Votar no projecto Almada Velha

Um projecto da Sarah Adamopoulos: teatro documental comunitário. É favor votar no Orçamento Participativo Portugal.

Como destruir um sistema teatral

A Sarah Adamopoulos explica.

A minha última viagem ao Trindade

Fui ver a Última viagem de Lenine ao teatro Trindade, posta em cena pelo grupo, Não Matem o Mensageiro. No fim, na sessão de perguntas e respostas com o escritor da peça, o actor único (um brilhante André Levy) e membros da companhia acima referida, foi dito que todo o teatro é político mas esta companhia, ao menos, assume-se. Gostei desta abordagem precisamente pela honestidade. O debate do que pode ou não ser político, quais as formas de arte mais ou menos politizadas, qual a definição de política em si, é extenso e não muito importante para este texto em particular.

O teatro, contudo, é sem dúvida uma das formas de arte mais verdadeiramente políticas que existem. Pela própria ideia de representação e do que ela implica, pelo elo que se cria entre o público e os actores, pelos artifícios literários e gestuais usados.

Estamos em 2016, a precisamente um ano de uma daquelas grandes efemérides da História, a Revolução de Outubro. Seria importante e saudável que houvesse um debate adulto e responsável sobre os acontecimentos revolucionários, sobre o que significou a revolução de Outubro, sobre Lenine e as restantes personagens históricas que o rodeavam. Em qualquer debate deve-se ouvir os vários pontos de vista. Esta peça apresenta um ponto de vista, uma interpretação de Lenine, baseada numa minuciosa pesquisa de factos, com cartas citadas literalmente, com episódios reais a serem mencionados ou retratados. É evidente que há uma grande margem para discordar do ponto de vista e da interpretação, tal como a pessoa lê Gramsci ou Jorge Luís Borges e não tem de acreditar ou apoiar tudo o que lê. Mas não é por isso que não se deve ver ou alimentar este tipo de peças, que se assumem engagés,  em defesa de uma posição.  É ridículo que tenhamos chegado a um tal ponto de absolutismo sectário misturado com alguma indiferença que não consigamos apreciar as complexidades da História, o que ela tem para nos oferecer e que se continue a perder as oportunidades para pensar, pensar a sério, sem falácias e generalizações.

A peça é assumidamente brilhante. André Levy é extraordinário num registo dificílimo, o do monólogo. O texto está muito bom. A quarta parede é ignorada com um recurso apropriado ao humor. Do ponto de vista artístico, está praticamente perfeita. Do ponto de vista político, meus amigos, não dá para fazer spoiler. É ir ver.

Levem a garotada ao teatro!

cinderela

Olhos de pequeninos a brilhar de atenção alegre tão forte quanto o coração lhes está a pulsar é do mais lindo que se pode observar, não é verdade? Pois foi esse encanto que mais uma vez esteve estampado nas caritas expectantes de uma centena de crianças, de bibe laranja aos quadradinhos e sentadinhas com as pernitas a abanar nas cadeiras do Teatro Armando Cortez. No palco, foi aquela magia sempre renovada, produzida desde há 40 anos com um profissionalismo admirável pelo TIL, Teatro Infantil de Lisboa. Desta feita, a peça é a Cinderela, uma Cinderela alegre e com referências à actualidade, como aquela da lista dos convidados ao baile no ipad. [Read more…]

Uma achinha para a fogueira alheia??

Não basta já o ininterrupto bombardeamento que vem sendo levado a cabo pela PAF e pelo respectivo séquito da comunicação social evocando a fatal falta de estabilidade que teria um governo de esquerda?!

Ó Sr. Francisco Louçã, acha que era absolutamente imprescindível acusar Mário Centeno de não ter lido o texto do acordo do PS com os partidos de esquerda[1] ??? (Grande Entrevista, 18.11.15)

Não digo que o assunto não vá dar pano para mangas, mas duvido muito que seja por falta de leitura do texto e seria bem melhor evitar ilações que venham alimentar o coro de teatro grego (o clássico!)[2] que está a ser posto em cena pela direita, não acha mesmo???

mascaras

[1] P.S. – … sim, porque o PS ainda vai ter de demonstrar que vai ser de esquerda….

