Os 80 magriços do calendário.

Primeiro hesitei: existem, realmente, 80 historiadores em Portugal? Depois, reflecti e, embora contente com a descoberta, pensei melhor questionando-me novamente: Portugal tem apenas 80 historiadores ? Como não tinha a certeza do rácio entre historiadores e população no resto da Europa quedei-me reflexivo sobre o assunto. Não obstante este meu monólogo, discerni que a movimentação dos 80 historiadores portugueses quanto à abolição dos feriados 5 de Outubro e 1 de Dezembro só podia ser uma cartada de mau gosto neste jogo político em que o nacionalismo é o Ás de copas que estimula desde as bancadas parlamentares do Bloco ao CDS e o cidadão comum. Se existem 80 historiadores em Portugal capazes de defender algo tão puramente simbólico e bairrista como dois dias do calendário nacional, onde estavam eles quando foi necessário defender a qualidade da investigação histórica, falar alto contra a diminuição do ensino da História no plano educativo nacional ou, mais recentemente, tomar atitude enérgica contra a perda de autonomia dos Museus Portugueses que muito em breve serão entregues a comissões de gestão regionais dirigidas por bur(r)ocratas de chinelo? Enfim, onde se escondem estes 80 historiadores nos restantes 363 dias do ano? [Read more…]

O masoquismo republicano.

Gerou-se um grande ruído à volta das declarações do professor Aníbal Cavaco Silva a propósito da difícil vida de um aposentado que decidiu ser presidente da república.  Como se tal fosse um fardo e uma obrigação cívica, depois de uma tentativa falhada, um mandato presidencial e 10 anos como primeiro-ministro. Até parece que este caminho para o calvário de Belém deixou o senhor depauperado, como se o serviço à pátria, em Portugal, tenha alguma vez levado alguém à pobreza. Como dizem os ingleses: lets cut the crap*. Que o senhor em causa é um lobo, apesar do seu beiço descaído, discurso apagado e ar de cordeiro, não tenhamos dúvida: entre raposas é preciso alguém que morda mais e melhor para escalar a pirâmide dos predadores que constitui a política nacional.
Mas sendo a 5.ª vez que o elegem vêm agora fazer petições para lhe comprarem umas pantufas?

Chega a ser mais grave a reacção dos comentadores do que a tola resposta do senhor Aníbal, o tal, filho do gasolineiro de Boliqueime, prova provada de que república funciona. O Rui Rocha, do Delito de Opinião, acha que o republicanismo funciona tão bem, que “é sempre melhor incorrer no risco de escolher mal sabendo que mais tarde poderemos tentar corrigir uma má decisão“. É pena que cidadãos republicanos tão honrados e probos escolham duas vezes o mesmo erro e só não escolham uma terceira por limitação da lei. Estes comentadores, como o João Gonçalves que para defender a honra de Cavaco cita Salazar (apropriado, mas de mau gosto), são a prova de que um significativo grupo de cidadãos deste país não tem capacidade nenhuma para eleger ou ser eleito. Porquê? Porque eleger implica responsabilidade e se há coisa que, desde 1910, a república nos demonstrou é que a estabilidade institucional ou respeito de quem ocupa os cargos não vale tanto como a repartição do poder pelos caciques.
E se como o João Gonçalves os nossos monárquicos são pobres ou se, segundo Vasco Pulido Valente, não existem, então deixem-me dizer-vos uma coisa: mais têm feito os poucos republicanos portugueses pela monarquia. E não incluo o pobre reformado, velho tecnocrata formado na escola do Estado Novo chamado Cavaco Silva. Este sim faz lembrar o velho Botas: “que, muito adequadamente, nunca quis saber da “polémica” República/Monarquia para nada“. Apenas das finanças.

Ao que parece em república a História não é apenas assustadoramente cícicla. É chata. E repleta de masoquistas.

*Deixemo-nos de dizer coisas que não são importantes

Hoje, no berço da nação

Outra república, outro feriado. Mais uma moeda, mais uma voltinha.

