Luís Capucha, das Novas Oportunidades, enfrenta Passos Coelho, dos oportunismos habituais

Já se sabe: com a campanha eleitoral, Passos Coelho está transformado numa espécie de Zelig. De manhã, é africano, à tarde, é pescador, e, à noite, diz o que os professores gostam de ouvir e não me admiraria que viesse a dizer que é o mais docente dos candidatos.

Hoje, o presidente do PSD criticou, com argumentos justos, o embuste chamado Novas Oportunidades. Imediatamente, Luís Capucha, saltando em defesa do seu latifúndio, ligou o mp3 e fez ouvir os dois mandamentos acéfalos do costume:

     1. atacar as NO é atacar os profissionais que aí trabalham e os alunos que por ali passam;

     2. as pessoas que atacam as NO são uns elitistas que pensam que a Educação não deve chegar a todos.

Quanto à primeira ideia, a verdade é que é possível descobrir facilitismo (ou é impossível não descobrir) nas NO, sem que isso signifique criticar as pessoas: os professores são obrigados a cumprir o que lhes é imposto, mesmo que não concordem (o que também acontece fora das NO), e os alunos mais ingénuos são enganados, acabando por confundir a posse de um diploma com a aquisição de conhecimentos. Os alunos menos ingénuos limitam-se a aproveitar a ocasião, o que é humanamente compreensível.

A acusação de elitismo, por outro lado, não passa de um inábil princípio de intenções. Na verdade, criticar o facilitismo das NO é outra maneira de afirmar que os alunos merecem melhor. Facilitar-lhes a vida, na verdade, é só desrespeitá-los. A expressão “processo educativo” é, no fundo, muito feliz, se tivermos em conta o substantivo ‘processo’: aprender não é obra de um momento, é um percurso com passos que devem ser seguros.

Capucha é o verdadeiro homo socraticus: limita-se a soltar duas ou três ideias e não se afasta daí um milímetro, não vá dar-se o caso de ter de argumentar verdadeiramente.

Comments


  1. Passos Coelho: “O Africano”: http://wp.me/ptJ5V-1Hm #cartoon

  2. pjota says:

    Os docentes e os técnicos que se disponibilizaram para trabalhar na Iniciativa Novas Oportunidades não são menos sérios nem menos exigentes do que os outros. Mas são um exemplo, porque na sua actividade desenvolvem uma atitude que outros esqueceram: preocupação com a aprendizagem de cada aluno, que tratam como se cada um fosse especial.
    É o trabalho desses docentes que faz da Iniciativa Novas Oportunidades um sucesso. Não o desconsiderem…

    As declarações de Passos Coelho desconsideram, quando não insultam, os esforços dos portugueses que estão a fazer um enorme esforço, sem paralelo na nossa história, para se qualificar. No fundo, com um misto de ignorância do trabalho que se faz e de má-fé, desconsidera o trabalho de centenas de escolas, de todos os centros de formação (incluindo os que são geridos em parceria com as associações patronais e sindicais) das autarquias (incluindo muitas do PSD) e das empresas (quer todas as grandes empresas que trabalham em estreita colaboração com a Iniciativa Novas Oportunidades, quer a rede de PME que por todo o país trabalha em conjunto com os operadores da INO). E desconsidera, principalmente, as 20 mil pessoas que, há mais de 3 anos, todos os meses aderem à Iniciativa Novas Oportunidades, somando já mais de 1.500.000 pessoas, 520.000 das quais já obtiveram uma certificação que foi totalmente merecida, resultado do seu esforço e da sua vontade de mudar as suas vidas, contribuindo com isso para a mudança das empresas e do país.

