Diálogos de café: o eixo da terra

-Eh, pá, finalmente um dia de sol. Já estava farto de tanta chuva.

-Pois é, parece que a culpa é do anticiclone dos Açores.

-Ouvi dizer que este ano está mais fraquinho…

-Mudou de sítio, pá, o problema é esse.

-Se mudou de sítio não sei, mas lá que tem chovido como o caraças, isso tem. Ouve lá, como é que o anticiclone mudou de sítio?

-Foi o sismo, acho que o do Haiti. Li no jornal que entortou o eixo da terra.

-Entortou o eixo da terra?

-Entortou o eixo da terra e, como ficou todo torto, o anticiclone saíu do lugar.

-Puxa, não admira que o tempo tenha ficado doido. Isto está cada vez pior.

-Já não há volta a dar. Como é que se pode endireitar outra vez o eixo da terra? Nem daqui um século.

-Porra!!! Estamos lixados, pá, a minha sorte é que já não me sobram muitos anos.

A formiguinha e o elefante

Conto-me entre os que acham que a acção humana tem tido graves consequências no equilíbrio ecológico do planeta. Incluo-me entre os que pensam que o efeito de estufa, por exemplo, tem muito a ver com  a forma como usamos os recursos naturais e com as emissões que disso resultam. Afirmo que tragédias como a que, recentemente, ocorreu na Madeira poderiam ser minoradas e acauteladas se houvesse uma maior sensibilidade em relação à ocupação do território e um maior respeito pelas forças da natureza. Entendo que alguns fenómenos climatéricos e atmosféricos são amplificados por desflorestações, alteração dos recursos hídricos, libertação de CO2, etc.

Daí a admitir, como tenho lido e ouvido, que terramotos como o do Haiti (epicentro a 13 km de profundidade) ou do Chile (34 Km de profundidade) tenham origem humana, leva-me a perguntar: isto, foi um pontapé que o Cristiano Ronaldo deu na terra? Um murro do Mike Tyson? Os chineses espirraram todos em conjunto?