A vida humana

Conheci a história do infame Dr. Petiot através de uma obra do historiador David King, que tem explorado de forma mais ou menos ligeira casos reais da Europa das décadas de 1930-1950. Marcel Petiot foi um médico que, durante a II Guerra Mundial, assassinou cerca de 60 pessoas, em Paris. Um assassino em série cujo número exacto de vítimas nunca foi estabelecido e que confessou não saber ao certo quantos tinham sido.

Com o nome de código de “Dr. Eugéne”, prometia ajudar a fugir de Paris todos os perseguidos pela Gestapo e pelo governo de Vichy, fazendo-os chegar até Espanha, daí a Portugal e, finalmente, de barco até à Argentina. Na realidade, recebia os honorários por este serviço e assassinava os seus clientes, desfazendo-se depois dos corpos num poço de cal, esquartejando-os e queimando os restos numa salamandra. Como as vítimas sabiam que não regressariam a Paris, levavam consigo na bagagem (e até escondidos no forro das roupas) maços de nota, jóias, todos os valores que podiam transportar. Em pouco anos, Petiot acumulou uma fortuna. [Read more…]

YES!!!

França anuncia ecotaxa para bilhetes de avião

INRI

O jovem presidente da República francesa proferiu ontem, às 22h34, um extraordinário discurso, dirigido a todo o mundo civilizado através da comunicação social presente, sobre o incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre Dame, em Paris. Fê-lo sem papel, de improviso, sem nunca se enganar ou corrigir, com uma fluidez, uma clareza e um frémito épico apenas ao alcance de homens escolhidos – não releva, para o assunto em análise, o facto de ter sido escolhido pela indústria financeira.

Macron, que já tinha tuitado sobre a catástrofe parcos 15 minutos após o seu início, agradeceu aos Bombeiros, agradeceu aos Bombeiros e agradeceu aos Bombeiros. Depois referiu-se aos católicos, evocou a História – agora em chamas -, aludiu à Esperança e agradeceu aos Bombeiros. Anunciou o peditório da praxe, agradeceu aos Bombeiros e rematou em registo heróico, afirmando que “o destino da França é reconstruir a Catedral”. A Marselhesa ecoou muda no subconsciente de cada enfant de la Patrie.

Só se esqueceu de uma coisa: da Responsabilidade.

Resta saber se serve…

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O Conselho Constitucional francês validou a primeira lei europeia especificamente contra a manipulação da informação on-line em período eleitoral (a aplicar nos 3 meses anteriores ao primeiro dia do mês das eleições), salientando que apenas devem poder ser eliminadas das plataformas de distribuição:

1) As informações manifestamente falsas ou enganadoras (e não as paródias, as informações parcialmente inexactas ou simplesmente exageradas);

2) relativas a factos (não abrangendo, portanto, as opiniões);

3) que possam condicionar, de forma manifesta e objectivamente demonstrável, a sinceridade da eleição; e

4) que sejam distribuídas de modo automático, massivo e deliberado.

A eliminação é requerida judicialmente através de processo sumário, devendo o juiz decidir no prazo de 48 horas.

A lei requer aos operadores de plataformas on-line cuja actividade exceda, em França, um certo número de conexões, que forneçam aos utilizadores informações leais, claras e transparentes sobre 1) a identidade das pessoas singulares ou colectivas que pagam à plataforma para a promoção de conteúdos informativos relacionados com um debate de interesse geral (isto é, com o acto eleitoral a realizar), 2) o montante de tais remunerações, se for superior a um determinado limiar fixado por decreto, e 3) o uso que é feito, como parte desta promoção, dos dados pessoais dos utilizadores. Esta informação é agregada num registo disponibilizado ao público e actualizado regularmente durante o período em questão. O incumprimento destas regras pode dar lugar a um ano de prisão e a uma multa de 75.000 euros.

A lei prevê ainda o estabelecimento, pelos operadores das plataformas on-line, de um sistema que permita aos seus utilizadores assinalar informações falsas e vincula esses operadores a aplicar medidas adicionais que podem incluir a transparência dos algoritmos ou a luta contra as contas que promovam a divulgação massiva de informações falsas.

