Luís Montenegro, o Action-Man português

Quando somos miúdos, grande parte das brincadeiras nas quais nos envolvemos tem que ver com a criação de realidades paralelas. Criamos os nossos próprios mundos, nos quais podemos ser quem quisermos. Sejam super-heróis, desportistas, músicos ou até um simples emular da idade adulta, fruto da ansiedade infantil de crescer.

Essa atitude vai diluindo-se à medida que vamos crescendo. Levamos a vida mais a sério, crescemos, ganhamos outro tipo de responsabilidades. E digo isto com pena, pois acredito que é saudável, sobretudo mentalmente, que essa atitude se vá mantendo. É uma questão de sanidade.

Um dos bonecos que eu tive em criança, e aquele que mais me marcou, era o Action Man. Uma figura tipicamente masculina do imaginário americano (afinal, foi uma resposta ingles , talhado para salvar o mundo, matar vilões e saltar de helicópteros. Quem melhor para me permitir evadir da vida infantil?

Dito isto, foi com muita felicidade que percebi que Luís Montenegro ainda mantém esta ideia infantil de que podemos ser quem quisermos. Montenegro é, ainda, um Action Man, e os seus companheiros de governo são os action-minions, vivendo todos numa realidade paralela em que governam Portugal com maioria absoluta.

Vem isto a propósito de uma situação que só está neste momento parada porque estamos em Agosto e, como se sabe, em Portugal mete-se o Verão…

O Governo mostrou-se, mais do que uma vez, absolutamente indisponível para grandes negociações a propósito do Orçamento de Estado para 2025. O discurso tem sido constantemente de pressão ao PS – evitando, num jogo de luzes, a conversa com o Chega – no sentido de aprovar o documento para evitar uma crise política. Ou seja: o PS ou aprova um documento não negociado ou fica responsável pela crise política e por mais um possível ciclo de eleições ou uma governação por duodécimos. E mesmo que assumindo algumas alterações, indica Miranda Sarmento que estas têm de encaixar na margem orçamental para não colocar em causa o excedente, nem desvirtuar o programa de governo.

Excelente. Parece que estou a ver Luís Montenegro a descer um slide enquanto rasga a camisola ao som frenético do povo que o clama como um salvador, um exímio político, um extraordinário estadista.

Só que depois os pais batem à porta do quarto do menino Luís para que venha jantar. E o imaginário é interrompido, e o menino Luís percebe que não tem maioria absoluta, percebe que o seu partido tem o mesmo número de deputados que o principal partido da oposição, percebe que vive num país com um forte pendor parlamentarista e que o funcionamento natural de um parlamento é representar a população.

Olhando para a matemática parlamentar, um orçamento negociado é o mais lógico, o mais racional e aquilo que melhor representa a vontade do povo português. Mas se calhar este tipo de matemática ainda não se aprendeu na altura em que ainda se brinca com Action Man.

Comments

  1. Figueiredo says:

    Desculpe mas o dr. Luís Esteves não tem perfil para o papel que sugere.

    O dr. Luís Esteves é muito medíocre, deveria estar a servir de moço de recados, a maçonaria deve reconsiderar e retirá-lo da função de Primeiro-Ministro.

  2. ” Levamos a vida mais a sério, crescemos, ganhamos outro tipo de responsabilidades. E digo isto com pena, pois acredito que é saudável, sobretudo mentalmente, que essa atitude se vá mantendo. É uma questão de sanidade.”

    Mas como é que podia ser uma virtuosa peça na engrenagem se agora andasse a questionar o seu lugar? E uma coisa bem diferente de se considerar um iluminado e inevitável líder de projectos políticos que insistem em falh… perdão, em ser falhados.

  3. obviamente gosto do seu site, mas você precisa testar a ortografia em algumas de suas postagens. Vários deles estão repletos de problemas ortográficos e acho muito difícil informar a realidade, por outro lado, certamente voltarei novamente

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