A propósito das crianças portuguesas que falam “brasileiro”

A também nossa Paula Sofia Luz publicou recentemente uma reportagem que deu algum brado e fez sair muitos patrioteiros de tocas mal frequentadas: “Há crianças portuguesas que só falam ‘brasileiro'”. Desde portugueses enojados a brasileiros ressabiados, juntaram-se nos comentários do jornal e das redes sociais dezenas ou centenas de idiotas de ambos os lados do Atlântico, agarrados a estereótipos e a interpretações espúrias da História, ou melhor, de um conjunto de sentimentos e de preconceitos que alguns confundem com História.

O fenómeno da influência do português do Brasil na expressão dos jovens portugueses não é novo e pode (e deve) ser discutido, excluindo qualquer laivo de superioridade ou de inferioridade e incluindo linguistas e professores de Português, sendo que, neste último caso, há um afastamento indesejável entre ambos os grupos – polemizando já um pouco, e sendo eu suspeito, há alguns linguistas que imaginam os professores como meros receptáculos, mesmo quando o assunto é o ensino de uma norma linguística, por muito que este conceito contenha algo de demasiado artificial.

Assim, se é verdade que não faz sentido censurar (em qualquer dos sentidos da palavra) os conteúdos brasileiros, é importante pensar naquilo que se chama o “cultivo da língua”, expressão difusa que se pode prestar a usos elitistas desajustados e que poderá, muitas vezes, entrar em conflito com a natural circulação de palavras e de conceitos. [Read more…]

Conversas Vadias 34

A trigésima quarta edição das Conversas Vadias é longa e sumarenta, mas muito mais interessante do que qualquer jogo da selecção nacional, o que não é difícil. Hoje, deu-se o regresso do Fernando Moreira de Sá e estreou-se a Ana Reis, abrindo as hostilidades contra o domínio do patriarcado. Marcaram presença Orlando Sousa, António de Almeida, António Fernando Nabais, José Mário Teixeira, Francisco Miguel Valada, Carlos Araújo Alves e João Mendes. Tudo começou com uma provocação do Fernando Moreira de Sá, partindo de uma referência à nova série Glória. Seguidamente, falou-se da Revolução de Outubro e das relações entre as revoluções e aquilo que se segue. Passou-se pela questão da disciplina de Cidadania. Antes das sugestões, ainda houve tempo para se ficar a saber muito sobre o CDS, desde 1990 até hoje. Sugestões? É mais abaixo, se não importarem.

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Conversas Vadias 34
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Professores com vontade, procura-se

Atualmente, desde que nascemos (e pelo menos até atingirmos a maioridade) um terço da nossa vida é passado a dormir, e cerca de outro terço é passado numa sala de aulas ao longo da juventude. Lembro-me que o meu pai apelidava a fase escolar de algo como “o emprego dos jovens” – fazendo o paralelismo, da mesma forma que os pais vão para o trabalho, o trabalho dos mais novos seriam os estudos, onde analogamente o pagamento seriam as pautas pelo desempenho e esforço feitos durante os trimestres e mais tarde a entrada para a faculdade querida de quem assim o almeja.

Sabendo que uma grande parcela da nossa juventude é passada a aprender, causa-me uma enorme urticária a desvalorização geral que se faz sentir nesse que acredito pessoalmente ser dos empregos mais importantes que se pode ter – ser professor. É procupante a falta de renovação de quadros e falta de interesse da minha geração nessa profissão. O Nabais explica bem essa realidade neste texto e aqui também, vinde ler que o gajo escrevinha umas coisas pertinentes.

Os poucos amigos que conheço que enveredaram pela área, desabafam sobre as colocações feitas em locais absurdos bem longe de casa sem qualquer apoio, da quantidade de trabalho absurda, das quantidade de reuniões longas e desnecessárias, somando a isso o facto de terem de gerir a sua vida pessoal neste grande ato de malabarismo.