[2] As peças de Teatro na Grécia Antiga incluíam sempre um coro que dava uma variedade de informações de enquadramento e resumos para ajudar o público a acompanhar o espectáculo.

“Os Condenados” – Peça de Teatro

ESTC - Os Condenados  (c) Filipe Ferreira

foto: ESTC – Os Condenados  (c) Filipe Ferreira

Exercício-espectáculo dos alunos finalistas do Curso de Teatro, Licenciatura, da Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC). 24 a 26 de Julho, Sala Garret, Teatro Nacional D. Maria II. ENTRADA LIVRE.

Carlos J. Pessoa, encenador e autor do texto, teve inicialmente como ideia para o trabalho de final de curso deste grupo de actores (há outros grupos a trabalharem outros textos/propostas), “Os Cenci”, uma tragédia familiar italiana, na Roma do final do século XVI, na qual Beatriz Cenci, a filha, é decapitada, punição que recebe por ter assassinado o seu pai tirano.

Esta estória, documentada nos “Anais de Itália” (Ludovico António Muratori, 1749), é apenas no verão de 1819 que Percy Bysshe Shelley a cristaliza numa tragédia em 5 actos, a qual é adaptada e levada à cena em 1935 por Antonin Artaud, precursor do Teatro da Crueldade, no qual se pretende a inexistência de distância entre o actor e a plateia. Todos são actores e todos fazem parte do processo.

É precisamente tendo este contexto em perspectiva, que tudo faz sentido para o encenador Carlos Pessoa, ao ver na televisão a execução de um grupo de cristãos coptas numa praia Líbia, pelo auto-proclamado “estado islâmico”, colocando-o em perspectiva para escrever e encenar “Os Condenados”, peça que sobe à cena durante o próximo fim-de-semana de 24 a 26 de Julho. Com ligações pessoais e profissionais a Alexandria, no Egipto, estas realidades/culturas que por vezes nos parecem longínquas, não lhe são estranhas e pôs mãos à obra para aquilo que até poderá ser considerado como um upgrade do Teatro da Crueldade, para o Teatro dos Horrores. [Read more…]

Teatro no Porto: Rádio Saudade

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 O TIPO  (Teatro Inédito do Porto) estreia amanhã Rádio Saudade. É no Teatro da Vilarinha e custa apenas cinco euros. Como ainda falta algum tempo para a estreia, o futuro espectador pode ler a sinopse e a ficha técnica. O mesmo espectador pode ficar a conhecer o curriculum desta jovem companhia teatral.

PARTIR, de Sarah Adamopoulos

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8, 9 e 10 de Maio | 21:30 | Teatro Extremo | Almada | Apareçam!!

Sara Marujo

a132t5_3bCastro Marim, 2001 in História para Vivos

Grátis: teatro e revolução no Porto

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O espectáculo musical A Revolução Dos Que Não Sabem Dizer Nós é um texto de Zeferino Mota, com encenação de João Paulo Costa, e direcção musical de Ernesto Coelho. A Revolução… tem interpretações de Ana de Jesus, Ana Luísa Queirós, Miguel Lemos, Pedro Roquette, Rita Lagarto e Tiago Araújo.

Está em cena até dia 22 de Setembro, de quarta a domingo às 21h30, na sala redonda do 4º piso do Edifício AXA. Sim, a entrada é gratuita.

Para saber mais sobre o espectáculo, é favor visitar a Gazeta dos Artistas. A seguir ao corte, um vídeo. [Read more…]

Teatro no Porto: bom e barato

No final dos três anos de qualquer curso profissional, os alunos têm de participar numa Prova de Aptidão Profissional (PAP), o que lhes permitirá obter uma certificação profissional, para além do diploma de 12º ano.

