O CDS num ponto de viragem

Porto de abrigo dos órfãos da União Nacional na versão mais monárquica e conservadora, o CDS nasceu com uma ideologia difusa (personalismo cristão, pregava Freitas do Amaral com a convicção de se estar a referir a nada e a coisa nenhuma) e assim foi vivendo, abundantemente populista após a aterragem de Paulo Portas (vindo curiosamente do PPD, onde se albergara a contragosto a restante orfandade, que terminou por dominar alguma social-democracia convicta que o fundou).

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Na vida eleitoral foi escolhendo os territórios que lhe iam garantindo a fuga ao táxi: tivemos um CDS securitário (e sempre teremos), rural e para velhinhos, a parte não derretida do glaciar salazarista que assegurava uma boa base eleitoral.

Ora a viragem do discurso da extrema-direita neste século complicou as coisas, além da lei natural da vida, como diria Cunhal, que vai encolhendo o número dos saudosistas. O discurso dito geracional do neoliberalismo ataca a segurança social numa tentativa de trocar a luta de classes pelo conflito entre os velhos que gastam o que os pobres jovens terão de ganhar. Irónico, se me recordar do que significava “conflito de gerações” na minha adolescência, utilizado então para negar os conflitos sociais, reduzidos a modas, charros, música e essas cenas da malta nova que não respeita o peso da sabedoria anciã. [Read more…]