Em retrospetiva e num exercício de empatia, agora não me é surpreendente o relembrar de professores mais azedos que me marcaram pela negativa e em parte desculpar alguns ou muitos dos seus comportamentos. É graças a esses professores que alunos tal como eu criam anti-corpos a determinadas disciplinas (ou em casos mais severos, à própria escola e ensino em geral). Basta pensar no cansaço acumulado da idade, aliado a problemas do foro pessoal/familiar ou de saúde terem de ser articulados com a responsabilidade de leccionar entre 20 a 30 jovens com as hormonas ao rubro durante cerca de 6h semanais por turma (!) e por vezes de diferentes anos. Fora o trabalho fora de aulas. Para quem nunca tentou dar formação a um grupo de pelo menos 20 adolescentes dificilmente entenderá genuinamente a dificuldade que é captar a sua atenção e interesse durante um período de tempo mais extenso do que 5 minutos.

É precisamente através a esses anti-corpos que se criam em conjunto (e contrastando) com a paixão flamejante de outros professores que nos conseguem cativar, que ao longo desse terço da nossa vida juvenil chegamos aos dias de hoje, parte da personalidade e gostos influenciados. É um terço da nossa vida que estamos em fase de crescimento, onde aprendemos a gerir problemas familiares, com outros hobbies externos, com namoros, com desporto, com amigos, com bullying. adicionando um topping de pressão da eterna pergunta “então e o que é que queres ser quando fores grande?” em mescla com um cocktail de hormonas rebeldes e um (natural da idade) desnorteio da vida de uma forma geral.

Poderia desenvolver muito mais e dar todos os exemplos de casos práticos que me recordo e que evidenciam a receita da desgraça atual, mas ao final de 500 palavras creio ser o suficente para ser óbvio o consequente molde de uma grande parte da vida de todos os educandos, entenda-se, todos nós! Molda-se muito dos interesses pessoais, acrescenta-se conhecimento e disabores que levamos para o resto da vida.

Neste 5 de outubro onde se celebra além do dia da Implantação da República Portuguesa o dia do Professor, para quem ainda não teve filhos, para quem nunca surgiu a oportunidade de ensinar um grupo de jovens, para quem quer e para quem não quiser fica a sugestão de reflexão sobre aquele(a) professor(a) que tinha o pavio mais curto. Empatizar com os problemas que mais certamente nem imaginamos que ele(a) tinha e valorizar quem excerce, para motivar quem nem sequer pensa em excercer devido ao panorama atual. Para que se criem mais condições para a minha geração envergar pela área sem medo de quando o fizerem (à semelhança da memória daquele professor zanzinga que em algum momento já tivemos) ficarem rapidamente com um pavio igualmente curto.

Ensino Privado: E novidades?….

Nos últimos dias a publicação de um suposto “ranking” das escolas deu, como sempre, que falar. Nestas alturas e perante este tipo de rankings estilo “produto do ano” ou “escolha do consumidor” ou “Best European destination” lembro-me sempre da notícia do Jornal de Notícias sobre os resultados nas universidades dos estudantes oriundos do ensino privado.

O estudo em causa, que comparou os resultados de 1700 alunos que frequentaram a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) entre 2007 e 2014, foi realizado por uma investigadora do CINTESIS. Não sei se existem estudos mais recentes. Tenho dúvidas que os resultados fossem muito diferentes.

Esquerda Direita Volver 11 – De quem é o 25 de Abril?

Na décima primeira edição do “Esquerda Direita Volver”, o tema é “De quem é o 25 de Abril?”

Sob a moderação de Francisco Miguel Valada, debateram António de Almeida, Fernando Moreira de Sá, João Mendes, José Mário Teixeira e Orlando de Sousa.

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Esquerda Direita Volver 11 - De quem é o 25 de Abril?
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Conversas vadias 3

Mais uma noite de vadiagem desta feita com os Aventadores António Fernando Nabais, João Branco, Francisco Salvador Figueiredo, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Orlando Sousa, João Mendes e Francisco Miguel Valada.

