai também a ideia de que Portugal tem políticas de cariz “socialista”. Não tem. Tem políticas neo-liberais, porque está inserido numa união que advoga o neo-liberalismo como ideologia dominante; e tem o PS, que mesmo tendo “socialista” no nome, é um partido de Terceira Via, ou seja, social-liberal. Será interessante acompanhar as neo-narrativas da direita, seja a mais radical-centrista, a mais ultra-liberal ou a proto-fascista, nos próximos tempos; antevendo que, por muito que as notícias tragam números diferentes, a estratégia no discurso será a mesma: a mentira (ou a ocultação da verdade, com pinceladas de percepções).

O que é preciso é “acreditar” num Portugal ainda “mais liberal” e de braço (mais ou menos) levantado.

Comments

  1. Figueiredo says:

    Mas grande confusão, afinal quem é que contribuiu com «…1600 milhões de euros para a Segurança Social…» foram os Estrangeiros ou foram os Imigrantes?

    O Partido Chega (CH) é uma fraude e defende ainda mais emigração.

    Estão a ser deslocados Estrangeiros em massa para Portugal desde 2012 pelos liberais/maçonaria (PS, CDS, BE, CH, PAN, L, PCP, IL, ADN, e a facção liberal/maçónica do PSD) para substituir os votos em falta da imensa Maioria Silenciosa dos Portugueses representados pela Abstenção, e para isso usam como fachada o trabalho em “estufas”, “empresas de estafetas”, “restauração”, “transporte de passageiros”, e outros esquemas ao mesmo tempo que recebem subsídios pagos com o dinheiro dos Portugueses que financia o Orçamento do Estado (OE).

    «…Abram as fronteiras! – Para derrotar o partido AfD, a Alemanha deve trazer mais migrantes e dar-lhes direitos de voto imediatos, afirma o fundador da ONG barco de resgate de migrantes…»

    Fonte: https://rmx.news/article/open-the-borders-to-defeat-the-afd-party-germany-must-bring-in-more-migrants-and-give-them-immediate-voting-rights-claims-founder-of-migrant-rescue-boat-ngo/

    Esses Estrangeiros são criminosos, terroristas, são o lixo de outros Países, e estão envolvidos com organizações criminosas diversas, tráfico/consumo de droga, serviços de informação de outros Estados, organizações não-governamentais (ongs), e estruturas políticas.

    Em Portugal não há trabalho desde 2012, o pouco que há só por cunha.

    Como é querem que os Portugueses trabalhem se lhes negam o direito ao trabalho e fomentam a emigração de Estrangeiros?

    Como é que querem que os Portugueses aumentem a taxa de natalidade, constituam Família, e promovam o desenvolvimento da economia, se o criminoso, corrupto, e anti-democrático regime liberal/maçónico imposto pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974, nega-lhes o direito ao trabalho, fomenta o desemprego, a instabilidade laboral, o aumento do valor dos arrendamentos de forma ilegal, e promovem a emigração de Estrangeiros?

    • Ó homem, esses pobres coitados, principalmente na agricultura, são os que são invadidos e explorados precisamente para ser a mão de obra barata, frequentemente à margem da lei, que nos põe comida na mesa, seja nos países de origem ou de destino. Fossem uma percentagem significativa terroristas e criminosos, isto estava tão incomparavelmente mais violento que a noção é ridícula. Não fosse ser branco, pensavam exactamente o mesmo sobre o Figueiredo seja lá onde tiver ido parar.
      Não há qualquer semelhança entre quem aponta que o rei vai nú, e que tudo isto é sustentado em escravatura de forma moderna e civilizada, e quem fecha os olhos e tenta fechar os dos outros. Como também não há qualquer semelhança com pessoas livres que vêm com imensa dificuldade, imensas regras a cumprir, e enorme e contínuo escrutínio, porque querem amar e melhorar Portugal mais do que cá quem mora.
      Claro que o proto-fascismo moderno adapta-se aos tempos e entende que assim é, até porque é financiado e propagandeado por quem beneficia para que não se mude e os trabalhadores continuem a lutar um contra os outros. Não adiantava nada nem que voltássemos a ser relevantes para alguma coisa, o supremacismo nunca dura até se virar aos seus.

