Para se ser político, pelo menos em Portugal, é necessário ser-se especialista na Fuga em Frente, a mais recente modalidade olímpica. Se o Triatlo exige resistência, a Fuga em Frente baseia-se no descaramento.
Aliás, o que fez com que este desporto passasse a ser modalidade olímpica foi o facto de o político aprender a ignorar olimpicamente qualquer mentira, promessa ou contradição.
Mário Soares e Cavaco Silva são as grandes referências, os veteranos da excelência.
Soares, por exemplo, critica o FMI e austeridade, passando uma aparente esponja sobre o seu passado como primeiro-ministro. O mesmo Soares, depois de ter arrumado o marxismo numa gaveta e depois de ter vivido imperturbável os anos em que José Sócrates aplicou receitas de direita, arvora-se, agora, em unificador da esquerda.
Cavaco, depois de ter contribuído para a depauperação do tecido produtivo, transformou-se no defensor do regresso à agricultura e de outras actividades para cuja quase-extinção contribuiu.
Ontem, num debate da SIC Notícias, Teresa Leal Coelho, exímia praticante da modalidade e fervorosa atleta da bancada do PSD, mostrou estar à altura dos melhores, ao desvalorizar o facto de Passos Coelho ter faltado a todas as promessas que fez e ao afirmar, com magnífico descaramento, que as políticas actuais foram impostas ao governo. Trata-se de uma séria candidata à medalha de ouro.
Assim, o futuro de Portugal na Fuga em Frente será, com certeza, radioso.






Recent Comments