NES, ouve as minhas preces


Se um dia alguém perguntar por ti
Diz que vivi para te ver falhar
Antes de ti, pior nunca vi
Fraco e sem nada para dar

NES, ouve as minhas preces
Quando é que desapareces, estou farto de ti
Eu sei que não sais sozinho
Talvez, devagarinho, possas voltar ao desemprego

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
É começar a chamar pelo nome os bois.

(Música de Luísa Sobral, letra do RicardinhoO do Portal dos Dragões)

Canonizem o homem!


Salvador Sobral: Isto é que foi um verdadeiro milagre! Parabéns!

Sobral

Hoje ouvi a canção que ganhou o festival da RTP. Não fazia tal coisa há décadas. Desde que tal evento se transformou num desfile de mediocridade musical e poética que nos provocava vergonha por procuração – e aquilo não é nada connosco. Mas disseram que a canção era da Luísa Sobral e eu gosto dela. Gosto daquela mistura de bossa dos anos 60, cool jazz, palavras que cantam, acompanhamentos e arranjos decentes, tudo regado com o caramelo de uma cândida sensualidade. São canções que parecem feitas para ser cantadas ao ouvido. Não conhecia o mano Salvador, versão masculina da voz da irmã. A mesma entoação, o mesmo jeito, mas não é ela. E nós não conseguimos deixar de pensar no que será a canção cantada pela sua criadora. Não me interessa nada se “ganhamos”- acho piada a esta primeira pessoa do plural…- o festival inter-pimba ou não. Há mais uma boa canção em português. Pela raridade do fenómeno, saúda-se.