Nem só na república portuguesa houve festa, ontem. Na república da Chechénia também foi dia feriado. O presidente Ramzan Kadyrov, por acaso (e só por acaso, claro, que isto de repúblicas é tudo por mérito e sem segundas intenções) filho do anterior presidente Ahmkad Kadyrov, gastou à fartazana para assinalar o seu dia de aniversário. Sob a desculpa de que se tratava da inauguração de um dos maiores empreendimentos imobiliários do país o presidente Kadyrov (filho) não olhou a despesas para levar a Grozni figuras como Kevin Costner, Hillary Swank, Jean-Claude Van Damme, Seal e Vanessa Mae, entre outros. Estas criaturas, que entre os desfiles nas passadeiras e revistas e os fundos de caridade e beneficência, se vendem a ditadores e presidentes de países com economias emergentes, foram a correr à Chechénia para bater palmas ao ex-guerrilheiro e, pelos vistos, aprendiz de feiticeiro – já que como muitos dos seus amigos republicanos de Cuba, do Chile, da Líbia, da Síria, etc., faz desaparecer os opositores “por artes mágicas”. E assim se comemoram as repúblicas, sempre tão democráticas e sem sinais de consanguinidades e hereditariedades. Umas com 101 anos, outras com menos, mas todas movidas pelos mesmos interesses.

Viva a república, abaixo a república!

Nunca, em Portugal, se falou tanto em república. Pelo menos desde Outubro de 1910. Fala-se no regime, porque o regime paga. É justo. A propaganda ideológica refinou-se ao longo do século XIX, definiu a ascensão dos grandes e mortíferos regimes do século XX e é usada no século XXI para distrair dos problemas económicos e sociais. Enquanto se alimenta o mito do regime igualitário e fraterno, mina-se a liberdade amordaçada entre acrisia e conformismo. Salazar e António Ferro sabiam-no bem e, nesse aspecto, as comemorações do Centenário da República são herdeiras directas dos grandes festejos de 1940 sobre a Nação e o novo regime.

Muito antes de Cromwell e da Revolução Francesa, muito antes do marxismo modelar a ideia de república como o melhor de todos os regimes, já república constituía a designação para a coisa pública. Não a coisa do povo, – essa entidade abstracta onde todos se incluem e onde ninguém deseja incluir-se-, mas a gestão do lugar público. Nas praças e nos caminhos, onde sempre se decidiram os desígnios comunais, fazia-se política. Com a Revolução e o Liberalismo a política passou a fazer-se em casas parlamentares e as eleições que dantes se realizavam inter pares, hoje fazem-se intra grupos. A política deixou de ser para todos. Estava porém aberto o caminho para que a ideia de república se transformasse no ideal que é hoje: o de um suposto absoluto nivelamento e igualdade entre cidadãos (mas só entre os que fazem política).

O republicanismo português, que se aproveitou da ignorância e do analfabetismo grassante em 1910, construiu-se sobre a noção de que qualquer pessoa podia tornar-se chefe de estado, contrariando a ideia de que aquele lugar pertencia a uma família de privilegiados. Nunca conseguiu explicar, contudo, que apenas mudavam os privilegiados e não os privilégios. [Read more…]

No Ultimatum…

Nada perdemos com o Ultimatum. Nada. Todo aquele imenso território reivindicado pela demagogia que já imperava no palácio de S. Bento e no apêndice que era a Sociedade de Geografia de Lisboa, consistia numa reivindicação de vaidades. Nada mais.

O que agora temos sofrido, é bastante mais grave. Um alemão e um dinamarquês saem do seu hotel, passeiam-se Avenida da Liberdade abaixo e chegando ao Ministério das Finanças ou ao Banco de Portugal, querem ver livros de contas,, projecções de dados e contratos. Como se de fiscais das Finanças se tratassem, muito bem esmiuçam a contabilidade de uma empresa de duvidosa reputação. São hoje, os verdadeiros tutores de Portugal, agindo por conta de não se sabe bem de quem e do quê.