Um périplo pelo universo sportinguista, pelo ensino, ao redor de línguas e autarquias, com PAI e Moedas, Mouros, Medina e Messias, Macaco, Águias e Pinto da Costa, o Liberalismo e o Salvadorismo, Areosa e Maiorca.

Tudo sem esquecer a devida e merecida memória de uma grande Senhora: Maria José Valério.

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Conversas vadias 3
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Quem não quer ser milionário?

Segundo parece, não há candidatos suficientes para preencher as vagas dos cursos orientados para o Ensino. Por outro lado, há um grande número de professores no activo que se aproximam rapidamente da idade de reforma. Não deve faltar muito, portanto, para que as escolas voltem a ser inundadas por professores com habilitação suficiente, licenciados em Direito a leccionar História ou engenheiros a ensinar Matemática.

Pode haver quem considere que essa falta de formação inicial poderá afectar a qualidade da leccionação, mas a verdade é que faz sentido: num país em que toda a gente sabe mais de Educação do que os profissionais da área, por que carga de água é que um professor, o menos entendido na matéria, haveria de dar aulas?

A falta de candidatos ao Ensino, no entanto, espanta-me, porque os vários pedagogos de sofá que explicam Educação em todas as direcções sabem perfeitamente que os professores

  • não trabalham
  • recebem salários principescos

  • fazem greve, dia sim, dia não

Notai bem: se alguém não trabalha e é pago, já recebe demasiado. Além disso, não se pode falar bem em salário, já que quem é pago para não trabalhar recebe antes um subsídio. Como se isso não bastasse, os professores, que não trabalham, ainda estão sempre em greve, o que é extraordinário – muito provavelmente, reivindicam melhores condições para não trabalhar. [Read more…]

Há quem confunda interdisciplinaridade com a Feira de Beja

Não é o caso de António Carlos Cortez: Quem deve leccionar Português? Um contributo

Como justificar a transição de um aluno com 8 negativas

É só escolher do cardápio (a imaginação dos professores é infinda) e verter em acta (atenção ao acordo ortográfico, senão vem para trás).

“Não fica a fazer nada no 8. ano.”

“O aluno já tem 3 retenções.”

“Não dá mais.”

“Se 5 colegas subirem a nota, ele passa.”

“Está tão bem integrado na turma!”

“Tem tanto potencial!”

“Ao menos fica com o 9. ano feito!”

“É uma vítima daqueles pais.”

“É tão educado!”

“Quem é que sobe?”

“Ele pró ano vai para um curso.”

“Está é uma história triste. Vou contar o que se passa.”

“Coitadinho!”

Da série Coisas óbvias confirmadas por estudos

Mau comportamento é fruto da educação dada pelos pais desde o  berço, segundo uma investigação 

Bolsas de estudo do Ensino Superior: uma questão sem fim

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Em 2005 quando entrei no ensino superior, a DG\AAC então presidida por Fernando Gonçalves lutava com afinco pelo aumento do numero de bolseiros na UC. Eu, na altura um jovem caloiro bolseiro, tomei a luta como minha e avancei com a Direcção Geral para Lisboa, chegando inclusive nessa manif a levar uma lapada de uma amiga afecta ao Bloco quando a manifestação se dividiu em duas com agendas distintas.

