Querido páisinho

Bilhete encontrado na secretária do Senhor Presidente e ilustre Administrador desta Empresa, que lhe deve ter caído das mãos quando se sentiu mal ao lê-lo e que aqui se traz a despacho:

“Querido páisinho:
Estou muito felis a Dona Açunção Cristas dice que quem não tem nota para entrar na univercidade púbica pode entrar se pagar uma tacha com dinheiro que o páisinho tem muito e o meu quaze não xega para a gasolina do Proche a mâesinha já dise que está bem e queria muito ter um filho dôtôr e assim e tá dezerta para me ver de kapa e batina e essas coisas eu sei que o páisinho tabém porque era melhor eu entrar na empreza do páisihno com um cruso suprior e eu não tenho notas proque os porfeçores não gostão de mim e teem inveja do meu carro e das minhas rôpas e isso que eu bem sei e agora todos entram na univrecidade menus eu e eu até já dice a eles que eles podem ter notas na páuta mas tenho notas no bolço á á á já ovi dizer que o que a senhora dona Cristas axa é parecido com o PAN porque açim até um camelo pode ser dôtôr mas é tudo inveija o paizinho pagame aquele dinheiro para eu entrar na univrecidade não paga? obrigado paisinho agora é que eles vam ver que eu não sou buro nenhum ã ã ã. De certeza que hádes fazer isso com já fizestes doutras veses.
Beiginhos páisinho estou tam contente !!!
Benardo”

A manipulação de notas

pescadinhaA entrada para a Universidade em Portugal depende, na maior parte dos casos, da classificação final do ensino secundário, o que inclui a avaliação do trabalho dos alunos ao longo de três anos e os resultados dos exames, que poderão ter pesos diferentes conforme correspondam ou não a disciplinas específicas escolhidas pelas instituições de ensino superior.

Assim, um aluno que queira entrar para um curso superior tem de se preocupar apenas com as classificações. O “apenas” pode parecer estranho, como se tirar boas médias fosse fácil, mas a verdade é que ter como única preocupação uma média aritmética é empobrecedor e enganoso, porque não é garantia de que um aluno fique verdadeiramente preparado e, mais do que isso, não é suficiente para ficar a saber se escolheu o percurso académico que se ajusta às suas características.

São frequentes as referências à necessidade de rever o sistema de acesso ao ensino superior, que deveria passar por um papel mais activo das próprias universidades, uma vez que, no fundo, se limitam a seleccionar os seus alunos com base no trabalho realizado no ensino secundário. As razões para esta abstenção universitária serão várias, incluindo falta de recursos para realização de provas de acesso e de entrevistas, por exemplo. [Read more…]