Um Presidente checo de apelido alemão, zomba abertamente do Sr. Cavaco Silva e isto, na visita oficial que este último realizou a Praga. Um anafado comissariozinho europeu de oleoso nome, escarnece abertamente do ainda Presidente da ainda República Portuguesa. Um Presidente de uma Comissão que age por iincumbência de um certo governo, rosna e ameaça, sendo ele um dos muitos responsáveis pela situação. Franzindo o sobrolho e bem carrancudo, “aconselha”, porque senão…

Quase nos arriscamos a afirmar que se num ímpeto magnífico, um grupo de militares esta noite hasteasse a Bandeira azul e branca em Belém, S. Bento, C.M.L e Castelo de S. Jorge, amanhã teríamos um feriado de arromba, com milhões de jubilosos desfilando nas ruas. Cientes dos sacrifícios que se avizinham, pelo menos não teriam de suportar as carantonhas dos algozes de longos anos.

 

 

Efectivamente sem “patriotar”.

Londres, Covent Garden, 2011, NR (c).

Visito Londres durante a preparação para o casamento do século, o do Príncipe Guilherme de Windsor com Catherine Middletton. O acontecimento é um estado febril. Por todo o lado lojas oficiais e não oficiais desdobram-se em merchandising: canecas, pratos, bandeiras, bules, etc, etc, tudo com a efígie do casal. Não há mãos nem braços que cheguem para abarcar a publicidade que se faz à cerimónia, ao cortejo e a toda a preparação para o real enlace. Na rua, a somar às incontáveis Union Jack que edifícios públicos e privados exibem com brio, várias pessoas transportam consigo pequenos estandartes e bandeirinhas. De resto, nas exposições que se multiplicam sobre a Monarquia, ouvia as crianças perfeitamente familiarizadas com o nome de cada um dos seus anteriores monarcas e sobre uma ou mais características  da sua vida ou reinado, por mais desinteressantes que fossem.
O símbolo da Coroa está por todo o lado, desde as obras dedicadas ao Jubileu da Rainha, à lembrança de Diana de Gales, até aos príncipes Guilherme e Harry. O turismo vive, afinal, destas “futilidades” de castelos, reis, princesas, como se vê pelas filas intermináveis para entrar na Torre de Londres.  As Jóias Reais da Coroa Britânica estão entre os objectos mais vistos do mundo (quem afinal pagaria para ver o guarda roupa da primeira-dama de Portugal?) E quanto mais difíceis estão os tempos, mais aquelas régias figuras (que alguns consideram vazias) significam algo para o povo que as exalta, o mesmo povo (a maioria) que as trata com respeito e alguma reverência, como o capitão do barco que fez a visita guiada pelo Tamisa e que nunca se dirigiu à monarca pelo nome, mas por Her Majesty The Queen.
Volto a Portugal. Os jornais dirigem-se, desde o presidente ao primeiro-ministro por tu, os políticos tratam-se uns aos outros por ladrões e, nos cafés e na rua, todos se tratam mal. Não é uma questão de respeito, é uma questão de auto-estima. Um país que não gosta da sua História, que não acredita nela nem nos seus intervenientes, que não se agrega em redor dos seus símbolos em tempo de crise, dificilmente conseguirá chegar a ser um país. E isto é assim há muito tempo.
Somos como muitas das bandeiras republicanas espalhadas por edifícios públicos: cheias de surro, esfarrapadas e mal representadas.

Ao cuidado da Assembleia da República


Cremos que uma rápida consulta a esta lista, poderá fornecer algumas ideias à Comissão Nacional do Centenário da República, Palácio de Belém incluído.

Presidente Oliveira da Figueira


Tivemos o sr. Teófilo e as suas positivas burrices. Logo a seguir, chegou o sr. Arriaga patrocinando “golpe de espadas” e descoroçoados lamentos acerca de quem o rodeava e daquilo que significava a instituição. O Bernardino, esse que não merece o senhor, consistiu numa tisana de cogumelos venenosos, engrossada com Agarol. A brincadeira Sidónio, coisa que ficou entre o pingalim à entrada da sopa dos pobres e o general Tapioca. Os impotentes srs. Almeida e Gomes e as águas paradas do sr. Carmona que por uns tempos deram a beber a mais uma excelsa burrice, de seu nome Higino Lopes. O loquaz sr. Thomaz e o arrependido que se des-arrependeu Spínola. O saltitante sr. Gomes II, do esquecido crachá da PIDE e do Movimento para a Paz e Cooperação, a expensas dos generosos cofres da URSS; o nosso Monk adiado que se conhece por sr. general Eanes e entramos, finalmente, na 3ª República em toda a sua plenitude.

