Provavelmente a última central nuclear da Europa

Este sábado, em Flamanville no norte de França, foi ligado à rede o novo reator EPR. O EPR era um projeto franco-alemão, acrónimo de European Pressurized water Reactor. Quando a Alemanha abandonou o projeto EPR passou a designar-se Evolutionary Power Reactor. Os EPR oferecem uma potência cerca de 50% superior do que a generalidade dos reatores e sobretudo são muito mais seguros, constituídos por cúpulas capazes de resistir a um embate de uma avião de linha e com galerias de transporte de plasma em caso de fusão do reator.

No entanto, este é um projeto que começou com um orçamento de 3,3 mil milhões de euros e terminou em 13,2 mil milhões. É o sexto edifício mais caro do mundo. Representando custos de 8250€/KW para a capacidade instalada. O fotovoltaico anda nos 600€/kW. A construção eternizou-se ao longo de 17 longos anos. A história dos outros EPR construídos pela EDF, na Finlândia e ainda em construção Hinkley Point no Reino Unido, não é muito diferente, verificaram-se também derrapagens colossais de custos e atrasos inaceitáveis.

Mais do que um estrondoso falhanço para a indústria nuclear, esta pode ser a última central a ser construída na Europa. A construção da central de Hinkley Point está praticamente parada e é a única em construção na Europa. Este ano Hinkley Point perdeu alguns dos seus principais investidores e não há nenhuma hipótese viável no horizonte para os substituir. A EDF, responsável por Hinkley Point, foi salva pelo estado francês que absorveu uma dívida de 60 mil milhões de euros. A EDF não tem capacidade de investimento. A americana Westinghouse foi à falência e foi comprada por um grupo canadiano sem experiência em centrais nucleares. Neste momento há zero centrais a serem construídas nos EUA… A japonesa TEPCO foi à falência e passou para os contribuintes japoneses mais de 200 mil milhões de dólares e Fukushima está muito longe de estar limpa. A coreana KEPCO ainda não faliu, mas tem uma dívida de 150 mil milhões de dólares. A russa Rosatom é atualmente a única empresa com capacidade para construir fora de portas, graças às contas à Putin, que não presta contas aos contribuintes russos.

Comments

  1. balio says:

    custos de 8250€/KW para a capacidade instalada. O fotovoltaico anda nos 600€/kW.

    Está bem, mas o nuclear debita a sua capacidade instalada dia e noite, praticamente 24 horas por dia e 7 dias por semana, enquanto que o fotovoltaico raramente produz a sua capacidade (porque raramente faz muito sol).
    Se se fizer o preço por kW.hora, ou seja, por energia efetivamente produzida, o nuclear não fica assim tão pior do que o fotovoltaico.

    • Pimba! says:

      o fotovoltaico raramente produz a sua capacidade (porque raramente faz muito sol)

      Especialmente em Portugal, esse país nórdico!
      E se fosse balir para a escola?

      • balio says:

        Estamos a falar de Flamanville, uma central nuclear na Normandia, isto é, no norte da França, e não de Portugal.

    • Carlos Almeida says:

      Uma central nuclear é uma fabrica de agua quente, para produzir vapor de agua que vai fazer girar as turbinas.
      Tão simples quanto isto, mas imensamente complicado na segurança dos materiais radioactivos e na produção de resíduos igualmente radioactivos e com uma semi vida muito grande.
      A pergunta é, onde os colocar depois de retirados da central

      Se o investimento de milhões que tem sido feito pelo lobby das centrais nucleares tivesse sido feito em baterias, concretamente em baterias de lítio – fosfato de ferro, que começam agora a aparecer na Europa e USA, que são muito mais baratas e seguras que as de iões de litio e que os chineses já conhecem há 10 anos. as soluções dos paineis solares, mesmo com a sua pouca eficiência ( 18 a 20%) poderiam ser uma alternativa ás fabricas de agua quente nucleares sem os seus perigos.
      Mas sem armazenamento da energia produzida enquanto há luz solar, o sistema é muito pouco eficaz, como solução global para um pais.

      • Anonimo says:

        A juntar ao armazenamento, os painéis solares sofrem problemas de desempenho com calor extremo, que é cada vez mais normal no sul da Europa.

    • Portugues Nortenho says:

      “não fica assim tão pior” ERRADO

      “não fica pior “CERTO

      Respeitosamente

  2. Um bom Natal.

  3. Ironicamente, fica caro porque se deixa andar e pouco se planeia aquilo que só faz sentido ficar a cargo do estado. E, bem e mais mal, tem alguns subproductos estratégicos.

  4. Joana Quelhas says:

    Isto é o panorama na Uniao das Republicas Socialistas da Europa, nos States a Google encomenda 6 mini reactores nucleares à Kairos Power para alimentar o consumo energético crescente da utilização da IA.
    Ai Europa QUO VADIS…

    Joana Quelhas

    • POIS! says:

      Pois, QUO VADIS?

      A Europa, não sabemos.

      A Quevelllhhhass vadis ad Trampae carallium!

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