Simplesmente..simples, simplesmente…Sara

TEXTO DE ADALBERTO MAR

 

 

 

 

Hoje quero somente fazer a apologia do sol do saber, da simplicidade e dos vencedores..De todos aqueles que provaram o inferno, e que subiram no elevador para novamente aconchegarem-se ao sol.

Sara é uma dessas canções intimistas que falam da vida, dos sabores, das paixões, de uma mulher que tendo tudo perdeu o dobro, de uma mulher que sendo uma cigana rainha nos vícios, partiu para supostamente não mais voltar, mas voltou.

Afogando-se na dureza de um mundo que pode oferecer tanto a uma pessoa que a assassina com farturas e ganâncias, Sara é algo que deve ser cortado da melhor carne que o Criador fez.

Enquanto falo muitos morrem, muitos amam, muitos matam. Isso já não é novidade e a banalidade torna as coisas com menor importância.

A riqueza e a aventura das coisas, a doçura do olhar e a nobreza do querer está quando se tem tudo e tudo se perde, quando o abismo é como o amanhecer, um fio de distinção que rebenta&hellipQuando a noção de viver e de sofrer passam a ser a mesma, quando o pó das asas da tempestade arrasam o jogo de cada um&hellip.numa enseada de horizontes perdidos num litoral qualquer anónimo, sem «gelados Olá e bikinis Cláudia jacues»&hellip.MAS QUANDO SE VOLTA TRIUNFANTE DESSA GUERRA, DESSA MORTE, DESSA QUEDA! Sara é a face oculta deliciosa e intimista da sombra da alma e dos pelos do corpo&hellipé a casa que nos chama sempre do alto dos céus&hellip.Sara é um sonho feito música, uma melodia que se cozinha com o cérebro, se serve com a alma, e se come com o brilho azulado dos olhos humanos&hellipSara é um lenço ao vento, um raio por entre os pinheiros que nos abençoam com o seu cheiro, uma anémona venenosa mas bela que nos enfeitiça antes de nos picar docemente com o seu veneno de mil cores, cheios de arco-iris e silvas campestres&hellip.Sara é a história de uma mulher que se afogou num mar de amor que era desejo de túmulo para todos&hellip. Sara é uma tempestade de veludo e de penas com uns relâmpagos estrondosos que ferem os meus/vossos tensos ouvidos cheios de lugares, ferindo e aleijando com canções de embalar, como drogas possantes aniquiladoras, com aquela noção de querer viver só com esse sopro universal do COSMO e do Tal DEUS que me/nos abençoa..,um sopro vociferante e doce, mesmo naqueles que o desconhecem e o desprezam, e DELE se riem..

Sara é o tal «poem in my heart, never change, never stop!!»..Sara é um dia de sol, um vento de maresia, um passeio simples à beira mar, o homos erectus ao fim de 2oo mil anos, Sara é o Big End, o The End e o Fisrt

Sara, oh How I Love you so so so much

 

Simplesmente dalby…, by Adalberto (I)

TEXTO DE ADALBERTO MAR

 

  Dalby aos 5 anos

 

 

 

Era uma vez um rapazinho chamado dalby…
Rapazinho nascido de sangue 100% minhoto (Vila Verde) e do mais popular sangue nortenho de Avintes/Gaia, este rapaz nasceu um menino bonito de olho azul-verde, branco e de cabelos castanhos encaracolados….Peludinho.
Nasceu abençoado pelo anjo S.Valentim,  dia dos namorados, de madrugada, numa casa onde cresceu, amparado por uma parteira, que o ajudou a dar à luz.
Quando menino, as raparigas e meninas bonitas, e senhoras mais velhas, estragam-no de mimos e «trocavam» um beijinho por um rebuçado, ou outro beijinho por uma bolacha de chocolate, ou mesmo por um bilhete de circo daqueles longínquos anos sessenta, quando ele apreciava aqueles circos que visitavam as aldeias, tipo «circo Quinita apresenta…!!». Via sempre essas meninas, e as senhoras todas elas a fazerem xixi à sua frente..desde muito cedo que o sexo feminino não lhe era nada estranho…Quanto ao sexo masculino: duas tentativas de o molestarem abatidas, uma porque fugiu, outra porque bateu com um pé no trabalhador lá de casa nas trombas dele, e outra, um grupo de terror, no liceu de Gaia, porque gritou, esperneou e virou raiva-viva e largaram-no e ele foi directamente ao director da escola (reitor se chamava não se lembra..) e nunca mais foi molestado, como os outros eram, pelo ‘grupo do terror’ de então (1973).  Mas era sempre das mulheres que vinha sempre o açúcar. Ele sempre amou as mulheres. Hoje ama e odeia as mulheres, ama e odeia o sexo masculino. Por várias razões, mas mantém um ódio-amor bivalente com os dois sexos! 
 

Mas tanto açúcar houve que foi assim que as mulheres estragaram o nosso rapaz!!!!. Rapazinho criado e crescido com um entourage  núcleo duro de  religião católica apostólica, punições, padres, mas também bondade de Cristo, tudo muito beato, estratificado socialmente mas também muito pecado, desde que se mantivesse as aparências….o Dalbin sempre se distanciou dos padres, embora ache que foram sempre correctos com ele… O avô e o  pai eram absolutamente mulherengos, e a mãe, tias, primas, avós etc. mulheres fatais, belas, boas cozinheiras, moralistas mas com um quê de atrevidas…Filho de pai feio derretido com as gajas e com um sorriso cósmico, e de mãe de beleza helénica, como seu nome, mas… qual leoa-loba com pele de cordeira, o nosso rapazinho muito cedo habituou-se a ter de repensar e recompensar a sua doçura e fragilidade com  inteligência e sabedoria natas, que o ajudassem a poder viver num ambiente tão agreste. Simples mas sofisticado mentalmente, sempre se habituou ao luxo e ao lixo…num misto de Portugal profundo rural e raça lusitana como a dos cavalos…
 Escola pública, recusou o colégio dos Claretianos da vizinhança, privado, e hoje em 7º lugar nos rankings..achava, e bem, que «santos da casa não faziam milagres», isto no seu subconsciente, porque disse sempre ao paizinho que não queria colégios..….ou seja padres da terra, já bastava os da missa e das leituras…Na escola pública onde entrou com 6 aniinhos,  era ora amado ora odiado, e chamavam-lhe nomes, Beta-Faneca, e outras coisas que não gostava. Mas cedo ousou saber dar a volta às coisas..enquanto muitos levavam porrada, ele, o nosso dalbysinho comprava os inimigos, levando lanche duplo, um para ele, outro para o inimigo do momento…e cedo acabou por poder estar na escola sossegado, e sem mazela. O mesmo não se podia dizer já com o professor…Batia-lhe com a régua e furava-lhe a cabeça com a ponta da BIC..Contudo o nosso dalbito, na Primavera e Verão, fazia umas composições tão bonitas sobre o sol e as pessoas, que enterneciam o professor severo…ainda me lembro da bata severa dele, da mão peluda masculinissima e bem cheirosa da sua proximidade que me atormentavam..fazia mesmo xixi quando ele me olhava  e com horror via que me ia bater…Porém nunca hesitei em ir para a escola…dalby era um passarinho bonito e por isso gostava de sair e voar… (estuda, aponta Iturra que a tua técnica vai ter de se afinar muito!!) e desenhava um sol tão bonito e uma menina tão bonita e «azul» (não sabia ele ainda que era daltónico, mas usava os crayons todos, mas péssimo, como hoje em caligrafia!!), e por esse motivo sabia a cor dos olhos pelos outros, que ele próprio não via no espelho, nem tão pouco sabia o que valia, sendo as colegas da faculdade que o colocavam na lista do TOP+ de então ( e não só..Madrid, Lisboa,Ribatejo… sabiam dizer o que ele tinha e não…!!)..mas voltando ao professor da primária,  nesta altura levava e não era pouco não!!! Pobre dalbin…e sempre que não levava os deveres para a escola… levava…!!!
Tudo isso avivou-lhe a memória de que vivia numa ditadura, que os pecados eram proibidos, que a sua mente de néon pós-moderna, esse vanguardismo sonhador de« VARIG-VARIG-VARIG! ESTRELA BRASILEIRA DE NORTE A SUL!!!»  era uma lança perigosa, embora sempre adorado e apreciado por seu pai, que nessa altura de loucura e medo ambivalentes de finais de década de 60 eram apanágio de algo que esse mesmo pai admirava no filho..O pai, feio fisicamente, adorava ter assim um brinquedo tão perfeitinho….Esse pai pecador que tanto lutou por ele, e com as mulheres tudo perdeu (aponta Iturra, estuda !!!)…O pobre menino assim cresceu numa espécie de « Heaven, I’m in heaven, heaven that my heart merely can’t speak» misturava-se com muita dor e confusão…
 