Vista com estas reservas, parece ser uma lei equilibrada e necessária para fazer frente à intoxicação da opinião pública que a extrema-direita vem desenvolvendo de forma metódica e sistemática, na Eu ro pa, nos Estados Unidos e no resto do mundo, cavalgando sem escrúpulos o descontentamento das populações com os vícios dos sistemas políticos e a tibieza das políticas públicas.

 

 

Filhadaputice é isto

O comissário europeu para os Assuntos Económicos disse, esta terça-feira, que a França não será sancionada se o défice público ultrapassar os 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, mas pediu que o Governo “seja sério no futuro”.

Venham daí as luminárias dissertar sobre as virtudes de um número, 3%, escrito nas costas de um guardanapo, para tapar a boca dos opositores, e sobre o desígnio da austeridade saudável. E recorde-se a chantagem do défice, qual guilhotina pronta a cortar a credibilidade financeira, tão presente como arma de arremesso quando a geringonça se estava a constituir com alternativa ao governo daquele se sentou em Salazar.

Não é a primeira vez; regista-se mais esta iteração da história dos porcos que são mais animais do que os outros.

“Sério”, diz o farsola. Façam-se, depois, machetes sobre o inacreditável crescimento dos populistas.

Coletes amarelos: o povo saiu à rua

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A batalha de Paris, que ontem levou a cena o seu quinto acto, não é uma versão moderna da tomada da Bastilha. É a entrada em cena, no núcleo duro da velha Europa ocidental, de uma forma muito particular de terrorismo, que há meses se manifesta ideologicamente em blogues e redes sociais, onde se formou um pequeno exército de indignados que, a meu ver inadvertidamente, serviu de cobertura para que um grupo de profissionais do distúrbio pusessem em marcha uma agenda de destabilização, focada no objectivo final de abater a Democracia como a conhecemos. E de colocar Marine Le Pen no poder.

Mas esse pequeno exército, que nem é tão pequeno como parece, nem se resume aos revolucionários gauleses que tomaram as ruas da capital e das grandes cidades francesas, é muito mais do que um grupo de delinquentes que professa ideologias extremistas. É a manifestação de um povo, cada vez mais consciente da sua condição de financiador das mais fabulosas fortunas do planeta, que assiste, indignado, à galopante precarização das suas condições de vida, perante a indiferença e escárnio da elite que os comanda. [Read more…]

Quando a carga fiscal se torna excessiva – II

Em boa hora o governo francês cedeu à pressão da sociedade e recuou na intenção de subir impostos sobre combustíveis. O primeiro-ministro já veio dizer que se as pessoas querem diminuir a receita fiscal, terão que repensar a despesa pública. Vale a pena recordar que nos últimos 10 anos a carga fiscal tem vindo a subir, rondando os 48% para um inacreditável nível de despesa pública perto dos 57%. Ou seja, boa parte dos franceses trabalha mais para alimentar o Estado do que a si próprios, o que além de imoral, é um atentado à Liberdade. Os governos nunca limitam gastos, mas os bolsos do contribuinte não são infinitos, algum dia o esbulho terá que parar… [Read more…]

Quando a carga fiscal se torna excessiva…

Não escondo que simpatizei com Emmanuel Macron, tendo considerado a sua eleição uma lufada de ar fresco na bafienta U.E., porque derrotou os partidos há muito instalados no sistema e prometia diminuir o peso do Estado na economia, reduzindo impostos. Mas como sempre acontece, perdeu a inocência e acabou sucumbindo às corporações e interesses múltiplos, aumentando os impostos sobre combustíveis. [Read more…]

Em nome da Coerência

Há dois dias, o ministro do Ambiente francês demitiu-se lapidarmente: “Não quero continuar a mentir-me a mim próprio. Não quero dar a ilusão de que a minha presença no Governo significa que estamos à altura dos desafios (ambientais) e, por isso, decidi demitir-me”, anunciou Nicolas Hulot. E foi-se.

Macron, que fez da luta contra as mudanças climáticas uma das suas bandeiras, tinha prometido durante a campanha eleitoral objectivos ambientais ambiciosos, como a proibição do glifosato ou a redução para metade da produção de energia nuclear em França até 2025.