Vamos então, à conhecida paternidade da geração rasca, a da conversa fiada dos “Oliveiras da Figueira”.

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"Derivados" presidenciáveis


Aproveitando as “derivadas” prerrogativas institucionais, o Sr. Cavaco Silva, prestou-se ontem a um tragicómico espectáculo bem montado junto dos sem-abrigo. Convenientemente ensanduichado por franjuda “betada” do gabinete de campanha, o sempre boca-meio-aberta/atarantado recandidato, regressou aos tempos do choradinho e na verdade, ele, mais que ninguém, deve fazê-lo. A maior parte da esfomeada e friorenta assistência, consiste nos “derivados” – como agora se usa dizer, tudo é “derivado” – do seu brilhante exercício como primeiro-ministro dos tempos das vacas-gordas.

Entretanto, o BPN – outro “derivado” dos áureos exercícios dos yuppies cavaquistas -, banco dos “amigos presidenciais”, vai custar mais 500.000.000 de Euros aos contribuintes, ou contas mais explícitas, um “derivado” submarino que seria bem necessário à Armada.

Reticências e “derivados” à parte, ainda estamos à espera de uma atitude semelhante à deste Senhor que em azada hora exigiu ao seu primeiro-ministro, o NÃO AUMENTO da dotação outorgada à Chefia do Estado.

Os Alunos da Minha Escola

Estes são alunos da minha escola que, como outras de igual natureza, anda a ser atacada. O que têm a dizer os autarcas e os pais destas centenas de alunos? O Governo deste país conhece a Constituição ou está já dispensado de a observar?

Arrastando

Sabiam que o o nosso colega “republicano de extrema-esquerda” Daniel Oliveira, faz parte do Conselho Editorial da Guimarães Editores, propriedade de Paulo Teixeira Pinto, o Presidente da Causa Real? Há coisas giras, não há?

A urgente CPLP


No excelente blog que é o Bic Laranja, corre uma enorme polémica acerca do pedido da nacionalidade timorense, atempadamente enviado pelo Senhor D. Duarte às autoridades de Dili. Passando sobre umas tantas habituais e inócuas grosserias, a maioria dos comentadores – mais de 80! -, manifesta uma certa estupefacção pelo pedido real, dada a total incompreensão daquilo que é o direito sucessório à Coroa e a manifestação de um visionário projecto de uma portugalidade renovada.

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Os Açores, Kissinger e velhos projectos


Parece existir uma certa surpresa pela notícia hoje divulgada pelo Público e que se refere a um projecto de ocupação dos Açores pelos EUA, durante o auge do PREC de 1975.

Esta possibilidade existe há perto de 120 anos e a primeira vez que dela se ouviu falar nas chancelarias europeias, foi nos finais do século XIX, quando após uma rápida guerra de surpresa contra a Espanha, os americanos arrebataram Porto Rico, Guam e as Filipinas, ao mesmo tempo que estabeleciam um protectorado em Cuba. A Doutrina de Mahan, bem alicerçada naquela outra que serviu e ainda se faz valer no Hemisfério Ocidental, impôs a ascensão dos Estados Unidos à condição de grande potência naval. A aquisição de bases que servissem como perímetro de defesa, foi talvez a primeira consequência da vitória sobre os espanhóis, também impedindo aquilo que já se tornara num princípio básico do sucesso de qualquer esquadra em batalha: a logística e o controlo das rotas marítimas intercontinentais. De facto, a distância que separava as armadas europeias dos seus portos metropolitanos, consistia no problema que durante séculos obcecou todas as potências marítimas, tendo sido Portugal, a primeira delas a construir um rosário de pontos de apoio costeiros e insulares que pontilharam o Atlântico, Índico e Pacífico ocidental. A Inglaterra compreendeu o conceito e estendeu o seu domínio a Gibraltar, malta, o Chipre, Suez, Freetown, Golfo da Guiné, Santa Helena, Ascensão, ao Cabo, Zanzinbar, o Hadramaut, Bahrein, Ceilão, Penang, Singapura e Hong-Kong.

