Irão, China e Jeffrey Epstein entram num bar israelo-americano

Why did US and Israel attack Iran and how long could the war last? - BBC News

Não choro a morte de Ali Khamenei. Um fanático totalitário a menos causa-me zero comoção. E já foi tarde.

Digo mais: por mim arranjava-se uma daquelas bombas do Gajo de Alfama, que fosse lá pelo cheiro a fundamentalista religioso, e antecipava-se o encontro com o Criador a todas as criaturas sedentas de o encontrar e de nos levar com elas. Independentemente da religião. Win-win.

O regime iraniano é execrável. E é também um produto directo da política externa norte-americana, parido pelo mesmo golpe de Estado que, em 1953, derrubou Mohammed Mossadegh. Seja como for, o fim do regime dos ayatollahs seria uma excelente notícia para qualquer pessoa que tenha a Liberdade como valor inalienável, mas a morte de Ali Khamenei não o garante.

Contudo, e a julgar pela recente intervenção americana na Venezuela, que se limitou a remover Maduro do poder, mantendo tudo o resto igual a nível interno – excepto a repressão, que aumentou – nada nos garante, nesta fase, que tudo não continuará na mesma. Até porque bombardear o Irão não chega para alterar o regime. Seria necessária uma invasão terrestre que os EUA dificilmente arriscarão.

Então, qual será o objectivo desta intervenção?

O ataque ao Irão não foi motivado pela ameaça nuclear. Netanyahu está a garantir-nos há 30 anos – literalmente – que o Irão está a semanas de conseguir a bomba e, 30 anos depois, não há sinal dela.

Também não foi em defesa dos valores democráticos. Se assim fosse, Trump não receberia Putin ou Bin Salman com honras de Estado, em território americano. Aliás, basta ver o que se passa na Venezuela, para perceber que não será por aí. Para não falar no genocídio em Gaza.

Julgo que também não será pela ameaça militar ou pelos aliados poderosos do Irão. Os dois últimos dias vieram confirmar que o exército iraniano não tem grandes hipóteses de se defender ou de causar danos significativos aos seus agressores.

Qual será, então, a motivação por trás destes ataques?

Vejo três motivações possíveis:

  1. Limitar o acesso da China ao petróleo iraniano.
  2. Submeter o Irão ao poder regional de Israel.
  3. Retirar os holofotes do escândalo Epstein.

Talvez existam outras. Mas estas parecem-me motivações mais que suficientes para que Washington e Telavive levem a cabo mais uma das suas exportações de paz. Mas por favor, não me venham com a absoluta treta dos direitos humanos. Os únicos direitos humanos que interessam ao Adolfo sionista e ao abusador de Mar-a-Lago são os seus. E por muita graça que aches ao que se passa no Irão, é bom que prepares a carteira para pagar a factura.

Comments

  1. Whale project says:

    Tinha que vir a enguia que de diz de esquerda a congratular se com um assassinato.
    Tens a liberdade como um valor inestimável, ficam te muito bem esses sentimentos mas já viste quem aqueles bandalhos querem impingir ao Irão? Não?
    Então e melhor Ires ver antes de ficares tão contente.
    Se Khamenei quisesse levar assim tanta gente prestar contas ao criador não se tinha dado ao trabalho de negociar com os seus assassinos.
    E o regime de Netanyahu e de Trump? Sao umas doçuras.
    Vai ver se o mar da choco.

  2. Netanyahu, Trump, Epstein, Erdogan, Bin Salman, vassalos europeus, e a esquerda brâmane, a mesma luta, a mesma propaganda, a mesma falsa preocupação com a democracia e os direitos humanos.
    Tão preocupados, e caladinhos sobre a democracia iraquiana que tem o vitorioso recusado pelo ocupante, ou sobre os parabéns da tralha europeia ao terrorista a “limpar o jardim” na Síria a bem da paz, ou das sanções aos jornalistas europeus que nem podem comprar comida.
    Não, desta vez não chega bombardear hospitais, escolas e universidades, coisa de que também não se queixam, porque entrevistar a diáspora ou comer a propaganda da agência literalmente do outro lado da rua da CIA nada tem a ver com os milhões a apoiar o governo na rua que nem vêm, nem querem ver, porque já é propaganda da boa.
    Não, o objectivo nada tem a ver com democracia porque nunca tem, como nos exemplos só deste século no Iraque, Afeganistão, Líbano, Somália, Líbia, Síria, Venezuela, Sudão, Myanmar, Paquistão, Sarahwi, Arménia, ou na preciosa Ucrânia da carne para canhão: chacinas apoiadas, financiadas, e branqueadas pelos mesmos regimes independentemente da cor da camisola e da cara de preocupação. Nem que seja preciso banir as imagens que o contradigam e punir extrajudicialmente quem simplesmente reproduz o que sai da boca para fora. O azar é que não só não é possível esconder para sempre que o projecto de leste já ficou sem homens e material, também não é que as bases no médio oriente se tornam inoperáveis, e que os poços de petróleo e a fŕagil infraestrutura que sustenta a colónia podem ser apagados do mapa – os mesmos que quer a colónia diz abertamente na sua língua inventada quer o embaixador admitem que são para colonizar. Mais depressa caem as monarquias compradas da Jordânia ou do Bahrain
    O ojectivo dos donos da América é, e tem sido, até bem explícito, à medida que a capacidade de controlo diminui: destruição e balcanização em estados inviáveis, corruptos, e espezinháveis. Quando for a eurolândia, ninguém vai chorar. Até lá, é pagar a conta, que o fornecedor “aliado” é monopolista.

    Já não há paciência para lições de moral de fantasias liberais de iluminação universal dos seres menores, baseadas em palha de quem é apanhado a mentir constantemente, quando é branqueada a barbaridade da “civilização” exposta ao mundo.

    • Vai celebrando a “falta de capacidade”, que o projecto de leste tão cedo não vê anti-aéreas e a Rússia aumenta o seu mercado energético. Celebrem, que o tombo é maior quando a crise rebentar, pode ser que mais povos se libertem de nós.

  3. Não me importo por que lhe batem. Não quero saber quem lhe bate. Basta-me que lhe batam.

    • POIS! says:

      Ora pois!

      E quando começarem a cair megatoneladas de “democracia” na moleirinha de Vosselência outros haverá que postarão comentários do mesmo teor…

      Banda sonora para o mesmo: “I’m guided by the beauty of your weapons(…)”

  4. Whale project says:

    Tão lindos que os fascistas são. Se calhar também tinham achado normal se Portugal tivesse sido bombardeado para nos livrar do regime execrável de Salazar.
    E que Salazar tivesse morrido de bomba e não de bater com os cornos no chão por via de uma providencial cadeira.
    Teria sido bom para nós e para os africanos que sofriam com os nossos horrendos crimes de guerra.
    Quanto a coisas comezinhas como o Direito Internacional, a legalidade ou a perfídia de aproveitar um processo de negociações para cometer assassinato isso não vos interessa nem a vocês nem a enguia que se diz de esquerda que escreveu esta treta.
    Vão ver se o mar da megalodonte.

    • Há três problemas: um, que a esquerda fofinha se recusa a ver ou se esquece, é que de precisos estas operações nada têm; e se há muito dinheiro para que assim seja, depois de todas as mentiras a branquear a destruição completa de Gaza, não há desculpas para achar que o ocidente quer saber das regras e da moral no resto. A segunda, corolário da primeira, é que o interesse é capitalista e nunca humanitário e democrático, como este século bem demonstra. E o terceiro é que algo imposto de fora não ensina os custos e lições da mudança – e pelo caso da província, mesmo que venham apostar as espingardas tarde, é mais fácil que se volte para trás.

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