O balanço de Hulot, ao fim de pouco mais de um ano em funções, é explícito: “Já começámos a reduzir o uso de pesticidas? A resposta é não. Já começámos a fazer alguma coisa contra a perda da biodiversidade? A resposta é não. Já começámos a fazer algo para a preservação dos nossos solos? A resposta é não.” [Read more…]

Imigrante ilegal, negro, islâmico e herói nacional

Mamadou Gassama é um dos milhares de imigrantes que, todos os dias, arrisca a vida para escapar de um qualquer inferno na Terra, a bordo de uma embarcação frágil e sobrelotada. No caso de Mamadou, foi o Mali, um dos países mais pobres do planeta, apesar de dono da terceira maior reserva africana de ouro.

O Mali é um estado secular, de maioria muçulmana. Ainda assim, existem algumas zonas no norte do país onde a sharia se substitui à lei, o que equivale a dizer que um conjunto de fanáticos interpreta o Corão como lhe apetece e aplica amputações, apedrejamentos até à morte e outras formas de tortura e extermínio. Não sei se Mamadou vivia no norte do país, mas eu nem no sul queria estar, com malucos daqueles à solta. Fugia dali, como o maliano fez.  [Read more…]

Ditadores sofisticados

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Bashar al-Assad devolveu a condecoração que lhe foi atribuída pelo estado francês em 2001. Sim, é verdade: os nossos moralíssimos lideres ocidentais têm esse estranho vício de condecorar qualquer merda que lhes apareça à frente, democrata ou ditador, desde que sirva, ainda que momentaneamente, os seus interesses políticos e pessoais. Ou os interesses económicos de quem lhes paga as campanhas e lhes garante as reformas douradas.

Daí não admirar que Kadhafi tenha financiado a campanha de 2007 de Sarkozy, que os EUA armem a Arábia Saudita até aos dentes ou que o polidos britânicos sejam os banqueiros preferenciais dos oligarcas russos, com a sua City repleta de lavandarias de Vladimir Putin. Porque, por trás do falso moralismo e da preocupação fingida com a democracia e com o bem-estar da humanidade, estão quase sempre prostitutas políticas sem escrúpulos. Ditadores mais sofisticados, portanto.

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Serei só eu a sentir o cheiro a esturro no ar?

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Na madrugada de Sábado, Estados Unidos, França e Reino Unido decidiram bombardear instalações militares do governo sírio, alegadamente relacionadas com a produção e armazenamento de armas químicas, alegadamente usadas contra a população civil e indefesa de Douma, um dos últimos bastiões rebeldes nas imediações de Damasco, que alegadamente acertaram os alvos a que se propuseram.

O ataque vem na sequência de tweets contraditórios de Donald Trump, um clássico do governante socialite, que num dia felicita Putin pela vitória numa eleição fraudulenta, para no outro afirmar que a relação entre as duas potências está pior do que nos tempos da Guerra Fria. Em poucas horas, o anedótico presidente norte-americano conseguiu ameaçar que os mísseis iam a caminho, para depois afirmar que tais movimentações poderiam estar para “muito breve ou nem por isso”. Ter um maluco aos comandos da máquina de guerra do império tem destas coisas. E a nomeação de John Bolton é a cereja no topo do bolo da falta de noção deste mentecapto com ogivas. [Read more…]

Síria, 15 anos após as armas de destruição maciça que ninguém conseguiu encontrar no Iraque

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Fotografia: Associated Press

Passaram 15 anos desde a invasão do Iraque e as armas de destruição maciça do regime de Saddam, cuja existência Bush, Blair, Aznar e Barroso juravam poder provar factualmente, continuam em parte incerta.

Esta noite, Trump, May e Macron bombardearam um Estado soberano, em violação da Carta das Nações Unidas, do seu Conselho de Segurança e das mais elementares normas do direito internacional que norteiam as relações internacionais entre estados civilizados, partindo do pressuposto de que o regime de Assad terá usado armas químicas contra a sua população, sem, contudo, apresentarem ao mundo as provas irrefutáveis que afirmam ter. Tal como aconteceu em 2003, quando o Iraque foi invadido. Com todas as consequências que isso teve, da escalada da violência ao sólo fértil onde germinou o Daesh. [Read more…]

Por que motivo Portugal não expulsou diplomatas russos

Talvez porque saiba a resposta a algumas das perguntas que o governo russo colocou às autoridades do Reino Unido e que aguardam resposta. Eis as perguntas:

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Sarkozy é de esquerda

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Existe uma certa direita, primária e estupidificada, representada em Portugal por sites de fanáticos acéfalos como o Direita Política, que associa frequentemente todo e qualquer ditador ou terrorista ao socialismo, ao marxismo ou a qualquer outra corrente de pensamento que se mexa à esquerda. Um evento permanente de degustação de gelados com a testa. [Read more…]

Os corruptos estão todos no Sul da Europa

Isto é sem dúvida uma aberração.