Na Academia Contemporânea do Espectáculo, a PAP integra, frequentemente, a representação de peças, em que intervêm alunos dos três cursos: Cenografia, Luz e Som e Interpretação. O facto de estas provas estarem abertas ao público constitui uma possibilidade de ver o trabalho de um conjunto de jovens talentosos que estarão no futuro das artes do espectáculo em Portugal. É uma ocasião para assistir a espectáculos de grande qualidade pagando pouco.

Este ano, estarão em cena os espectáculos If…GípolisO Maldoror Está Vivo.

Não sigam o cherne. Sigam os cartazes. [Read more…]

peça de teatro procura autores

papagueno

Notas para uma peça de teatro plagiada a reescrever urgentemente… ajuda, precisa-se!

Basilius

basilius

Joaquim Vieira Basílio de seu nome, anda desde 1959 nas andanças do teatro amador. Em 1992 criou o Mendigo Basilius, personagem que vai percorrendo recriações históricas (nasceu na Feira Medieval de Coimbra) em Portugal, Itália e Espanha.  

É um mendigo muito peculiar: as esmolas que recolhe são oferecidas a uma instituição de solidariedade, como costuma dizer o Mário da Costa devolve a generosidade que cada terra tem.

Finalmente homenageado pela Câmara Municipal de Coimbra, estas fui eu que as fiz, com uma máquina fotográfica.

O país em que é proibido ser-se adulto

“Portugal não é Pátria mas país”
Ruy Belo, que nasceu há 80 anos

Joana Manuel, que é muita gente ao mesmo tempo, explica como é que Portugal, que era um país em que as pessoas eram impedidas de ser jovens, se transformou num sítio em que são impedidas de ser adultas. País ou sítio. Pátria é outra coisa.

Canal apeloPortugal

Joaquim Benite (1943-2012)

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Mudou o teatro em Portugal mudando-se para Almada. Encenou com a raiva terna (ou a ternura enraivecida, não sei bem) que o caracterizava. Tinha o génio dos génios. Foi a ser esse, assim, que construiu um projecto teatral único em Portugal.

Joaquim Benite (1943-2012) teve uma vida cheia e singular para um homem da sua geração. Jornalista, e depois crítico de teatro, trocaria a imprensa pelo teatro, escolhendo contribuir activamente para uma mudança no teatro feito em Portugal – que no início dos anos 70 era dominado pelos empresários da cena comercial de cariz prevalecentemente popular, de texto pobre e piada fácil. A obra que construiu ao longo de mais de quarenta anos testemunha um percurso sui generis, de um homem essencialmente afeiçoado à palavra, ao teatro de texto e de intervenção política.

Todo o teatro é político, lembrou várias vezes em entrevistas, devolvendo ao fazer teatral uma das suas funções na sociedade, ao arrepio da lógica do entretenimento que prevalecentemente continua a determinar práticas diversas. O teatro que apaixonava Joaquim Benite (sortilégio que nunca o abandonou) era esse teatro: o da literatura. Foi esse desejo de um outro teatro para os portugueses (para ele próprio, para os actores com quem trabalhava, e sobretudo para o público) que o levou a encenar textos de Shakespeare, Brecht, Thomas Bernhard, Lorca, Camus, Beckett, Marguerite Duras,etc.

No entanto, a sua acção transformadora afirmou-se também numa preocupação com tudo o que faz do teatro uma arte total, e de que é exemplo a grandeza inédita dos espaços cénicos que dirigiu, a desproporcionalidade voluntária entre o palco e a plateia, conferindo à cena desse teatro de arte a justa dimensão para o grande texto que sempre Joaquim Benite se propunha transformar no poema dramático que pudesse, num só ensejo, ser o espelho de todos – tocando também todos por igual na sua humanidade sensível.

A sua sensibilidade plástica levou-o a trabalhar com alguns dos mais notáveis artistas criadores das coisas materiais de que o teatro também é feito: os cenários, cujas formas e lugares numa cena de teatro Joaquim Benite procurou transformar em elementos poéticos constitutivos desse teatro – um teatro que ao longo da vida encenou com a raiva terna (ou a ternura enraivecida, não sei bem) que o caracterizava. Tinha o génio dos génios. Foi a ser esse, assim, que construiu um projecto teatral único em Portugal.