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O Portugal da República de 1910 e… de 2010


Este género de brothers, tem sido uma constante ao longo de décadas a fio e sem surpresa mantém-se nos primeiros degraus da pirâmide do poder. A contar de cima para baixo, evidentemente…

Três cores, um destino


Conhece-se o refinado bom gosto do marido da Senhora Doutora Maria de Cavaco Silva. Por isso mesmo, há que ver num simples logo de campanha eleitoral, algo mais que a imagem que atrai como traças em torno de uma lâmpada, os eleitores que procuram um destino. De facto, o staff do presidente escolheu três cores que tudo dizem: Etiópia, Bolívia, Congo, Camarões, Guiné-Conacri, Guiana, Gana, Burkina Faso, Togo, Benim, Senegal, Mali, “República Portuguesa” e… CAVACO SILVA.

Um programa do futuro que nos bate à porta.

Prós-prós-prós-prós e… póf!


A RTP, como mandam as boas regras de “dar graxa a dez tostões a caixa”, convidou os três ex para uma tertúlia, cujo tema foi de difícil compreensão, além do beija-pé à recentemente comemorada semi-defunta senhora. Em termos jornalísticos, isto chamar-se-ia um “encarte”, ou seja, o afinfar de uma “notícia” para preencher o espaço. Pelo que parece, a coisa vai mesmo mal. Houve festarola Honoris Causa e à noite, com a ausência do presunto candidato ainda em comando, os antecessores foram à TV. Além das maravilhas do porvir que deve ser construído com muito sacrifício – pois…-, lá vieram as habituais evocações auto-gratificantes. Apelando ao “combates contra o desânimo”, atribuíram-se as culpas que afinal são mesmo nossas, de “todos” – nem sequer tiveram a coragem de dizer “vossas” – e a já clássica acusação aos pérfidos estrangeiros, os causadores do rol de desgraças que sobre Portugal se abateu. Enfim, este programa consistiu em mais um exercício de pressão sobre Passos Coelho, o “único, exclusivo e identificado responsável” pela calamidade que se avizinha.
Há uns anos, surgiu nos cinemas um filme alemão que desfiava o rosário de ilusões e manias de um chanceler enfiado no seu bunker, teimando em brincar com exércitos imaginários, os salvadores de uma causa há muito desfeita. Entre bolinhos de creme e planos de obras públicas “em grande”, aproveitava para vociferar diatribes diante de temerosos e atentos subalternos.

Hoje, lá estava o mesmo quadro de atentos ouvintes e a sra. dª Campos Ferreira fazia a vez do sr. ministro da Propaganda do Reich, apenas faltando uma mesa com mapas e gráficos. O Prós e Prós foi o perfeito sucedâneo daquele A Queda.

Medidas Potentes Para o PEC 4 (grátis)

De borla que foi a anterior medida para o PEC 4, venho hoje dar mais duas.  De graça, também.

1) cobrar taxas moderadoras aos portugueses que não têm médico de família. São cada vez mais. Cobrar 80 cêntimos por não-consulta.

2) cobrar direitos de autor sobre frases célebres proferidas por certa estirpe elevada de  eleitos (sempre em eleições não-nominais, curiosamente). Por exemplo, a frasequase não temos dinheiro para comer” passaria a pagar 50 cêntimos de cada vez que fosse escrita num blogue, de cada vez que fosse lida: 25 cêntimos. Era garantido: o Aventar deixar-se-ia de palhaçadas, não obstante pretensos desmentidos.

Centenário "Simplex"


A Ilustração Portuguesa (1908), é um inesgotável manancial de curiosidades. Neste ano de Centenário, aqui deixamos um anúncio, que decerto fará com que muitos sorriam. Ora leiam o texto, verifiquem do que se trata e… a quem pertencia a lojinha “Simplex”. Há coisas que não mudam e tomem especial nota do facto de as tais “Simplex” serem …”discos double face, com o mais variado e moderno reportorio em musica e canto dos melhores auctores nacionaes e estrangeiros. Grande depósito de machinas fallantes”.

