Ainda o Regicídio (Centenário da República)

Este texto é um apêndice de um outro que aqui publiquei no dia 1 de Fevereiro. Como disse na altura, o meu intuito não é resolver o mistério do Regicídio, mas sim esclarecer sobre o que se passou na tarde daquele dia, em 1908, no Terreiro do Paço. Não porque não gostasse de desvendar esse mistério, mas porque os dados que permitiriam saber o que verdadeiramente esteve por detrás do atentado têm sido sistematicamente ocultados.

Embora se saiba, sem margem para dúvidas, que uma conjura de monárquicos, mais concretamente de gente da Dissidência Progressista, liderada por José de Alpoim e pelo visconde da Ribeira Brava, esteve na base da conspiração. Diz José Luciano de Castro, em «Documentos Políticos»: «Os dissidentes, que para a generalidade do país, são os principais responsáveis da tragédia do 1 de Fevereiro de 1908, e que, se não destruíram a monarquia foi porque não puderam».

No meu romance «A Sinfonia da Morte» encontro uma explicação plausível e na qual acredito; mas trata-se de uma ficção, onde as suposições (plausíveis ou não) são permitidas. Inclusivamente, nos chamados romances históricos, é pelos hiatos da documentação histórica que a teia da ficção passa e se constrói. Mas hoje, ainda não vos falarei da tal célula clandestina dentro da própria Carbonária, a «Coruja» que terá, segundo se julga saber, planificado o crime. Isso ficará para um outro texto. Hoje vou falar do que se passou no Terreiro do Paço em 1 de Fevereiro de 1908, cerca das 17 horas. [Read more…]