Startup Macron

Da necessidade de derrotar Le Pen nasceu um boneco. Mesmo tendo vencido com os votos da esquerda que o despreza e sendo o candidato que menos entusiasmava os seus próprios eleitores, o coro de papagaios que enche o eco televisivo transformou-o numa esperança. Ex-banqueiro, ex-relator de Sarkozy, ex-conselheiro de Hollande, ex-ministro de Valls, o oportunista saltitou até ao céu sem compromissos. “Eu reivindico a imaturidade e a inexperiência política”, gritou para uma plateia embrutecida pela aldrabice populista do candidato antissistema que o sistema adora. Fazer um caminho político passando por várias eleições é coisa “de um tempo antigo”, disse. E Macron é uma coisa do futuro, onde os partidos são startups e os presidentes melões por abrir. Jovem, belo, impecavelmente vestido, tudo nele é moderno. Em entrevistas sobre negócios usa, num inglês irrepreensível, os termos da moda. Tem a lábia de vendedor de oportunidades que deslumbra qualquer “colaborador” num fim de semana de team building. Faz parecer revolucionária a certeza de que tudo vai ficar um pouco pior. Tudo nele cheira bem. Cheira a Uber, que ele acredita ser uma excelente solução para os jovens desempregados, que não querem patrões, querem clientes. Macron não é um político. É uma app. Sempre em atualização.

Macron é trendy, a crónica de Daniel Oliveira, no Expresso

Degrau a degrau…

Um terço da população escolheu o mal. Já ouvi dizer que não se deve culpar o eleitorado; que as políticas até aqui seguidas é que estão a conduzir a este cenário. Em primeiro lugar, chegámos até aqui como resultado de políticas que foram votadas. E, em segundo lugar, o poder é do povo – por enquanto. Use-se.

França agrilhoada pelos políticos do medo

Os franceses elegem hoje o sucessor de Hollande, tendo, por opção de 45,31% deles na 1ª volta, a escolha entre Marine Le Pen e Emmanuel Macron. O sistema presidencialista francês, optou, constitucionalmente, por uma eleição dualista numa 2ª volta entre os dois candidatos mais votados, com o objectivo de proteger o seu país do vazio de poder e de presidentes eleitos sem uma maioria simples que legitime o seu poder.
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Evitando cair em crítica fácil por reducionismo, aponta-se, desde já, a principal virtude deste sistema – assegurar e reforçar a legitimidade do futuro Presidente, num sistema que o privilegia relativamente aos Parlamentos, sejam eles simples ou composto de câmara alta e baixa, como é o caso de França. No entanto, não podemos deixar de apontar alguns perigos para a Democracia que tal sistema comporta, nomeadamente dois, a saber:
1 – uma minoria pode obrigar uma maioria a votar em quem não se identifica [Read more…]

En marche

Liberalismo derrota nacionalismo proteccionista. Boas notícias para a Europa, excelentes para a França.

Ainda vai ser preciso salvar a França dos franceses

Novamente.

 

Prognóstico

De França, hoje à noite, pode vir algum alívio. Mas nunca uma boa notícia.

Eleições em França – evidências e lições de moral

É evidente que a esquerda que votou Mélenchon na primeira volta só tem, por mais que lhe custe, uma escolha a fazer – votar no neo-liberal Macron. O espectro de uma possível vitória de Le Pen é horripilante.
A esta evidência não se pode deixar de lembrar uma outra anterior que não se cumpriu – a de Hamon, face à vergonha do esperado, ter desistido a favor de Mélenchon!

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Com efeito, o Partido Socialista Francês recusou-se a infligir uma derrota pesadíssima a Marine Le Pen, evitando que ela acedesse à 2ª volta das eleições presidenciais! Se o PS estava preocupado com a extrema direita, [Read more…]

Au secours!

“Bonsoir, boa tarrde. Je suis um crapeau français, pardon, sapo frrrancês. Eu fugirr e emigrrar para o Porrrtugal du Geringonce. Ici em France, la gauche, pardon, esquerrrrda, ir engulirr muitos crapeaus, sapos, dans la deuxiéme, segunda volte das eleccions. Sauvez moi! Bonsoir, merci et à tout à l’heure”.

