A lei das 40 horas ou das 35 + IVA…

Cerca de 63% das câmaras municipais estão a aplicar as 35 horas semanais de trabalho. Isto significa que, dos 308 municípios portugueses, 195 mantêm o regime anteriorJN, 14 janeiro 2014

Em resumo, temos trabalhadores de primeira e trabalhadores de segunda nas câmaras municipais. Temos situações idênticas tratadas de forma diferente. Como é possível que a uns seja aplicada a regra das 35 horas semanais e a outros 40 horas? Nem vou discutir qual delas é a mais ajustada, essa é outra discussão que fica prejudicada com situações de desigualdade como esta.

Negociações com o Ministério da Educação

Enquanto decorrem as negociações entre o Ministério da Educação e os Sindicatos, há algumas preocupações nas redes sociais.

Anda a circular a notícia de que os professores do quadro que venham a ser sujeitos à mobilidade especial não possam ser colocados a mais de 60 quilómetros da sua escola. Há quem pergunte por que razão os professores de quadro de zona pedagógica e os professores contratados não estão abrangidos pela mesma regra.

O alargamento do horário semanal de trabalho para 40 horas será considerado inaceitável, a não ser que recaia exclusivamente sobre o tempo individual de trabalho.

Para além disso, a promessa de que o referido alargamento não incidirá sobre a componente lectiva dos professores já está posta em causa a partir do momento em que o tempo reservado para a direcção de turma deixe de estar integrada nessa componente.

Uma outra preocupação mais ou menos silenciosa reside, no entanto, no facto de estarmos a lidar com um governo que está sempre disposto a cometer ilegalidades e a quebrar promessas.

Mostruário dos tiques anti-professor (3)

Os professores não são diferentes dos outros trabalhadores

A claque anti-professor e alérgica aos funcionários públicos, de uma maneira geral, parte deste princípio para criticar qualquer reivindicação. Para a referida claque, se a maioria das pessoas tem 40 horas no contrato de trabalho, a que propósito é que outros reclamam contra a inclusão do mesmo número de horas no seu contrato.

É claro que os decisores políticos pretendem passar a ideia de que estão a realizar uma reforma do Estado, espalhando a ideia de que é preciso acabar com as diferenças entre privado e público. Os professores, essa manada de privilegiados, têm de aceitar que terão de ser iguais a outros, embora se descubram excepções com demasiada frequência, pelo que os professores vão perdendo direitos, à medida que outros os vão mantendo.

Em princípio, ainda assim, não custa concordar com a frase: os professores não são diferentes dos outros trabalhadores, porque são trabalhadores como os outros. É certo que há muitos elementos da claque que, na realidade, pensam que os professores não são sequer trabalhadores, pela simples razão de que aquilo que fazem é tão pouco ou tão insignificante que não pode ser considerado trabalho.

Por outro lado, também é verdade que os professores são diferentes dos outros trabalhadores, até porque, continuando a explorar truísmos, é fácil descobrir especificidades que tornam as profissões incomparáveis, no sentido mais neutro de que não é possível compará-las. [Read more…]

Privilégios?

25,7% dos portugueses empregados trabalham menos de 35 horas por semana;

no privado. Ver o estudo do Eugénio Rosa (pdf).

Uma medida feita com os professores em mente

O aumento do horário da semana de trabalho para 40h dará, em média, mais uma turma a cada professor. Isto, assumindo que aumentarão a carga lectiva — aposto que o farão.
Mais turmas por professor significa menos professores, pelo que se percebe a motivação da alteração. Os professores são em grande número, logo, pequenas alterações têm grande impacto.
Na restante função pública mais trabalho não tem redução nos custos (ou terá menos) porque o quadro de pessoal é mais fixo.

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Horário de trabalho nas escolas e em casa

Confesso que nunca tive muita paciência para o habitual discurso dos profs de que trabalham muito e tal. Como muitos outros quadros com formação superior trabalham muito e, na maioria dos casos, bem – daí aquela ideia consensual, que as Escolas funcionam apesar do Ministério da Educação e dos Ministros.