O seu desaparecimento deixa um lugar insubstituível na cena teatral do País e um lugar de honra na História do teatro português do pós-25 de Abril. Mas deixa também uma obra indelével em curso, de que fazem parte uma companhia de teatro (de artistas e técnicos formados por ele), um festival de teatro de dimensão internacional, e o vasto público que, como mais ninguém em Portugal, soube mobilizar para o teatro e demais artes do palco a que gostava de chamar «o fazer cultural».

Joaquim Benite (1943-2012)

O teatro português e a cidade de Almada estão de luto.

Yael Ronen

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© Schaubühne

A encenadora israelita Yael Ronen (n.1976) esteve no passado mês de Julho em Lisboa para, no âmbito do Festival de Teatro de Almada, apresentar no Teatro Nacional D. Maria II a sua mais recente criação: A véspera do dia final. Encenadora associada da Schaubühne (a mítica companhia de Berlim), Ronen foi nomeada em 2009 para o New Theatrical Realities Prize, um importante prémio europeu que reconhece a originalidade e a inovação das dramaturgias emergentes. Oráculo prudente, a encenadora trabalha no fio da actualidade, constantemente seguindo o que está a passar-se no teatro do Mundo, incessantemente actualizando o seu objecto teatral: “Estamos sempre prontos para que no fim da representação o Mundo já não seja o mesmo”, explicou a um jornalista alemão. As suas peças têm normalmente actores de diferentes nacionalidades (sobretudo israelitas, alemães e palestinianos), com quem Ronen trabalha em conjunto os seus textos, levando para as peças partes do próprio processo criativo: os telefonemas dos pais dos actores árabes e judeus, pedindo-lhes para que não representem terroristas, para que não falem mal da própria religião; o actor israelo-palestiniano que não teme o terror no Médio Oriente mas sim que alguém em Berlim, onde os teatros não têm checkpoints, entre armado pela Schaubühne adentro e o mate.

Constantemente no fio da actualidade, Yael Ronen tenta contudo ver para além das parangonas dos jornais e da desinformação que distraem a Humanidade daquilo que está a acontecer-lhe: a alienação pela religião, o recrudescimento das identidades nacionais, os grandes conflitos cujos desfechos terão inelutáveis consequências para todos, e de que é evidente paradigma o estado das coisas na Cisjordânia. O racismo, o preconceito, o fundamentalismo religioso, a violência por detrás dos falsos compromissos de negociação entre povos desavindos, a manipulação a que estão constantemente sujeitos, a desesperança: eis a combinação explosiva que segundo Ronen (mas não está sozinha nessa visão) nos afectará a todos se não interviermos atempadamente. Para dissecar as idiossincrasias de tudo o que nos separa ou reúne, Yael Ronen e a sua trupe abordaram as religiões como produtos nos quais apenas o marketing (essa ciência que é um remédio santo) parece ser capaz de encontrar qualidades. Assim, requalificando comercialmente os grandes símbolos (Jesus não já na cruz mas numa cadeira eléctrica, ou o judaísmo como religião de elite – “apenas 0,3% da população mundial mas 35% dos prémios Nobel”), a encenadora israelita consegue demonstrar-nos a que ponto a globalização da bárbara cultura da economia está a alienar-nos da histórica vocação universalista da Europa – actualmente paralisada, apenas capaz de, através do seu tribunal internacional, declarar ilegal o muro de várias centenas de quilómetros que separa os ‘ocupas’ de Israel dos restantes territórios palestinianos.

Velhos são os trapos

Que projeto este, da Companhia Maior! Admirável. Vale a pena conhecer (encontra excertos de peças no youtube). Uma companhia de teatro formada por atores séniores (com mais de 60 anos), «depois de uma vida plena».

