A patética comparação de Estrela Serrano

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Quem me conhece e acompanha o que escrevo, certamente saberá que não tenho grande simpatia por Francisco Pinto Balsemão, o embaixador do sombrio Clube Bilderberg em Portugal. Mas uma coisa é não simpatizar (no meu caso é mais repúdio) com o indivíduo. Outra, muito diferente, é alinhar com comparações absurdas como esta, protagonizada por Estrela Serrano.

Estrela Serrano, para quem não sabe, faz lembrar um daqueles bloggers formatados do socratismo, sempre pronta para dar o peito às balas por qualquer donzela socialista em apuros. Como é seu direito. Daí a comparar o regabofe familiar-partidário que se instalou no governo à condução dos destinos de uma empresa privada, onde, naturalmente, os filhos do dono e fundador da empresa têm lugar na sua administração, é patético. Pura e simplesmente patético.

O triunfo dos porcos

Ouvir a Mortágua falar da partidarização da discussão sobre a continuidade da PGR e reduzir as opiniões que foram sendo dadas a uma dicotomia defesa/ataque de Sócrates, releva uma hipocrisia e uma desonestidade intelectual repugnantes. Seria tão relevante quanto a importância da própria figura que o disse (ou seja, quase nada), não fora o pormenor de traduzir a grande diferença ética entre as 3 posições principais sobre este assunto.

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Era tão bonito

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Projecto de lei XYZ/2017

Tendo em conta a enorme destreza, sagacidade, inovação, competência e eficiência do actual governo em matéria económica e financeira, bem como a certeza absoluta e irredutível que estamos, realmente, no bom caminho e que o tempo da austeridade imposta por Bruxelas, pelas Agências de Notação e pelo grande capital se encontra já, definitivamente, ultrapassado, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, as Deputadas e os Deputados do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, do Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português e do Grupo Parlamentar do Partido Socialista (o deputado do Partido Animais Natureza aproveitou este momento para ir, convenientemente, à casa de banho) apresentam o seguinte Projecto de Lei:

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CGD – O Resumo

Após ler o que já se escreveu hoje (tanto no Aventar, como nos media e redes sociais) sobre a polémica “Caixa Geral de Depósitos” encontrei a fotografia que resume tudo. É de Marcos Borga, no Expresso. Boa noite.captura-de-ecra-2017-02-16-as-01-38-06

O debate: e agora?

A intervenção de Passos Coelho no debate de ontem não foi brilhante, ou, para ser um pouco mais rigoroso, esteve mais próxima do desastre do que o regresso de Relvas à antena. Confirma-se a velha teoria: ninguém ganha eleições, porque, só quem tem o poder é que as pode perder. Ontem, voltou a ser assim. António Costa esmagou e agora corre, de forma clara, para ser o próximo Primeiro-ministro.

Com o que sabemos hoje, parece-me impossível uma maioria absoluta e por isso teremos o PS com um governo minoritário ou será que haverá uma coligação? Coligação com a coligação, parece-me uma impossibilidade. Coligação à esquerda? Em função do que vamos vendo, também não estou a ver como.

Alguém tem a resposta?

A Amnésia

Qual é a pressa?

É nos jogos palacianos que claramente se demonstra que primeiro está o partido, ilustrando igualmente como é que  alguém chega a primeiro-ministro. Democracia? Está bem, está.

‘Tá Mar!

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As ondas estão altas e a marés duras, mais alta e dura está a estupidez de quem se apresta a insistir nas mesmas soluções falhadas que transformaram a costa portuguesa num gigantesco catálogo de insanidade urbanística, ecológica e estética. Parece que os arrogantes domesticadores da natureza do século passado não aprenderam nada. Não compreendem que os ciclos da natureza respiram fundo e o facto de um pedaço de areal ter uma, duas ou três décadas alguma estabilidade não é garantia que ali se tenha uma praia para a eternidade. Hoje concessionam-se praias e infraestruturas como se não houvesse amanhã.