A língua portuguesa, era, de facto, mais bonita.

Entretanto, na Gomes Freire…


Aqui está mais um edifício do tipo palacete, pronto para uma “intervenção” ao gosto do vereador Salgado (Manuel Sande). Em qualquer outra capital europeia, há muito teria sido intervencionado, recuperado e devolvido à paisagem urbana. Aqui e mercê dos bons ofícios da palafrenagem da Câmara Municipal de Lisboa, deverá aguardar pela demolição. Deve ser mais um ignóbil vestígio da “ominosa monarchia”. Elimine-se!

“Lisboa, gaiata, de chinela no pé, Lisboa, ladina, que feia ela é..!”

Descubra as Diferenças (2)

Vá, eu dou uma ajudinha:

À ESQUERDA:

1) o deputado goza de imunidade parlamentar;

2) abre a boca para dizer o que quiser – continuará a garantir a sua reforma dourada por serviços prestados à Ditosa Pátria que tais filhos tem;

3) chama-se Ricardo Gonçalves, é um deputado “da província“.

À DIREITA:

1) o peixe à direita vive num mundo só dele, não tem que trabalhar para comer;

2) abre a boca apenas para coisas estritamente necessárias;

3) chama-se Nemo, é um peixe-palhaço.

Descubra as Diferenças

A propósito desta imagem, descubra as diferenças!

Eu dou uma ajuda.

O palhaço da esquerda é o Tiririca, recentemente eleito Deputado Federal no Brasil, o mais votado numa eleição nominal em que 1,35 milhões de eleitores brasileiros entenderam que ele, mais que qualquer outro isoladamente, é o melhor representante das suas vontades colectivas. Tiririca talvez não saiba ler o que não faz dele um analfabeto. Tiririca é um cidadão do mundo.

O pal.. senhor da direita é o Deputado à Assembleia da República de Portugal Ricardo Gonçalves, democraticamente escolhido de entre uma lista não-nominal na qual se incluem algumas outras dezenas de pessoas igualmente anónimas, não-nomeadas. Desconheço quantas pessoas escolheram este senhor Deputado para seu efectivo e nomeado representante. Este licenciado em Filosofia certamente sabe ler o que não faz dele automaticamente um alfabetizado funcional porque tem dado provas repetidas de que desconhece que 20% da população portuguesa vive no limiar da pobreza e muitas auferem não mais que o equivalente a 10 dias das suas ajudas de custo (60 euros por dia). Ricardo Gonçalves é um provinciano, assim se assume. Talvez seja o tempo de apanhar o autocarro p’ra Melgaço, regressar ao ensino da Filosofia e governar-se com 1000 euritos por mês, sem ajudas ou outras mordomias pagas, por enquanto,  por aqueles que insulta…

Monarquia ou República – só mudam as moscas

Monarquia ou República – só mudam as moscas.
Claro que a República é um regime infinitamente mais justo. É o povo que escolhe o seu representante máximo e não uma família que se eterniza no poder não se sabe por que motivo. Mas na prática, na prática vai dar ao mesmo.

No dia de hoje, os «Homens da Luta» foram os únicos a estar de Parabéns.

A Rotunda do 5 de Outubro


Até há uns poucos anos, a praça que ostenta o título atribuído a Sebastião José de Carvalho e Melo, era por todos conhecida por “Rotunda”. Nome que se pensava consagrado pelo simulacro de regime político saído da bernarda de 1910, a sua menção povoava logo qualquer cérebro com imagens de tiroteios, farta vinhaça verde e tinta que correu a rodos durante uns dias e que deu as cores à bandeira, umas mulas esbaforidas e um bravo que de espada nua, comandava os improváveis futuros vencedores daquele dia do Grande Nada.

Hoje todos conhecem essa praça por “Marquês de Pombal”, mas o nome resistiu mais umas tantas décadas, fazendo justiça a um certo estado de coisas que se foi eternizando de tal forma, que Portugal bem podia hoje chamar-se Estado De Coisas” e como tal, ocupar o seu assento na ONU, NATO, UE e CPLP.