Anos mais tarde quando o Governo Sócrates decidiu fazer modificações ao Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo em 2010 com o famigerado Decreto-Lei 70\2010, na condição de não-bolseiro, alinhei mais uma vez na luta e pressionei muito a DG de Miguel Portugal a avançar para formas de protesto não convencionais. A nova ponderação dos elementos do agregado familiar para e feitos de cálculo do valor a atribuir excluiu o acesso a milhares e levou pela primeira vez no Ensino Superior a uma debandada em massa de estudantes por indeferimento das suas bolsas e consequentemente por falta de recursos financeiros. Esse DL previa na altura a passagem de todos os membros do agregado familiar para uma capitação inferior a 1, algo completamente ridículo que obviamente se reflectia nas fórmulas de cálculo. O agregado que auferia a título de exemplo 13000 euros por ano a dividir por 4 elementos, via na nova fórmula uma divisão do valor por 2.7 pessoas. O candidato valia 1 pessoa, pai e mãe 0.5 e o irmão 0.7. O rendimento per capita subia, portanto. [Read more…]

Da hipocrisia da direita parlamentar

Hipo

via Uma Página Numa Rede Social

A escola de Durão Barroso

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O companheiro Barroso veio fazer campanha ao seu Liceu, dirigindo-se ao pessoal do “no meu tempo é que avia inducação, a minha carta classe vale mais ca escola toda hoje“, compreende-se, estando na reforma tendem a não votar A(N)P, veio o Barroso my friend assegurar que ali aprendeu com rigor e excelência.

Foi um bocado indigno, não se humilha assim a própria escola.  Aquela que João Pinto e Castro também conheceu, e lembrava assim:

Em meados dos anos 60 (creio que precisamente em 1965), três quartos dos alunos da minha turma do Liceu Camões, secção do Areeiro, faltaram à exibição de ginástica programada para o dia 10 de Junho, Dia da Raça, no Estádio Nacional. 

No último dia de aulas, fomos todos chamados à presença do Reitor e sumariamente expulsos do liceu. Nas condições política da época, isto poderia até certo ponto ser considerado normal, dado que, no quadro da Mocidade Portuguesa, a nossa ausência equivalia a uma espécie de deserção. Mas agora vem a parte mais curiosa: apesar de, por razões de saúde, eu ter sido nesse ano dispensado da ginástica, fui expulso como os outros sem apelo nem agravo. 

Um Liceu à maneira do que tínhamos em Coimbra, para as nossas elites e onde, no meu caso, e pelas palavras do Carlos Fiolhais: [Read more…]

Limpar a Sala de Aula

de metralhadora em punho.

Os negócios na Educação

Um manual prático.

Aula de língua portuguesa

A privatização das escolas é mesmo para os capitalistas empreendedores, aprendam a ler com quem ensina.

Tudo normal

Até um pai perder a cabeça

Não vão chatear o Camões

BXK8813_tumulo_de_luis_de_camoes_lisboa800Incapazes de uma abordagem ao mesmo tempo séria e holística da coisa educativa, os responsáveis pela Educação, políticos e não só, têm contribuído para a destruição do currículo, entre muitos outros malefícios provocados no sistema educativo.

Várias ideias (mal) feitas se foram instalando e ocupando demasiado espaço na reflexão sobre ou na concepção do currículo: ir ao encontro dos interesses dos alunos, transformar o lúdico na essência do acto de ensinar ou simplificar conteúdos ainda antes de se saber se são complicados. Em duas palavras: facilitismo e deslumbramento.

Ao comemorar vinte anos, a revista Visão resolveu pedir a José Luís Peixoto que transformasse em contos os cantos d’Os Lusíadas, publicitando a ideia de que o escritor irá actualizar a epopeia camoniana. [Read more…]

Os mal amados

Portugal, por incompetência e negligência crónica dos políticos, é um exportador habitual de emigrantes. Ao longo dos séculos, e até ao presente, as crises provocadas pelos maus governos têm lançado o nosso povo na penúria e têm-no empurrado para fora das fronteiras, num sofrimento que “é bom ter pudor / de contar seja a quem for”, como disse o (grande) poeta e (grande) esquecido José Régio. Mais: ciclicamente, maus governos que não aguentam críticas têm obrigado a exilar-se centenas de pessoas a quem foi negado o direito da livre expressão e de viverem na pátria. [Read more…]

FMI subsidia GPS

Pelas contas do FMI, o Estado consegue poupar cerca de 400 euros por aluno numa escola privada com contrato de associação.

