Desigualdade e 35 horas semanais

semana de 35 horas

Imagem: TSF

Da mesma mesma forma como repetidamente me manifestei por os cortes salariais atingirem mais a função pública do que o privado, também agora quando o governo se prepara para criar outra desigualdade me posiciono contra esta medida.

Acredito que o legislador tem obrigação de procurar a equidade, atendendo às especificidades que possam existir. Neste caso concreto não vejo particularidade alguma que justifique esta diferenciação, pelo que a vejo como inaceitável.

Não querendo alterar o código do trabalho para legislar para todos os trabalhadores, António Costa estará a dar argumentos aos que defendem que o governo não tem condições de estabilidade devido à acção da CGTP e do PCP. Será mais uma pedra que os defensores do “menos Estado, melhor Estado”, apesar de melhor Estado para eles significar mais transferências do Orçamento de Estado para certas empresas privadas, dizia, será uma pedra que eles não se coibirão de atirar.

Certamente que haverá muitas áreas de negociação entre os partidos que suportam o governo. Mas escolher esta em particular é um mau exemplo.

Uma medida feita com os professores em mente

O aumento do horário da semana de trabalho para 40h dará, em média, mais uma turma a cada professor. Isto, assumindo que aumentarão a carga lectiva — aposto que o farão.
Mais turmas por professor significa menos professores, pelo que se percebe a motivação da alteração. Os professores são em grande número, logo, pequenas alterações têm grande impacto.
Na restante função pública mais trabalho não tem redução nos custos (ou terá menos) porque o quadro de pessoal é mais fixo.

[Read more…]