Marine Le Pen é uma criminosa. Lidem com isso

Pode ser uma imagem de 2 pessoas e a o salão oval

A condenação de Marine Le Pen deixou a nu a hipocrisia da extrema-direita, que se diz contra a corrupção e outros crimes aparentados, excepto quando os visados são os seus pares.

Aliás, basta ver quem foram os mais vocais em sua defesa: Putin, o ditador que a financiou, Orbán, o primeiro-ministro mais corrupto da Europa, Salvini, o fascista que enverga indumentária putinista, e Elon Musk, o nazi que comprou as últimas eleições americanas. A fina flor da autocracia moderna.

Le Pen desviou dinheiro comunitário para financiar actividades do seu partido. Um partido que se confunde com a própria, como se da sua pequena monarquia se tratasse. Herdou-o do pai, vai entregá-lo um dia ao ex-marido da sobrinha. Nada nepotista. Agora, deve pagar pelos seus crimes. Não está acima da lei. [Read more…]

Provavelmente a última central nuclear da Europa

Este sábado, em Flamanville no norte de França, foi ligado à rede o novo reator EPR. O EPR era um projeto franco-alemão, acrónimo de European Pressurized water Reactor. Quando a Alemanha abandonou o projeto EPR passou a designar-se Evolutionary Power Reactor. Os EPR oferecem uma potência cerca de 50% superior do que a generalidade dos reatores e sobretudo são muito mais seguros, constituídos por cúpulas capazes de resistir a um embate de uma avião de linha e com galerias de transporte de plasma em caso de fusão do reator.

No entanto, este é um projeto que começou com um orçamento de 3,3 mil milhões de euros e terminou em 13,2 mil milhões. É o sexto edifício mais caro do mundo. Representando custos de 8250€/KW para a capacidade instalada. O fotovoltaico anda nos 600€/kW. A construção eternizou-se ao longo de 17 longos anos. A história dos outros EPR construídos pela EDF, na Finlândia e ainda em construção Hinkley Point no Reino Unido, não é muito diferente, verificaram-se também derrapagens colossais de custos e atrasos inaceitáveis.

Mais do que um estrondoso falhanço para a indústria nuclear, esta pode ser a última central a ser construída na Europa. A construção da central de Hinkley Point está praticamente parada e é a única em construção na Europa. Este ano Hinkley Point perdeu alguns dos seus principais investidores e não há nenhuma hipótese viável no horizonte para os substituir. A EDF, responsável por Hinkley Point, foi salva pelo estado francês que absorveu uma dívida de 60 mil milhões de euros. A EDF não tem capacidade de investimento. A americana Westinghouse foi à falência e foi comprada por um grupo canadiano sem experiência em centrais nucleares. Neste momento há zero centrais a serem construídas nos EUA… A japonesa TEPCO foi à falência e passou para os contribuintes japoneses mais de 200 mil milhões de dólares e Fukushima está muito longe de estar limpa. A coreana KEPCO ainda não faliu, mas tem uma dívida de 150 mil milhões de dólares. A russa Rosatom é atualmente a única empresa com capacidade para construir fora de portas, graças às contas à Putin, que não presta contas aos contribuintes russos.

Macron em roda livre

Michel Barnier, negociador do Brexit, é o novo primeiro-ministro da França. Macron não descansa enquanto não destruir o sistema político francês.

Macron não descansa enquanto não entregar o país a Le Pen

Primeiro destruiu o centro, depois governou como um Napoleão da Wish, agora confirma aos franceses que não é confiável. A direita alegadamente liberal e moderada é, cada vez mais, a melhor amiga extrema-direita.

Tamara Volokhova, agente de influência

Na mesma semana em que o partido de Marine Le Pen anunciou a intenção de vedar o acesso a certos cargos públicos a cidadãos franceses com dupla nacionalidade, veio a público este fabuloso “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”. A fazer lembrar os grandes sucessos do Bolsonaro da Wish que temos por cá.

O que sucede?

Sucede que o RN tem cidadãos com dupla nacionalidade que foram candidatos às eleições de Domingo, entre eles Tamara Volokhova.

Quem?

Isso: Tamara Volokhova.

Sim, também nunca ouvi falar. [Read more…]

Os dias do fim do PSD: o caso do cartoon

Há dias, quando estourou a polémica em torno do cartaz em que António Costa era representado com feições de porco e lápis espetados nos olhos, os partidos de direita desvalorizaram o sucedido.