      • Figueiredo says:

        Mentiroso, você não tem argumentos.

        • POIS! says:

          Pois muito bem!

          Eis o que o que se pode considerar um argumento verdadeiramente arrasador!

          O Figueiredo é um campeão da retórica! Não fica pedra sobre pedra!

        • Não, não, é tudo igual menos o Figueiredo, que é um santo à espera de ser salvo.

  2. Douriense says:

    ” o criminoso, corrupto, e anti-democrático regime liberal/maçónico imposto pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974″

    O carissimo educador do povo, também dizia assim uma bacoradas, mas intervalava com coisas certas.

    Intervala, morcão

  3. Como se vê, o relevante não são os factos, são as vibes. Ainda agora saiu mais um estudo, vale o que vale, que o importante para a direita em geral é o que “toda a gente sabe” por inspiração divina, os factos escolhem-se depois. E quando não há factos, há sempre “serem diferentes”, por muito que já cá andem à décadas ou mais, ou controlarem isto tudo sem ninguém saber como. Ainda hão-de ser os dois aos mesmo tempo outra vez, para tempos divertidos.

  4. JgMenos says:

    Desde que lhes palpite que alguém trabalhe para eles, logo a cambada se entusiasma!

    • POIS! says:

      Pois é!

      O entusiasmo de Vosselência é evidente. Transpira que se farta nos seus comentários!

    • Cada vez faz menos sentido, eu se fosse a si ia fazer um teste cognitivo, que décadas de fel têm efeito.

  5. FERNANDO ILÍDIO DA COSTA MARTINS says:

    João L. Maio, «…defender uma redistribuição justa (“de cada qual de acordo com as suas possibilidades, para cada um de acordo com as suas necessidades”) é princípio que está nos antípodas da visão do mundo própria da direita. Esperar isso dela equivale a esperar que o escorpião não dê uma picada na rã.

    • João L. Maio says:

      Claro que sim. Foi apenas ironia.

      • JgMenos says:

        Que queridos!
        Tão generosos!
        Tão altruístas …à espera que os imigrantes lhes garantam as reformas; quando chegar a vez deles, logo se verá.

        • Tuga says:

          Que queridos!
          Tão generosos!

          Que idiota !
          Tão retardado

        • POIS! says:

          Pois…

          Podíamos esperar antes por Vosselência, pela ressurreição do Oliveira da Cerejeira e pelo boom de natalidade prometido pelo Quarto Pastorinho (que já afiançou engravidar caso chegue a ministro à boleia do Sistema), mas não sei se seria prudente…

          • Figueiredo says:

            O que o «Quarto Pastorinho» quer é mais emigração/estrangeiros.

          • POIS! says:

            Pois.

            Estou a ver que Vosselência, além de campeão de retórica, também é especialista em Quartopastorinhologia.

  6. balio says:

    quem acha que são os imigrantes quem “rouba” alguma coisa a “alguém”

    As pessoas que acham que os estrangeiros nos roubam algo não se referem, geralmente, à Segurança Social. Referem-se quase sempre a lugares nas escolas e a lugares nos hospitais.
    Ou seja, os estrangeiros podem de facto contribuir positivamente para a Segurança Social, mas por outro lado podem prejudicar o nosso acesso à saúde e à educação. E, evidentemente, à habitação.

    • João L. Maio says:

      Claro que sim. Aliás, os imigrantes que vivem aos 20, amontoados num quarto para 2, prejudicam o acesso à habitação.