    • António Fernando Nabais says:

      O caríssimo comentador não faz mais do que replicar a pobreza argumentativa de Luís Capucha e da roseira em que se picou o país: se dizem mal das NO, dizem mal das pessoas que estão nas NO. Conheço muitos docentes que trabalham nas NO e não os considero nem mais nem menos por isso, como não os considero mais ou menos exigentes do que os outros. É o próprio sistema que é pouco exigente e muito pouco transparente. Aliás, o problema do facilitismo afecta, neste momento, todo o sistema de ensino, o que não quer dizer que os professores facilitem.
      Não ponho em causa o esforço de ninguém: o que afirmo é que esse esforço é inglório e coloca diplomas vazios nas mãos de pessoas cheias de vontade de aprender.
      Seria muito interessante que se fizesse um estudo com base nas opiniões dos professores que trabalham nas NO, mas poderia ser perigoso para a instituição e o PS não tem o hábito de ouvir a voz de profissionais devidamente habilitados. Em vez disso, distribui prendas ao pessoal do ISCTE. Mas não se preocupe, que o PSD encarregar-se-á de continuar este magnífico trabalho: http://aventar.eu/2011/05/17/novas-oportunidades-a-avaliacao-externa-impossivel/


  3. Eu não sou brincalhona. Não gosto de brincar com coisas cumpridoras. Conheço o funcionamento desta Iniciativa que modificou a vida e concretizou o desejo de terminar a sua escolaridade a muita gente.
    As declarações do Sr. Passos Coelho inclinam-se para quem frequentou e frequenta um CNO, mas também quem gere esta “casa”. Para si, SR. Presidente da ANQ um voto de firmeza, não fique vulnerado com as maledicências do PSD, a ganância ao poder é tanta que furam até ao que é de mais nobre, as causas justas.
    Para Passos Coelho, pelo que disse sobre as Novas Oportunidades deveriam todos os que receberam certificados por esta iniciativa negar voto a este senhor…e olhem que seriam milhares.
    Alguém mais íntimo sugira a este senhor fazer RVCC, deve estar na altura, senão ficará com um certificado de ignorância sobre a temática.
    FN

    • José Mendes says:

      A Sr.ª pode não ser brincalhona, mas acha que um diploma, eu tenho mais de que um, é que nos dá sapiência e a qualificação para evoluirmos como pessoas e como profissionais está muito enganada, aprendi muita coisa com o meus avós e nenhum deles tinham nenhum diploma, nesses tempos o diploma com menor valor era o da 3ª classe que sabiam mais que qualquer aluno com o 12º ano agora. Sabe em Portugal dá-se muito valor aos chamados canudos, que em grande parte dos casos de nada servem para avida activa, nos países mais desenvolvidos dá-se valor ao saber fazer e com qualidade, empenho e esforço e são valorizados por isso. Em Portugal os paizinhos querem que ao nascer se dê um canudo ao filho, seja Eng., Dr., Arq. ou qualquer outra coisa mesmo que depois não saiba fazer nada. Não sei se nas NO lhe disseram quais os tipos de saberes? o Saber-Saber, o Saber-Fazer, etc. Existe o saber fazer bem feito, o que é muito raro em Portugal, como saber Planear, o saber chefiar, o saber delegar, mas sabe o que lhe devia servir de orgulho não seria nenhum diploma, mas sim o saber exercer um actividade de forma honesta, empenhada e de profissional exemplar – este diploma é muito mais importante do que qualquer outro que lhe possam “dar”, é por essa razão que milhões de portugueses e7ou descendentes destes são o nosso orgulho por esse mundo fora onde trabalham com afinco e servem de exemplo em muitos países e também por isso são recompensados, sem canudos. Pense nisso. Os meus canudos não me orgulham e que me orgulha foi o tempo investido neles de forma a ser melhor pessoa e com os conhecimentos que posso devo desenvolver todos os dias de forma crítica por forma a desempenhar as minhas funções de maneira exemplar em todos os sentidos, é nisso me orgulho, é quando tenho um problema que parece irresolúvel e passo horas a pensar qual a melhor forma e consigo arranjar solução, a melhor solução, isso sim é ter orgulho, não no canudo de Mestre ou de Licenciado, esses estão dentro das pastas desde os dias que os recebi e não gosto que me chamem Dr. porque tenho uma Licenciatura e muito menos Mestre porque tenho um Mestrado, caminho para o Doutoramento, não pelo canudo, mas pelo apreender todos os dias, pelo discutir com os colegas por criar “mais valor” interno não pelo raio do canudo. Que raio mais, o canudo dá competência a alguém, pelo que parece dá orgulho mesmo que não haja esforço e dedicação na sua obtenção assim como a criação de novo conhecimento.

