O ensino profissional como desistência e retrocesso

Penso que ninguém põe em causa as virtudes do ensino profissional, desde que encarado, sobretudo, como uma escolha consciente dos alunos e não como um reduto para quem tenha revelado dificuldades de aprendizagem.

Ana Maria Bettencourt, presidente do Conselho Nacional de Educação, e Luís Capucha, antigo director das Associação Nacional para a Qualificação (responsável pelas Novas Oportunidades) criticaram o recentemente encantamento de Nuno Crato com o sistema dual alemão, tendo em conta que obriga dos alunos a escolher um percurso profissionalizante numa fase precoce da vida. Para além disso, como lembra bem Luís Capucha, Portugal “não tem um tecido empresarial suficientemente forte e consolidado para assumir a formação profissional”. [Read more…]

Luís Capucha, das Novas Oportunidades, enfrenta Passos Coelho, dos oportunismos habituais

Já se sabe: com a campanha eleitoral, Passos Coelho está transformado numa espécie de Zelig. De manhã, é africano, à tarde, é pescador, e, à noite, diz o que os professores gostam de ouvir e não me admiraria que viesse a dizer que é o mais docente dos candidatos.

Hoje, o presidente do PSD criticou, com argumentos justos, o embuste chamado Novas Oportunidades. Imediatamente, Luís Capucha, saltando em defesa do seu latifúndio, ligou o mp3 e fez ouvir os dois mandamentos acéfalos do costume:

     1. atacar as NO é atacar os profissionais que aí trabalham e os alunos que por ali passam;

     2. as pessoas que atacam as NO são uns elitistas que pensam que a Educação não deve chegar a todos.

Quanto à primeira ideia, a verdade é que é possível descobrir facilitismo (ou é impossível não descobrir) nas NO, sem que isso signifique criticar as pessoas: os professores são obrigados a cumprir o que lhes é imposto, mesmo que não concordem (o que também acontece fora das NO), e os alunos mais ingénuos são enganados, acabando por confundir a posse de um diploma com a aquisição de conhecimentos. Os alunos menos ingénuos limitam-se a aproveitar a ocasião, o que é humanamente compreensível.

A acusação de elitismo, por outro lado, não passa de um inábil princípio de intenções. Na verdade, criticar o facilitismo das NO é outra maneira de afirmar que os alunos merecem melhor. Facilitar-lhes a vida, na verdade, é só desrespeitá-los. A expressão “processo educativo” é, no fundo, muito feliz, se tivermos em conta o substantivo ‘processo’: aprender não é obra de um momento, é um percurso com passos que devem ser seguros.

Capucha é o verdadeiro homo socraticus: limita-se a soltar duas ou três ideias e não se afasta daí um milímetro, não vá dar-se o caso de ter de argumentar verdadeiramente.

Novas Oportunidades – depressa e bem afinal há quem

Estudo defende que Novas Oportunidades estão a trazer mais saber para as famílias

Numa sociedade que se pretende solidária, considero absolutamente justo que se procure dar sempre novas oportunidades a quem as não teve. Quem, por alguma razão, não pôde ou não quis estudar deve ser sempre incentivado a regressar, deve ter outras oportunidades de compensar o que não conseguiu alcançar. Tudo isso deve ser feito com base em, pelo menos, três pressupostos: deve ser um processo rigoroso, deve basear-se na vontade de aprender e deve ser facilitado pela legislação laboral. Qualquer diploma comprovativo de habilitações só terá significado real se for uma consequência disso.

Recentemente, foi apresentado um estudo em que se chega a várias conclusões acerca do programa Novas Oportunidades. A coordenadora estudo é Lucília Salgado, professora da Escola Superior de Educação de Coimbra. A autora já havia participado no Fórum Novas Fronteiras, organizado pelo PS, para além de ter estado presente no “Seminário Iniciativa Novas Oportunidades: Primeiros Estudos da Avaliação Externa”. [Read more…]

As mentiras de Luis Capucha

Luis Capucha é o actual responsável pela Agência Nacional para a Qualificação, e deu uma entrevista ao Público de hoje. Começa por afirmar:

Surgem críticas, mentiras e afirmações de quem não quer mentir mas fala do que não sabe. Surgem críticas, mentiras e afirmações de quem não quer mentir mas fala do que não sabe.
Trabalhei 3 anos nas Iniciativas Novas Oportunidades (INO). Vamos lá então ver quem mente, quem fala e quem sabe.
Uma das críticas é que os adultos não aprendem disciplinas formais.
Desminto. Há regras a cumprir que têm a ver com o cumprimento dos procedimentos necessários.
Desminto o desmentido. Os referenciais de competências estão organizados em torno de 3 áreas que abarcam as várias disciplinas de uma forma muito vaga. A título de exemplo História, no secundário,  pertence a Sociedade, Tecnologia e Ciência, a única área onde os formadores de História estão impedidos de trabalhar (como as competências  exigidas estão ao nível do 9º ano, compreende-se).

Há quem receba subsídios para estar na INO?
Só os adultos que frequentam cursos de educação formação profissionais.

Mentira. Tantos os EFAS como os processos de RVCC incluem subsídio de transporte e alimentação.

Não são os desempregados?
O problema é que para frequentar esses cursos, implica estar desempregado.

Mentira. Para frequentar um EFA e ser subsidiado basta ter mais de 18 anos. Há EFAS intensivos em horário laboral e para desempregados, com outros subsídios. Mas o transporte e alimentação são comuns a todos. [Read more…]