O maior partido da oposição, porém, não se limitou a desvalorizar. Pela voz do deputado António Cunha, o PSD fez um exercício de whataboutism e relembrou que, no passado, também Passos Coelho foi alvo de representações pouco simpáticas, como aquela em que era retratado como um coelho enforcado. E rematou: “não é justo que se tome a parte pelo todo”, aludindo à minoria de professores que carregou tais cartazes. [Read more…]

“MAI ligou à administração da RTP por “desagrado” com cartoon sobre polícias”…

noticia o Jornal de Notícias.

Ministério da Administração Interna, PSD, Chega e CDS, todos juntos na tentativa de pôr açaimes à independência do canal público de televisão, sem perceberem (ou ignorando convenientemente) o essencial: o-cartoon-não-é-sobre-a-PSP.

E mesmo que fosse, desde quando é que, sucessivamente, a PSP se acha imune a críticas e a ironias, quando há até relatórios – e reportagens – que provam que há infiltração de forças de extrema-direita nas forças de segurança portuguesas? Segue-se o quê? A criação do “Secretariado Nacional de Informação”?

Que o Chega queira censurar tudo aquilo que não lhe convém, percebe-se, sabendo nós quem eles são. Que o CDS se junte à palhaçada, uma vez que para ressuscitar necessita dos eleitores do Chega, também se entende. Que o PSD, suposto garante democrático da direita liberal, lhe siga os passos, é bastante sintomático. E que o MAI, chefiado por um político da social-democracia europeia, se queira juntar à chicana, é ainda mais revelador e atesta o perigo em que estes supostos donos do pedaço estão a colocar a democracia em Portugal.

Cristina Sampaio @spamcartoon

Trump, Bolsonaro e José Miguel Júdice entram num bar…

No seu espaço de comentário político da passada semana na SIC, José Miguel Júdice fez, com alguma subtileza, um exercício de normalização da extrema-direita, ao colocar, no mesmo patamar, os protestos em França contra o aumento da idade da reforma e os ataques ao Capitólio e à Esplanada dos Ministérios.

O objectivo do comentador, parece-me, não é tanto condenar os protestos em França. É, isso, sim, minimizar duas tentativas de golpe de Estado, nos EUA e no Brasil, despromovendo-os à categoria de protesto inorgânico.

Não perderei muito tempo com a absurda comparação, até porque a considero normal, vinda de um salazarista que integrou uma organização terrorista de extrema-direita. [Read more…]

A UE é o eixo franco-alemão. O resto é paisagem

agora fazei o favor de ler o artigo do Henrique Burnay, no Expresso. Totalmente grátis.

Somos todos gauleses

Por norma queremos que a França perca sempre, porque temos um passado de gato-sapato aos mãos dos tipos, excepção feita ao Euro 2016. Mas hoje, meu querido Portugal, somos todos uma irredutível aldeia de gauleses, porque querer a vitória da Argentina é uma afronta ao nosso Deus e a Igreja Universal do Reino de CR7, n’est pas?

A escolha fácil entre Macron e Marine Le Putin

A vitória de Macron era expectável, mas não estávamos livres de uma desagradável surpresa. Felizmente, a extrema-direita fez aquilo que sabe fazer melhor: não passar. E não passou.

Se Macron seria o meu candidato, fosse eu francês? Seguramente que não.
Se eu votaria nele na segunda volta?
Sem pestanejar.
Quando as escolhas são todas más, opta-se sempre pelo mal menor. E Macron, na pior das hipóteses, era o mal menor. Infinitamente menor que a emissária de Putin no centro da Europa.

No Kremlin, as garrafas de champanhe voltaram para o frigorífico. Havia esperança, proporcional ao medo do lado de cá, mas Putin acabou por ser o grande derrotado da noite. Putin, Salvini, Orbán, Farage, Gauland, Wilders, Abascal, o coiso e todos os novos fascistas que sonham com uma Europa dividida, à mercê do Kremlin. Como diria o grande Diego Armando Maradona, “que la chupen y sigan chupando”.

P.S: Para aqueles que continuam a normalizar o CH, a começar pelo PSD de Rui Rio, notem que Ventura e Putin estiveram no mesmo coro de apoio a Le Pen. Porque, no fundo, jogam todos na mesma equipa, diga o CH o que disser no Parlamento. Querem sentir o pulso à extrema-direita portuguesa? Ide ler a carta de amor de Maria Vieira ao regime russo.

