José Vilhena

E aqueles que por obras valerosas

Se vão da lei da Morte libertando

(Canto I de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões)

Tudo tem um fim e a vida do Mestre José Vilhena não foi excepção.

Já a sua mestria não terá, imortalizada que está em cada traço, em cada palavra com que satirizou a política, a sociedade, os costumes.

No dia da morte do Mestre, partilho convosco uma foto da capa do primeiro número da histórica publicação “Gaiola Aberta” (uma relíquia que guardo com especial carinho).

Obrigado, Mestre José Vilhena.

Gaiola Aberta

 

 

Oferece-me um vestido de saliva

(Martinho da Vila, um perigoso piropeiro)

O João já explicou aqui o absurdo da coisa. Eu confesso que como filho da mãe, pai da filha e irmão das irmãs, há coisas que preciso de acrescentar. Primeiro, que o machismo é uma coisa primária, que vem dos nossos instintos animalescos e permaneceu ao longo dos séculos com interrupções ao longo da História, nalguns pontos do globo. O machismo é uma questão de educação e combate-se através da transmissão de valores que não tenham em conta na forma de organização da sociedade o género da pessoa ou do indivíduo – viram como usei os dois géneros?. Ou seja, de tod@s, que eu sei que assim percebem melhor. [Read more…]

Jogos Olímpicos: A roupa em excesso

Já aqui tínhamos alertado para as múltiplas dimensões da diversidade olímpica, do basket ao volei, da Croácia ao Brasil.

O Público de hoje volta ao assunto porque em Londres a polémica vai alta em torno do equipamento das meninas do volei de praia, ou se quiserem, da falta dele.

Escândalo grita a Rainha! A Vitória, acrescento eu!

Depois admiram-se da modernidade árabe de ocultar o corpo feminino. São estas as mentalidades da era moderna? Acham estranho jogarem de bikini? Queriam que jogassem de burka?

Eu continuo a encontrar MUITO interesse na coisa olímpica, sendo que neste caso nem me parece ser essa a questão principal:

Então não dá para perceber que as meninas estão a jogar pedra-papel-tesoura? Parece-me uma tremenda falta de atenção ao próprio jogo. Das duas uma: ou jogam volei ou jogam pedra-papel-tesoura!

Se for esta a opção, pedra-papel-tesoura, seria melhor explicar à menina de azul que só pode fazer um gesto de cada vez: ou faz tesoura ou pedra. OK? Vamos lá ser rigorosos nestas coisas!

Arte púbica. Já tinha ouvido falar?

Nunca as palavras arte, artista, artístico, estiveram tão banalizadas. Ele é a arte de tudo e mais alguma coisa, nem vale a pena tentar enumerar. Agora é a arte púbica. Se a arte pública é para ser vista por todos, a arte púbica é para ser vista só por alguns. Não gosta do nome? Nem eu. Mas também lhe chamam depilação artística. E aos depiladores, chamam artistas!


Contrastes

Mazagão

Harém de ministro mouro embarca em Mazagão. postal antigo

A minha primeira ida a Marrocos aconteceu em Janeiro de 1976 e posso afirmar que o meu coração ficou por lá. Não sei se pelo fascínio que o país exerceu sobre mim, se por alguma identificação inconsciente sentida, ou se por algum despertar da memória de uma anterior vida passada do lado de lá do Estreito.

Aliás, parece ponto assente que Marrocos é tudo menos indiferente ao olhar da maioria dos portugueses que o visitam, suscitando sentimentos apaixonados, muitas vezes de sinal contrário, e assim foi desde tempos recuados.

Esta constatação é notória na obra “A imagem de Marrocos nos relatos de viagens dos Portugueses (1870-1996)”, uma compilação de textos de viajantes portugueses a este país do Norte de África, da autoria de Abdelmouneim Bounou, publicada pela Universidade Sidi Mohammed Ben-Abdellah de Fez em 1998. Nestes textos é patente o fascínio que Marrocos exerce nos viajantes portugueses, os sentimentos que neles desperta, o mistério que encerra. De entre todos, o texto de Ruy da Câmara “Contrastes entre Europeus e Mouros”, que de seguida se transcreve, ressalta pela forma como as diferenças que o viajante encontra no país que vai descobrindo são de tal forma surpreendentes, que o autor termina com a frase “Tal é este originalíssimo país. Tal é esta originalíssima civilização!” (CÂMARA, 1879, pág. 301) [Read more…]