As três Repúblicas saídas daquela Rotunda, foram por isso mesmo, rotundas. Rotundas nos erros, rotundas nas manias, rotundas nas brutalidades, rotundas na incompetência prepotente, rotundas no compadrio corruptor, rotundas na mentira fácil e na má fé. Foram rotundas nos enriquecimentos suspeitos e ainda mais rotundas se evidenciaram nas vigarices escandalosas que tornaram o tal “Estado De Coisas”, no verbo parisiense portugaliser. Ficou habitual entre os “estadocoiseses”, nós todos, o costume do calar e deixa andar, pois o poder rotundo, sabe como esvaziar os bolsos daqueles que são rotundos no sim e no não. O regime da Rotunda prefere o talvez, o assim-assim e o “maijoumenos” que dá escapatória rápida, saindo-se por qualquer álea que parta da citada Rotunda em que a nossa vida se tornou.

O principal problema, já nem sequer se coloca em termos de livre expressão da imaginação, do querer aquilo que se pode ou não se pode ter. O problema rotundo que hoje enfrentamos, é circular e incomensuravelmente mais vicioso, do que todos os outros já mencionados.

Graficamente, a Rotunda pode ser representada por um ó de dor, mas talvez com mais propriedade, por um Zero. O pior de tudo, é que esse Zero significa tão só aquela rotunda mais notória, despótica e aviltante: a Rotunda das panças que controlam os nossos acessos e saídas. Aí está o republicano problema.

a República de Portugal nasceu como um país classista

o nosso futuro se as meddidas de austeridade avançam....

Bairro da Grande Lisboa, com prédios novos no fundo e bairros de lata ao pé para se sustentar dos trabalhos que resultam das construções dos prédios.

Queiram desculpar, mas sinto-me perdido. Por acaso moro num sítio de Portugal com imensas e evidentes desigualdades. Por acaso. Não encontrei outra casa no dia em que apareci em Portugal, tantos anos já, que até fui feito português, o que agradeço.

O que não agradeço nada, são as diferenças sociais, esses desencontros entre as pessoas: diferente classe social, diferentes saberes, hábitos de bisbilhotice, outros de solidariedade.

Pobreza e riqueza vivem juntas. Trabalho e falta de postos de trabalhos. Elegância e pobreza impossível de disfarçar. A arquitectura tem uma linguagem que explica que Portugal é um país classista. Há os que podem ter folga monetária, e há os que nada têm; há os que têm a esperança de um dia ter e os que sabem que esse dia nunca pode aparecer.

Há também os que moram em bairros de lata e os que possuem tantas casas, que têm que inventar sítios para se entreter além das contabilidades a que estão obrigados para calcular entradas e gastos, para um melhor gerir da sua riqueza, saber onde ir cobrar rendas e melhorar as suas posses.

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O Republicano Com Fome

Ricardo Gonçalves, democraticamente imposto pela máquina pelo povo para o representar na Assembleia da República, anda com fome. A crise toca a todos, ao Governo e ao povo e a Ricardo Gonçalves, que é da “província” sabe bem o que isso é, viver com um salário de 700 contos e 12 contos de ajudas por dia. Oh Ricardo, desculpa lá esta familiaridade: achas que o povo de Melgaço, terra de forte emigração, concorda contigo? Fazemos a troca? Tu dás-me as tuas ajudas de custo e eu dou-te o meu salário, sim?Agora percebo melhor o alcance das palavras de Maria José Nogueira Pinto. Viva a República…!

a tristeza no centenário republicano

a república começou perturbada e hoje continua conturbada

…com a colaboração de Graça Pimentel e Eduarda Fernandes…

Não consigo esquecer duas frases, talhadas na minha memória desde o dia que troquei a minha Universidade Britânica pela Universidade de Lisboa, o ISCTE, hoje Instituto Universitário de Lisboa. Essas ideais talhadas eram, primeiro, que o 5 de Outubro era uma festa Nacional, mesmo em dias de tormenta como hoje, em que o povo se regozijava por sermos um país livre e soberano, garantida dada pela Constituição do Estado, cada vez mais avançada para proteger a soberania que o povo depositava nos seus governantes eleitos por sufrágio universal. Havia tanta coisa a fazer dentro da República para a eelevar à estatura de outras nações da Europa, republicanas ou monarquias. O 5 de Outubro era sempre o 5 de Outubro, com festas e alegrias.