Existe, no entanto, uma diferença muito substancial em relação a outros profissionais – o peso do trabalho individual e, tradicionalmente doméstico. No caso dos Professores, ou pelo menos de uma parte muito significativa, o peso do trabalho que se leva para casa é muito maior do que o trabalho que a generalidade dos quadros, até da Função Pública, tem depois de sair do escritório. Este trabalho individual é mais intenso em dois momentos – o da preparação e o da avaliação, ou seja, nos momentos em que se começa um período, uma temática ou unidade nova ou então quando existem trabalhos / testes para corrigir.

E repare, caro leitor não docente, que não se pretende com este texto recolher sentimentos de pena ou de compaixão. Nada disso.  [Read more…]

Professores correm para a aposentação

Continuo sem encontrar um único motivo para tal movimento! Esses malandros!

Tempo para preparar aulas: a importância de perguntar

O Público de hoje, na comemoração do seu aniversário, teve como director o filósofo José Gil. É próprio do filósofo perguntar, reflectir sobre o que não se sabe, pensar, até, sobre aquilo que não se pode saber. Assim, o programa proposto pelo director circunstancial do Público é de uma importância decisiva, exactamente porque é compreensivelmente raro um jornal não noticiar o invisível ou o incognoscível. Afirma, a propósito, José Gil:

Vivemos num país desconhecido. Por baixo da informação tangível, dos números e das estatísticas, correm fluxos de acontecimentos inquantificáveis e que, no entanto, condicionam decisivamente a nossa vida. Quantas doenças psíquicas foram desencadeadas pela crise? Quanta energia vital se desperdiça na fabricação da imagem de um rosto jovem necessário exigido por tal profissão? São “dados” incognoscíveis ou imateriais, não susceptíveis de se tornarem informação. São não-notícias.

Como professor, e tendo em conta a destruição sistemática das condições de trabalho da classe profissional a que pertenço, apetece-me realçar a pergunta a que ninguém, a começar pelo Ministério, quer responder:

Quantas horas os responsáveis estimam necessárias para os professores prepararem as lições?

Na realidade, esta pergunta ignorada é fundamental e deveria condicionar qualquer decisão política no âmbito de um estatuto profissional. Nos tempos economeses em que vivemos, é, apenas, um assunto a evitar. Sobre o mesmo tema, já escrevi aqui e aqui.

Porque deve a Alemanha aumentar os seus salários?

Porque os baixou. O que se segue, com uma ligeira adaptação, vem de um rascunho inspirado numa cimeira europeia, escrito se não erro em novembro. A visita de Paul Krugman e a sua afirmação de que devemos reduzir os salários comparativamente com os da Alemanha, embora  fosse “preferível subir os salários dos alemães – de modo a estimular o consumo no país e, consequentemente, as outras economias do euro“, fez-me ir ao baú.

Há duas crises na Europa, que se multiplicam: uma, desde 2008, foi provocada pelos mercados à solta com epicentro nos EUA, a outra chama-se Berlim. A Alemanha recuperou da reunificação moldando a Europa, particularmente os países do sul,  aos seus interesses, substituindo um marco que não lhe dava competitividade por um euro feito à sua medida.

A reunificação serviu em primeiro lugar como desculpa para retirar ao trabalhador alemão os seus direitos:

Quando vim viver para cá, há vinte anos, não era preciso trabalhar mais do que oito horas por dia para ter direito a ganhar muito bem. Na primeira empresa em que trabalhei, todos os minutos dados a mais eram somados e convertidos em dias de férias. Todos os minutos.
Agora, os contratos de trabalho são feitos com isenção de horário.  (Helena no 2 Dedos de Conversa)

O Euro “foi o dumping salarial na Alemanha que originou um grande superavite na balança comercial” e quem acusa Angela Merkel de ser a mulher mais perigosa da Europa não sou só eu, é um dirigente da esquerda alemã.
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Para o ano a hora muda à segunda-feira

É mais uma ideia para aumentar a produtividade: no próximo ano a hora de inverno mudará numa segunda-feira, pelas 11h os relógios voltam para as 10h, aproveitando-se desta  forma para festejar a chegada dos dias mais curtos trabalhando mais uma hora.

Duas idiotices podem ocorrer com sucesso no mesmo dia. O desemprego e as empresas agradecem.

Oh Faxavor

– Eu liguei para o outro número mas ninguém atendeu.

– É, às sextas-feiras ninguém trabalha de tarde na Câmara.

– Ah.

– Ligue na próxima semana depois das nove mas não à hora de almoço, também não há lá ninguém.

– Ah…