Dá-se como certo o que, pela sua natureza, é variável. Lembro-me de, em miúdo, ouvir os protestos desconfiados dos velhos (do Restelo, chamavam-lhes) chamando a atenção:”isto não é praia, o mar aqui é um cão, tenham juízo”. Qual quê? Inventaram-se praias por toda a costa e construíram-se edifícios onde antes só havia palheiros onde os pescadores guardavam as artes. [Read more…]

Um PS dos mais frágeis de sempre, desenhado à vontade de Soares

De Seguro a Passos Coelho, há alguma distância ideológica. Todavia, é insuficiente para garantir alternativa séria, corporizada em modelo e objectivos de governação de que o País carece – de resto, em acto de uma espécie de mimetismo dos masoquistas islandeses, o povo português, tudo indica, permanecerá, por teimosia e culpa, enredado no círculo dos partidos do ‘arco do poder’.

Há dias, vi a reportagem do almoço do 40.º aniversário do PS, na sede do Rato, apenas entre Soares e Seguro. O tom laudatório do patriarca socialista a louvar Seguro foi elucidativo do empenho proteccional ao reeleito secretário-geral do PS. Há afirmações pueris, apenas no aspecto: No fundo, trata-se de juízos intencionais e de uma modalidade de autoritarismo suave na aparência, mas plasmado na determinação do objectivo, semelhante à finalidade do ataque do pérfido felino a dominar a presa. E Seguro é, de facto, presa fácil.

Soares, desde sempre, nunca abdicou da prerrogativa de comandar o Partido Socialista, mesmo quando deslocado para funções incompatíveis com a militância – Presidência da República é um dos casos. Os vergonhosos afastamentos de Vasco da Gama Fernandes e Salgado Zenha são dois actos de ‘vendetta’ soarista que jamais a História deixará esquecer.

Seguro, ‘jota’, pardo ministro de Guterres e sem qualificações para chefiar a governação do País na complexa encruzilhada em que vivemos, é a réplica de um Passos Coelho para quem Mário Soares se chamou Ângelo Correia. [Read more…]

Não se trata de Saudade

Mas, onde é que anda o sr. Silva? Estava com alguma expectativa de o ver na reportagem sobre o BPN.

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Está tudo em aberto….

A saga de Sócrates prossegue.
A direita não desarma .Ele defende-se dizendo que só sai ,se houver eleições democráticas.Desafiada, a oposição recusa uma moção de censura,sob o pretexto de que não seria bom para a imagem do país . Querem assar o Governo em fogo lento .

O país está dividido.Para uns há uma enorme manipulação.Para outros há uma insuportável verdade.
Em qualquer dos casos,creio, há uma derrapagem democrática.
Na Madeira a intervenção nos media nunca levantou protestos nacionais deste género.
Nem nenhum dos governos do pós 25 de Abril tem a este respeito as mãos limpas.
A imprensa, de contra poder que devia ser ,foi passando , paulatinamente a ser um “quarto poder”, nas mãos de yes men,ou de boys, graças às intervenções do Poder .

Agora, o “Sol”,que aqui clama que não há liberdade de imprensa, teve de retirar duas páginas da reportagem da edição desta semana, na edição que vai para Angola-”modelo” de democracia- ,porque um dos envolvidos no caso da “Face Oculta” é sócio da filha do Presidente da República ,que não se quer sujar com isto, e é sócia também do semanário.
Por outro lado ,neste assunto das escutas ilegais, Sócrates não tem sido assertivo. Tem falado a destempo, sem dizer o que devia.
Parece-nos que era altura de despedir alguns “amigos” ,e definitivamente,se é esse o caso, desautoriza-los por terem falado em seu nome,sem sua autorização.
Tem-se a impressão que há (ir)responsáveis que ocupam lugares no topo de empresas do Estado,simplesmente por causa da côr do cartão partidário, e constata-se que nestas situações mais agudas, em que é preciso,sangue frio e maturidade,não estão à altura .Só tentam salvar-se, e aos ordenados chorudamente desmedidos que auferem ,sem pensarem nas empresas que representam,na oportunidade das suas intervenções, no Estado que os colocou lá, e no país em que vivem E na Justiça assistimos ao mesmo desacerto .Causam muito desgaste e descrédito ao regime .
É nessária e urgente uma intervenção clara , e forte .
O Governo tem de agir aqui rápida e definitivamente ,e mostrar que está a trabalhar nas outras áreas que tanto preocupam os portugueses, vitimas de uma crise para a qual o Governo não os preparou, minimamente,não falando toda a verdade quando era tempo. Basta de erros!
António Costa fez muito bem em recusar passar da CML para o Governo,pois há quem fale já na substituição de Sócrates no próprio PS, lembrando que tinha um compromisso de quatro anos com Lisboa. O país e os lisboetas não esquecerão esta garantia da sua palavra. Manter a palavra nos políticos já é tão raro,que ele só terá a ganhar com isso.
ASerzedelo

