
Em miúdo, sabia o nome de poucos deputados. Odete Santos era um deles. Porque era inconfundível, porque tinha graça e cor naquele universo cinzento, do qual me chegavam fragmentos televisivos enquanto almoçava, e porque havia, naquela mulher, algo que a distinguia dos demais.
E, talvez, porque tinha o mesmo nome que a minha avó.
Mal sabia eu, em miúdo, o papel que esta grande mulher, activista, actriz, advogada e deputada tivera. Na resistência ao Estado Novo, na cultura portuguesa, na construção do Portugal democrático, na defesa dos trabalhadores e, sobretudo, na luta pelos direitos das mulheres, nomeadamente no combate ao aborto clandestino e pela despenalização da IVG, duas causas que abraçou como poucos, mas também na defesa pro bono de muitas mulheres sem recursos, vítimas dos mais variados abusos.
Odete Santos foi deputada do PCP durante 27 anos. Uma das grandes referências da Assembleia da República, com um extenso e currículo que fala por si e um trabalho parlamentar de excelência, elogiado da esquerda à direita.
Forte, competente, frontal, carismática e desempoeirada.
Assim era Odete Santos, que ontem nos deixou.
E que grande Mulher ela foi.
Paz à sua alma.






Como atriz amadora competia-lhe dar espetáculo.
No cinzento soviético uma nota de cor!
Pois temos de aceitar e compreender.
JgMenos estava mais habituado ao esfusiante colorido salazaresco. Que saudades das brilhantes batinas do Cerejeira!
E o brilho das botas do Oliveira de Santa Comba? Nunca mais houve coisa semelhante!
Foi-se com o desgosto de näo poder ver os 50 anos de Abril, mas com o sentido do dever cumprido.
Até sempre.
A dr.ª Odete Santos, destacada liberal e militante do Partido Comunista Português, será para sempre recordada por aquele momento onde se desfez por completo – num aparente e eminente colapso – que quase a levou a despir-se em directo no programa «Os Grandes Portugueses» da Rádio e Televisão de Portugal (RTP), que consagrou através do voto o Sr.º Prof.º Dr.º e Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, como o maior Português de sempre:
Pois já não diga, ó Figueiredo!
O Senhoro Professoro Doutoro Presidente do Conselho Oliveira da Cerejeira o maior Português de sempre?
Ahhhhh! Ahhhhhhhh! Ahhhhhh! Ai que o Figueiredo é tão cómico! Ai que nem posso! Ahhhhh! Ahhhhhhhh! Ahhhhhhhhhhhhh! Ahhhh! Já não ria assim tanto desde que o outro caiu da cadeira! Ahhhh!
Pois realmente, aceitar participar nestes programas humorísticos pode ter riscos. Ás vezes lá tem de fazer um “strip”, ou coisa assim. A malta é doida por coisas dessas!
Estas descaídas do Figueiredo, o tal do 25 de Abril, patrocinado pela NATO, são bem vindas.
E ele e o outro anexo capitalista da terra do Messi
Anexo capitalista, seja lá o que isso for, queria eu escrever
Sim, mas há um fundo de verdade nisso. Os americanos estavam lixados com o regime desde que o Oliveira da Cerejeira tinha proibido a Coca-Cola. Esperavam que o Martelo Catano (era assim que pronunciavam) revertesse a decisão, mas ele não cumpriu, numa descarada cedência ao “lobby” da Canada-Dry. Então resolveram mandar a NATO patrocinar um golpe, que teria de ser feito por feito por militares, porque eles já tinham provado a Coca-Cola lá nas colónias.
Onde é que eu vi isto? Foi num artigo nas Seleções do Reader’s Digest, que citava uma conversa entre a Marilyn Monroe e o Rockefeller no gabinete do Nixon.
Estas coisas não escapam a um arguto salazaresco, como é o caso do Figueiredo. Para breve está a revelação de que o Cerejeira também pertencia à maçonaria e até tinha um avental disfarçado na batina. Uma descoberta que vai alterar o curso da História!