Eleições em França: Ler os sinais

Le Pen ganhou no eleitorado dos 18 aos 50. Só a partir daí Macron conseguiu vencer. É só perceber os sinais. Ou mudam as políticas ou os franceses vão acabar a entregar o poder ao lado negro da história.

Depois não culpem o eleitorado…

Marine Le Pen e o terramoto que poderá virar o jogo a favor de Putin

Mentiria se dissesse que não estou preocupado. É claro que estou preocupado. Como deve estar preocupado qualquer um que acredita no nosso modo de vida, no projecto europeu e na democracia liberal. E na nossa segurança colectiva. A possibilidade de Marine Le Pen chegar ao Eliseu equivale a escancarar os corredores mais restritos da UE e da NATO a Vladimir Putin, altera a balança de poder no conselho de segurança da ONU e coloca um dos exércitos mais poderosos do mundo, com capacidade nuclear, sob tutela de alguém que moderou a linguagem para ganhar as eleições, mas que foi a mesma pessoa que, a propósito de Putin, afirmou o seguinte:

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The Daily Show: Macron vs Le Pen

Fotografia retirada de opendemocracy.net

Ela (Marine Le Pen) revê-se em Putin? Quer dizer, sendo justo, perguntaram-lhe sobre Putin em 2017, e na altura ele só adulterava eleições e envenenava pessoas. Era demasiado cedo para estar contra Putin. Fora de brincadeiras, foram visões como esta que levaram a que Le Pen não vencesse as eleições presidenciais francesas em 2012 e em 2017. Mas, tal como um Terminator, Le Pen fica mais esperta a cada sequela e é isso que a torna realmente perigosa. Depois das últimas eleições, Le Pen começou a reformular-se, agora como uma ‘afável e gentil’ racista. Sim… ‘será que o posso levar de volta para a sua terra, cavalheiro?’… E a forma como o fez foi simplesmente deixar de falar tanto sobre esses assuntos, sem nunca abandonar as visões fascistas. Basicamente, é como quando estamos numa reunião no Zoom e o enquadramento só mostra aquele canto muito arrumadinho do nosso apartamento; mas isso não apaga o facto de continuar a haver uma família de doninhas a comer restos de comida chinesa no nosso sofá. Percebem o que digo? É o mesmo mundo. E Le Pen não começou a ‘moderar’ apenas as suas palavras, mas também renovou a sua imagem para cultivar uma imagem mais ‘amável’ dela própria. E é aqui que se encontra a França, a caminho das eleições do próximo Domingo: um candidato à reeleição, um moderado que com fraca aprovação por parte do povo, espera derrotar uma aliada de Putin, xenófoba, que regressa para uma última tentativa de eleição. É por isto que gosto tanto da política francesa: é tão diferente da dos EUA…

Trevor Noah no seu The Daily Show.

Quanto a ligações e/ou adorações a Putin, não nos esqueçamos (apesar desta panóplia de batedores no PCP): do VOX de Espanha a André Ventura e ao seu CHEGA em Portugal; de Marine Le Pen na França a Viktor Orbán na Hungria, passando por Trump, nos EUA, sabemos quem depende, directa ou indirectamente, do proto-czarista russo, por mais ou menos maquilhagem que coloquem – nada vos tapará a real face. 

Le Pen, uma bomba-relógio

A crónica de Daniel Oliveira na TSF é um excelente exercício que merece ser lido ou ouvido. Não estamos imunes a igual desfecho.

Putin e Ventura, a mesma luta

Num momento particularmente delicado para a extrema-direita ocidental, a passagem de Marine Le Pen à segunda volta das presidenciais francesas é uma lufada de ar fresco e o renovar da velha esperança de destruir a UE, destruir a NATO, destruir todo o multilateralismo e, sobretudo, destruir as instituições democráticas e trazer de volta os autoritarismos que nos mergulharam na Segunda Guerra Mundial.