A Companhia Maior tem dois anos de idade e residência no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa. Depois de A Bela Adormecida, de Tiago Rodrigues, e de Maior da coreógrafa Clara Andermatt, os actores e as actrizes deste grupo ensaiam agora Iluminações, que se estreia amanhã no Pequeno Auditório do CCB e continua em cena nos dias 4, 5 e 6 de Novembro.

Com a encenadora Mónica Calle, 46 anos e também participante neste espectáculo Iluminações, os intérpretes da Companhia Maior pensam e falam da mortalidade. “E porventura vão mais longe do que alguma vez pensaram ir, despindo-se em palco num gesto que é também metáfora dessa ideia cara a Calle de o intérprete se revelar a si mesmo — e ao outro — inteiro verdadeiro”.

Quem puder, vá ver! Parece que farão digressão nacional, neste que é o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre as Gerações.

Parabéns a todos estes actores e a todos os que estão na génese deste projecto maravilhoso e deveras inspirador para todos.

Teatro: Diogo Infante no Porto

Preocupo-me, logo existo de Eric Bogosian, no Teatro do Bolhão, de 9 a 20 de Outubro.

Teatro em Cedofeita e na Praça Carlos Alberto

À praça! À praça! decorrerá no dia 5 de Outubro, a partir das 19h. Começa na Rua de Cedofeita e continua na Praça Carlos Alberto.

A cultura também se exporta

Em meados de Julho passado, foi levada a cena na Casa do Vinhal, em Vila Nova de Famalicão, uma peça de teatro dedicada a José de Azevedo e Menezes, ilustre famalicense cuja vida e obra tive oportunidade de estudar para redigir a dramaturgia.

A peça foi representada pelo grupo de teatro “O Andaime” que é composto por jovens estudantes e dirigido por Fernando Silvestre (direcção, encenação e voz-off), com música duma orquestra da “Arteduca” dirigida por Gil Teixeira,  tendo a produção, no âmbito do projecto “Viver Famalicão”, ficado a cargo da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, entidade promotora da iniciativa que, espera-se, irá repetir por outras ilustres casas famalicenses. É, também, por todos os envolvidos, um belo exemplo do que se pode fazer com amor e paixão à arte.

Ora, da peça de teatro, faz parte uma curta-metragem com os personagens José de Azevedo e Menezes, Vicente Pinheiro (da Casa de Pindela) e Bernardino Machado, cuja acção decorre durante as suas juventudes (1868). Foi realizada por Paulo Lima, que este ano foi estudar cinema para Barcelona e cujos trabalhos, como aquele de ora falo e outros (que aqui voltarei para falar), demonstram já o quanto promete. Aqui está ela:

A imagem da semana

E sua legenda.

Prémio internacional de teatro para Portugal

O Marcelo Lafontana é, provavelmente, o mais vila-condense dos brasileiros e é, há vários anos, a alma do Teatro de Formas Animadas. O espectáculo Prometeu recebeu o prémio de melhor espectáculo para a infância da XV Feira de Teatro de Castilla y León. Não sei se Portugal o merece, mas o Marcelo, graças ao que faz pelo teatro em Portugal e devido à qualidade com que o faz, merece, também, este prémio, tal como todos aqueles que são seus cúmplices nestas andanças.

Por falar em cúmplices, a fotografia que ilustra este texto é do Pedro Martins. A seguir ao corte, têm direito, ainda, à notícia sobre o prémio, à ficha técnica do espectáculo e a um vídeo. Aqui é de graça; quando puderem, não percam o privilégio de pagar bilhete.

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A propósito de teatro: um país desequilibrado

Sou um privilegiado. Desde pequeno, graças aos meus pais, pude ler livros, ouvir e aprender música e ver teatro e cinema. A escola ainda ligeiramente elitista que frequentei desempenhou um papel muito reduzido na aquisição desses privilégios. [Read more…]

Teatro no Norte: Academia Contemporânea do Espectáculo

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Alceste, de Eurípedes

Peça de teatro «Alcestis», tragédia escrita por Eurípides. Pretende-se dar apenas um exemplo do que seria o teatro grego, repreentado neste caso por uma companhia americana. Um trecho de 4 / 5 minutos, acompanhado de explicações por parte do professor, é suficiente para os alunos ficarem com uma ideia do que era o teatro na Grécia Antiga.

