Ensino Privado: E novidades?….

Nos últimos dias a publicação de um suposto “ranking” das escolas deu, como sempre, que falar. Nestas alturas e perante este tipo de rankings estilo “produto do ano” ou “escolha do consumidor” ou “Best European destination” lembro-me sempre da notícia do Jornal de Notícias sobre os resultados nas universidades dos estudantes oriundos do ensino privado.

O estudo em causa, que comparou os resultados de 1700 alunos que frequentaram a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) entre 2007 e 2014, foi realizado por uma investigadora do CINTESIS. Não sei se existem estudos mais recentes. Tenho dúvidas que os resultados fossem muito diferentes.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    A velha guerra entre rankings da escolas públicas e privadas foi um “alimento” criado numa determinada época, perdura até hoje, mas já sem as parangonas de outrora, e tinha um único fim. Criar um ambiente psicológico na opinião pública que promovesse a ideia de que a escola privada tinha melhores resultados escolares e melhores índices de produtividade.
    Na verdade tudo isso é uma falsa questão. Aliás já era no tempo da ditadura.

    No tempo da “outra senhora”, e eu estudei nessa altura, Salazar não permitia que os alunos do ensino privado, a maioria dele era em colégios religiosos, mas ainda assim havia algumas escolas laicas, transitasse de ano escolar, em fim de ciclo, sem fazer exames nas escolas públicas, com correção dos exames feita por professores do ensino público. Salazar que era um ditador, não ia tretas. É muito menos em rankings. Também não os havia.
    Quer isto dizer que este “maduro” que a terra há-de comer, estudando ele no Colégio Maristas, em África, no final de cada ciclo escolar, fosse o antigo ciclo preparatório dos liceus, o ensino secundário, na altura chamava-se liceal, ou no acesso ao ensino superior, tínhamos de fazer exames escritos. Depois se a coisa corresse bem, ficávamos dispensados das provas orais.
    Só os alunos do ensino público estavam habilitados a ficar dispensados dos exames gerais, com notas superiores a 12 valores, na média final, sem negativas a nenhuma disciplina.

    A verdadeira razão para os rankings é apenas uma.
    Embaratecer o custo do ensino em Portugal pela pior via.
    Qual? Reduzir o custo da mão de obra especializada que lhe dá suporte cultural, técnico e científico, o professor.
    Ao promover a transferência de verbas do Estado para o ensino privado, multiplicando externatos e colégios, alguns às portas de escolas públicas, esvaziavam-se as escolas secundárias e até básicas, do maior número possível de alunos, de preferência os mais fáceis de aliciar, aqueles que viviam no seio de famílias de classe média baixa ou de menores recursos, mas com uma estabilidade parental e emocional boa. Desse modo a escola pública ficaria mais tarde ou mais cedo reduzida aos alunos indigentes e aos menos dotados. Vá lá, até mesmo alguns coiros, que os haverá sempre.
    Convém no entanto esclarecer que os professores do ensino privado nunca ganharam os ordenados auferidos no ensino público.
    Se são escolas melhores então porque não lhes pagam melhor? No mínimo, um ordenado igual ao do professor do ensino público, com o mesmo tempo de serviço e experiência lectiva? Pudera. Aquilo é um negócio como qualquer outro. Ou seja, dar lucro.
    Se perguntarem a um jovem professor que ingresse no ensino, se prefere ficar vinculado ao ensino público ou ao privado, 90% dirá que prefere uma carreira no ensino público. Mesmo com a desvantagem das deslocações.
    O mais engraçado é que no país profundo, para além das grandes metrópoles, também há escolas privadas. Colégios religiosos e escolas laicas. Mas aí os resultados escolares desse ensino privado ficam bastante aquém do alcançado nas escolas privadas do litoral?
    Deve haver alguma razão para essa diferença?
    Claro que há. Mas aí já não interessa, pois voltaríamos ao início da questão.
    O que determina o sucesso escolar de um aluno, mais do que a escola, ainda que esta seja importante, mas não determinante, é o estrato social e académico de onde tens origem.
    O resto são balelas.

    • Paulo Marques says:

      Reduzir custos? Qual quê, e a margem de lucro? Mas antes fosse, e não manter a hierarquização da sociedade através de quem estabelece redes sociais com quem.

  2. JgMenos says:

    Parece-me normal.
    Quem sobrevive ao serviço público de ensino em condições de entrar em medicina é muito provavelmente gente muito capaz.

    • POIS! says:

      Pois é!

      Até consta que são eles que, depois, tratam dos do ensino privado que ficam pelo caminho.


  3. Por alguma razão, a quase totalidade dos membros dos últimos governos formou-se nas escolas privadas. O resultado é o que sabemos. Mais palavras para quê? São artistas tugas e bebem água da Bela Vista. Ora bem.

  4. Luís Lavoura says:

    Poder-se-ia até elaborar um ranking das escolas, vendo qual a percentagem dos seus antigos alunos que chumba na universidade.