Mas uma segunda ideia talhou o meu pensamento: Portugal não era apenas esse sol quente do verão e o frio do inverno, com neve, às vezes, até em Lisboa. Essa proeza de construir uma nação, passava por construir o que a monarquia de Bragança, em mais de trezentos anos de reinado, nunca fez: construir indústrias transformadoras da imensa riqueza que o Universo tinha oferecido à República. Bem sabemos que o marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa, 13 de Maio de 1699Pombal, 8 de Maio de 1782) casado com uma alemã, tentou enquanto era secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I (17501777), sendo considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa. As suas visitas ao estrangeiro, a sua observação da construção de indústrias manufactureiras e transformadoras de matérias-primas na Grã-Bretanha, na Alemanha e na Suécia, resultantes da Revolução Industrial, levaram-no a pensar que Portugal podia construir uma riqueza semelhante. Começou por construir Escolas Politécnicas, para os operários executarem com saber o seu ofício e acumular riqueza investidas em indústrias. Para nossa infelicidade, prevaleceu a preguiça de Reis, Marqueses, Barões, enfim, dos proprietários das terras, aliada ao pensamento que seria sujo e desalmado desfazerem as suas lindas terras, o acusaram-no de espoliador, sendo assim que de Ministro do Rei foi para a cadeia e, a seguir, confinado às suas terras de Pombal.

A falta de Indústrias transformadoras causaram um recuo de centos de anos no desenvolvimento da, hoje, nossa República Portugueza (não é gralha, é como se escrevia nesses tempos o nome da Nação, habitada por portuguezes).

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a soberania e os seus descontamentos. À nossa República!

a república portuguesa que nunca mais acaba de se organizar, velha como é!

….para o povo português obrigado ao empobrecimento pela cultura doutural…

O subtítulo tem dois significados. O primeiro, é simples: escrevo este texto no dia 2 de Outubro e o debate do orçamento será a 15 de Outubro deste ano de 2010.

Não sou bruxo, tenho palpites. Palpite que me diz que deve ganhar o debate quem melhor se entenda com a crise financeira que se vive na Europa, essa praga de Portugal. Como no Chile. Faz pouco tempo, começara a corrida para a Presidência da República. No tempo da ditadura, todos os partidos democratas juntaram forças para derrubarem um ditador que faleceu réu de crimes de sangue, mas faleceu réu. Nas mãos da justiça. Com a democracia restabelecida, os partidos deram aos seus candidatos poderes muito pessoais e a Concertação Social começa a diluir-ser, após o mandato de quatro excelentes Presidentes da República. Será que esta arrogância precipitada vai abrir as portas a quem sempre ficou em segundo nas presidenciais e que une todo o fascismo que governou o país durante 20 anos? Precipitações pouco esclarecidas. E a diferença entre facções é imensa. A concertação, une; o fascismo desune e mata.

Em Portugal, em carta enviada por mim ao actual Primeiro-ministro, admoesto denuncio e na parte final do texto digo que o PSD e o PS não me parecem andar de mãos

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Perguntas ao Centenário


A “república” não é para todos. Acaba de ser adquirida, mais uma viatura para os “traseiros de luxo”. Desta vez, trata-se de um Mercedes S450 CDI, ao módico preço de 134 mil Euros. Será inaugurado na próxima cimeira da OTAN e destina-se ao transporte de Durão Barroso.

O que tem isto a ver com a contenção da despesa?

Leiam mais aqui.

Oh Faxavor

– Eu liguei para o outro número mas ninguém atendeu.

– É, às sextas-feiras ninguém trabalha de tarde na Câmara.

– Ah.

– Ligue na próxima semana depois das nove mas não à hora de almoço, também não há lá ninguém.

– Ah…