      • Luis says:

        Posso estar errado, mas acho que temos problemas com a imigração. Os que para uma vida melhor, não sendo eles o problema, a forma como vem sem qualquer controlo e não existindo os necessários programas de acolhimento e integração origina problemas porque são mais alguns à deriva no país, onde um sintoma são os 20 num quarto e as redes de exploração laboral e os problemas que daí já vieram e vão continuar a vir.
        No que toca aos ricos, temos habitações ao preço de palácios na perspectiva do português comum. Sei que vivemos uma economia de mercado, mas o acesso a habitação por estrangeiros em certas condições devia ser controlado e de caerta forma dissuadido através de impostos, taxas,etc.
        Quem é que pode viver hoje no Portoou em Lisboa?

        • Figueiredo says:

          A crise na habitação em Portugal foi provocada intencionalmente pelas más políticas praticadas no XIXº Governo liderado pelo ex-Primeiro-Ministro, Pedro Coelho, e que tiveram continuidade nos Governos do ex-Primeiro-Ministro, António Costa.

          Não existe falta de habitação no País como falsamente se sugere na comunicação social e redes sociais Portuguesas, e as rendas não sobem nem baixam por causa disso.

          Os preços dos arrendamentos de imóveis construídos para habitação e outros também não sobem por causa do “aumento da procura” ou do “mercado de arrendamento” (que nem sequer existe), nem por causa da inflação, é mentira, nem tão pouco por causa dos Estrangeiros que estão a ser deslocados para Portugal mas sim devido à chamada “lei das rendas” que liberalizou e desregulou as rendas dos imóveis fazendo com que estas atinjam valores que não correspondem à realidade, o objectivo, é tornar impossível o arrendamento permitindo assim aos proprietários criminosos de imóveis construídos para habitação colocá-los na modalidade de alojamento local, turístico, temporário, ou de curta duração, o que é, realce-se, proibido por Lei.

          Para resolver a crise na habitação, basta revogar a chamada “lei das rendas” criada pela ex-Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Maria Graça, e fazer cumprir a Lei que determina que os imóveis construídos para habitação não podem ser colocados para alojamento local, turístico, temporário, ou de curta duração, e assim acaba-se com o esquema.

          • E continuará o problema, porque não só continuam os actuais, como continuará a ser possível usá-los para lavagem de dinheiro por “investidores” e a acumulação por quem tem capacidade de os manter desocupados para manipular o preço para lucros e benefícios fiscais. Seria só um começo.

      • balio says:

        os imigrantes que vivem aos 20, amontoados num quarto para 2, prejudicam o acesso à habitação

        Claro que prejudicam: esse quarto poderia servir para alojar 2 portugueses.

        Ademais, o João Maio está a olvidar o facto de que nem todos os imigrantes são miseráveis que vivem amontoados. Muitos imigrantes são pessoas “normais”, que vivem em condições razoáveis, dessa forma ocupando bastante mais espaço.

        • João L. Maio says:

          Eu espero que as casas alojem pessoas, trabalhadores, contribuintes. Quero lá saber se são portugueses ou não.

    • Prejudicam, mas são também recursos para que tudo isso possa ser adaptado a um fluxo bem modesto haja vontade e planeamento. Ah, espera, isso é tudo xuxalismo, se fosse para fazer o mercado já tinha feito.

    • Figueiredo says:

      «…os estrangeiros podem de facto contribuir positivamente para a Segurança Social…»

      Desloca-se Estrangeiros em massa para Portugal, para que possam contribuir para a Segurança Social ao invés de colocar os Portugueses a contribuir para a mesma e respectiva economia do País… Mas isto faz algum sentido? Você tem noção da palermice que escreveu?

      «…os estrangeiros…podem prejudicar o nosso acesso…à habitação…»

      A crise na habitação em Portugal foi provocada intencionalmente pelas más políticas praticadas no XIXº Governo liderado pelo ex-Primeiro-Ministro, Pedro Coelho, e que tiveram continuidade nos Governos do ex-Primeiro-Ministro, António Costa.

      Não existe falta de habitação no País como falsamente se sugere na comunicação social e redes sociais Portuguesas, e as rendas não sobem nem baixam por causa disso.

      Os preços dos arrendamentos de imóveis construídos para habitação e outros também não sobem por causa do “aumento da procura” ou do “mercado de arrendamento” (que nem sequer existe), nem por causa da inflação, é mentira, nem tão pouco por causa dos Estrangeiros que estão a ser deslocados para Portugal mas sim devido à chamada “lei das rendas” que liberalizou e desregulou as rendas dos imóveis fazendo com que estas atinjam valores que não correspondem à realidade, o objectivo, é tornar impossível o arrendamento permitindo assim aos proprietários criminosos de imóveis construídos para habitação colocá-los na modalidade de alojamento local, turístico, temporário, ou de curta duração, o que é, realce-se, proibido por Lei.

      Para resolver a crise na habitação, basta revogar a chamada “lei das rendas” criada pela ex-Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Maria Graça, e fazer cumprir a Lei que determina que os imóveis construídos para habitação não podem ser colocados para alojamento local, turístico, temporário, ou de curta duração, e assim acaba-se com o esquema.

      • Tirando o acima, não só faz, como, bem ou mal, sempre foi parte essencial da elevação social de quem cá estava para outra situação laboral com melhores condições. Mas isso quando havia investimento e os baixos salários não eram encorajados.

        • Na verdade, também já passamos do encorajamento de baixos salários à promoção de maior extractivismo para enviar proveitos para outro lado, causando ainda menos investimento. Um colonialismo aplicado à periferia, que o capitalismo come-se a si próprio.

        • Figueiredo says:

          «…sempre foi parte essencial da elevação social de quem cá estava para outra situação laboral com melhores condições…»

          Mentira e outra patetice, não existe nem nunca existiu «…elevação social…», cada um tem o trabalho para o qual possui perfil e é promovido mediante o seu mérito, esforço, e qualidades.

          As melhorias das condições de vida de cada Português, é feita com o trabalho dos próprios; tenha um salário baixo, médio, ou alto.

          Escrever que existe «…elevação social…» porque se deslocam Estrangeiros para Portugal, é uma palermice de todo tamanho.

          • “é promovido mediante o seu mérito, esforço, e qualidades.”

            Hahahahahahahahahaha. Não, é a sério? Hahahahahahahahhahahahahahahahaha.
            E que fosse, estou mesmo a ver os Figueiredos a ir de de bom grado servir aos mesmos mais mais ricos à mesa, conduzi-los, limpar-lhes a casa, apanhar-lhe a comida, tudo com o mesmo ordenado e condições. Era logo!

  7. Figueiredo says:

    Resposta a Paulo Marques de
    21/12/2023 às 19:00

    Mas eram e são os Portugueses que faziam esses trabalhos todos e sempre o fizeram em Portugal.

    E continuam a fazer, se existem Estrangeiros a desempenhar essas funções é porque negam o trabalho aos Portugueses.

    O que você escreveu é uma grande palermice.

    • João L. Maio says:

      Mentira. Muitos dos imigrantes estão em trabalhos precários e mal pagos que os tugas não querem porque… são precários e mal pagos.

      Você é um demagogo.

      • Carlos Almeida says:

        João Maio

        Claro que o do 25 de Abril foi um golpe da NATO, é um completo demagodo.
        Não percebo porque lhe respondem
        O homem ou é parvo ou provocador, como se dizia antes do 25 de Abril, quando apareciam este tipo de senhores

        A bem da Nação

        Carlos Almeida

        • Figueiredo says:

          Está a ver como você não tem argumentos; a verdade incomoda.

      • Figueiredo says:

        Mentiroso, e o pior é que não conhece a realidade do País.

    • Sim, são os portugueses que fazem, excepto quando não são. E as condições do quando mudaram, acima de tudo porque preferimos fazer isso onde há melhores condições, mas também porque ter mais cães para os mesmos ossos é característica essencial e necessária para o sucesso temporário do neoliberalismo, até acabarem os recursos dos outros.

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading