Premiar a mediocridade em lugar do mérito…

É normal que um profissional entre no mercado de trabalho, adquira experiência, competências, invista na sua formação e consiga evoluir na sua carreira. Obviamente que existem aumentos na remuneração à medida que o desempenho e qualificação também permitem a obtenção de melhores resultados. Não me passa pela cabeça que um médico com 20 anos de serviço tenha a mesma remuneração que um colega que terminou o estágio há pouco tempo. Nem tão pouco que um professor após 20 anos a leccionar possa ser comparado com um colega recém formado. Mas a justificação para a diferenciação não pode ficar pelos anos de serviço, precisa ser acompanhada de resultados obtidos. [Read more…]

Descongelamentos, aumentos, feira de Beja, olho do cu

No Público de hoje, está esta nota, que faz parte da rubrica “Orçamento de 2018 explicado em dois minutos”.

Vejamos: primeiro, o Público diz-nos que os funcionários públicos “terão direito a ser colocados no correspondente patamar remuneratório”. Convém lembrar que os funcionários públicos, há vários anos, tiveram direito a congelamentos de carreiras e a cortes salariais. Na realidade, graças a engenharias várias, foi possível fazer com que os mesmos funcionários públicos ficassem mais longe do topo da carreira e passassem a ganhar menos.

Vamos lá a uma parábola: o menino Joãozinho comia, todos os dias, quatro batatas. Um dia, os pais passaram dar-lhe só duas batatas. Passados dez anos, os pais anunciaram ao menino que iria ser aumentado, porque passaria a comer três batatas por dia. Estranhamente, o senhor João (Senhor João? Pois, passaram dez anos!), protestou:

– Chamam aumento a uma reposição? E as batatas todas que eu não comi durante estes dez anos e que vocês andaram a meter ao bolso, que aquilo está cheio de moscas? Nem sequer voltei às quatro batatas… Aumento?! Vocês andam mas é a confundir a feira de Beja com o olho do cu, pá!

Os pais, ofendidos com a linguagem, embatucaram. Realmente, o senhor João deveria ter muito mais cuidado com a linguagem: é que passar a ganhar mais do que se ganhava é, evidentemente, um aumento. Até os jornais de referência, como o Público, dizem que sim.

 

A Fenprof não aderiu?

A Função Pública hoje está a fazer greve

Descubra as diferenças entre um salário de um médico e de um motorista de… um ministro

Temos que ser intelectualmente honestos. O nosso País paga a um ministro menos de 5000 euros e a um presidente de câmara, em média, cerca de 2000 euros líquidos, salários muito abaixo das suas responsabilidades.

Como podemos ter com salários destes os melhores na vida politica?

O mesmo País paga € 2008,45 a um médico especialista anestesiologista, num hospital publico, que investiu nos seus estudos mais de 20 anos.

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Como conseguimos com estes salários manter os melhores médicos no serviço nacional de saúde?

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Desigualdade e 35 horas semanais

semana de 35 horas

Imagem: TSF

Da mesma mesma forma como repetidamente me manifestei por os cortes salariais atingirem mais a função pública do que o privado, também agora quando o governo se prepara para criar outra desigualdade me posiciono contra esta medida.

Acredito que o legislador tem obrigação de procurar a equidade, atendendo às especificidades que possam existir. Neste caso concreto não vejo particularidade alguma que justifique esta diferenciação, pelo que a vejo como inaceitável.

Não querendo alterar o código do trabalho para legislar para todos os trabalhadores, António Costa estará a dar argumentos aos que defendem que o governo não tem condições de estabilidade devido à acção da CGTP e do PCP. Será mais uma pedra que os defensores do “menos Estado, melhor Estado”, apesar de melhor Estado para eles significar mais transferências do Orçamento de Estado para certas empresas privadas, dizia, será uma pedra que eles não se coibirão de atirar.

Certamente que haverá muitas áreas de negociação entre os partidos que suportam o governo. Mas escolher esta em particular é um mau exemplo.

Ficamos mais descansados

Não há nenhum compromisso firme de atingir os 12 mil funcionários públicos. Foi uma estimativa, mas que não corresponde a uma meta à qual o Governo esteja vinculado

Paga o que deves, Passos Coelho!

moedasHá uns anos, o grupo de eternos rapazes de que eu fazia parte detinha, como qualquer grupo de eternos rapazes, um conjunto de frases constantemente repetidas conforme as circunstâncias. Como é típico dos eternos rapazes ou de qualquer grupo proprietário de private jokes, cada uma dessas frases era razão para sorrisos cúmplices (ou para gargalhadas desbragadas, se o consumo de álcool já fosse suficiente para que tudo tivesse imensa piada).

Uma das actividades favoritas desta minha irmandade era o extraordinário jogo da moedinha, essa modalidade amiga dos donos de cafés e propiciadora de humilhações rituais, coisa bastante saudável entre amigos. Tendo em conta que a derrota implicava o pagamento da despesa que estivesse em cima da mesa, havia um certa tendência para ligeiras desonestidades que, de tão evidentes, eram quase sempre descobertas ou reveladas. Era então que o pequeno criminoso proferia, com um contragosto cabotino, uma frase com tanto de ética como de gramática: “Se passasse, passasse…”

Nada disto, à distância de vários anos, me parece mal. Antes pelo contrário: a alienação momentânea e o alegre disparatar são tão necessários como o profissionalismo e competência, desde que sejam praticados em horários diferentes

Recentemente, dei por mim a pensar que o país é governado por um grupo de eternos rapazes, o que não seria grave se não se comportassem na governação como a comandita com que eu alinhava no jogo da moedinha. Na verdade, este mesmo governo anda, há três anos, a produzir diplomas inconstitucionais, pensando qualquer coisa como “Se passasse, passasse…” [Read more…]