E chumba a matemática.

Não é só chique separar os sexos

É a educação espartana.

Os valores da educastração

A Opus Dei separa os meninos das meninas. Os anjos não entram.

“O ensino em Portugal é uma desgraça”

O próximo que repetir a frase acima importa-se de almoçar este estudo?

O devir histórico (5)

Continuando.

Ao longo da nossa história, a preocupação da posse e exibição de um título, de um sinal distintivo em relação aos demais, ou pelo menos à maioria, tornou-se um culto. Uma obsessão. Começou pelos títulos nobiliárquicos e desaguou-se nos académicos. De Terratenente, a Conde, até Doutor ou Engenheiro. Um fio condutor ao longo de séculos: destaque social. E se após a Revolução de Abril, a disseminação de licenciaturas fez perder o valor social dos títulos académicos, tal não foi o suficiente para não se fazer de tudo para se ter o “almejado” canudo: fosse a obter licenciaturas ao domingo ou por equivalências. Porque tal título continua a investir o portador numa espécie de distinção social. Aliás, somos, em bom rigor, o único país da Europa onde se trata as pessoas pelo título académico. Não importa o mérito das pessoas, a sua acção ou papel social. Aliás, nem o nome. Pois que é corrente tratar-se alguém por “senhor doutor” que nos foi apresentado como sendo o “senhor doutor”, e nem se chegar a saber qual o nome da pessoa em causa. Tal lusa excentricidade, só tem paralelo essa outra lusa tradição parola de se tratar pelo primeiro nome precedido do título: “o doutor Carlos”, o “engenheiro Manuel” ou o “arquitecto Francisco”. Também, infeliz caso único na Europa. Neste país o nome de família não vale nada. Vale, sim, o primeiro nome. Principalmente se precedido de um título académico. Mesmo que falso, pois trata-se por “doutor” quem é apenas licenciado. Saltando-se, até, por cima do mestrado, aliás banalizado com o Processo de Bolonha. Como banalizado está o ensino em geral, onde se perde mais tempo com a avaliação dos professores do que com a avaliação dos alunos. Onde o mérito parece extinto. E é neste país, obcecado com títulos académicos, que, agora, se aponta a fronteira, como caminho a quem gastou recursos ao Estado e à família para se formar. Corolário da falência mental a que se chegou, que é a razão primeira da nossa crise.

Mais estudantes de ciências no Reino Unido

Parece que nem tudo é fumo e espelhos no ex-império (em inglês)…

O dantes é que era a sério

no ensino em Portugal, muito bem explicado pelo Alexandre Homem Cristo.

Hoje dá na net: O Contentor

de Edgar FeldmanFilme feito em colaboração com os alunos e professores da turma PIEF da Escola E.B. 2,3 das Olaias, em Lisboa durante o ano lectivo de 2010/2011 emitido pela RTP2 em 25/4/2012.

Dizem que vai ficar pouco tempo na net. Dizem-se tantas coisas.

É bom demais para não dar viral: uma escola como ela é, sem açúcar. Ao pé disto a quarta temporada do The Wired é para meninos. Quem voltar a falar sobre ensino em Portugal sem ter visto pelo menos um quarto de hora deste contentor, ou vivido um, vá dar banho ao dógue, tópas puto?

Educação – os problemas da Esquerda, que a direita não resolve

A mania de mexer no que está quieto leva a que as escolas funcionem apesar dos ministros. À torrente legislativa que é vomitada das estruturas do Ministério da Educação, respondem as escolas com a sapiência da experiência: ignoram ou fazem de conta que cumprem. Querem um exemplo? Há uns “meses” os professores de matemática começaram a aplicar um programa e Nuno Crato já pensa em alterar programas. Estão a ver a ideia?