  4. José Mendes says:

    Meus Caros, já Bolonha é uma vergonha não me venham dizer que as Novas Oportunidades é qualificar pessoas, com ANQ sem ANQ. Quando vejo alunos de Mestrados da escola pública (ensino superior) pedir junto dos Directores de Mestrado para não fazerem exames e eles concordam pois estamos a falar de dinheiro. As Novas Oportunidades não é um bom exemplo para ninguém, décadas de 70, 80 e principio de 90 as escolas secundárias tinham aulas em horário pós-laboral e as pessoas iam fazer as suas disciplinas e os seus exames e obtinham um grau académico igual aos outros alunos, com a “riqueza” da sua experiência de vida, agora saírem Engenheiros “à pressão” porque trabalham numa empresa e fizeram 3 trimestres de Novas Oportunidades, ou ter o 12º ano em meia-dúzia de meses não sei se com docentes bons ou maus, haverá de vários tipos, maus, muito bons, medíocres, bom-, agora por principio a escola deve ser igual para todos, uma das maiores asneiras do pós 25 de Abril foi acabar com escola técnica, mas os alunos quer tenham 15 ou 60 anos se estão a tirar o 9º ano devem saber as mesmas matérias e ressalvo que o 60 tem um experiência de vida diferente do de 15 e vice-versa. A qualificação dada nas Novas Oportunidades e afins deixam-me sempre de pé atrás quando se conversa com pessoas que tiveram nesse tipo de programas e em conversa vamos percebendo que o tempo que lá passaram não lhes deu essa qualificação. Eu pessoalmente conheço vários casos e os conhecimentos antes e depois são praticamente os mesmo a atitude por vezes humilde de quem aceitava que não sabia passou a ser mais (não é regra) mais arrogante devido à dita “qualificação”. Já dei formação profissional, já fui professor universitário mas o que sempre vi (passaram milhares de alunos “pelas mãos”) a tentar atingir o topo sem esforço na maior parte dos casos e contrário era a excepção, por isso eu também ter deixado de dar aulas e formação, pois trabalhava mais eu na preparação das aulas os das acções de formação do que os alunos e os formandos e só ouvia reclamações da dificuldade de….facilidades, já chegam, por isso é que o Sócrates e a TSU mais o seu Inglês Técnico por fax ou “bad english” pensa que major é um patente (que é) militar. Novos Oportunidades seriam óptimas concerteza num país disciplinado como por exemplo a Suiça, não em Portugal com o “nacional-porreirismo”. E qualquer auditoria a gastos públicos, sejam eles quais forem, para mim é um imperativo nacional.

    • Miguel Martins says:

      Trabalho nas Novas Oportunidades (enquanto profissional de RVC), e com orgulho. Quando tenho de trabalhar com adultos que escrevem como o Sr. José Mendes tenho, normalmente, de lhes aconselhar o seguinte:
      1. quando queremos expor um argumento, devemos ter cuidado com o que escrevemos e como escrevemos. É aconselhável (e necessário) relermos o texto e corrigi-lo em termos de pontuação e de sintaxe;
      2. quando queremos desenvolver um argumento, devemos ter o cuidado de fundamentarmos o que escrevemos para que não fiquemos num registo de ‘lugar-comum’. Devemos também procurar fontes credíveis e factuais que permitam ‘validar’ o nosso argumento;
      3. devemos partir sempre da nossa experiência de vida, fonte dos nossos saberes mas também dos nossos preconceitos, para que façamos uma reflexão profunda sobre a validade, suficiência e pertinência dos mesmos. Normalmente, uma reflexão acompanhada e criticada permite a superação e alteração de alguns saberes e, na maior parte dos casos, de muitos preconceitos.
      Estes são apenas uma parte dos conselhos que eu vou dando àqueles que comigo vão desenvolvendo as suas reflexões. Parecem-me conselhos muito pertinentes e eu nunca dei aulas na universidade.

      Finalizando, um outro conselho que dou é o seguinte: é salutar pararmos, reflectirmos e direccionarmos as críticas que fazemos aos outros a nós próprios. Depois voltemos a reflectir e antes de irreflectidamente criticarmos, façamos esta pergunta – poderei EU criticar, com estes argumentos, os outros?

      Cumprimentos


      • Bem, caro Miguel Martins, o José Mendes, ao menos, não recorreu ao copy/paste 😉

        E, em abono da verdade, o que ele escreveu foi um comentário, uma comunicação que se quer mais imediata e natural. Não vejo sinceramente a pertinência das elevadas reflexões que propõe.

      • José Mendes says:

        Não tenho tempo, foi escrito mesmo à pressa a expressar a minha opinião. quanto ao resto nem me pronuncio para mim NO cheiram-me a formação profissional dada com o dinheiro da CEE nas décadas de 80 e 90, se não sabe como era pesquise informações dá para fazer várias teses de como desbaratar dinheiro e como existe corrupção em larga escala, com conhecimento de causa e sem lugar-comum nenhum. Quanto a reflexões existem muitas sem se gastar dinheiro dos contribuintes, vamos ao café e refletimos com os amigos, sem custos para o erário público. Certificar competências não é o mesmo de qualificar ninguém, os processos de aprendizagem não têm tempo político, mas não são só as NO, é Bolonha, é o ensino básico e secundário. é mau de mais para ser verdade tanta ignorância, existem vários vídeos exemplificativos da falta rigor no ensino em Portugal e então da formação profissional nem se fala, e esta paga muito bem paga. Não é só com as NO é com todo o processo de aprendizagem, poucas pessoas querem aprender, querem ter um canudo ou um diploma, quando num estudo com uns anos largos anos afirmava que grande parte dos portugueses eram analfabetos funcionais, queria isto dizer que não sabiam fazer coisas triviais como apanhar um elevador, seguir instruções básicas de direcção, entre outros itens analisados, eu confirmo isto numa das catedrais do consumo em Lisboa – o El Corte Inglês – as pessoas não sabem utilizar os elevadores e escadas rolantes, é triste mas é assim, é normal um pessoa “meter-se” no elevador que segue no sentido oposto para onde pretende ir, por exemplo estar no piso 4 ter como destino o piso 6 e entrar no elevador que vê que vai ao piso -3!! Entenda-se, que o sr. queira defender a sua dama, posto de trabalho, até entendo, mas tenha no mínimo sentido critico sobre o que é feito, e se é assim tão importante deixem fazer a auditoria externa, Olhe dos casos que conheço e alguns no local de trabalho as NO serviram para ter o diploma algumas das pessoas até foram para funções de menor relevância, mas também fazem isso a licenciados em relação ao amigos “rosas”, por isso, neste momento como se vê no caso Lusa o que interessa não é o diploma das NO ou outro, a competência ou os saberes mas sim o cartão “rosa”. Foram os dedos só a dedilhar sem as suas preocupações de pensamento frio, não estou a fazer um trabalho técnico, mas sim um comentário e a dar a minha humilde opinião de quem fez parte da sua formação entre elas o 12º Ano à noite sem NO e com exames sempre (aos dias de semana).

        • Miguel Martins says:

          Sr. José Mendes,
          1. A minha intervenção não se relaciona com a defesa do posto de trabalho. Por trabalhar num Centro Novas Oportunidades (CNO) sei muito bem quais são as críticas que deverão ser feitas ao sistema e quais são as virtudes do sistema. Reconheço que há muitas críticas a fazer a algumas dimensões da Iniciativa Novas Oportunidades. Partir do princípio que estaria comprometido e por isso não teria sentido crítico é um argumento que está errado.
          2. Julgo que para podermos fazer determinadas críticas deveremos ter mais e melhor informação (que está disponível na internet). Devemos perceber pelo menos o que é o sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (que é apenas uma das diferentes dimensões da Iniciativa Novas Oportunidades), quais são os seus fundamentos, as suas finalidades e as suas metodologias específicas. Posso estar enganado mas não me parece que seja o seu caso.
          3. Reconheço certamente muito interesse e pertinência em que se aprofunde a auditoria externa a que já está sujeita a Iniciativa Novas Oportunidades. Saber que CNO’s prezam por fazer um trabalho de qualidade e com rigor parece-me ser muito importante. Fechar os CNO’s que o não façam parece-me importantíssimo.
          4. Insinuações do tipo das que o Sr. faz a mim não me dizem muito. Reconheço que existem facilidades e/ou tráfico de influências em muito CNO’s. Pessoalmente pauto o meu trabalho por outros princípios (para sua informação, despedi-me de um CNO em que algumas dessas práticas eram admitidas). Sei também que não sou caso único! As minhas colegas de trabalho e tantas outras pessoas que conheço e que trabalham na mesma área não o fazem e nem o admitem e orientam a sua intervenção sem partidarizar a acção educativa e com o maior rigor profissional. Para mim e para essas outras pessoas são desrespeitosas algumas das afirmações feitas (não necessariamente por si, mas que se vão ouvindo e lendo).
          5. Em síntese, há certamente críticas e mudanças a fazer, mas tenhamos a capacidade de conhecermos o que se faz, como se faz e porque se faz e não sejamos nem levianos nem preconceituosos.


  5. Caro José Mendes:
    Diz que hoje dá-se muita importância aos “canudos”, o Sr. começa logo por dizer que tem vários diplomas. Afinal pertence ao rol dos que puxam pelos canudos para parecerem gente. Coisa que eu não fiz, mas para sua informação Senhor Mendes, sou licenciada em Enfermagem desde 1993, Especializada com Mestrado em Enfermagem Comunitária e Mestrado em Sociologia e Família. Todos estes cursos foram frequentados enquanto trabalhava e pagos por mim, não venha com muralismos de nascer com canudos ou serem os paizinhos a pagar. Todos os dias na minha actividade profissional é exigido Saber- Saber, Saber- Fazer, Saber-Ser … com muito orgulho e honra dignifico a minha profissão. Não me ensinou nada com a sua “lição de vida”.
    Já entendeu que não frequentei nem leccionei em nenhuma NO, porém não seria nenhum desprezo, todos o fazem com grande sacrifício para obter um certificado que não tiveram oportunidade de ter. O que contribui para diminuir a baixa qualificação que existia neste país desde a altura dos seus avós. Reconhecimento, resolução de problemas, capacidade de decisão e muito mais é o que é ensinado nas NO. Como vê não é único a pensar, logo não mande pensar quem já pensa. Se está a fazer Doutoramento é porque acha importante a qualificação, não se percebe é porque só a quer para si, partilha com a direita que a qualificação é só para alguns…os outros convém serem ignorantes, já morreu há 50 anos quem pensava assim e olhe onde nos levou. Pense nisto.

    • António Fernando Nabais\ says:

      Ninguém, em lado nenhum, contesta a importância da formação e da educação ao longo de toda a vida, com consequências imediatas ou mediatas na vida profissional. O problema é exactamente o de se saber que o modelo das NO, tal como está a ser posto em prática, é enganador e suficiente. Isto não é uma questão política, não é uma questão partidária, nem sequer ideológica. É um problema educativo.


      • “Isto não é uma questão política, não é uma questão partidária, nem sequer ideológica. É um problema educativo.”
        O que é isto?
        Então porque se levanta a preocupação à porta das eleições? O programa das Novas Oportunidades existe desde quando? Só agora alguns iluminados despertaram para Educação?
        Por favor, não retire palavras do PPC ” acertificação da ignorância”.

        • António Fernando Nabais says:

          Deve andar distraída: esta questão já foi levantada várias vezes por pessoas, ao longo dos últimos anos. Talvez tenha despertado para a Educação só recentemente.
          Entretanto, gostaria de de explicar melhor, porque não fui claro: este é um problema educativo. Como é evidente, não deixa de ser uma questão política, exactamente porque estamos em tempo de eleições, sobretudo porque estamos em tempo de eleições. Se quer a minha opinião, este sistema irá ser mantido, independentemente de quem ganhar, porque é publicidade garantida. Os prejudicados continuarão a ser todos aqueles que continuarão a fazer coisas em que não acreditam (e isso não acontece só nas NO) e todos os que gostariam de aprender e ficam com um diploma vazio.

      • António Fernando Nabais says:

        Onde está suficiente, deveria estar insuficiente.


  6. http://youtu.be/F1S0tVUuJ20

    A meu ver, este vídeo derrota o alvoroço histérico dos detractores da iniciativa Novas Oportunidades…
    Façam o favor de refletir. PSD só revela que não percebe nada do que cá se passa…é deplorável.

  7. Jaime Baptista da Silva Lopes says:

    Caros Senhores
    Depois de ter lidos alguns comentarios não posso de alguma maneira deixar de expressar o meu. Neste momento estou na Tecminho – Braga a fazer o processo RVCC.
    É minha opinião que muita gente fala deste processo e não tem o mínimo conhecimento sobre tal. Quando alguém inicia este processo, sabe que se trata de um Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC).
    As pessoas são informadas que todas as sessões presenciais não são de formação, mas sim de apoio e orientação do processo, que tem como objectivo levar o adulto a reflectir sobre as suas experiências de vida, e consequentemente sobre as competências que adquiriu através dessas diferentes experiências. Quando um candidato não consegue validar as suas competências em áreas previamente estabelecidas, ou faz formação nas referidas áreas ou simplesmente não recebe qualquer certificado. Também não posso deixar de criticar o facto de porem em causa a competência dos profissionais e formadores deste processo. No meu ponto de vista, são excelentes profissionais que cumprem o programa pré-estabelecido, com muito profissionalismo. Para terminar gostaria de dizer que o Dr. Pedro Passos Coelho ao chamar-me ignorante, que não me considero de todo, ofendeu-me não só a mim mas a milhares de portugueses, mostrando total ignorância no que diz respeito ao direito ao bom nome, a que todos temos direito, e que se encontra consagrado na Constituição da Républica Portuguesa. De qualquer das maneiras, quero agradecer-lhe por ter feito tais afirmações, pois sendo eu um dos quarenta e tal por cento de indecisos para as próximas eleições, perdi todas as dúvidas em quem não devo votar.

  8. António Fernando Nabais says:

    “Também não posso deixar de criticar o facto de porem em causa a competência dos profissionais e formadores deste processo. No meu ponto de vista, são excelentes profissionais que cumprem o programa pré-estabelecido, com muito profissionalismo.”

    Se ler com atenção, notará, com certeza, que não é isso que aqui se escreveu. Se não ler com atenção, é melhor voltar a ler.

    Por acaso, eu também não vou votar em Passos Coelho e, portanto, nem sequer estou interessado em defendê-lo. No entanto, acredito que as NO, em particular, e a Escola, em geral, andam, cada vez mais, a certificar ignorância, por imposição de um sistema vergonhoso (http://aventar.eu/2011/05/18/novas-oportunidades-enquadramento-do-facilitismo/). A ignorância não é um defeito e considerar que alguém é ignorante não é um insulto. O que é insultuoso é insistir em políticas enganadoras.
    De resto, não tenha problemas em aproveitar as caixas de comentários para fazer campanha eleitoral. Quanto a ter-se decidido agora, depois de ouvir Passos Coelho, deixe-me rir um bocadinho.

  9. Pedro Gonçalves says:

    Não há dúvida nenhuma que estamos na presença de um assunto extremamente controverso. No entanto, não posso deixar de notar a presença de algumas frases de alguns “opinadores” que são inacreditáveis e que provém de pessoas que se incluem claramente no lote de pessoas que gostam de mostrar que têm opiniões e que estão indignados!

    Não conheço o programa NO a fundo, mas posso dizer que a minha mãe integrou este programa e isso serviu-lhe para andar mais motivada e mais incentivada com a sua díficil vida, tendo oportunidade de se voltar a formar quase 50 anos depois de ter acabado o seu 4º ano de escolaridade. A questão aqui não são os moldes em que foi realizado o programa mas sim a abertura que o mesmo deu a todos os portugueses a dirigirem-se aos centros de formação e acordarem para uma sociedade que está a evoluir e a passar por eles sem nada poderem fazer.

    Canudos? Quem falou em canudos? Acordem, percebam do que estão a falar. Estamos a falar de pessoas adultas com muita experiência de vida, agarradas a uma rotina e com medo de mudar e que doutra forma não se voltariam a formar. E não houve facilitismos não. Podem crer que para a minha mãe foi muito pior aprender a trabalhar com um computador do que “relembrar a tabuada”. E qual era o interesse de dar uma “nova oportunidade” a estes formandos nos moldes actuais do 12º ano? Eu acabei o 12º ano há 2 anos e posso dizer que 80 % daquilo que lá se aprende são coisas totalmente inúteis, tendo em conta as autênticas bodegas que espetam nos programas de ensino, os exames finais que fazem que não servem senão para falsear o real valor dos alunos e a quantidade exagerada de carga horária e de disciplinas que existem.

    Não estamos sempre a dizer que somos socialmente retardados? Que estamos mal formados e informados? Então sinceramente não percebo esta contestação rídicula. É mais um ataque pessoal ao governo demissionário. Não tomo partidos e não os tenho, mas a verdade é que no Ranking de quem teve boas oportunidades para estar calado, Passos Coelho e Catroga vão claramente na frente. Desde “pintelhos” e afins até este ataque que nunca poderia ser feito pois está a colocar em causa um dos programas de maior sucesso nos últimos anos no nosso país. Para o próprio PSD isto significa a perda de milhares de votos. Que inconsciência.

    • António Fernando Nabais says:

      Com nenhuma ironia, percebo que se congratule com o que a frequência das NO fez pela sua mãe e não contesto, nunca, que é melhor passar pela escola do que não passar. No entanto, o problema está exactamente nos moldes. Não se pode diplomar de qualquer maneira, por muito que se queira e deva dar novas oportunidades àqueles que não as tiveram. O facto – com certeza inegável –de que a sua mãe foi obrigada esforçar-se não é argumento suficiente para provar de que aprendeu o suficiente para alcançar uma determinada equivalência. O facto de acreditar que a maior parte do que aprendeu no 12º é inútil pode ser vir de argumento contra o currículo, mas não pode servir para defender as NO.
      Uma coisa é ocupar de maneira útil e proveitosa o tempo. Aceitar que isso dê direito a um diploma equivalente a um grau de estudos é outra coisa.
      De resto, espero que PS e PSD percam muitos votos.

  10. Jaime Baptista da Silva Lopes says:

    Caro Sr. António Nabais
    O Sr. deve andar um pouco distraído. A minha opinião foi em relação às declarações do Sr. Dr. Passos Coelho e não a qualquer opinião emitida pelo Senhor. Em relação ao facto de se rir sobre o facto de me ter decidido depois das referidas declarações, está a rir à toa porque se ler com atenção, só estou decidido em quem não vou votar e não em quem vou votar. No que diz respeito a eu fazer campanha eleitoral está completamente engano pois não foi essa a minha intenção. Para finalizar gostaria de saber se chamar ignorante a milhares de pessoas sobre as quais não tem o minimo de informação, são é um insulto, então é o quê?

    • António Fernando Nabais says:

      Caro Jaime Lopes

      Não tenho muito a acrescentar à resposta que já lhe dei. Se me perguntar se considero hábil um político falar em “certificar ignorância”, respondo-lhe que não. Se me perguntar se concordo com essa afirmação, digo-lhe que sim e, como já escrevi, não é um exclusivo das NO, é um problema do ensino em geral. Na minha opinião, é grave conceder um diploma a um ignorante e isso está a tornar-se um hábito. Em sínteses: o facilitismo é do sistema; chamar ignorante a alguém não é, necessariamente, um insulto.

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