Kamala Harris, o discurso de aceitação

Ao contrário do aventador António de Almeida, eu nunca acreditei muito no potencial da candidata Kamala Harris.

Hoje, dou a mão à palmatória: o António de Almeida tinha razão. Assisti em directo, através da CNN Internacional, ao discurso de aceitação de Kamala Harris.

A primeira parte é um tratado de comunicação de massas. Poderoso. Que vai ao coração do eleitorado que importa e a América adora uma boa história “lamechas”. A terceira e última parte, internacionalista, foi de tomates – nem Obama iria tão longe (as mulheres sempre tiveram mais “tomates” que os homens, diga-se). Israel e Palestina no tom e modo certo. Foi preciso esperar por 2024 para voltar a ouvir um grande discurso de aceitação, o último tinha sido em 2008, com Obama.

Sobretudo, imperou em todo o seu discurso o bom senso e como este faz falta à política na actualidade

Comments

  1. Foi? Pelo sumário, pareceu o blah blah vazio do costume, para esquecer no dia seguinte. Trocou o blah blah sobre alterações climáticas pelo continuar da cedência à xenofobia e ao capital, como lhe é característico. A sobrevivência que alguém revolva, não vá alguém perguntar como é que isso funciona se se sanciona quem faz alguma por isso.
    E por falar em política externa, mais blah blah sobre explorar a europa para um conflito perdido, e mais blah blah sobre um retorno ao colonialismo genocida mais moderado, como se isso estivesse na mesa, recusando-se sequer a comprar quem pudesse de fazer de vítima, depois do palco aos colonistas.
    Mais do mesmo, numa eleição que nada muda, e que será a mais importante de sempre até à próxima, onde o mundo já terá fugido mais qualquer coisinha do blah blah que há um sistema de regras.

    • Anonimo says:

      Detalhado comentário sobre algo que não viu.
      E o lado B?

      • Imagino que se tenha aproveitado o entretenimento musical, para quem gosta, mas que também diz muito sobre a seriedade da coisa.

        • Anonimo says:

          Ideias pré-concebidas não são necessariamente imaginação.

          • Pré-concebido? Não só não descemos do coqueiro ontem, como se fosse algo de surpreendente, estaria na boca de todos.

  2. João Martins says:

    Depois de ler a comunicação do aventador Fernando Sá veio-me à cabeça o entusiasmo com que se celebrou ( e, durante a campanha, se teceram comentários parecidos) a vitória de Obama. E depois foi o que se viu… guantanamo, intervenções em países terceiros, e por aí adiante! Naquela terra nunca muda nada. Seja qual for a mosca que por lá esvoaça, a m****** é sempre a mesma.

    • Asnonimo says:

      Republicanos e Democratas são mais semelhantes que diferentes, em especial na política externa. Até porque no fundo respondem aos mesmos.
      Claro que gostam de apelidar os Dem de socialistas, mas aquilo nem tem tanto de socialista como a Suécia (que é socialista, para eles)
      Nos costumes nota-se mais, mas porque há uma ala republicana evangélica, os maluquinhos wokes de direita, enquanto que os democratas albergam o Alfabeto +.
      Não será a Kamala a regular as armas, nem a estabelecer uma saúde universal…

      • Lá e cá, Reagan hoje seria socialista que queria manter as fronteiras abertas. Mas ao menos condenou os homossexuais ao medo atroz ignorando a sida, ainda aproveitavam qualquer coisa.

        • Asnonimo says:

          O actor Ronaldo não gostava de L(arilas), G(ays), B(ichas) e T(arados), felizmente a verdadeira esquerda nos 80 e 90 era tolerante para com essas orientações. Suspeito que o motivo real da queda da urss foi o fluxo migratório desse pessoal que era discriminado no Ocidente, e saltou o muro em busca da aceitação de todos como iguais. Corroeram o sistema por dentro, como diria o reverendo Fartwell.

  3. Pimba! says:

    Conversa para boi dormir.
    Tinham lá um social-democrata na corrida por duas vezes (Bernie Sanders) e o partido Democrata tudo fez para correr com ele, pelo seu currículo “esquerdista”.
    Como sabem que perderäo a presidência, toca de alvitrar um discurso superficialmente mais à Esquerda, para passarem os próximos 4 anos a dizer que säo muito progressistas, namorar os trumpalarves descontentes, e voltar a sacar a Presidência.
    Mas assim que chegarem ao poleiro será mais do mesmo.

  4. “Israel e Palestina no tom e modo certo. ”

    Se é por aí…

    «Palestinians and Israelis alike deserve a future of peace and prosperity. A realistic two-state solution will protect Israel’s security, fulfill the aspirations of self-determination for the Palestinian people, and ensure universal and respectful access to the holy sites of Jerusalem.

    This Vision would achieve mutual recognition of Israel as the nation-state of the Jewish people and the future state of Palestine as the nation-state of the Palestinian people—each with equal civil rights for all its citizens. The plan designates defensible borders for the State of Israel and does not ask Israel to compromise on the safety of its people, affording them overriding security responsibility for land west of the Jordan River. For Palestinians, the Vision delivers significant territorial expansion, allocating land roughly comparable in size to the West Bank and Gaza for establishing a Palestinian State. Transportation links would allow efficient movement between Gaza and the West Bank, as well as throughout a future Palestine. The plan does not call for uprooting any Israelis or Palestinians from their homes.»

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