Já se sabe: com a campanha eleitoral, Passos Coelho está transformado numa espécie de Zelig. De manhã, é africano, à tarde, é pescador, e, à noite, diz o que os professores gostam de ouvir e não me admiraria que viesse a dizer que é o mais docente dos candidatos.
Hoje, o presidente do PSD criticou, com argumentos justos, o embuste chamado Novas Oportunidades. Imediatamente, Luís Capucha, saltando em defesa do seu latifúndio, ligou o mp3 e fez ouvir os dois mandamentos acéfalos do costume:
1. atacar as NO é atacar os profissionais que aí trabalham e os alunos que por ali passam;
2. as pessoas que atacam as NO são uns elitistas que pensam que a Educação não deve chegar a todos.
Quanto à primeira ideia, a verdade é que é possível descobrir facilitismo (ou é impossível não descobrir) nas NO, sem que isso signifique criticar as pessoas: os professores são obrigados a cumprir o que lhes é imposto, mesmo que não concordem (o que também acontece fora das NO), e os alunos mais ingénuos são enganados, acabando por confundir a posse de um diploma com a aquisição de conhecimentos. Os alunos menos ingénuos limitam-se a aproveitar a ocasião, o que é humanamente compreensível.
A acusação de elitismo, por outro lado, não passa de um inábil princípio de intenções. Na verdade, criticar o facilitismo das NO é outra maneira de afirmar que os alunos merecem melhor. Facilitar-lhes a vida, na verdade, é só desrespeitá-los. A expressão “processo educativo” é, no fundo, muito feliz, se tivermos em conta o substantivo ‘processo’: aprender não é obra de um momento, é um percurso com passos que devem ser seguros.
Capucha é o verdadeiro homo socraticus: limita-se a soltar duas ou três ideias e não se afasta daí um milímetro, não vá dar-se o caso de ter de argumentar verdadeiramente.






Recent Comments