Sociopatas no comando

Pode ser uma imagem de o salão oval

Donald Trump começou uma guerra desnecessária e devastadora para a economia mundial, sem consultar os aliados europeus.
Agora, que percebeu que não controla a situação, exige a sua presença no Estreito de Ormuz e ameaça com o fim da NATO, que de resto está moribunda, graças a uma administração de fanáticos que é dúbia em relação às suas responsabilidades na organização, ameaça ocupar a Gronelândia, intimida aliados que não obedecem caninamente e estende o tapete vermelho a Putin, por quem demonstra mais simpatia do que por qualquer líder europeu. Excepto por Viktor Orbán, um corrupto que dirige uma oligarquia semelhante à sua e à russa, em ponto pequeno.
Repara que todo este novo caos é obra do presidente que há poucos meses afirmou ter “obliterado” o programa nuclear iraniano. E que lançou esta guerra sob pretexto da ameaça nuclear que o Irão, cujo programa foi por ele obliterado, pelos vistos ainda representa. E que garantia que o ataque ao Irão iria ajoelhar o regime dos ayatollahs em poucos dias.
Se isto parece conversa de um tipo que tem um plano?
Não, não parece.
E parece ainda menos de quem está efectivamente a ganhar o conflito, nos termos que o próprio inicialmente propôs. Nem a capacidade de resposta do Irão foi neutralizada, nem o regime caiu. O que cai a pique é o stock de mísseis Patriot que, como o dos iranianos, não dura para sempre. E cai também a economia mundial, que nunca esteve tão perto de reeditar 1929.
Claro que os EUA têm a capacidade de terraplanar o Irão, se decidirem fazê-lo. Pode implicar consequências inimagináveis, mas é exequível. Mas o recurso, por exemplo, ao nuclear, não afectaria apenas o Irão. Seria o fim do paraíso instagramável das monarquias absolutas do Golfo. Até Israel sofreria duras consequências dessa decisão. Decisão que, convenhamos, Israel pode tomar por conta própria, recorrendo à sua própria capacidade nuclear.
Felizmente, julgo que nenhum dos malucos com botões nucleares está disposto a usá-los. Excepto em caso de ameaça existencial. Vamos acreditar com muita força que nunca chegaremos aí.
Mas voltando ao plano, Trump não tem um. Tem gut feeling. E como podes ver, na TV, na internet e na tua carteira, está a correr muito bem.
Também não tem noção, e essa ausência vai ter um preço, quando os americanos começarem a sentir, nas suas vidas, o efeito da guerra. Se não começaram já. E tanto sacrifício para deixar tudo como está, com o regime iraniano mais acossado, logo mais repressivo, um Médio Oriente em permanente sobressalto bélico, e a incerteza que daí resulta a crashar tudo o que é mercado e, por conseguinte, a vida das pessoas.
É possível que Trump não perceba os efeitos da sua decisão. Ou que se esteja verdadeiramente nas tintas para eles. Porque vive numa bolha ultra-exclusiva, rodeado pelo topo da cadeia alimentar da finança, da defesa, da tech ou do petróleo. Uma bolha que, ironicamente, se identifica como anti-sistema. Gender issues.
O América First No More Forever Wars Affortable Groceries está a ser um enorme sucesso. De facto, a extrema-direita tem excelentes ideias para aqueles que apreciam pobreza, fome, destruição e morte. Primeiro Putin, agora Trump, sempre Netanyahu.
Eu, no lugar do Bezos, mandava já fazer um documentário.
Já tu – e eu também – vais continuar a pagar a factura de incerteza, das tarifas, das guerras e do aumento do preço do petróleo, que faz aumentar tudo à sua volta, enquanto a elite trumpista aumenta os seus lucros. Tão anti-sistema como Guerra ser Paz, Liberdade ser Servidão ou Ignorância ser Força. O Orwell era um génio, mas deu ideias terríveis a esta quadrilha de sociopatas. Seria bom que os americanos não vacilassem em Novembro.

Comments

  1. Consultar as satrapias europeias para quê, se já assinaram por baixo a destruição da Síria e o holocausto palestiniano? É só mais um passinho na estratégia bicolor para conter a China e controlar o mundo, e até o palhaço Ucraniano oferece o seu apoio à espera do mesmo mijo dourado que a eurolândia.
    Mas ai que o regime Iraniano é muito mau a manter a soberania, que ninguém na Europa se lembra do que é, e a lutar contra o massacre dos árabes; both sides são muito maus, só ajudamos o lado forte por acaso, não nos culpem pelo sangue!

    • Entretanto, o demissionário Joe Kent confirma a intenção da classe Epstein com a operação Timber Sycamore de apoiar o ISIS e a Al-Qaeda para combater o Irão. A esquerda fofinha continuará a assobiar para o lado.

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