Da série Filmes completos para o 7.º ano de História
Tema 1 do Programa: Das sociedades recolectoras às primeiras civilizações
Unidade 2.1. – Os Gregos no século V a. C.: O exemplo de Atenas

Má língua

A atriz de 83 anos, Eunice Munõz, afirma ter sido «maldade ou inconsciência» o rumor que se espalhou ontem.

Quer trabalhar: voltará ao palco com a peça As Árvores Morrem de Pé de Alejandro Casona. E foi a trabalhar em O Comboio da Madrugada (T. Williams) que sofreu o acidente. Ainda a recuperar e recebe uma notícia como esta: um boato pelo Facebook sobre a sua morte…

Por quê? Por que se faz uma coisas destas? Não merece ela respeito de todos os portugueses? (Ela ou qualquer outra pessoa?) Ou só nos inclinamos perante o «Super-Ronaldo? Hoje , CR foi capa dos jornais. O DN dedicou um Especial de 15 páginas praticamente só ao jogador. E ainda não ganhamos nada. (Foguetes antes da festa). Mas Eunice estava na última página…

Nem de propósito… «as árvores morrem de pé». Assim será com ela, quando a morte (a verdadeira) chegar.

Grande e sábia como é, Eunice, depressa esquecerá este triste episódio.

Devia ter vergonha e ser responsabilizada a criatura que criou o boato.

Eu tenho um livrinho que se chama De Pé, Como as Árvores. E entre as suas folhas, pode ler-se esta frase:

A língua fala da abundância do coração.

E eu acrescento: a má língua fala da pobreza de espírito.

Agradecimento a Osório Mateus

Fui até à Biblioteca Municipal da minha cidade, na esperança de encontrar um livro de ou sobre o autor de teatro e trovas medieval, Anrique da Mota, nascido no século XV e com quem Gil Vicente colaborou. Qual não foi o meu espanto que consegui: um livrinho de 120 páginas numa edição de Osório Mateus (um nome que me era completamente estranho).

Escrevo este post pelo seguinte: pela «Nota Prévia» redigida em 1999 pelos seus organizadores, José Camões e Helena Silva: “Em 1996, quando morreu, Osório Mateus [1940-1996] preparava a edição das Obras de Anrique da Mota destinada a integrar esta coleção”. [Read more…]

Nascido a 13 de Abril (e não de “abril”, como vi por aí)

VLADIMIR: Ah yes, the two thieves. Do you remember the story?
ESTRAGON: No.
VLADIMIR: Shall I tell it to you?
ESTRAGON: No.
VLADIMIR: It’ll pass the time. (Pause.) Two thieves, crucified at the same time as our Saviour. One—
ESTRAGON: Our what?
VLADIMIR: Our Saviour. Two thieves. One is supposed to have been saved and the other . . . (he searches for the contrary of saved) . . . damned.

Samuel Beckett, Waiting for Godot, Act I

 
FRANCE. Paris. 1986. Nobel Prize winning author Samuel BECKETT.
Copyright: Bob Adelman/Magnum Photos

Página de Diário II

Hoje ouvi – na boa companhia dos meus alunos estudantes de Teatro – um poema de Bertolt Brecht. Fizemos o exercício de apontar o verso ou as palavras mais marcantes para cada um de nós:

 “uma testa sem rugas é sinal de indiferença (…)

que tempos são esses onde falar de flores é quase um crime (…)

nada do que faço me dá direito de comer quando tenho fome (…)

deitei-me entre os assassinos (…)

fiz amor sem muita atenção (…) [a que melhor gravaram na memória!]

assim se passou o tempo que me foi dado viver (…)

não pudemos ser bons amigos (…)”

Ficam aqui alguns dos versos. Vale a pena ouvir tudo: «Aos que virão depois de nós».

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