O rapaz cresceu e nunca mais se soltou dos estudos, dos sonhos…nem do lugar onde vivia..sonhava com o estrangeiro ainda nem uma  mosca portuguesa sabia que poderia voar para NEW YORK, e o rapazinho da aldeia, simples, mas bem nascido e bem alimentado, com muito doce à volta, com tudo, sem lhe faltar nada..continuava a ler, estudar, sonhar, viver….os seus sentimentos eram sublimados com leituras do Novo e Velho Testamento, que leu religiosamente aos 14 e 15 anos….Aos 15 pediu a seu pai para que este o levasse para férias sozinho para as montanhas..Gerês, Marão, desde que o deixasse só..O Pai estranhou..que iria fazer em 1975 um rapazinho liceal, habituado às saias da mãe..que iria fazer para um lugar, um hotel pediu ele, sozinho, num ermo..Era a fase mística…O pai pegou nele, e no primo dele (a «dama de companhia eterna» do mesmo!!) e levou-os para Entre-Os-Rios, residencial Miradouro…proprietária de um amigo dele, assim o filho poderia ser controlado….
 
E eis que o pequeno dalbito, magrinho, de olhar doce, voz mole e fina, inocente e ingénuo como um nenúfar lá foi com o primo….
 
Era um amor e uma paixão anunciadas essa ligação à Natureza, ao campo que o viu crescer e que ele nem nas suas noites mais duras, cruas e rough de Nova Iorque, Berlim, Paris, Londres, Amesterdão, Madrid ou Marraquexe iria jamais deixar… Aliás que a tríade que rege ainda o nosso pequeno dalby é uma tríade de lugares impossíveis..Madrid, Ribatejo e Torrão do Lameiro, onde ainda hoje ele vai andar de bicicleta, Inverno Verão ou Outono…tentando recrear o menino que gostava de tirar a sandália e correr com os meninos pobres da sua aldeia sendo como um deles sem o ser, sendo…Ali está o nosso dalbito já maduro NÙ ou menos nú no Inverno…entre o Furadouro e essa mesma praia/bosque maravilhoso e selvagem do Torrão do Lameiro, onde a Natureza é um escândalo de preciosa, no seu fato sexy ultra sensual negro de ciclista, que ele afirma ser o mais
p
róximo do «estado nudista contínuo dele, Na Primavera/Verão/Outono» e lá vai ele de MP3 seu fato à Flash Gordon contra o vento, ao sol ou mesmo ao frio descendo o bosque, ouvindo carly Simon ou Sade..e cantando seus males espanta….…..AH mas um dalbito nudista? AHHHH que ironia se recuarmos atrás uns anos, quando ele tinha mesmo vergonha de se despir para fazer ginástica…Então….que aconteceu ao nosso rapaz, que evolução foi aquela de um rapazinho que lia as leituras na missa, adorado pela Igreja, pelas mães, pelo pai, pelos vizinhos, pelas mulheres que o corrompiam com beijos em troca de rebuçados e bolachas..como se transformou esse ser assexuado, morto, religioso e místico, doce e dourado, belo e ingénuo, tardio na sua sensualidade, frágil e indefeso, vítima e resistente….como pode ele tornar-se num ser implacável à medida que ia avançando na vida…e porque amando ele tanto o sonho do estrangeiro, tendo tido oportunidades de ouro, nunca quis abandonar a casa, nem mesmo trocar o «lugar» pela capital, ao menos pela capital do país???!!! Ele fica já agradecido pela eternidade dos passeios pela natural natureza normal ainda da floresta do Torrão, e de vestir-se, qual Batman, nessa sua versão de  ultraBEAR poderoso, agressivo, mas sem deixar a doçura e simpatia de quando era «somente» ingénuo e inocente?! (ITURRA QUEIMA AS PESTANAS!)
 
Para a próxima continuo, em …«Simplesmente, dalby, um filho/bisneto do MINHO profundo»
Vejam então as versões musicais e visuais de dalby o filho pródigo dos 10 mandamentos.

ADEUS MINHA FLOR DE LÓTUS DO JORNALISMO: MANUELA MOURA GUEDES, GODDBYE , I LOVE YOU!

1. EM MEMÓRIA DA MINHA MAIS QUE ADORADA E ÚNICA E SOBERBA , LOUCA, DESESPERADAMENTE ÓDIO-AMOR, e já com saudade da NOSSA GRANDE E SINGELAMENTE RARA E ÚNICA FLOR DE LÓTUS DO JORNALISMO, MANUELA MOURA GUEDES..E DO INESQUECÍVEL JORNAL DE 6ª ÀS 20H…EU VINHA A CORRER DA PRAIA PARA TE OUVIR E SORRIR…ADEUS MANUELA, I LOVE YOU.
2. TO YOU THE MOST BEAUTIFUL SONG:
dalby com uma lágrimasita ao canto do olho:

Je reviens te chercher
Je savais que tu m’attendais
Je savais que l’on ne pourrait
Se passer l’un de l’autre longtemps
Je reviens te chercher
Ben tu vois, j’ai pas trop changé
Et je vois que de ton coté
Tu as bien traversé le temps
{Refrain:}
Tous les deux on s’est fait la guerre
Tous les deux on s’est pillés, volés, ruinés
Qui a gagné, qui a perdu,
On n’en sait rien, on ne sait plus
On se retrouve les mains nues
Mais après la guerre,
Il nous reste à faire
La paix.
Je reviens te chercher
Tremblant comme un jeune marié
Mais plus riche qu’aux jours passés
De tendresse et de larmes et de temps
Je reviens te chercher
J’ai l’air bete sur ce palier
Aide-moi et viens m’embrasser
Un taxi est en bas qui attend
{au Refrain}

Amor

cavalo
Se eu pudesse definir o amor, definia-o como esta canção. Os meus ouvidos viram flores e os meus lábios tremem. O som embala-me e deixo-me ir. Sinto felicidade no olhar e o céu parece convidar-me para uma ceia de reis. O som embala-me e eu vejo-me só e nu em cima de um belo cavalo lusitano correndo com ele nas praias matinais desertas e com as crinas a rasgar a espuma das águas do MAR ainda adormecidas na madrugada…O cavalo é castanho escuro, forte e obedece-me, e eu vou saltando e correndo com o meu corpo e sexo nus sobre o seu dorso protector…Não tenho medo e a autora rasga o dia com laivos e alvos de prazer…O vento doce e quente bate-me nas sobrancelhas e abro a boca para comer o ar e o seu doce oxigénio vital…O cavalo corre e eu protejo-me da água fria que rivaliza com o ar quente que nos desperta para o dia glorioso e imbatível…Eu, nu, e o cavalo indiferente corre , corre cavalga… sempre em frente, comigo sobre ele, eu nu e com o meu sexo encostado ao seu pelo e dorso protector…agacho-me, agarro-me e seguro-me a ele, e corremos ainda mais veloz como barcos contra a corrente…a manhã pura da praia, infernalmente pura e intocável começou…! O cabo do TORRÃO DO LAMEIRO abre-se em todo o seu esplendor ao céu, ao homem, à natureza…A frescura e o ar húmido da manhã embalam o cavalo e a mim..de repente mudámos de rumo e subimos, subimos, oh voámos….mudámos de direcção e subimos para o céu..perdendo-nos no horizonte sem fim…ouvindo por todo o Cosmo «NO ORDINARY LOVE»..O Outono chegou!

Dedicado ao Arrebenta

Nota:

Apesar de surgir com o nome de José Freitas, este texto é, de facto, de Adalberto Mar.

Em tempos, alguns caríssimos amigos e deliciosas amigas minhas chamavam-me carinhosamente(!!!), (sabe-se lá porquê!) «The Bitch of The Beach»!
Mesmo em Madrid, a tradução adoptada ao local mantinha-se e por conseguinte chamavam-me na pisicina nudista de La Elipa e do Barrio del Pilar, de tudo: Pendón, Pícaro, Golfo, Zalamero, de lo peor de lo peor de la Peninsula Ibérica, Peligrosa (!!!)… e até… (Deus meu!!) «Guarra!!!».

cao

Hoje, lembrei-me que o Arrebenta tinha de ter também uma dedicatória… uma vez que já passámos aqui tempos sem fim com dedicatórias musicais uns aos outros, numa de «fraternidade e companheirismo bloguista de clube»…e lembrei-me também que ele tinha de dar um «tempinho» às vitimas dele….pois estamos em tempo de ir «on the beach»!!!

Então, dedico isto ao Arrebenta:

 

ON THE BEACH
CHRIS REA
Between the eyes of love I call your name
Behind the guarded walls I used to go
Upon a summer wind there’s a certain melody
Takes me back to the place that I know
Down on the beach

The secrets of the summer I will keep
The sands of time will blow a mystery
No-one but you and I
Underneath that moonlit sky
Take me back to the place that I know
On the beach

Forever in my dreams my heart will be
Hanging on to this sweet memory
A day of strange desire
And a night that burned like fire
Take me back to the place that I know
On the beach

Adalberto Mar: O meu 1.º de Maio de sangue

Ao percorrer aquelas ruas e avenidas lembrei-me de quem por mim, há 4 décadas atrás, foi esmagado pela policia política. Qual poema triste e melancólica canção ao entardecer, senti-me triste porque senti que mesmo que fossemos muitos não éramos milhões. Senti que a juventude mais recente estava embriagada em casa, vendo os seus programas favoritos, os seus jogos de computador ou sublimando o dia com coisas doces e agradáveis.
E lembrei-me de uma Era que já morrera, ainda eu era adolescente em inicio de vida… Um fascismo cínico e feroz. NÃO CONHECI QUEM CONTRA O MAL, CONTRA O HORROR, CONTRA A DITADURA E O DESAMOR lutou. Não conheci as feridas que lhe lançaram ao corpo, não conheci as mulheres a quem queimaram os seios por dizer «quero ser uma mulher livre»! Não conheci o lutador a quem destruíram os genitais com choques, Não conheci, e estão tão «longe de mim», as mulheres que foram sucessivamente violadas pelos abutres do sistema de então, para que desse nomes, locais, histórias..Não sei o que foi feito delas no caminho da vida. Não sei do que é feito dos milhares de negros e de brancos cujo sangue humedeceu as terras de África, simplesmente porque queriam viver e crescer em paz e identidade com os seus filhos.
Não sei onde pára essa gente, verdadeira vítima e última razão para que eu hoje possa ser o que sou e possa dizer o que quero, em paz e com determinação. Para que eu hoje possa viver como quero e com quem quero, sem que me entrem na porta e me digam como «devo viver e o que devo dizer»!

Eu gosto de luxo, de cor e de suavidade. Gosto do toque da seda e do veludo na minha pele e no meu rosto cansado. Mas não posso, jamais poderei esquecer, o chão húmido e rugoso, o odor de podre que os meus irmãos, camaradas ou simples amigos, perdidos no tempo e no espaço tiveram de suportar, nas noites dos cadafalsos das prisões, para que eu hoje observasse o pôr do sol em harmonia com os meus sentimentos. NÃO POSSO NEM DEVO ESQUECER QUE O SOFRIMENTO DELES E DELAS foram ‘chão e adubo’ para que eu hoje deixasse crescer a minha sensualidade, sexualidade, harmonia, poesia ou palavra fluindo como o coração e os sentidos. SEM A DOR DELES NÃO PODERIA HOJE SENTIR AMOR. Devo-lhes isso e muito mais. Por isso, sem os/as conhecer, digo que são meus irmãos, amigos, camaradas e tudo o que for soletrado com graça, harmonia e raça.
Do alto do New York Hilton vejo a magnificência da noite bela e requintada de Manhattan , mas ao longe ..mais ao longe e mais ao lado vejo o Tarrafal do passado, quente, húmido ,já sem história e sem o glamour de onde estou, mas que determinou tanto e indirectamente a visão do conforto actual. Não há luxo no sofrimento humano, mas foi um luxo pago a ferro e fogo hoje podermos ser livres. Não posso esquecer quem partiu para África e com o corpo tombado, ermo, no chão da selva por lá ficou. FICARAM, CRUELMENTE TAMBÉM, AS RAZÕES NESSE SOLO SANGRENTO: ninguém e todos tinham razão, ninguém foi inocente, e todos foram culpados e absolvidos. EU NÃO. MAIS DO QUE NUNCA QUERO AGRADECER A QUEM GRITOU POR MIM, A QUEM MORREU POR MIM, A QUEM SOFREU POR MIM. LEMBRAR-ME-EI SEMPRE E PARA A ETERNIDADE quando olhar o pôr do sol no Torrão do Lameiro, perdido entre Deus, entre a vida, entre o MAR ETERNO, entre a Profunda Natureza e o Vento-amigo que me fala tão bem ao ouvido quente..SEMPRE QUE ALI ESTIVER, como se estivesse dentro de uma pura melodia de Sade ADU, LEMBRAR-ME–EI SEMPRE desses heróis caídos e esquecidos, dessa gente que por mim e por TI disse «QUERO SER LIVRE, QUERO PENSAR, QUERO AMAR» e pagou ou morreu por isso. POR ISSO MESMO, TAMBÉM CAMINHEI ONTEM NA RUA, POR ISSO MESMO ONTEM GRITEI «SAI DO PASSEIO JUNTA-TE AO NOSSO MEIO».A crise não me cala nem o corpo nem a alma! Porque, como uma bela árvore de flores ao vento, a liberdade tem de ser regada. Como quiseres: com água ou mel, com vinho ou com esperança, mas TEMOS DE ALIMENTAR E REGAR A ESPERANÇA, A VIDA, A LIBERDADE TEM UM PREÇO. O TEU.
VIVA O 1º MAIO, SEMPRE! POR TI, PELOS TEUS FILHOS, PELO IDEAL,PELA NATUREZA, PELO AMOR À VIDA. NÃO PENSES QUE SOMENTE A MODA É COOL! O 1º DE MAIO E PENSARES O QUE QUERES SEM TE ESMAGAREM É AINDA MAIS COOL! BE COOL! BE WILD BUT BE FREE too and most of all!