Ventura e o seu grupo parlamentar já se puseram em bicos de pés para saudar o resultado do partido-irmão, alegria partilhada por um dos principais apoiantes e financiadores dos neofascistas franceses, Vladimir Putin. E se Putin é o alvo a abater, Le Pen, Trump, Salvini ou Ventura são inimigos das democracias liberais, alinhados política e ideologicamente com o Adolfo de São Petersburgo, que devem ser combatidos, sem contemplações. E não nos deixemos enganar por declarações de circunstância. Ao mínimo deslize ou sinal de fraqueza da União, os novos fascistas assumirão aquilo que sempre foram: peões do Kremlin.

França: Macron lidera, à boca das urnas

A margem é curta, mas nem por isso insignificante. Le Pen volta a falhar no primeiro round do assalto ao Eliseu, apesar de seguir para a segunda volta, como de resto era expectável.

Mais curta ainda é a diferença entre Le Pen e Jean-Luc Mélenchon, que completa o pódio com 20,3%, e que terá uma palavra a dizer no realinhamento de forças para a segunda volta.

De notar ainda a consolidação do desaparecimento dos partidos tradicionais franceses, com Anne Hidalgo a registar uns desastrosos 2% para o PS, e Valérie Pécresse, do Les Republicans, herdeiro da UMP de Chirac, a não ir além dos 4,8%.

Daqui por duas semanas saberemos, se continuaremos a ter Paris. Putin estará atento.

E se não tivermos sempre Paris?

Marine Le Pen e o seu financiador, Vladimir Putin

A possibilidade real de Marine Le Pen ser a próxima presidente francesa é uma ameaça séria ao projecto europeu mas, sobretudo, uma enorme ameaça à segurança do mundo Ocidental. Ter esta mulher como líder da única potência nuclear da UE, cuja ascensão foi em larga medida patrocinada e financiada pelo Kremlin, mais ainda num momento como o que vivemos, devia fazer soar todos os alarmes. Ter uma emissária de Putin com poder em Bruxelas, na NATO e no próprio Conselho de Segurança da ONU, alterando a balança do poder em favor do eixo Moscovo-Pequim, pode ser o fim da história como a conhecemos. Não estarmos todos alarmados com esta possibilidade alarma-me ainda mais. Não sei se a Eurasia de Medvedev chegará algum dia de Vladivostok a Lisboa, mas está a aproximar-se perigosamente de Paris.

França: As sondagens valem o que valem….

…. mas esta é assustadora.

Os “coletes amarelos” andaram meses a protestar em França. Uma boa parte da sociedade civil francesa radicalizou-se politicamente (basta somar as intenções de voto nos candidatos das extremas). Os chamados “partidos do centro” definham. E a Le Pen vai subindo de eleição para eleição. O Putin pode até nem ganhar a guerra na Ucrânia mas os filhos de putin estão a crescer a olhos vistos em quase todos os países europeus.

O mundo está a ficar perigoso.

Os velhos colaboracionistas franceses voltaram….

A Renault, a exemplo da Nestlé*, a manter uma velha tradição nacional colaboracionista. Anda Macron pelos palcos internacionais a bradar contra Putin e no segredo dos gabinetes do capitalismo selvagem business as usual…. hipócritas do caralho.

*Sim, erro meu, a Nestlé não é francesa. De todo o modo, aqui ficam outras empresas (palmado ao nosso Carlos Osório) que, tal como a Renault, continuam na Rússia: Leroy Merlin, Danone, Auchan ou Decathlon.

O perigoso trilho da personificação do mal

É indubitável que Vladimir Putin é um déspota, sem escrúpulos. E a questão essencial não é se há outros ou não. Até porque sabemos que há.

A questão essencial é se só agora ele se revelou como tal.

Obviamente que não. E, no entanto, todo o chamado “Mundo Ocidental”, do qual fazemos parte, hoje chocado e revoltado com a sua ofensiva bélica sobre a Ucrânia, num conflito armado que dizima vidas inocentes, não se inibiu de fazer negócios, de engrossar fortunas, e até, ficar na sua dependência.

Já se sabia quem era Vladimir Putin quando a Europa – leia-se França e Alemanha -, aceitou ficar em grande parte dependente do gás russo. Ou quando Portugal foi à Rússia vender vistos gold. Ou quando a OTAN começou a expandir-se para o outrora Bloco de Leste, rumo à fronteira com a Rússia, em violação do compromisso por si assumido de não fazer tal.

Tudo isto foi acontecendo enquanto jornalistas, activistas e opositores a Putin, eram assassinados; enquanto os envenenamentos se tornavam uma espécie de instrumento de política internacional russa, etc.