A Carbonária, a «Coruja» e a conspiração do Regicídio – 1 (Centenário da República)

Com mais este terceiro texto (desdobrado em dois) sobre o tema do Regicídio encerrarei, para já, este assunto. Com a plena consciência de que muito (ou mesmo quase tudo) fica por dizer. Tendo servido de assunto a muitos livros, a questão do Regicídio não se esgota em pequenas crónicas que, como esta, apenas permitem aflorar, muito superficialmente, alguns aspectos. Nos textos anteriores, além de um enquadramento político do atentado, vimos como ele se passou.

Como disse no texto anterior, todas as reconstituições iconográficas do Regicídio são, no mínimo imprecisas. A que vemos acima é, apesar de tudo, uma das menos fantasiosas. O cenário está perfeito, é a Rua do Arsenal sem invenções. O Costa está a ser agarrado pelo cívico que lhe vai disparar um tiro na cabeça. Mas, à esquerda vemos Buíça, que tinha ficado no Terreiro Paço e ali terá sido acutilado e morto. Todavia, mesmo com este erro, talvez seja, entre as muitas dezenas de reconstituições que vi, a que menos mente.

Em todo o caso, ficou na sombra algo que nunca se esclareceu. No Terreiro do Paço, além de Buíça e de Costa, quantos mais elementos intervieram. Pela peritagem da Polícia Científica, chega-se à conclusão de que foram pelo menos cinco, os que participaram no atentado. É uma evidência que os projecteis encontrados, nos corpos, no landau, nas arcadas, foram provenientes de cinco armas diferentes, embora duas delas fossem iguais – carabinas Winchester de calibre 351.

Identificou-se também as munições de calibre 7,65, da pistola Browning do Costa. No landau, foram encontrados vestígios de projécteis de calibre 6,35 e, também no landau, a perfuração de um projéctil 5,5 do chamado tipo «Vello-dog», revólveres de pequeno calibre e fraco poder de penetração que os ciclistas usavam para afastar os cães. [Read more…]

Ainda o Regicídio (Centenário da República)

Este texto é um apêndice de um outro que aqui publiquei no dia 1 de Fevereiro. Como disse na altura, o meu intuito não é resolver o mistério do Regicídio, mas sim esclarecer sobre o que se passou na tarde daquele dia, em 1908, no Terreiro do Paço. Não porque não gostasse de desvendar esse mistério, mas porque os dados que permitiriam saber o que verdadeiramente esteve por detrás do atentado têm sido sistematicamente ocultados.

Embora se saiba, sem margem para dúvidas, que uma conjura de monárquicos, mais concretamente de gente da Dissidência Progressista, liderada por José de Alpoim e pelo visconde da Ribeira Brava, esteve na base da conspiração. Diz José Luciano de Castro, em «Documentos Políticos»: «Os dissidentes, que para a generalidade do país, são os principais responsáveis da tragédia do 1 de Fevereiro de 1908, e que, se não destruíram a monarquia foi porque não puderam».

No meu romance «A Sinfonia da Morte» encontro uma explicação plausível e na qual acredito; mas trata-se de uma ficção, onde as suposições (plausíveis ou não) são permitidas. Inclusivamente, nos chamados romances históricos, é pelos hiatos da documentação histórica que a teia da ficção passa e se constrói. Mas hoje, ainda não vos falarei da tal célula clandestina dentro da própria Carbonária, a «Coruja» que terá, segundo se julga saber, planificado o crime. Isso ficará para um outro texto. Hoje vou falar do que se passou no Terreiro do Paço em 1 de Fevereiro de 1908, cerca das 17 horas. [Read more…]

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