Vale e Almeida chama ignorante, ofensivo e falso a Pedro da Silva Pereira

Na altura em que se dizia que os casais homossexuais iriam poder aceder à figura do apadrinhamento civil, o António Serzedelo, aqui no Aventar, mostrou-se satisfeito com a possibilidade. Logo na altura, fui de opinião contrária: o facto de a lei falar expressamente dos gays como «factor de ponderação» era por si só discriminatório. Mantenho, já que todos devem estar em igualdade de circunstâncias seja qual for a sua orientação sexual. E como todos sabem mas ninguém assume, neste país a fingir, a restrição da possibilidade de adopção de crianças a determinados casais é claramente inconstitucional. Cavaco é que deu uma mão ao não enviar esse artigo para análise no Palácio Ratton.
Mas agora nem «factor de ponderação» será. O ministro Pedro da Silva Pereira, no Parlamento, disse há uns dias, taxativamente, que os casais homossexuais estão impedidos de aceder ao apadrinhamento civil, contrariando a tal norma de que se falava.
Miguel Vale e Almeida, deputado do PS, já se insurgiu no seu blogue pessoal e chamou mesmo ignorante a Pedro da Silva Pereira. E ofensivo. E falso. Fez bem. E sou insuspeito para dizê-lo, visto que não me coibí de criticar a sua ida para o Parlamento.
Ainda teve sorte, o ministro. Se em vez de Vale e Almeida fosse João Galamba a insultá-lo, era de filho da puta para baixo.

Adenda: Como o que é mentira ontem pode ser verdade hoje, mesmo na blogosfera, afinal o Miguel Vale e Almeida não chamou nada ignorante a Pedro da Silva Pereira. Só disse que ele revelava ignorância. 🙂

Acha que o país está preparado para a mudança?

Mais uma polémica barata, em plena crise económico-financeira cara.

O Governo resolveu criar uma nova  figura no instituto jurídico das Adopções: o Apadrinhamento Civil. Até aqui muito bem, não fora o facto de  se ter escrito que a “candidatura de casais homossexuais de crianças institucionalizadas não é factor de exclusão, mas de ponderação”. Todas as adoções ou apadrinhamentos devem merecer ponderação, mas não em função da Orientação Sexual, senão a Lei corre o risco de ser inconstitucional.
Foi o fim do mundo para os zelosos seguidores das diversas ortodoxias. A Isilda Pegado, conhecida protagonista da Plataforma contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, pegou logo na cruz e na espada e recomeçou a sua cruzada eucarística para salvar o mundo da mudança e pôr “Portugal nos eixos” de há 50 anos.
Luís Villas Boas, major de tropa, director de um conhecido asilo de crianças, correu  aflito, aos gritos, desde o  Algarve, porque assim começam-se  a mudar paulatinamente as coisas e lá vai ele perder poder e clientela . É que deste modo os meninos, em vez de  irem para instituições onde não têm família, mas com subsídios vários, muitos estatais, vão parar a casas de padrinhos homossexuais que os podem amar e acarinhar , onde não custam nada ao Estado, o que é, para ele, nitidamente uma “perversão”.   [Read more…]