Da mesma forma que o “Mundo Ocidental” sabe bem quem é e que é Xi Jiping e a China. E se a China resolver invadir a Ilha Formosa, ou Taiwan, ou que se lhe quiser chamar, o mesmo “Mundo Ocidental” que deslocou para a China a sua indústria, e que se tornou dependente dos seus fornecimentos de bens e capitais, vai bradar “Sacanas dos chineses! Maldito Xi Jiping!”. [Read more…]

Quando li «sabia que contrato poderia ser cancelado»,

pensei imediatamente no contrato do anfíbio de Gaia: afinal, era o dos submarinos actualmente em voga.
Foto: © DR

Quantas voltas mais se quer dar a um tratado anacrónico antes de o atirar pela borda fora? Ou: defendam o Planeta, acima do negócio

É a sexta ronda de negociações sobre a modernização do Tratado da Carta da Energia que está a decorrer de 6 a 9 de Julho.

Há mais de um ano que a UE anda, supostamente, a tentar compatibilizar este tratado da última década do século passado, que protege os combustíveis fósseis, com o acordo de Paris. Em vão. São 55 membros e alterações substanciais exigem unanimidade. Informações “vazadas” sobre a anterior ronda de negociações realizada de 1 a 4 de Junho passado, mostram que não há “avanços substanciais“ quanto à eliminação da protecção aos combustíveis fósseis. Países cuja economia depende em grande medida dos mesmos, como o Cazaquistão, rejeitam liminarmente passos para a eliminação da protecção especial (ISDS) a esses combustíveis, largamente responsáveis por emissões com efeito de estufa.

Perante este impasse, a Comissão Europeia parece estar com vontade de “flexibilizar” a sua posição para procurar “possíveis compromissos”, agarrando-se a um tratado obsoleto, que está a bloquear a tomada de medidas dos governos para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, através de tribunais privados exclusivos nos quais as multinacionais exigem indemnizações milionárias, a pagar pelos cidadãos (ISDS). Foi o caso dos Países Baixos, que estão a enfrentar processos de milhares de milhões por terem decidido eliminar progressivamente o carvão para a produção de energia até 2030. [Read more…]

André Ventura e Marine Le Pen, ou a arte de se afirmar defensor dos portugueses de bem e promover quem os persegue e ameaça de morte

Historicamente, França tem sido o principal ponto de chegada para centenas de milhares de emigrantes portugueses, desde a década de 60, quando fugiam da miséria imposta pelo regime salazarista. Estima-se que vivam no país cerca de meio milhão de portugueses e luso-descendentes, a maioria dos quais perfeitamente integrada, sem historial relevante de associação a problemas sociais ou criminalidade, que, não raras vezes, diz “presente” quando se trata de desempenhar as funções que os franceses não querem fazer, das limpezas à construção civil.

Estes portugueses, tão portugueses como qualquer português que habite em solo nacional, são, apesar das vicissitudes, portugueses orgulhosos e patriotas, que investem em Portugal, que constroem casa em Portugal, onde regressam após se reformarem, que geram milhões para o sector do turismo, do Algarve ao Alto Minho, e que transferem milhões de divisas para o seu pé de meia, num qualquer banco português. Apenas para dar alguns exemplos. [Read more…]

Acabaram os Eders gordos!

Finalmente, acabou o tempo em que jogávamos à grande e à francesa e voltamos a jogar à “quase que era” e à portuguesa. Confesso, tinha saudades!

Combater o vírus da evasão fiscal para salvar a União Europeia

TH

Imagem via Pressenza

Dinamarca, Polónia e França tomaram uma decisão muito sensata e corajosa, ao excluir todas as empresas sediadas em paraísos fiscais de qualquer apoio estatal, no âmbito do combate às consequências económicas da pandemia. O meu aplauso e votos de que o governo português tenha a mesma coragem e sensatez. Que este seja o primeiro passo para um boicote total da UE à evasão fiscal, e que todos os membros lhes sigam o exemplo. E que o segundo seja um projecto de harmonização fiscal no seio da União, para acabar com as práticas desleais e contrárias ao espírito que está na base da sua constituição, das quais países como a Holanda, o Luxemburgo e a Irlanda não querem abdicar. Se queremos sobreviver e sair desta crise com uma União Europeia mais coesa, mais justa e mais solidária, ao invés de ficarmos sentados a assistir ao seu colapso, o momento de agir é agora.

A vida humana

Conheci a história do infame Dr. Petiot através de uma obra do historiador David King, que tem explorado de forma mais ou menos ligeira casos reais da Europa das décadas de 1930-1950. Marcel Petiot foi um médico que, durante a II Guerra Mundial, assassinou cerca de 60 pessoas, em Paris. Um assassino em série cujo número exacto de vítimas nunca foi estabelecido e que confessou não saber ao certo quantos tinham sido.

Com o nome de código de “Dr. Eugéne”, prometia ajudar a fugir de Paris todos os perseguidos pela Gestapo e pelo governo de Vichy, fazendo-os chegar até Espanha, daí a Portugal e, finalmente, de barco até à Argentina. Na realidade, recebia os honorários por este serviço e assassinava os seus clientes, desfazendo-se depois dos corpos num poço de cal, esquartejando-os e queimando os restos numa salamandra. Como as vítimas sabiam que não regressariam a Paris, levavam consigo na bagagem (e até escondidos no forro das roupas) maços de nota, jóias, todos os valores que podiam transportar. Em pouco anos, Petiot acumulou uma fortuna. [Read more…]

YES!!!

França anuncia ecotaxa para bilhetes de avião

Resta saber se serve…

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O Conselho Constitucional francês validou a primeira lei europeia especificamente contra a manipulação da informação on-line em período eleitoral (a aplicar nos 3 meses anteriores ao primeiro dia do mês das eleições), salientando que apenas devem poder ser eliminadas das plataformas de distribuição:

1) As informações manifestamente falsas ou enganadoras (e não as paródias, as informações parcialmente inexactas ou simplesmente exageradas);

2) relativas a factos (não abrangendo, portanto, as opiniões);

3) que possam condicionar, de forma manifesta e objectivamente demonstrável, a sinceridade da eleição; e

4) que sejam distribuídas de modo automático, massivo e deliberado.

A eliminação é requerida judicialmente através de processo sumário, devendo o juiz decidir no prazo de 48 horas.

A lei requer aos operadores de plataformas on-line cuja actividade exceda, em França, um certo número de conexões, que forneçam aos utilizadores informações leais, claras e transparentes sobre 1) a identidade das pessoas singulares ou colectivas que pagam à plataforma para a promoção de conteúdos informativos relacionados com um debate de interesse geral (isto é, com o acto eleitoral a realizar), 2) o montante de tais remunerações, se for superior a um determinado limiar fixado por decreto, e 3) o uso que é feito, como parte desta promoção, dos dados pessoais dos utilizadores. Esta informação é agregada num registo disponibilizado ao público e actualizado regularmente durante o período em questão. O incumprimento destas regras pode dar lugar a um ano de prisão e a uma multa de 75.000 euros.

A lei prevê ainda o estabelecimento, pelos operadores das plataformas on-line, de um sistema que permita aos seus utilizadores assinalar informações falsas e vincula esses operadores a aplicar medidas adicionais que podem incluir a transparência dos algoritmos ou a luta contra as contas que promovam a divulgação massiva de informações falsas.

Vista com estas reservas, parece ser uma lei equilibrada e necessária para fazer frente à intoxicação da opinião pública que a extrema-direita vem desenvolvendo de forma metódica e sistemática, na Eu ro pa, nos Estados Unidos e no resto do mundo, cavalgando sem escrúpulos o descontentamento das populações com os vícios dos sistemas políticos e a tibieza das políticas públicas.

 

 

Filhadaputice é isto

O comissário europeu para os Assuntos Económicos disse, esta terça-feira, que a França não será sancionada se o défice público ultrapassar os 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, mas pediu que o Governo “seja sério no futuro”.

Venham daí as luminárias dissertar sobre as virtudes de um número, 3%, escrito nas costas de um guardanapo, para tapar a boca dos opositores, e sobre o desígnio da austeridade saudável. E recorde-se a chantagem do défice, qual guilhotina pronta a cortar a credibilidade financeira, tão presente como arma de arremesso quando a geringonça se estava a constituir com alternativa ao governo daquele se sentou em Salazar.

Não é a primeira vez; regista-se mais esta iteração da história dos porcos que são mais animais do que os outros.

“Sério”, diz o farsola. Façam-se, depois, machetes sobre o inacreditável crescimento dos populistas.