A questão dos adiantamentos (Centenário da República)

Temos estado a analisar os principais motivos que conduziram à queda do regime monárquico. O Ultimato, o 31 de Janeiro e a questão dos tabacos foram muito importantes nesse percurso, sem esquecer os escândalos da vida pessoal do monarca, uns verdadeiros, outros inventados ou exagerados. Outra tema explorado pela propaganda republicana e pela dos monárquicos dissidentes foi a dos adiantamentos à casa real. E no que consistia isso?

Era prática corrente desde D.João VI, o ministério da Fazenda ir cobrindo despesas que a família real fazia e que excediam as verbas atribuídas, com adiantamentos em dinheiro. Como os adiantamentos de um dado ano civil não eram cobertos por descontos na verba institucionalmente atribuída no ano seguinte, o défice destes adiantamentos (realizados à margem da lei e da intervenção parlamentar) ia acumulando-se. [Read more…]

A Formiga Branca (Memória descritiva)


Elementos da Formiga Branca no Arsenal da Marinha.

A luta política na I República entre os diversos partidos e movimentos e, no interior de cada um deles, entre sensibilidades ou tendências, fez-se com uma violência que não se quedou – como acontece nos dias de hoje – pelas batalhasoratórias: atentados, arremesso de bombas, os espancamentos, eram, infelizmente, coisa vulgar. Como se sabe, foi o facto de os diferentes movimentos políticos não se terem entendido que conduziu ao caos político, social e económico, e, consequentemente, à extinção da I República.

Com a eleição de Manuel de Arriaga, a 24 de Agosto de 1911, o Governo Provisório, constituído após a implantação da República, apresentou a sua demissão. Nessa altura, eram já públicos os desentendimentos entre os líderes republicanos. Manuel de Arriaga, apoiado por António José de Almeida e Brito Camacho, obteve 121 votos, contra os 81 de Bernardino Machado, aliado de Afonso Costa. No Outubro seguinte, reuniu o Congresso do Partido Republicano e o novo Directório eleito ficou quase exclusivamente constituído por elementos ligados a Afonso Costa, facto que determinou uma primeira segmentação do PRP. [Read more…]

No Centenário (5): direitinho ao dr. A. Santos Silva

 

Aqui está o tipo de "democracia" que os do Centenário querem fazer-nos comemorar!

 

 "Hontem, por volta das 9 horas menos um quarto da noite, o sr. José Pereira de Sampaio (1) descia, só, tranquilo e socegadamente a rua Sá da Bandeira, desta cidade.  Atravessou a rua, vindo da tabacaria Gonçalves, o dr. Affonso Costa, acompanhado de vinte indivíduos, aproximadamente. Subito, o dr. Affonso Costa, dirigindo-se ao sr. José Sampaio, berrou-lhe: – Ah, seu canalha! E, levantando a mão armada de um "box de ferro", assentou-lhe uma forte pancada na cabeça. Logo, os indivíduos que acompanhavam o dr, mettendo-se na contenda, agarraram os dois, mas permittindo que o dr. Costa continuasse aggredindo violentamente o sr. José Sampaio. (…)"

 

Jornal Voz Pública, 12 de Janeiro de 1902

 

(1) (Sampaio Bruno, que entretanto se desfiliara do Partido Republicano) 

No Centenário (4): Faces Ocultas de ontem e de hoje

 

 "Ill.mº Ex,mº Srº

 

Ahi vão as informações que me deu sobre o celebre Affonso Costa o official da contabilidade de secretaria da universidade.

 

O Affonso Costa, antes de ser deputado, e depois de sahir de Coimbra, abonava as faltas com certidões de medicos que attestavam a doença d’elle, e contava-se-lhe e recebia todos os mezes o ordenado. Como o abuso se prolongava, baixou da reitoria uma ordem para não aceitar certidão de abonação de faltas. Desde que foi elleito deputado, sempre se lhe tem contado ordenado, e elle tem-no recebido, sendo o bedel da faculdade que o recebe e lh’o remete para Lisboa. O ordenado conta-se-lhe sempre, porque quando a camara está fechada, pertence elle a uma comissão extra-parlamentar, não sei de quê, mas que obteve da camara para poder receber o ordenado sem trabalho. Este é um dos catões que se propoem salvar a pátria!

 

Sou de

V.ª Ex.ª

Manuel d’Oliveira Chaves Castro

 

Coimbra, 22 deJunho de 1910"

 

 

Apenas uma nota: torna-se bastante difícil continuar a ignomínia do alçamento das "excelsas virtudes" de apregoados grandes vultos. Se este aspecto comezinho – no dizer ou possível opinião do dr. M. Soares – não chega, acrescentem-se então ao palmarés do Costa de outrora, a cacetagem, o incentivo ao crime físico com a eliminação de adversários, a censura a priori à imprensa, a fraude eleitoral, o radical cerceamento dos cadernos de eleitores, o nepotismo descarado, o ataque cerrado ao Partido Socialista de Azedo Gneco – acusado de conspiração com o rei -, a promoção dos antecessores da PIDE – a famosa Formiga Branca – e um sem fim de iniquidades. Na Comissão do Centenário, o dr. Augusto Santos Silva parece querer patrocinar isto. Lendo as notícias deste nosso "habitual quotidiano", anotamos a coerência. Vê-se!

No Centenário (3): Faces nada Ocultas

  

 

"(…) Affonso Costa recebia treze contos, a título d’umas tretas, por … sustentar, como influente republicano, como dirigente republicano, como deputado republicano, o pleito da "Companhia dos Phosporos", n’um caso escuro, n’uma infame negociata em que iam envolvidos os interesses e a honra do paiz, n’uma vil judiaria. Uma grande vergonha. Porque evidentemente, a Companhia não foi procurar o Affonso Costa como advogado. Não precisava d’elle para nada. Já lá tinha advogados e advogados  eminentes. Precisava d’elle mas era como deputado republicano, e deputado republicano por Lisboa."

 

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Portugal é um país onde se "vive habitualmente".