Passos Coelho e o «bode expiatório para lavar as mãos»

bode2Pedro Passos Coelho é um homem ocupado, já se sabe, e é, portanto, natural, que nem sempre tenha tempo para pensar naquilo que diz, até por falta de hábito. Nos últimos tempos, o ex-governante está demasiado “focado”, para usar um verbo que está na moda, em repetir a ideia de que as possíveis sanções por défice excessivo não se devem ao facto (repito: facto) de que o seu governo deixou um défice excessivo, mas sim à falta de competência do actual governo que ainda não pôde gerar défice excessivo. Passos Coelho é como as criancinhas que partem uma jarra e culpam outro menino que tinha acabado de entrar na sala.

A repetição de ladainhas embota ainda mais o cérebro de quem a reproduz e uma pessoa acaba por baralhar as referências. Há uns anos, Assunção Esteves pôs Beauvoir onde deveria estar Babeuf. Passos Coelho conseguiu misturar numa mesma frase o Antigo e o Novo Testamento e, ao querer acusar o actual executivo de atirar culpas para a burocracia eurocrata, declarou que o governo procura «um bode expiatório para lavar as mãos.» [Read more…]