O Sonho de uma Vida

Metropolitano em greve. Autocarros lotados por falta de oferta pública. Serviços privados de transporte a mais de 15€ (ah, a mão invisível a funcionar…). Lisboa está um sonho. Se estivesse a chover, como ontem, seria um sonho molhado.

O que nos vale é que temos a Web Summit. Viva! Viva! Viva!

Conversas vadias 28

Com a presença dos vadios persistentes Orlando Sousa, António de Almeida, José Mário Teixeira, Francisco Miguel Valada, António Fernando Nabais e João Mendes, começou por se falar do assunto mais quente da semana, a erupção no país vizinho. Por estarem ainda incandescentes, passámos às eleições autárquicas e ao sismo que levou Medina e trouxe Moedas, com incursões no futuro talvez radioso de João Ferreira e as dificuldades do Bloco de Esquerda, mais a vitória sem comparação do Chega. Pelo meio, ainda espreitámos as prateleiras vazias do Brexit e acabámos a falar de bicicletas e de ciclovias. Sugestões? Sempre – livros, música e conselhos de higiene municipal, entre outros.

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Conversas vadias 28
/

António Costa, o vencedor das Autárquicas 2021

Confesso que estou surpreendido com alguns comentários e comentadores que falam numa grande derrota do PS. E se é verdade que as derrotas de Coimbra e Funchal eram expectáveis, a queda de Medina é a grande surpresa da noite e um ponto importante para o PSD, que regressa ao poder na capital. Mas, sejamos sérios: controlar a capital vale por isso mesmo, pelo controle da capital, mas não equivale a vencer as eleições. E o controle que Moedas exercerá sobre a capital, convenhamos, tem muito que se lhe diga, na medida em que a sua coligação tem 7 vereadores, o PS outros 7, o PCP tem 2 e o BE tem 1. O mesmo se passará na Assembleia Municipal, onde Moedas não tem maioria e a direita tem menos quatro representantes do que a esquerda. Pelo que Moedas tem duas opções: ou negoceia à esquerda, ou não governará.

O que ganha eleições autárquicas, como em anos anteriores, é a conquista de mais câmaras municipais e freguesias. O PS conquistou 148, o PSD, sozinho ou nas múltiplas coligações em que se envolveu (e aqui vou incluir as câmaras do CDS, para dar volume à coisa) não chega às 120. Serão 119, se não estou em erro, menos 29 que o PS. Significa isto, portanto, que o PS mantém o controle sobre a Associação Nacional de Municípios.

[Read more…]

Unicórnios e megalomanias

As propostas de Carlos Moedas para Lisboa incluem: uma fábrica de unicórnios, um centro mundial da economia do mar, o Parque Mayer transformado em centro nacional de Cultura, a construção de um Novo Centro de Congressos de Lisboa…

Dá vontade de fugir.

 

Não é vitória. É castigo

Em 2001, Fernando Gomes perdeu a Câmara do Porto, por castigo.

Foi o preço por ter aceite trocar a cidade do Porto, pelas delícias do estatuto de Ministro-adjunto e da Administração Interna na capital do império em 1999, em pleno mandato de Presidente da Câmara do Porto.

As gentes do Porto não gostaram da troca. E, tal como a mulher abandonada que vê à porta o marido regressado da casa da amante, porque as coisas não deram certo, as gentes do Porto bateram-lhe com a porta na cara.

Rui Rio, contra os oráculos, tornou-se presidente da Câmara do Porto, porque Fernando Gomes foi castigado pela infidelidade.

Ontem, as gentes de Lisboa não deram a vitória a Carlos Moedas: castigaram Fernando Medina.

O socialista, há poucos dias, tinha sido considerado pela esmagadora maioria dos inquiridos numa sondagem, como mais arrogante do que Carlos Moedas.

Foi a permanente arrogância de Fernando Medina, a principal razão do castigo. E o caso das informações às embaixadas – e, pior, o modo como lidou com todo o processo a salvar o seu gabinete de apoio e queimar na praça pública um funcionário -, caiu mal. Muito mal.

Até porque os valores de Abril, são queridos por muita gente que não é comunista ou sequer socialista. É gente de um centro social-democrata que sem cravos ao peito, defende, também, a democracia, a liberdade, a igualdade, o direito à manifestação, à privacidade, à inviolabilidade da sua correspondência e o respeito pela dignidade da pessoa humana. E, também, não suporta bufice. [Read more…]

The Loures-Amadora connection

Há quem ainda não tenha percebido isto, em particular a direcção nacional de Rui Rio, mas Suzana Garcia corre em pista própria e o PSD não passa de mero hospedeiro temporário. Garcia é candidata à CM da Amadora, mas tem concentrado parte da sua campanha no concelho de Lisboa, investindo tempo, energia e recursos no ataque aos vários partidos políticos, ao invés de se focar na autarquia que se propõe dirigir, com a qual, de resto, não aparenta ter grande ligação. O objectivo é a notoriedade, é afirmar-se a nível nacional, com outros voos em mente, porque na Amadora, como ela e o PSD bem sabem, não tem a mínima hipótese.

Em campanha, financiada por um dos dois grandes partidos que formam o so called sistema, Suzana Garcia afirma-se anti-sistema, enquanto adjudica mais um outdoor pago com as subvenções que o sistema atribui ao PSD. Rui Rio sorri e garante que Garcia é a pessoa certa para o lugar. E ao invés de se concentrar nesse lugar, opta por fazer marcação cerrada aos diferentes partidos, com cartazes populistas e insultuosos instalados à porta das suas sedes nacionais, como se fossem eles os seus adversários na corrida à CM da Amadora. Todos vão tremer, seja a “direita fofinha” da IL, a “esquerda caviar” do BE, os “eco-fascistas-animalistas” do PAN e nem os “populistas” do Chega, seu principal adversário pós-autárquicas, escapam. A ironia.

[Read more…]

Conversas vadias 18

Mais uma edição das “Conversas vadias”, desta feita à volta de: pandemia, especialistas, Lisboa, juventude, autoridade, cerca sanitária, Serviço Nacional de Saúde, enfermeiros, carreiras, administração pública, remunerações, Fernando Medina, auditoria, manifestação das forças de segurança, China. Para, no final, os vadios fazerem as suas recomendações.

E quem foram os vadiolas? Foram Carlos Araújo Alves, Orlando Sousa, António de Almeida, José Mário Teixeira e João Mendes. Acrescendo a colaboração técnica de Francisco Miguel Valada. E a ausência especial de António Fernando Nabais (sim, é complicado).

Subscreva os podcasts do Aventar.

Incompetência e irresponsabilidade no controlo da pandemia

Não foi por falta de aviso nem de escassa informação que não se controlou a expansão epidémica na Área Metropolitana de Lisboa. Não, foi mesmo incompetência e irresponsabilidade sustentadas em desmesurada soberba!
No pretérito dia 3, especialistas escarneceram da decisão do governo britânico, aduzindo que só tínhamos 12 casos da nova variante nepalesa e que estavam perfeitamente controlados. 17 dias volvidos, o mesmo especialista do Instituto Ricardo Jorge, João Paulo Gomes, vem à televisão dizer que já representa 60% dos infectados na Grande Lisboa!

Henrique Silveira no Facebbok

Mas isso foi apenas o começo! Logo no dia seguinte, a 4 de Junho, depois de o Ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, explicar que a decisão do seu governo se deveu “a taxa de positividade” que “quase duplicou desde a última revisão em Portugal” e com “uma espécie de mutação do Nepal”, surge o nosso inefável Ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva, a afirmar que a atitude do governo britânico tinha sido fruto de uma decisão “intempestiva” e baseava-se em “irrelevância estatística”!
Cega e despudoradamente, [Read more…]

Como se Putin precisasse de Medina para alguma coisa

Em Janeiro, um grupo de manifestantes juntou-se em frente à embaixada russa em Lisboa, para protestar contra o regime totalitário de Vladimir Putin, em particular contra a detenção de Alexei Navalny, um dos mais audíveis opositores da ditadura instalada no Kremlin. Meio ano depois, Expresso e Observador noticiaram o caso, que rebentou como uma bomba no espaço publico nacional.

Este caso, gravíssimo e intolerável, não se circunscreve ao alegado erro, que resultou na entrega dos nomes dos organizadores daquela manifestação às autoridades russas, conhecendo o historial de assassinatos de activistas perpetrados pelos sabujos de Putin, pese embora resulte de um procedimento em vigor há 10 anos. Ainda assim, deveria ser suficiente para Medina colocar o lugar à disposição e se afastar do exercício de cargos públicos até que tudo estivesse esclarecido.

Não quero com isto dizer – muito menos alinhar nas conspirações estapafúrdias e imbecis que li no Twitter e no Facebook – que Medina recebeu um telefonema de Putin para denunciar os activistas, e que o autarca fez o frete ao ditador russo. Isto é um absurdo a todos os níveis, até porque Putin não precisa das autoridades portuguesas para nada, logo a começar no facto de a manifestação ter decorrido em frente à sua própria embaixada, observada de perto pelos elementos do FSB com passaporte diplomático. Aliás, se os hackers russos conseguem minar as eleições nos EUA, certamente não precisarão de nenhum Snowden para entrar na rede CM de Lisboa e extrair toda e qualquer informação que lhes interesse.

[Read more…]

Conversas vadias 16

A décima sexta edição destas “Conversas vadias” rondou: Reino Unido, Lista Verde, pandemia, Portugal, turismo, Champions, tio Joaquim, Lisboa, Porto, PSP, traduções, SIC Notícias, vacinas, EUA, Bélgica, Regionalização, poder local, história, ciência, José Gomes Ferreira, teses, conspirações, BES, Sérgio Conceição, China, Tiananmen, homenagens, Benfica, Jorge Jesus, pandemia, “pandumia”, planetas, Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, censura, Iniciativa Liberal, controlo de informação, liberdade, internet, e as recomendações dos vadios a não perder.

E quem foram os vadios? Foram António Fernando Nabais, Carlos Araújo Alves, Francisco Miguel Valada, João Mendes, José Mário Teixeira e Orlando de Sousa. Mais a ausência especial de Fernando Moreira de Sá, que está à espera que chova para regressar ao meio de nós (ámen).

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Conversas vadias 16







/

O elevado custo dos grupos prioritários de vacinação

À entrada da época turística estamos aflitos com o aumento de contágios e internamentos em algumas zonas do país particularmente no grupo etário entre os 20 e os 40 anos.
Se não tivéssemos tontamente estabelecido grupos prioritários para vacinação, nomeadamente profissionais de saúde que não lidavam com doentes COVID e professores do 1º, 2º, 3º ciclos e secundário, estaríamos agora a vacinar cidadãos a partir dos 20 anos!

Os excelentes resultados só começaram a verificar-se quando se começou a vacinar por grupos etários, dos mais idosos para baixo, evitando assim, a mortandade e internamentos dolorosos a que assistimos a partir dos 60 anos.
Valeu a pena? Está à vista de todos: poderemos, em breve, perder o estatuto de país seguro para receber turistas como aconteceu no ano passado devido às taxas de incidência e de contágio na Área Metropolitana de Lisboa!
É preciso bom-senso, sim mas, acima do mais, coragem para decidir independentemente de grupos de pressão ou de votos em eleições vindouras.

Residentes em Lisboa passam à frente na vacinação

Antecipação de vacinas e testes para travar aumento de casos em Lisboa“?
Não será fake news?
Estupefacto é o mínimo que se poderá dizer! Isto é um ultraje do centralismo já sem qualquer vergonha na cara!
Então, recuos no desconfinamento, suspensão de etapas seguintes de desconfinamento e cercas sanitárias para o país, enquanto que para os residentes em Lisboa e sua área metropolitana haverá uma ultrapassagem na vacinação relativamente aos portugueses!
É caso para dividir o país em dois! Entregue-se Lisboa aos seus residentes que nós nos governaremos!

À Moda do Medina:

(Texto do Autor Convidado Jorge Cruz)

A destruição do edifício do Diário de Noticias, na Avenida da Liberdade em Lisboa, é um escândalo e um sinal dos tempos que vivemos em que o capital destrói tudo, mesmo com um governo que se diz socialista, ou social democrata, eles próprios não sabem o que são, e suportado por partidos que se dizem de esquerda, supostamente defensores do património e dos valores culturais.Tanta defesa do património, tantas classificações de património da Unesco, tanta cagança com o património, e todos os dias se arrasa e destrói património. E tudo disfarçado de grandes “recuperações”, porque se “mantém a traça” e se “mantém a fachada”. Tudo o resto é destruído, demolido, alterado.

O edifício do Diário de Noticias, do Arqt. Porfírio Pardal Monteiro, um dos mais icónicos edifícios da boa arquitetura existente em Portugal, desenhado para ser uma sede de um jornal com escritórios, redacção, gabinetes, salas de jornalistas e tudo o demais pensado para aquela função específica, foi travestido para edifício de apartamentos. Mantiveram a fachada, deixaram o anúncio luminoso, a entrada foi salva, e ficou um guichet de vidro e alumínio como símbolo da destruição perpetuada. Para que serve termos um Ministério da Cultura, uma Direcção Geral do Património Cultural, uma Câmara Municipal com serviços técnicos, tantos técnicos especialistas e serviços para analisar projectos e dar pareceres, se depois, quando há alguma coisa que deve ser salvaguardada, defendida, protegida, ninguém faz nada, ninguém cumpre com o seu papel?

[Read more…]

Os prémios maravilha do turismo

Hoje, no i, Elidérico Viegas (Presidente da Associação dos Hotéis do Algarve) disse em voz alta o que muitos já sabiam mas apenas falavam em surdina:

Em relação a esses prémios, só nós é que os conhecemos, o resto do mundo não sabe. São eleições feitas por entidades privadas que se regem por princípios económicos, de rentabilidade económica e, como tal, pagamos e ficamos no lugar que queremos. Estes prémios que andamos a apregoar com frequência são prémios atribuídos por estruturas ou organizações privadas que têm como fim o lucro e que vendem lugares em função dos preços que se pagam. Jornal i, 26 de Março.

Em suma, a malta andou a festejar (sobretudo nas redes sociais e nos meios de comunicação social) que o Porto era o melhor destino da Europa, Lisboa o melhor destino do Mundo, Braga melhor destino 2020 e já nem sei quantos mais “melhores do mundo e arredores” fizeram capa de jornais, abertura ou fecho de telejornais e movimentos de #manada nas redes sociais quando, afinal, era tudo treta. Ou melhor, tudo pago. E pago por quem??? Ora adivinhem lá….É isso, foi você, fui eu. Os do costume. Maravilha.

Moedas, a nova vacina

O candidato Carlos Moedas afirmou que se ganhar as eleições em Lisboa vai criar um “Plano de Contingência para responder a futuras pandemias em Lisboa”. Nas suas doutas palavras:

“Não podemos voltar a ser surpreendidos. A cidade de Lisboa precisa de ter ao dispor dos lisboetas um plano de contingência sobre futuras pandemias que dê alguma previsibilidade, segurança e confiança social e económica”.

A coisa promete em Lisboa. Um disse que quer dar um abanão a Lisboa (e passados uns dias a natureza tratou disso). O outro continua entretido no papel de paineleiro na TVI e cicerone do PR e agora temos o Carlos Moedas a usar a actual pandemia para fazer um número eleitoral. Já só falta entrarem os cuspidores de fogo e os domadores de tigres. É que os malabaristas já estão a jogo.

[Read more…]

Graciano e a libertinagem

No lançamento da sua candidatura à CM de Lisboa, Nuno Graciano apresentou-se como democrata e militante de um partido democrático, onde aprendeu a lição da democracia, pese embora a ausência de qualquer referência à mui democrática lei da rolha, em vigor desde que André Ventura se sentiu ofendido pelo incorrectês da turba chegana nas redes. Podia dar-se o caso de ser democracia a mais e Nuno Graciano não quis arriscar.

No seu discurso de apresentação, rodeado pela elite da extrema-direita nacional, ao lado de um monumento mandado construir pela elite da extrema-direita que a antecedeu, Graciano alertou para o problema de confundir democracia com libertinagem, que condenou. Não percebo a confusão do candidato: a democracia é, precisamente, o tipo de regime que permite a libertinagem. É, aliás, o regime onde quem quiser ser libertino, seja no campo sexual, na rejeição dos preceitos religiosos ou na falta de disciplina, tem o direito a sê-lo, submetendo-se, naturalmente, às consequências legais que daí possam advir. E seria de esperar que um democrata, militante de um partido Democrata, onde aprendeu a lição da democracia, tivesse as regras da democracia bem claras. Serão essa democracia, o partido democrata e a lição de democracia que Graciano aprendeu dessa nova estirpe iliberal? A julgar pelos militantes e aliados do seu partido, poderá dar-se o caso.

[Read more…]

Adoro o cheiro a napalm logo pela manhã

“E eu que pensava que a riqueza reside na nossa enorme diversidade. E eu que pensava que todos contam e são iguais. Sou uma utópica, que, provavelmente, nada sabe sobre o que é ser lusitana” – Hermana Cruz, jornalista.

Melhor que ninguém, uma jornalista do Porto sabe bem o que custa esta espécie de insularidade para todos os profissionais, dos mais diversos ramos, em que se vive fora da “capital do império”. Seja no Porto, em Braga, Vila Real, Coimbra, Aveiro ou Viseu. Sem esquecer Faro, Évora ou Beja, só para citar alguns exemplos. Ontem, tomou como exemplo o Porto, o FC Porto. Volto a citar Hermana Cruz: “Nacionalismo assim, carregado de preconceito regionalista e clubístico, mostra-me o que é ser portuguesa”. Mas o futebol é apenas a ponta do icebergue de um país que, hoje, não passa de um arremedo. E o FC Porto é apenas uma vírgula em toda esta história. 

Vamos ao exemplo de ontem em que o FC Porto levou de vencida a Juventus de Cristiano Ronaldo. Por partes.

[Read more…]

Moedas, family & friends

Há dias escrevi aqui que Carlos Moedas foi uma boa escolha de Rui Rio para a CM de Lisboa. Uma escolha forte e agregadora. Continuo convencido disso. E a quantidade de partidos que o apoiam parece confirmar a ideia, pelo menos no que ao factor agregador diz respeito: CDS, Aliança, MPT, PPM e até o RIR, do antigo autarca socialista e ex-candidato presidencial, Vitorino Silva, a.k.a Tino de Rans. Só falta a IL. Parece que o Chega foi pré-excluído por Moedas. Tem o meu respeito por isso.

Depois fui confrontado com um:

  • Mas tu sabes quem é Carlos Moedas?

Não o conheço, claro está, mas sei umas coisas. Lembro-me do tempo em que era o Secretário de Estado Adjunto de Pedro Passos Coelho, e um dos responsáveis por acompanhar o takeover da Troika. Um dos homens por trás da máxima “ir além da Troika”. Um político que, antes de chegar ao governo, esteve no Deutsche e no Goldman Sachs, dois dos beneficiários da desnecessária privatização dos CTT, com os resultados que se conhecem. Os CTT que, anos mais tarde, convidaram Celine Abecassis-Moedas para a administração da empresa.

Quem?

Exactamente: a esposa de Carlos Moedas.

Por isso sim, sei umas coisas sobre Carlos Moedas. Mas isso não invalida que seja um dos nomes mais fortes que o PSD poderia avançar, mais ainda se considerarmos o período particularmente delicado que o partido atravessa. Pese embora o mau arranque, com a péssima (e desnecessária) encenação do “sonho” e do “projecto de vida” de vir um dia a presidir à CM de Lisboa. Consegui visualizar o jovem Carlos, num banco do liceu de Beja, a sonhar com o dia em que entrava pelos Pacos do Concelho de Lisboa, com o colar ao pescoço. Não havia necessidade…

*

P.S. Estou particularmente curioso para saber se a IL alinha na coligação de direita, encabeçada por Moedas. Se fosse socialista, certamente teria direito a um cartaz @comPrimos. A ver vamos, se isto é uma questão de primos. Ou de socialismos.

Crónicas do Rochedo 43 – Ainda discutem um novo Aeroporto???

Nos últimos dias foram publicadas duas notícias que são todo um programa para o que nos espera nos próximos tempos. A primeira foi no Observador, uma entrevista ao Presidente do Grupo Jerónimo Martins onde ele explica que estamos a caminhar para uma crise grave, muito grave. Profunda, nas suas palavras. “Relativamente ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “que está proposto, para mim ainda não está totalmente claro como é que vai funcionar, nem em que áreas”, prosseguiu, salientando que aquilo que tem sido transmitido pela comunicação social portuguesa sobre o tema não o deixa “minimamente confortável”, fim de citação.

A outra foi num dos jornais de economia de Espanha, o Expansión. Onde é explicado que este verão é a última oportunidade para salvar a economia espanhola se e só se o governo espanhol consiga elaborar um plano de regresso a uma normalidade económica. Caso contrário, o abismo. Algo que se aplica a Portugal – a Grécia, a Turquia e o Chipre já se adiantaram e ficaram com a fatia de leão das reservas de verão que se vendem no primeiro trimestre do ano. Ora, perante tudo isto, qual a mensagem que passam os nossos governantes?

Estão a discutir o novo Aeroporto de Lisboa. Ainda e sempre. Ora agora é no Montijo, ora depois é em Alcochete e por fim será onde as negociatas do eterno e sempre em pé bloco central deseje. A sério que estão a discutir esta merda? No meio de uma crise económica sem precedentes continuam com a treta do novo aeroporto? Olhem, aproveitem o elefante branco de Beja, metam um comboio rápido e vão ver que não será muito diferente, em termos de distância/tempo do caso de Beauvais (Paris) ou Memmingen (Munique), entre outros exemplos nas grandes cidades da Europa.

A sério que os nossos (ir)responsáveis políticos consideram, hoje, que a construção de um novo aeroporto é algo útil para a nossa economia? É o novo aeroporto que vai salvar o turismo (em Lisboa, no Algarve, no Porto, nas ilhas?), que vai salvar da falência as centenas de milhar de empresas que estão, na realidade, falidas? Que vi criar postos de trabalho em número suficiente para regressarmos aos valores pré pandemia? É esta a visão de futuro do governo de Costa?

Milagres e Fantasmas – A Presidência Portuguesa da UE

Hoje tropecei nesta notícia sobre Portugal na imprensa internacional. Espantado? Não. Reparem no que apontam:

“The presidency spent €260,591 to equip a press center in Lisbon — even though the presidency’s press briefings are being held online and foreign journalists aren’t traveling to the Portuguese capital. It agreed to pay a wine company €35,785 for drinks — at a time when few people are gathering. And it signed a €39,780 contract to purchase 360 shirts and 180 suits — at a time when many people are working from home”.

Não foi Portugal que construiu um aeroporto internacional em Beja que está às moscas? O mesmo país que comprou dois maravilhosos submarinos (um que sobe mas não desce e um que desce mas não sobe).

Outra pérola que é estranha para um estrangeiro mas familiar para nós:

“To observers, one of the more baffling decisions the presidency made was spending hundreds of thousands of euros furnishing the press center in Lisbon, a city that has experienced a dramatic rise in new coronavirus cases this year. The public project was entrusted to a company that hasn’t obtained a public contract since 2011, and whose previous experience in public sector contracts involved organizing entertainment for village festivals“.

A empresa em causa é a Sociedade de Gestão e Marketing S. João S.A. São 260 mil euros. Especialista em actuações de Nuno da Câmara Pereira nos idos de 2008 e nas festividades de Nossa Senhora da Orada (Albufeira) em 2011. Isto segundo o site dos ajustes directos citado na peça. Como que por milagre renasceu em 2021 para “Adaptação de Instalações Módulo IV CCB para Centro de Imprensa” pela módica quantia de 260 mil euros. Um centro de imprensa fantasma, diz a peça internacional. Não é nada fantasma, é mesmo um milagre.

E uma empresa experimentada em trabalhos para a Nossa Senhora dos Remédios e com a Nossa Senhora da Orada  e que se chama S. João, é a ideal para tratar de milagres. Ai Portugal, Portugal….

A dúvida

A leitura de uma entrevista ao historiador escocês Neill Lochery a propósito do seu novo livro “Porto, a entrada para o Mundo”, provocou-me uma enorme dúvida, daquelas que ficarão eternas porque assentam no pressuposto “e se…”.

[Read more…]

Imbecil Mor

Pedro Nuno Santos recordou que 90% dos turistas que chegam a Portugal vêm por via aérea e que, destes, cerca de METADE são trazidos pela TAP, sublinhando que a companhia aérea nacional é a maior exportadora nacional” e que “A TAP é demasiado importante para a deixarmos cair”

Primeiro, este imbecil que tem a mania que tem mau feitio e que é um “durão” nem se apercebe que o registo crispado a que, artificialmente, recorre não convence ninguém. Pelo contrário só o transforma num enorme pateta que ninguém respeita. E num tempo em que abundam os patetas, conseguir fazer-se notado pela patetice, é obra.

Segundo, este imbecil já nem disfarça e assume, expressamente, que para esta corja, Portugal se reduz à capital do império. O interesse nacional é o interesse de Lisboa. As necessidades nacionais são as necessidades de Lisboa. O resto do País quase exclusivamente composto por parolos inconvenientes, é-lhes tão próximo quanto a Nova Zelândia.

Terceiro, este imbecil como bom trafulha que é, mente com quantos dentes. No último ranking conhecido (2019), a TAP (na prática, a TAL, transportes aéreos de lisboa) nem aparece nas 10 maiores exportadoras nacionais. Mas, provavelmente, por circunstancias transitórias (aquisição de aviões), é a 2ª maior importadora (cfr https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/as-10-maiores-exportadoras-e-as-10-maiores-importadoras-de-2019).

Quarto, este imbecil acha que se repetir muitas vezes o que lhe interessa, a ilusão passa a ser real. A TAP (TAL) só é demasiado importante para ele e para a corja de que faz parte. Não compreendo e estou certo que pouca gente compreende, essa necessidade quase física de não abdicarmos de uma companhia de bandeira. Não tenho qualquer orgulho especial em ver o nome de Portugal pintado numa data de aviões. Principalmente quando o custo é o que tem sido e, pior, o que se prevê. Para que se perceba, esta injecção de 1.200 milhões de euros corresponde a um esforço de 120€ por cada Português. Por exemplo, numa Família típica, Pai, Mãe e 2 Filhos, traduz-se num custo de 480€. Perguntem-lhes o que preferem: um alívio fiscal de quase 500€ ou a sobrevivência da TAP (TAL). E atenção que essa sobrevivência vai ser nível “zombie”, nivel “morto-vivo” porque nos próximos tempos, muitas e muitas vezes lá terão de voltar a pagar mais 480€ para que os aviõezinhos continuem com a cauda pintada de verde e vermelho.

Pavões II

Para os “fofinhos” que andam por aí a verberarem contra quem tenta fomentar guerras norte/sul ou bairrismos desajustados, ficam estas notícias. Sempre podem dizer que são “fake news”.

De qualquer maneira e passando por cima da já conhecida incompetência da DGS que nesta pandemia tem atingido níveis muito perto de gerar responsabilidade criminal (num País decente era o que acontecia) e que, seguramente, não desconhece a data das festas de Santo António, fica este PR.

Um Presidente que, manifesta e despudoradamente, assume a defesa dos habitantes de uma região utilizando um argumento que além de falso (isso não é novidade) porque em todas as regiões se trabalhou durante a pandemia, é profunda e gravemente insultuoso para todos os outros Portugueses.

O vestir da camisola lisboeta é tão ostensivo e ofensivo quanto o grotesco plano de recuperação da TAP. Quer um quer a outra perderam a sua razão de ser enquanto instituições nacionais. Quer a TAP assumiu que é a TAL (Transportes Aéreos de Lisboa) como o PR optou por ser o PRL (Presidente da República de Lisboa).

E sempre para os fofinhos que apesar de continuamente sodomizados pelo centralismo petulante, ignorante, provinciano e despótico do poder lisboeta, continuam a achar que isto não passa de condenável exacerbar de bairrismos, deixem que lhes diga que não há qualquer guerra norte-sul. E porquê? Porque, primeiro não há uma dicotomia norte-sul. Há uma divisão Lisboa-resto do País.

Segundo, isto não é uma guerra. Isto são ataques contínuos e unilaterais perpetrados pelo poder central. Quem me dera que o resto do País tivesse o poder suficiente para poder responder e, aí sim, transformar esta desigual relação de forças numa guerra. Até porque estou absolutamente convencido que se o resto do País tivesse algum poder, isto não acontecia. A verdadeira razão para este imbecil despotismo não está em qualquer mirífica intelectualidade do poder central, mas tão só no cobarde aproveitamento da incapacidade de resposta do resto do País. Ah, e também na indolência e na mansidão que os fofinhos tanto veneram e fomentam.

Terceiro, esta desigualdade que se verifica há anos e anos, foi exponencialmente agravada pela pandemia. Enquanto uns acreditaram ingenuamente na união dos Portugueses, os pavões do Maghreb, insolente e cobardemente, não se inibiram de desqualificar e caluniar o resto do País. As nossas reacções são legítimas respostas às provocações que todos os dias sofremos e que, nos últimos tempos, ultrapassaram muito, mas mesmo muito, a linha do tolerável.

Quarto, pessoalmente, estaria a marimbar-me para as banais, imbecis e despropositadas manifestações de parolismo que o lisboeta tanto precisa de demonstrar. Basta para tal a resposta que um nortenho, um alentejano, um transmontano, etc., têm capacidade para dar. Até porque assenta numa alma e numa firmeza que o lisboeta não compreende, não alcança, mas teme. O problema é que este desplante está umbilicalmente ligado ao poder político. Este provincianismo alimenta e configura a administração central que por sua vez o remunera, protegendo-o.

E infelizmente o poder central ainda consegue determinar grande parte da minha vida

Pavões I

Para quem não acredita que além de todas as desgraças que penamos (pandemia, bancarrota, governo, dgs, etc.), temos neste País dois sistemas, duas leis, dois critérios, duas visões, etc.: a dos pavões parolos e a dos verdadeiros Portugueses que apesar de mansos (demasiado), ainda têm a lucidez de perceber o que é, realmente, importante.

Ó excrementos enfeitados do Maghreb que são tão dispensáveis neste País quanto uma Caneças em qualquer festa, VENCIDOS foram vossemecês anteontem pelas dignas gentes dos Açores que não hesitaram em, altruística e temporariamente, ter outro lar para não dificultar a vida a outros.

Enterro, também, tiveram vossemecês anteontem e, sem culpa de quem partiu, mais uma vez demonstraram o esterco que são. PR incluído.

Orgulho. Muito orgulho de quem sabe estar. De quem sabe ser. Porque isso é que é a verdadeira dignidade. E não ficamos em casa para evitar trabalho ou escola. Foi mesmo para evitar festa. É que a primeira é fácil. Até vossemecês conseguem. A segunda é para gente a sério.

Traduzindo em linguagem que possam compreender, imaginem um novo rico ridiculamente espampanante que olha embasbacado para o velho conde que do alto da sua longa linhagem, tranquilamente, exala carisma e nobreza. Agora, se conseguirem pôr os vossos dois neurónios a funcionar, entendam qual dos dois, vossemecês são.

Rasca

Este indivíduo redefine o que é ser rasca.

[Read more…]

Mania das Grandezas

Portugal, tal como o resto do mundo, está a atravessar uma pandemia. Devido à mesma, teremos enormes consequências na vida das pessoas, principalmente pelo abalo que a economia levou. Talvez algumas pessoas agora percebam que não é a economia que mata. Durante os últimos meses, os profissionais de saúde têm sido bastante elogiados pelo combate ao vírus. Chega a ser comovente a entrega destes profissionais que têm vidas humanas nas suas mãos. Em França, o Governo garantiu dar até 1500 euros de bónus a profissionais de saúde. Na Alemanha, vai ser aumentado o salário aos mesmos. [Read more…]

Nacional-parolismo em tempos de covid

PIC

Lamento ser o desmancha-prazeres, mas estou convencido que fomos a terceira ou quarta escolha para receber a final da Liga dos Campeões. Não deve haver muito quem se queira meter nisto, neste momento. E acrescento que isto pode correr duplamente mal. Por um lado, porque a zona de Lisboa está a braços com uma situação muito delicada, no que à propagação do vírus diz respeito. Por outro, porque se algo correr mal, nomeadamente a nível de contágios, os holofotes que chegarão de todo o mundo para cobrir a bola, serão os primeiros a crucificar a imagem imaculada que o turismo português ainda tem. E isso poderá causar danos irreparáveis da nossa galinha dos ovos de ouro.

Sei bem que não é uma opinião popular. O futebol é soberano e ai de quem se lhe oponha, seja lá de que maneira for. E essa soberania absoluta, quase totalitária, ficou bem evidente no momento de nacional-parolismo imortalizado pela foto em cima, com este grupo de simpáticos convivas, que, sem grande coisa para fazer, se reuniu para uma grande cerimónia protocolar de elogio desbragado ao grande conseguimento da pátria. Com honras de abertura de todos os telejornais, como se tivesse sido encontrada a cura para a covid-19. É o que temos.

“Andar de Transportes” *

Porto Invicto

tviContinua a campanha centralista por parte dos órgãos de comunicação. Continuamos a ter Lisboa considerada o arquétipo da perfeição e o resto do país como paisagem. Do Norte a Sul, os portugueses merecem respeito. O Porto também merece. Um Porto exemplar nesta luta que devia ser de todos. Uma luta contra as mentalidades mesquinhas que tentam diminuir o resto do país.

Ao contrário de muitas regiões que já se renderam à capital, o Porto diz não.

Sobre o futuro anexo ao aeroporto de Lisboa, conhecido como aeroporto do Montijo

Durante décadas falou-se em construir um novo aeroporto porque era preciso aumentar a capacidade e porque era perigoso ter um aeroporto ao lado da cidade. Consequentemente, o aeroporto de Lisboa seria encerrado.

Por isso, talvez tenha passado despercebido que a actual proposta recorrendo ao Montijo pressupõe que o actual aeroporto de Lisboa continue em operação. Mais, até se planeia a sua expansão. Está tudo explicado no comunicado da Vinci e ainda melhor ilustrado num vídeo produzido pela própria Vinci. Só faltou explicar porque é que o anterior perigo de ter um aeroporto no centro de Lisboa deixou de ser um problema.

Foi publicado na Nature, no passado dia 29 de Outubro, um artigo sobre a subida dos níveis da água do mar e o impacto nas zonas costeiras. A imagem seguinte é a projecção para 2030, portanto para daqui a 10 anos.

Subida do nível das águas – projecção para 2030 (fonte)

[Read more…]

%d bloggers like this: