O horrível equipamento da selecção e outras questões menores

O equipamento da selecção para o Mundial é horrível?

Talvez seja.

Ainda assim não tão horrível como os 6500 trabalhadores que morreram na construção dos estádios do Mundial, explorados, traficados, sem condições de segurança, mínimos de dignidade e não raras vezes em regime de escravatura.

Nem tão horrível como a legitimação de uma monarquia absoluta e totalitária que em pouco ou nada se distingue do Kremlin nos métodos, onde ser mulher é não ter direitos, ser homossexual é ilegal e assumir uma religião que não o Islão dá pena de prisão até 10 anos.

Ou tão horrível como a hipocrisia daqueles que se indignam com regimes onde a sharia é lei, excepto quando estão em causa ditaduras como a Qatari, onde a sharia também é lei e prevê penas como a flagelação e a lapidação.

A diferença?

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Jogos Olímpicos: A roupa em excesso

Já aqui tínhamos alertado para as múltiplas dimensões da diversidade olímpica, do basket ao volei, da Croácia ao Brasil.

O Público de hoje volta ao assunto porque em Londres a polémica vai alta em torno do equipamento das meninas do volei de praia, ou se quiserem, da falta dele.

Escândalo grita a Rainha! A Vitória, acrescento eu!

Depois admiram-se da modernidade árabe de ocultar o corpo feminino. São estas as mentalidades da era moderna? Acham estranho jogarem de bikini? Queriam que jogassem de burka?

Eu continuo a encontrar MUITO interesse na coisa olímpica, sendo que neste caso nem me parece ser essa a questão principal:

Então não dá para perceber que as meninas estão a jogar pedra-papel-tesoura? Parece-me uma tremenda falta de atenção ao próprio jogo. Das duas uma: ou jogam volei ou jogam pedra-papel-tesoura!

Se for esta a opção, pedra-papel-tesoura, seria melhor explicar à menina de azul que só pode fazer um gesto de cada vez: ou faz tesoura ou pedra. OK? Vamos lá ser rigorosos nestas coisas!