Ora, este contexto não é grande bisca para reflexões muito profundas. Mas há duas coisas que temos de resolver, sob pena de matar a escola pública: [Read more…]

Ensinar e Educar

Escola Pública - educar ou ensinar?

Escola Pública

As palavras têm valor: ensinar e educar podem ser vocábulos de sentidos semelhantes, mas para a reflexão em causa, vamos argumentar no sentido da diferença. A mãe de todas as enciclopédias diz que a Educação engloba ensinar e aprender.

Poderia também ir por aí: ensinar é o que o “mestre”, “o ensinador” (desculpem o mau jeito da palavra que, confirmo, não faz parte do novo acordo), o “professor”, o que ensina faz – no sentido mais restrito, o que transmite. Num sentido mais amplo, o que faz a mediação entre o objeto de aprendizagem e o que aprende.

Aprender, normalmente coloca-se no lado do que recebe, na nossa sociedade, o aluno.

Mas, e esta é a questão: ensinar e educar não são só isto.

Educar é muito mais que escola e muito mais que ensinar! Pensem, por exemplo, no que foi ensinado nas faculdades de economia por esse mundo fora e para o que lá foi aprendido – vejam como é difente a teoria dessa gente e a prática que nos (des)governa. Como é diferente ensinar e educar. Ensinar é passar conteúdos, sejam eles práticos ou teóricos. Sejam eles andar de bicicleta ou o teorema de Pitágoras. Educar é isso, mas é também respeitar os mais velhos, não buzinar no trânsito, ouvir quando os outros falam ou não entrar de chapéu dentro da sala de aula.

Dizia em tempos um ex-ministo que o difícil é sentá-los. Ora nem mais! Hoje, como nunca – penso nas turmas C.E.F. – é impossível dar aulas em algumas turmas. IMPOSSÌVEL – assim mesmo, com as letras todas!

E é aqui que entra o ponto final desta reflexão: para o sr. comentador Nuno Crato chega ensinar, quando, de facto, o que o país precisa é que a escola eduque.

Há maternidade precoce, investe-se na Escola. Há acidentes, lá vem a prevenção rodoviária para a escola. Há droga, a Escola que resolva. Há falta disto ou daquilo e é logo culpa da Escola.

Esta instituição – a ESCOLA – é uma criação recente da humanidade e as Elites perceberam que poderia ser um instrumento de promoção social, logo, trataram de a adaptar ao que precisam, que é claro, de menos promoção social e mais reprodução das desigualdades porque essa situação garante a manutenção do poder. E quem tem o poder só precisa de assalariados cumpridores, tipo peça de uma simples máquina.

Todos os meninos ricos da linha, seja de Cascais ou da Boavista, além do colégio têm artes, piano, ginástica, esgrima, equitação. A Educação, no seu sentido mais amplo, é para as elites algo abrangente que toca o conhecimento puro e duro, mas toca também as artes, o desporto, etc…

O que fica para os pobres? Uma escola sem artes, sem desporto onde parece que só há lugar para a Matemática e o Português? E esta é, nos dias que correm, a discussão que todos temos de fazer – que escola pública queremos?

O que temos em cima da mesa é uma coisa muito simples: a Escola Pública deve ensinar ou educar?

Burnout e ensino

Quem lê diariamente os jornais saberá do que estou a falar. Horta Osório é um ilustre economista, cujas capacidades o terão catapultado para a direcção de um dos bancos mais prestigiados de Inglaterra- o Loyds Bank.
Porém, soube-se há dias que o excesso de trabalho  o levou ao limite humano do esforço, tendo caído numa cama de hospital a fim de fazer uma cura de sono.
Pois bem, eu queria aproveitar este exemplo para lembrar aos mais distraídos que os professores portugueses são potenciais “horta-osórios”. Com a agravante de os governos – desde Sócrates até agora – os atulharem de trabalho, enquanto lhes esvaziam a motivação. [Read more…]

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