Fontes

A imagem é da emissão da SIC Notícias. A jornalista dissertava sobre a primeira volta das presenciais francesas, com base nas suas fontes – várias páginas do Twitter, o site do Público, o email, entre outras. Uma estação de televisão a fazer de RSS feed.

Entretanto, regista-se a má notícia sobre a vitória de Le Pen. Sim, será uma vitória mesmo que ela acabe derrotada. 

Ameaça de morte

A ameaça fascista, que se ergue em vários pontos da Europa, tem a sua expressão maior na presidenciável Marine Le Pen. Trump é fixe, Putin gosta dela e os Wilders, Orbáns e Coelhos (os Pintos, não os Passos) desta vida têm todos um poster da aspirante a ditadora na parede do quarto, mesmo ao lado da tarja com suástica e a frase O trabalho liberta. Será que a França consegue a proeza de a eleger? Depois do que aconteceu nos Estados Unidos, não seria de admirar. É bom que os tipos lá do sítio que se dizem democratas façam um bom cordão sanitário à volta desta frau. [Read more…]

A Lenda Negra

Não estamos esquecidos que uma das justificações dadas para a necessidade de um profundo ajustamento na economia e na sociedade portuguesas, ajustamento esse materializado num programa brutal de austeridade, que, em certa medida, ainda prossegue, foi a circunstância de Portugal, e o seu povo em particular, ter, ao longo de muito anos, vivido acima das suas possibilidades. [Read more…]

Le Pen: em nome do pai

 

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Por João Branco e Natascha Figueiredo

Marine não é Jean-Marie; é muito mais que Jean Marie. E é esse o facto que a torna mais perigosa que o pai. Marine herdou alguns dos traços político-identitários da liderança do pai mas soube também afastar-se da sua imagem tóxica de simpatizante nazi, promovendo um nacionalismo populista (iniciado pelo pai) que vai de encontro ao que o eleitorado francês neste momento quer ouvir. A verdade é porém, que todas as circunstâncias e problemas que enevoam o espectro político francês actual com o espectro político francês pré-eleitoral em 2002 não são os mesmos. Marine beneficia de um peculiar caos no país para colher benefícios. Em 2002, Jean-Marie levou a cabo uma campanha marcadamente ideológica, campanha que naturalmente o afastou da vitória na 2ª volta das presidenciais desse ano, muito por culpa do chamado “voto útil” em Jacques Chirac. O que efectivamente pode não acontecer no presente ano nas eleições que se avizinham com Marine.

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Não, não há vergonha na cara

Francois Fillon, former French prime minister, member of The Republicans political party and 2017 presidential candidate of the French centre-right, attends a political rally as he campaigns in Charleville-Mezieres, France, February 2, 2017. REUTERS/Christian Hartmann

Admitir um erro destes não o apaga, assusta. Assusta porque um dia a coisa banaliza-se e forrobodó instala-se definitivamente. E parece que já faltou mais.

– Pá, eu sei que dei uns tachos a minha mulher e aos meus filhos, tachitos bons, tachitos que eram para uma coisa e serviram para outra, tudo isto à conta do contribuinte, mas estou muito arrependido e gostaria de agradecer a vossa compreensão tornando-me no vosso próximo presidente. Mas não se preocupem que a minha credibilidade não está em causa. Foi tudo legal e transparente. Tão transparente como me apresento hoje aqui perante vós, cidadãs e cidadãos (colocar nacionalidade), colocando a nu todos os meus podres.

Desculpas destas não se pedem, evitam-se.  [Read more…]

O erro ético

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O candidato da direita à presidência francesa, François Fillon, depois de se ter descoberto que tinha beneficiado a sua família no contexto da sua actividade política, veio a público reconhecer o “erro ético” e pedir desculpa aos franceses.

Se fosse por cá, era capaz de vir para os jornais negar tudo, mentir descaradamente, evocar os santos e a virgem Maria. Esconder-se-ia em casa durante duas semanas e depois regressaria sorridente, como se nada se tivesse passado, e até receberia um “prémio de prestígio” qualquer.

A França perdeu muito nos últimos anos, mas pelos vistos não perdeu a vergonha toda.